Wilson José Witzel (Jundiaí, 19 de fevereiro de 1968) é um advogado, ex-magistrado e político brasileiro, filiado ao Democracia Cristã (DC). Foi governador do Rio de Janeiro de 1.º de janeiro de 2019 até seu impeachment em 30 de abril de 2021.

Foi juiz federal entre 2001 e 2018, quando pediu exoneração da magistratura para candidatar-se ao governo do Estado do Rio de Janeiro pelo Partido Social Cristão (PSC), sendo eleito no segundo turno com 59,87% dos votos válidos, contra 40,13% de Eduardo Paes (DEM).

Em agosto de 2020, foi afastado temporariamente do cargo de governador por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em investigação sobre a participação em esquema de corrupção. Em abril de 2021, foi afastado definitivamente ao ser condenado em processo de impeachment. Witzel se tornou o primeiro governador a ser afastado definitivamente do cargo por processo de impeachment na história do Brasil, desde que o país se tornou uma República.

Biografia Filho de José Witzel e Olívia Vital, nasceu em Jundiaí, cidade localizada no interior de São Paulo, tendo ascendência alemã e italiana.FamilySearch - Talão de registro de nascimento de Wilson José Witzel

Após concluir os ensinos fundamental e médio, formou-se em um curso técnico de topografia. Aos 18 anos, entrou na Escola de Formação de Oficiais da Marinha e, aos 20 anos, era fuzileiro naval. Permaneceu na Marinha até 1992, tendo chegado ao posto de segundo-tenente.

Em 1991, concluiu a graduação em tecnologia de processamento de dados pelas Faculdades Integradas Anglo-Americano. Iniciou o curso de direito no Instituto Metodista Bennett em 1993, formando-se em 1996. Concluiu o mestrado em processo civil pela Universidade Federal Espírito Santo (UFES) em 2010 e o doutorado em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2019.

Foi defensor público no Rio de Janeiro de 1998 até 2001, quando ingressou na magistratura como juiz federal, tendo atuado nesse cargo em diferentes varas cíveis e criminais, no Rio de Janeiro e em Vitória.

Em 2018, deixou a magistratura para disputar o governo do Rio de Janeiro, elegendo-se pelo Partido Social Cristão (PSC).

Em 2020, Witzel anunciou que havia contraído COVID-19. Posteriormente, a primeira-dama do Rio de Janeiro, Helena Witzel, também foi diagnosticada com a doença.

Foi afastado temporariamente do cargo em 28 de agosto de 2020, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), durante investigação de desvios de recursos da área da saúde. Em 11 de fevereiro de 2021, o STJ recebeu denúncia contra Witzel e prorrogou o afastamento pelo prazo de um ano. Em 30 de abril, foi concluído o processo de impeachment que condenou Witzel à perda do mandato.

Carreira política Candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2018 Wilson atuou por dezessete anos em varas cíveis e criminais. Foi juiz titular da 6ª Vara Federal Cível até 2 de março de 2018, quando pediu exoneração para se filiar ao Partido Social Cristão (PSC) com a pretensão de disputar as eleições de 2018 como candidato a governador do Rio de Janeiro. A candidatura de Wilson Witzel ao Governo do Estado do Rio de Janeiro foi oficializada no dia 21 de julho de 2018, tendo como vice o então vereador carioca Cláudio Castro, também do PSC.

Na primeira pesquisa IBOPE, Wilson Witzel obteve apenas 1% das intenções de votos, cresceu para 17% dos votos válidos na última pesquisa antes do primeiro turno, atrás de Eduardo Paes (DEM) que tinha 27% e empatado com Romário (PODE).

esquerda|miniaturadaimagem|O então governador Pezão recebe o governador eleito Witzel para tratar de transição de governo.No dia 7 de outubro de 2018, no primeiro turno das eleições gerais no Brasil, Wilson Witzel alcançou a marca de 41,28% dos votos válidos (3 154 771 votos) na eleição para governador, ficando em primeiro lugar; contra 19,56% votos válidos (1.494.831 votos) de Eduardo Paes, do DEM, ex-prefeito do Rio de Janeiro, com ambos indo para o segundo turno; sendo impulsionado pela busca da renovação na política, pela rejeição aos opositores e o apoio público de Flávio Bolsonaro, do filho do candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL).

