Caraxíneos (cientificamente denominados Charaxinae) são uma subfamília de insetos da ordem Lepidoptera e da família Nymphalidae, classificada por William Doherty no ano de 1886 e composta por um grupo de espécies de borboletas amplamente distribuídas pelas regiões de clima tropical da Terra, encontrando o seu principal centro de especiação na região da África subsariana e região indo-malaia. Os Charaxinae apresentam corpos geralmente robustos, sustentando um voo veloz e poderoso; com preferências de alimentação, nos adultos, abrangendo a extração de substâncias úmidas e mineralizadas do solo, ou sobre fezes (principalmente de Carnivora) e carniça, mas também sugando fermentação em frutos e exsudações em troncos de árvores; geralmente exibindo cores vivas em sua face superior, nas asas, e cores discretas em sua face ventral, por vezes imitando a aparência de uma folha decomposta, assumindo um desenho críptico complexo e raramente apresentando cores mais vistosas ou ocelos. Dentre as preferências de alimentação de suas lagartas estão plantas das famílias Annonaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Flacourtiaceae, Lauraceae, Monimiaceae, Piperaceae e Sapindaceae.

Dimorfismo sexual O dimorfismo sexual é intenso nesta subfamília; em Charaxes, as fêmeas geralmente são maiores que os machos e muitas delas exibem coloração mais pálida ou faixas brancas nas asas que não estão presentes nos machos. Alguns machos de Charaxes podem ter apenas uma cauda, ​​enquanto as fêmeas têm duas caudas. Nestes e em outras espécies, em outros gêneros, também podem se apresentar colorações bem distintas das dos indivíduos do sexo masculino. Na tribo Preponini os machos são caracterizados por apresentar tufos de escamas androconiais na região basal de suas asas posteriores.SMART, Paul (Op. cit., p.68-69.).

Mimetismo e ocelos Em Charaxinae o mimetismo não é comum. Um exemplo notável de associação de mimetismo envolve Charaxes acraeoides, cujo tipo nomenclatural fora coletado em Camarões; imitando o padrão de borboletas Heliconiinae do gênero Acraea. No caso da tribo Anaeini, é possível afirmar que a subespécie Consul fabius drurii participa do mesmo grupo mimético de borboletas Heliconiini da região sudeste do Brasil (em particular Heliconius ethilla narcaea). Em uma subespécie de Prepona (ex Agrias; da tribo Preponini) da bacia do rio Amazonas, P. amydon phalcidon, ocorre uma relação de mimetismo com borboletas do gênero Asterope. A presença de ocelos também é incomum e pode ser detectada em Charaxes analava, de Madagáscar, no verso de suas asas posteriores e próximos às asas superiores do inseto, mas principalmente em algumas espécies de Prepona, que os apresentam em pares e bem desenvolvidos, em cada asa posterior.

Classificação científica: tribos de Charaxinae As borboletas da subfamília Charaxinae estão divididas em seis tribos:

Tribo Anaeomorphini. Borboletas da região neotropical, com duas espécies (Anaeomorpha splendida e Anaeomorpha mirifica) no noroeste da América do Sul. Tribo Anaeini. Borboletas da região neotropical, com uma espécie (Anaea troglodyta) no sul da região neoártica das Américas. Tribo Charaxini. Com uma espécie no holoártico europeu (Charaxes jasius) e com diversas espécies na região afro-tropical, região indo-malaia e Oceania. Tribo Pallini. Borboletas exclusivamente restritas à região afro-tropical, com um gênero (Palla). Tribo Preponini. Borboletas da região neotropical das Américas, com pouca representação nas Antilhas (Archaeoprepona demophoon, em Porto Rico, República Dominicana e Cuba). Tribo Prothoini. Borboletas da região indo-malaia e Melanésia, com menos de 5 espécies classificadas.

