é um livro de quadrinhos francês escrito por Hélène Bruller e ilustrado pelo cartunista suíço Zep, cujo conteúdo está destinado à orientação sexual de alunos entre 11 a 15 anos de idade (na França, seu país de origem, o livro é considerado adequado para crianças entre 9 e 13 anos) e, para tanto, é protagonizado pela personagem da série em quadrinhos franco-belga Titeuf, traduzida para mais de 25 países, incluindo a República Popular da China. A obra especificamente foi publicada em dez línguas, vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares e foi transformada em uma exposição apresentada por duas vezes na Cité des Sciences et de l'Industrie, na capital francesa Paris.

No Brasil, a obra foi lançada em 2007, pelo selo juvenil da editora Companhia das Letras. A obra passou anos esgotada e sem novas publicações no país até que, após a divulgação da obra feita pelo então deputado Jair Bolsonaro, que promoveu informações falsas a respeito da obra, a editora Companhia das Letras anunciou seu relançamento, ocorrido em setembro de 2018.Companhia das Letras anuncia relançamento de livro citado por Bolsonaro

Controvérsias no Brasil O livro foi o cerne de uma polêmica envolvendo Jair Bolsonaro, então deputado federal, crítico do programa Escola sem Homofobia. Bolsonaro afirmou em programas de televisão que este livro estaria sendo distribuído pelo Ministério da Educação (MEC). Bolsonaro também afirmava que a obra havia constado num suposto "Seminário LGBT infantil", que na verdade era a nona edição do evento anual "Seminário LGBT no Congresso Nacional". O evento ocorrera em maio de 2012 com tema "Infância e Sexualidade" e foi organizado pela Frente Parlamentar Mista Pela Cidadania LGBT, contando com a participação de especialistas em direito, educação, sexualidade, psicologia e cultura. O evento, no entanto, não teve relação direta com o programa Escola sem Homofobia do MEC.

De acordo com a assessoria de imprensa da editora Companhia das Letras, o livro francês "nunca foi comprado pelo MEC, como tampouco fez parte de nenhum suposto 'kit gay'. O Ministério da Cultura [outra pasta] comprou 28 exemplares em 2011, destinados a bibliotecas públicas". Sobre a questão, o MEC se pronunciou por meio da seguinte nota:

A polêmica ganhou repercussão internacional e os próprios autores chegaram a se pronunciar a respeito, ao final de uma entrevista, Hélène Bruller declarou que não pretendia processar Jair Bolsonaro pelas informações imprecisas sobre seu livro, pois acredita que ele já seja "perseguido por seus próprios demônios":

Também em entrevista, o quadrinista Zep declarou:

Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronunciou, afirmando que o livro nunca esteve associado ao MEC nem nunca fez parte do Programa Brasil sem Homofobia, que sequer chegou a ser executado. Durante as eleições presidenciais daquele ano, o órgão determinou a remoção de vídeos que afirmassem que o livro havia sido distribuído por programas governamentais enquanto Fernando Haddad ocupava o cargo de Ministro da Educação. A representação tinha como alvos Jair Bolsonaro e seus filhos Carlos e Flávio Bolsonaro. Segundo o ministro Carlos Bastide Horbach, os vídeos configuram "a difusão de fato sabidamente inverídico, pelo candidato representado e por seus apoiadores, em diversas postagens efetuadas em redes sociais" o que "gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político".

Ver também Controvérsias envolvendo Jair Bolsonaro

Ligações externas UOL Confere: Livro exibido por Bolsonaro no Jornal Nacional não foi comprado pelo MEC

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