O resultado foi considerado uma surpresa, uma vez que nas primeiras pesquisas aparecia com 9 por cento dos votos. Segundo o cientista político e conselheiro do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas, "Witzel tem uma trajetória muito afeita ao tempo que vivemos. Faz o discurso do combate à corrupção, de limpar a política". À imprensa local, Witzel disse se considerar de centro-direita ideologicamente. Posteriormente, houve fontes que o classificaram como um político de extrema-direita.

No segundo turno das eleições, Witzel recebeu apoio do candidato do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), André Monteiro; do Partido da República (PR), que tinha o deputado federal Marcelo Delaroli como vice na chapa de Romário (PODE); do Partido Social Democrático (PSD), partido do candidato derrotado Indio da Costa, que primeiro se manteve neutro dizendo não dar apoio a Witzel, mas poucos dias depois decidiu apoiá-lo; e do candidato Pedro Fernandes (PDT), contrariando a decisão de seu partido, que anunciou apoio a Eduardo Paes.

No dia 28 de outubro de 2018, no segundo turno das eleições, Wilson Witzel e Cláudio Castro alcançaram a marca de 4 675 355 votos (59,87% dos válidos), contra 3 134 400 votos (40,13% dos válidos) de Eduardo Paes. Assim, Witzel e Castro foram eleitos respectivamente os novos governador e vice-governador do estado do Rio de Janeiro, com mandato de 4 anos a partir de janeiro de 2019.

Governo do Rio de Janeiro (2019–2021) miniaturadaimagem|Presidente Michel Temer recebe o governador eleito do Rio de Janeiro.Em 29 de outubro de 2018, o recém-eleito governador do Rio de Janeiro tinha como base governista de aliados mais de um terço dos deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Contando com o apoio dos três parlamentares da sua coligação de campanha nas eleições do PSC e PROS; de 13 parlamentares do PSL, partido que declarou apoio à sua candidatura; e de outros partidos se juntaram a ele durante a corrida eleitoral. Além do apoio do prefeito Marcelo Crivella (PRB), cujo partido tem outros três deputados eleitos na Alerj. Na oposição, se destacam os partidos de esquerda, PSOL, PDT e PT, que somam oito parlamentares, e os do PSDB, com dois parlamentares, que também deve compor a bancada contrária ao governo.

Wilson Witzel tomou posse oficialmente como governador do estado do Rio de Janeiro na manhã do dia 1º de janeiro de 2019 no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Entretanto, devido à posse de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil no mesmo dia, a cerimônia foi adiada para o dia 2 de janeiro de 2019. Para a cerimônia, Witzel mandou confeccionar uma faixa governamental para lhe ser entregue pelo até então governador em exercício, Francisco Dornelles. A prática, contudo, não é oficial no estado do Rio, e até então não era tradição em cerimônias de posse de governador.

Rompimento com Bolsonaro esquerda|miniaturadaimagem|Governador Witzel com o presidente Jair Bolsonaro.|218x218px Visto por muitos como um aliado da família Bolsonaro em nível estadual, Witzel acabou rompendo com o presidente da República, Jair Bolsonaro. Esse processo teve início mais explícito no começo de 2019, quando Witzel anunciou suas intenções de se candidatar à Presidência da República em 2022. Nos bastidores, causou afastamento também o apoio indireto e informal do governador ao nome do deputado estadual André Ciciliano, do PT, ao cargo de presidente da ALERJ, o que causou um racha no então partido do presidente, o PSL.