Galeria de imagens

Datas: cronologia da classificação de Charaxinae Séculos XVIII ao XX 1758: Linnaeus cataloga Papilio demophon (Archaeoprepona) e Papilio pyrrhus (Polyura). 1767: Linnaeus cataloga Papilio jasius (Charaxes). 1775: Cramer cataloga Papilio eurinome (Euxanthe), Papilio fabius (Consul) e Papilio ryphea (Fountainea); Fabricius cataloga Papilio polycarmes (Memphis) e Papilio troglodyta (Anaea). 1776: Schulze cataloga Papilio claudia (Agrias). 1777: Cramer cataloga Papilio clytemnestra (Hypna) e Papilio decius (Palla). 1779: Cramer cataloga Papilio isidora (Zaretis). 1801: Illiger cataloga Papilio nemesis (Siderone). 1807: Hübner determina o gênero Consul (ex subgênero de Anaea).SMART, Paul (Op. cit., p.267.). 1811: Hübner cataloga Potamis superba laertes (Prepona). 1816: Ochsenheimer determina o gênero Charaxes. 1819: Hübner determina os gêneros Anaea, Hypna, Memphis, Zaretis (ex subgêneros de Anaea), Euxanthe e Palla. 1820: Billberg determina o gênero Polyura. 1823: Hübner determina o gênero Siderone (ex subgênero de Anaea). 1824: Godart cataloga Nymphalis franck (Prothoe); Hübner determina o gênero Prothoe. 1836: Boisduval determina o gênero Prepona. 1844: Guérin-Méneville cataloga Nymphalis (Prepona) chromus (Noreppa); Doubleday determina o gênero Agrias. 1855: Hewitson cataloga Nymphalis calydonia (Agatasa). 1860: Hewitson cataloga Siderone archidona (Coenophlebia). 1862: C. & R. Felder determinam o gênero Coenophlebia (ex subgênero de Anaea). 1865: Guenée determina a tribo Charaxini. 1868: Salvin & Godman catalogam Paphia cyanea (Polygrapha). 1886: Doherty determina a subfamília Charaxinae. 1887: Staudinger determina o gênero Polygrapha (ex subgênero de Anaea). 1894: Rothschild determina o gênero Anaeomorpha. 1896: Reuter determina a tribo Anaeini. 1899: Moore determina o gênero Agatasa. 1915: Fruhstorfer determina o gênero Archaeoprepona. 1971: Rydon determina os gêneros Fountainea (ex subgênero de Anaea) e Noreppa, e as tribos Pallini, Preponini e Prothoini. Século XXI 2004: Gerardo Lamas transfere os subgêneros de Anaea para o estatuto de gênero e considera Anaea troglodyta espécie monotípica. 2008: Gláucia Marconato afirma, no artigo Análise cladística de Charaxinae Guenée (Lepidoptera, Nymphalidae), que "alguns gêneros resultaram como polifiléticos como é o caso de Charaxes, Archaeoprepona e Prepona e necessitam revisão taxonômica com base nesta filogenia... Charaxes deve incluir as espécies do gênero Polyura. Archaeoprepona deve incluir o gênero monotípico Noreppa e Prepona deve incluir Agrias". 2009: Kwaku Aduse-Poku, Eric Vingerhoedt e Niklas Wahlberg, no artigo Out of Africa again: A phylogenetic hypothesis of the genus Charaxes (Lepidoptera: Nymphalidae) based on five gene regions, acrescentam Euxanthe e Polyura ao gênero Charaxes, através de sequenciamento de DNA. 2013: Elena Ortiz-Acevedo e Keith R. Willmott, no artigo Molecular systematics of the butterfly tribe Preponini (Nymphalidae: Charaxinae), fundem Agrias com Prepona, Noreppa com Archaeoprepona e concluem que a outrora espécie de gênero monotípico Anaeomorpha splendida Rothschild, 1894 nunca se agrupara filogeneticamente com os restantes Preponini. 2015: Emmanuel F. A. Toussaint, Jérôme Morinière, Chris J. Müller, Krushnamegh Kunte, Bernard Turlin, Axel Hausmann e Michael Balke, no artigo Comparative molecular species delimitation in the charismatic Nawab butterflies (Nymphalidae, Charaxinae, Polyura), questionam o artigo de 2009, afirmando que "investigações filogenéticas moleculares do grupo revelaram uma afiliação de parente próximo dentro dos clados de Charaxes, apesar da falta de evidências morfológicas. Apesar de algumas sugestões taxonômicas, a sistemática de Charaxes e seus parentes dos gêneros Euxanthe e Polyura permanece contenciosa. Isto é. É provável que Charaxes represente uma série parafilética complexa". 2017: Bonfantti, Casagrande & Mielke determinam o gênero Mesoprepona, no artigo Using Molecules and Morphology to Unravel the Systematics of Neotropical Preponine Butterflies (Lepidoptera: Charaxinae: Preponini).

Galeria de imagens de Charaxinae em vista ventral

Categoria:Caraxíneos