O almirante Sir William Sidney Smith, GCB, GCTE, KmstkSO, FRS, (21 de junho de 1764 – 26 de maio de 1840) foi um oficial da marinha Britânico. Foi promovido ao posto de almirante após servir nas guerras revolucionárias Estadunidense e Francesa. Napoleão Bonaparte, ao refletir sobre sua própria vida, disse a respeito do Almirante Smith: "Aquele homem me tirou o meu destino".Pocock, Thomas, "A Thirst for Glory: The Life of Admiral Sir Sidney Smith", p.114, Pimlico 1998
Formação e Carreira Sidney Smith, como sempre se apresentou, nasceu em uma família militar e naval, com vínculos à família Pitt. Nasceu em Westminster, o segundo filho do Capitão John Smith, da guarda real, e sua esposa Mary Wilkinson, filha do próspero comerciante Pinckney Wilkinson. Sidney Smith estudou na escola Tonbridge até 1772. Ingressou na Marinha Real Britânica em 1777 e lutou na Guerra Revolucionária dos Estados Unidos, onde engajou, em 1778, a fragata Estadunidense Raleigh.
Por sua bravura sob o comando do Barão de Rodney em uma batalha perto do Cabo São Vicente, em janeiro de 1780, Sidney Smith foi, no dia 25 de setembro, nomeado tenente do navio de 74 canhões de terceiro grau HMS Alcide apesar de não ter a idade requerida, de dezenove anos.
Distinguiu-se sob o comando do Almirante Thomas Graves na Batalha de Chesapeake, em 1781, e do Almirante George Rodney na Batalha de Saintes e, consequentemente, foi promovido ao receber seu primeiro comando, do saveiro Fury. Logo foi promovido a capitão de uma fragata maior, mas após a paz de Versalhes de 1783, ele foi relocado em terra, recebendo metade de seu salário anterior.
Durante a paz, Smith decidiu viajar para a França e se envolveu com a inteligência da marinha, observando a construção do novo porto naval em Cherbourg. Ele também viajou para a Espanha e Marrocos , que também eram potenciais inimigos.
Serviço na Marinha Real Sueca Em 1790, Smith pediu permissão para servir na Marinha Real Sueca, na guerra entre a Suécia e a Rússia. O Rei Gustav III o nomeou para o comando do esquadrão leve e para ser o seu principal orientador naval. Smith conduziu suas forças ao expulsar da Baía de Viborg a frota russa, evento conhecido como a Batalha de Svensksund (finlandês: Ruotsinsalmi, russo: Rochensalm). Os Russos perderam sessenta e quatro navios e mais de mil de homens. Os Suecos perderam quatro navios e tiveram poucas baixas. Por isso, Smith foi condecorado pelo rei, agraciado como Comandante da Grã-Cruz da Svärdsorden (Ordem da Espada) Sueca. Smith usou este título, com a permissão do Rei George III, mas era ridicularizado por seus colegas, oficiais Britânicos, como "o cavaleiro sueco".
Havia um grande número de oficiais Britânicos recebendo metade do salário como Smith, que se alistaram e lutaram junto à frota russa, e seis foram mortos na ação. Como resultado, Smith ganhou a inimizade de muitos oficiais da marinha inglesa pelo seu serviço aos Suecos.
Serviço Guerras Revolucionárias Francesas Em 1792, o irmão mais novo de Smith, John Spencer Smith, foi nomeado à embaixada Britânica à corte Otomana, em Constantinopla. Sidney Smith obteve permissão para viajar para a Turquia. Enquanto estava lá, estourou a guerra contra a França Revolucionária, em janeiro de 1793. Smith recrutou alguns marinheiros Britânicos e partiu para se juntar a frota Britânica sob o comando do Almirante Lord Hood, que havia ocupado o principal porto mediterrâneo da Marinha francesa, Toulon, a convite das forças Francesas Monarquistas.
