Maria da Esperança de Bourbon (; Madrid, 14 de junho de 1914 — Villamanrique de la Condesa, 8 de agosto de 2005) foi uma infanta da Espanha e princesa consorte de Orléans e Bragança.
Terceira filha do príncipe Carlos, infante da Espanha e da princesa Luísa de Orléans, Maria da Esperança nasceu no seio da Casa de Bourbon-Duas Sicílias, uma das mais tradicionais dinastias europeias. Cresceu em ambiente profundamente aristocrático, marcada pelas tradições da corte espanhola e pelos laços com diversas casas reinantes do continente.
Seu casamento, em 1944, com o príncipe Pedro Gastão de Orléans e Bragança inseriu-a diretamente na questão dinástica brasileira, tornando-se figura relevante dentro do Ramo de Petrópolis da família imperial. Como consorte, acompanhou o marido durante o período em que este reivindicou a chefia da Casa Imperial do Brasil, desempenhando papel discreto, porém significativo, na manutenção das tradições monárquicas no exílio.
Ao longo de sua vida, Maria da Esperança manteve estreitas ligações com a realeza europeia, sendo parente próxima de diversos membros da família real espanhola. Sua trajetória simboliza a continuidade dos vínculos dinásticos entre antigas casas soberanas, mesmo após o fim das monarquias em alguns países.
Faleceu em 2005, na Espanha, aos 91 anos, deixando descendência que permanece ativa nos círculos monárquicos e na preservação da memória da Casa de Orléans e Bragança.
Biografia
Infância e juventude Maria da Esperança foi a terceira filha do Infante Carlos da Espanha, e de sua segunda esposa, a princesa Luísa de Orléans. Neta paterna do príncipe Afonso das Duas Sicílias, Conde de Caserta e chefe da Casa Real das Duas Sicílias, e da princesa Maria Antonieta das Duas Sicílias. Por parte de mãe, ela era neta do príncipe Filipe d'Orléans, Conde de Paris e chefe da Casa Real da França, e da princesa Maria Isabel d'Orléans.
Foi baptizada a 21 de Junho de 1914 no Palácio Real de Madrid, tendo como padrinhos a tia rainha Amélia de Portugal, e o seu tio príncipe Raniero das Duas Sicílias. O rei Afonso XIII tinha arranjado para que os filhos resultantes deste segundo casamento do infante Carlos gozassem das honras, preeminências e distinções dos infantes da Espanha, seguindo-os imediatamente na ordem hierárquica como príncipes da Casa de Bourbon.«Decreto real que dispõe que o filho ou filha nascido no próximo nascimento de Dona María Luisa de Francia y Orleans, esposa do Infante D. Carlos de Borbón y Borbón, receba o tratamento de Alteza Real e sejam mantidos iguais honra e preeminência do que aos Infantes da Espanha." miniaturadaimagem|Maria em 1922. Em 1931, com a queda da monarquia na Espanha, a família real espanhola foi exilada, mas alguns militares republicanos foram ao infante Carlos declarar que com a família dele nada se passaria e que poderiam permanecer em Sevilha, se quisessem. Apesar da oferta eles também se exilaram junto à família real espanhola, em Roma.
Casamento Em 18 de dezembro de 1944, casou-se na Catedral de Sevilha com seu primo, o príncipe Pedro Gastão de Orléans e Bragança, neto da princesa imperial do Brasil, Isabel de Bragança, e do príncipe imperial consorte Gastão de Orléans, Conde d'Eu, e bisneto do último imperador do Brasil, Pedro II. Pedro Gastão era pretendente à chefia da Casa Imperial Brasileira, título disputado com seu primo, Pedro Henrique de Orléans e Bragança. O casamento reuniu uma diversas autoridades sevilhanas e nobres descendentes da Casa de Bourbon, uma vez que estavam presentes as duas irmãs do noivo, Isabel de Orléans e Bragança, casada com Henrique de Orléans, Conde de Paris, e Maria Francisca de Orléans e Bragança, casada com Duarte Nuno, Duque de Bragança.
A partir de então, a vida de Maria da Esperança dividiu-se entre os lares de Sevilha, na Espanha, e em Petrópolis, no Brasil. O casal teve seis filhos, todos nascidos e criados em Petrópolis, à exceção do mais velho, que nasceu no Rio de Janeiro.
A partir da década de 90, após a fracassada tentativa de restauração da monarquia brasileira, por meio do Plebiscito de 1993, Maria da Esperança e Pedro Gastão se mudaram para a Europa, onde passaram a residir no Palácio de Villamanrique, residência da princesa em Sevilha.
Maria da Esperança faleceu em 8 de agosto de 2005, aos 91 anos. Seu marido faleceu em 2007.
Descendência Maria da Esperança e o seu marido, Pedro Gastão de Orléans e Bragança, tiveram seis filhos: Pedro Carlos de Bourbon de Orléans e Bragança (), casou-se por três vezes, a primeira em 1975, com Rony Kuhn da Suza. Viúvo, casou-se em segundo, em 1981, com Patricia Alexandra Brascombe. Viúvo, casou-se em terceiro, em 2021, com Patrícia Alvim Rodrigues, com descendência apenas do primeiro e segundo. Maria da Glória de Bourbon de Orléans e Bragança (), casou-se por duas vezes, a primeira em 1972, com Alexandre Karađorđević, Príncipe Herdeiro da Iugoslávia, de quem se divorciou em 1985. No mesmo ano, Maria da Glória casou-se com Ignacio de Medina y Fernández de Córdoba, Duque de Segorbe e Grande de Espanha, com descendência dos dois casamento. Afonso Duarte de Bourbon de Orléans e Bragança () casou-se por duas vezes, a primeira com Maria Parejo em 1973, de quem se divorciou em 1998. No mesmo ano, casou-se com Sylvie Amélie de Hungria Machado, com descendência apenas do primeiro.Época A casa de veraneio da princesa Isabel, em Petrópolis, é restaurada e transformada em centro cultural) Manuel Álvaro de Bourbon de Orléans e Bragança (), casou-se em 1977, com Margarita Haffner y Lancha, filha de Oskar Haffner, de quem se divorciou em 1995, com descendência. Cristina Maria de Bourbon de Orléans e Bragança (), casou-se por duas vezes, a primeira em 1980, com o Príncipe Jean-Paul Sapieha-Rozanski, e de quem se divorciou em 1992. No segundo casamento, casou-se com José Carlos Calmon de Brito, de quem também se divorciou em 1996, com descendência apenas do primeiro. Francisco Humberto de Bourbon de Orléans e Bragança (), casou-se por duas vezes, a primeira em 1978, com Christina Schmidt Peçanha, filha de Gaubert Schmidt e Alice Peçanha, posteriormente eles se divorciaram e Francisco casou-se em segundo lugar em 1980, com Rita de Cássia Pires, com descendência dos dois casamento.
Títulos e Estilos
14 de Junho de 1914 - 18 de Dezembro de 1944:"Sua Alteza Real, a Princesa Maria da Esperança das Duas-Sicílias, Infanta de Espanha".
18 de Dezembro de 1944 - 8 de Dezembro de 2005:"Sua Alteza Real, a Princesa Maria da Esperança de Orléans e Bragança".
Referências
Categoria:Ramo de Petrópolis Categoria:Nobres da Espanha Categoria:Naturais de Madrid