Posteriormente, Witzel passou a criticar mais amplamente o presidente, rebatendo diretamente seus posicionamentos, ações e falas. Flávio Bolsonaro chegou a chamá-lo de ingrato após uma de suas declarações. O rompimento definitivo pareceu ocorrer em outubro, quando Jair Bolsonaro acusou Witzel de querer destruir a sua família por, supostamente, vazar para a Globo informações sobre a investigação da morte de Marielle Franco que o envolvia com o objetivo de se beneficiar na disputa à Presidência em 2022. Em resposta, Wilson Witzel exigiu desculpas e afirmou não ter acesso a investigação e ter recebido a declaração com tristeza.

Em maio de 2020, Witzel chegou a aparecer em um vídeo pedindo desculpas por ter apoiado a eleição de Jair Bolsonaro. "Aproveito, neste primeiro de maio, para pedir desculpas ao povo. Porque eu errei. Erramos. Escolhemos um presidente que é irresponsável, que não entendeu a responsabilidade do cargo que ocupa. Ele, hoje, só pensa nas eleições de 2022 e não exerce aquilo que esperávamos que ele exercesse, que é governar, fazer as reformas necessárias que o Brasil precisa", disse Witzel.

Crise hídrica No início do mês de janeiro de 2020, a água distribuída pela CEDAE na Região Metropolitana do Rio de Janeiro a partir da ETA Guandu, que capta água do rio de mesmo nome, começou a apresentar mau cheiro e turbidez fora do padrão sanitário para o consumo da água potável. A companhia hídrica afirmou que "não haveria nenhum risco à saúde", tratando-se apenas da substância geosmina. Mesmo assim, moradores abastecidos pela ETA Guandu sentiram diarreia e mal-estar após entrarem em contato com a água. Na ocasião, o presidente do Conselho Regional de Química, Rafael Almada, recomendou que, mesmo para tomar banho e para o consumo de animais, não houvesse o consumo, pois essa água não seria segura.Istoé - A sujeira das águasminiaturadaimagem|275x275px|Logotipo do governo.O governador Witzel, que estava de férias na Disney World quando do ocorrido, foi criticado por extrapolar o prazo estipulado por ele mesmo para solucionar o problema e ter demorado dez dias para se manifestar acerca disso, além de uma suposta inação para resolver o problema. O presidente da CEDAE, Hélio Cabral, acabou sendo demitido após a constatação de que a simples ativação do mecanismo "descarga" seria suficiente para evitar a crise. O Governador ainda sofreu outro revés, com uma indicação sua para a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico (Agenersa), para um mandato de quatro anos, sendo rejeitada pelo Legislativo estadual por falta de conhecimentos técnicos, o primeiro caso desse tipo em quinze anos. Entre os críticos mais notórios dessa crise, esteve a cantora Anitta, afirmando que "[...] se fosse alguma coisa a ver com LGBT, com gay, livro de gay, estaria resolvido em um dia. [...] Agora a água do povo que se dane (sic)."http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/geosmina-a-ponta-do-iceberg Tavares, Viviane. Geosmina: a ponta do iceberg. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fundação Oswaldo Cruz acesso 10-06-2020O Globo - Conselho de Química não recomenda nem para animais água com geosmina da CEDAE. Acesso 10-06-2020 Jornal Extra - Anitta critica declaração de Witzel: 'Era melhor levar o químico para a coletiva' Acesso 10-06-2020

Certos estudos analisando a água do rio Guandu foram feitos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmando que não era a geosmina a principal agente causadora do mau odor e da turbidez. Um deles nega o parecer do Governo, atestando que grupos de bactérias fecais e de efluentes industriais como o 2-Metilisoborneol (2-MIB) eram muito mais numerosos do que a geosmina e teriam sido os principais causadores de poluição. O biólogo Mário Moscatelli afirmou que seriam necessários R$ 1,4 bilhão para despoluir o curso d'água e seus afluentes. A CEDAE foi multada em R$ 100 mil.G1/TV Globo - Cheiro e gosto ruins na água do RJ não foram por geosmina, segundo análises da UFRJ R7.com - RJ: contaminação de água vai além de substância produzida por algas. Acesso em 10-06-2020

Pandemia de COVID-19 e suspeitas de irregularidades