Quando Smith chegou, em dezembro de 1793, as forças Revolucionárias, incluindo um coronel de artilharia, Napoleão Bonaparte, tinham cercado o porto e estavam atacando-o. Os Britânicos e seus aliados tinham soldados insuficientes para montar uma defesa eficaz, e o porto foi consequentemente evacuado. Smith, servindo como voluntário, sem comando, foi dado a tarefa de queimar o máximo possível de navios e lojas francesas, antes que o porto pudesse ser capturado. Apesar de seus esforços, a falta de apoio das forças espanholas enviadas para ajudá-lo deixou mais da metade dos navios franceses a serem capturados sem danos. Apesar de Smith ter destruído mais navios franceses que qualquer ação de uma frota até então, Nelson e Collingwood, entre outros, culparam-no pela falha de não destruir toda a frota francesa.
Em seu retorno a Londres, Smith foi dado o comando do HMS Diamond em 1795 e juntou-se a Esquadra de Fragatas do Oeste sob o comando de Sir John Borlase Warren. Este esquadrão foi formado por alguns dos mais hábeis e audaciosos capitães, incluindo Sir Edward Pellew. Smith ajustou-se ao padrão e, em uma ocasião, levou seu navio quase até o porto de Brest para observar a frota francesa.
Em julho de 1795, o Capitão Smith, comandante da Esquadra de Fragatas do Oeste HMS Diamond, ocuparam as Ilhas de Saint-Marcouf na costa da Normandia. Ele sacrificou dois de seus navios armados, o HMS Badger e o HMS Sandfly, para o fornecimento de materiais e mão-de-obra para fortificar as ilhas, e para o estabelecimento de uma base temporária naval. Mais defesas foram construídas pela Royal Engineers, e destacamentos dos Royal Marines e da Artilharia Real foram estabelecidas. As ilhas serviram como uma base para o bloqueio de Le Havre, um ponto de lançamento de interceptações de navegações de cabotagem, e como ponto de trânsito para os emigrantes Franceses, e foram de posse da Marinha Inglesa por quase sete anos.
Smith especializou-se em operações em terra, e, no dia 19 de abril de 1796, ele e seu secretário de estado John Wesley Wright foram capturados ao tentar interceptar um navio francês de Le Havre. Smith tinha levado os botes do navio ao porto, mas o vento diminuiu enquanto eles tentavam escapar, e os franceses foram capazes de recapturar a embarcação com Smith e Wright a bordo. Em vez de serem trocados, como era o costume, Smith e Wright foram levados para a prisão de Temple, em Paris, onde Smith foi acusado de incêndio criminoso pela sua queima da frota em Toulon. Como Smith recebia metade de seu salário na época, os franceses consideraram que ele não era um combatente oficial. Enquanto preso em Temple, ele encomendou um desenho de si mesmo e de seu secretário de estado John Wesley Wright, do artista francês Philippe Auguste Hennequin, que hoje pode ser encontrado no Museu Britânico.
Ele ficou preso em Paris por dois anos, apesar de uma série de esforços para trocá-lo por detentos inimigos, e de contatos freqüentes com monarquistas Franceses e agentes Britânicos. Notadamente, o Capitão Jacques Bergeret, capturado em abril de 1796 com a fragata Virginie, foi enviado da Inglaterra para Paris para negociar sua própria troca; quando o Diretório Francês recusou, ele retornou a Londres. As autoridades francesas ameaçaram várias vezes julgar Smith por incêndio criminoso, mas nunca cumpriu as ameaças. Eventualmente, em 1798, os monarquistas, que fingiram estar levando-o para outra prisão, ajudaram Smith e Wright a escapar. Os monarquistas trouxeram os dois Ingleses para Le Havre, onde embarcaram em um barco de pesca aberto e foram resgatados no dia 5 de Maio pelo HMS Argo em patrulha no Canal inglês, chegando em Londres no dia 8 de Maio de 1798. Bergeret, em seguida, foi liberado, uma vez que o governo Britânico considerou a troca de prisioneiro como concluída.
Serviço no Mediterrâneo direita|miniaturadaimagem|Contra-almirante Smith, em Acre. Em sua mama esquerda pode-se ver a estrela da Ordem da Espada. Logo após a esmagadora vitória de Nelson na Batalha do Nilo, Smith foi enviado ao Mediterrâneo como capitão do HMS Tigre, um navio de linha de 80 armas que tinha sido trazido para a Marinha Real Britânica. Não foi uma nomeação puramente naval, embora ele tivesse sido ordenado a colocar-se sob o comando do Lord St. Vicent, o comandante-em-chefe do Mediterrâneo. St Vincent deu-lhe ordens como Comodoro, com permissão para tomar navios Britânicos sob o seu comando, conforme exigido no Levante. Ele também realizou uma missão militar e diplomática para Istambul, onde seu irmão era agora um Ministro Plenipotenciário da Sublime Porta. A tarefa da missão era fortalecer a oposição Turca a Napoleão e para ajudar os Turcos a destruir o exército francês, preso no Egito. Esta dupla nomeação causou Nelson, que era o oficial sênior em São Vicente, no Mediterrâneo, a ressentir a aparente autoridade de Smith no Levante. A antipatia de Nelson afetou negativamente a reputação de Smith nos círculos navais. direita|miniaturadaimagem|Sir Sidney Smith, a tenda do Grão-Vizir, 1799 Napoleão, tendo derrotado as forças Otomanas forças no Egito, marchou para o norte ao longo da costa do Mediterrâneo com 13 000 tropas através do Sinai, entrando, em seguida, na província Otomana da Síria. Ele assumiu o controle da maior parte do sul da província, hoje Israel e da Palestina, e de uma cidade no atual Líbano, Tiro. No caminho para o norte ele capturou a faixa de Gaza e Jaffa com muita brutalidade direcionada a população civil, o que não era incomum no contexto da época, e massacrou os soldados capturados turcos que ele foi incapaz de levar com ele ou enviar de volta para o Egito. O exército de napoleão, em seguida, marchou para Acre (hoje em Israel).
Smith viajou a Acre e ajudou o comandante turco Jezzar Pasha a reforçar as defesas e antigas muralhas, e lhe forneceu canhões adicionais tripulados por marinheiros e Fuzileiros navais de seus navios. Ele também usou o seu comando do mar para capturar a artilharia Francesa que estava sendo enviada por navio ao Egito e para impedir o exército francês de usar a estrada costeira de Jaffa, bombardeando as tropas do mar.
Uma vez que o bombardeio iniciou-se, em março de 1799, Smith ancorou o HSM Tigre e Theseus para que pudessem ajudar na defesa. Ataques Franceses foram repetidamente repelidos, e diversas tentativas de bombardeio das muralhas foram impedidas. Já no começo de Maio, uma artilharia Francesa substituta invadiu por terra e forçou uma ruptura nas defesas. Porém, o ataque foi contido até que novos reforços de Rodes tivessem tempo de chegar. No dia 9 de Maio, após mais um intenso bombardeio, houve o ataque final Francês. Este também foi bem-defendido e Napoleão começou a planejar a retirada de seu exercito do Egito. Porém, ele foi obrigado a abandonar seu exército no Egito e velejar de volta a França para não ser detectado pelos Britânicos que patrulhavam o Mediterrâneo.
Smith tentou negociar a rendição e repatriação das forças Francesas remanescentes sob o comando do General Kléber, e assinou a convenção de El-Arish. Porém, por causa da interpretação de Nelson de que as forças Francesas no Egito deveriam ser massacradas ao invés de serem permitidas a retornar à França, e o tratado foi ab-rogado pelo Lord Keith, quem sucedeu St Vincent como comandante-em-chefe.
Os Britânicos decidiram atacar usando um exército terrestre sob o comando de Sir Ralph Abercromby na baía de Abukir. Smith e o Tigre foram envolvidos no treinamento e transporte das forças de desembarque, e como ponto de contato com os Turcos, mas sua impopularidade resultou na perda de suas credenciais diplomáticas e de seu cargo de Comodoro no Mediterrâneo oriental. A invasão foi bem sucedida e os Franceses derrotados, apesar de Abercromby ter sido ferido e ter morrido logo após a batalha. Subsequentemente, Smith apoiou o exército sob o sucessor de Abercromby, John Hely-Hutchinson, que cercou e atacou a Cairo, e finalmente, tomou o último reduto Francês de Alexandria. As tropas francesas foram eventualmente repatriadas em termos semelhantes aos anteriormente obtidos por Smith na Convenção de El-Arish.
Serviço em Aguas Britânicas direita|miniaturadaimagem|Estátua comissionada como monumento nacional, após votação na Câmara dos Comuns em 1842, hoje no Museu Marítimo Nacional