miniaturadaimagem|Tornado em Planaltina, no Distrito Federal, em 06/12/2022 Este artigo documenta tornados, incluindo ondas de tornados que ocorreram no Brasil desde o século XIX (por Unidade Federativa). Em épocas antigas, os registros desses eventos convectivos são extremamente subestimados devido a escassez de dados.
Atualmente, os registros de tornados no Brasil são validados e catalogados pela Plataforma de Registros de Tempo Severo (PRETS), integrada à Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas (PREVOTS) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os casos mais relevantes também são investigados pela Defesa Civil, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pela MetSul Meteorologia. No entanto, por razões de falta de relatos diretos à plataforma, evidências insuficientes ou confusas e/ou sobrecarga de dados, alguns eventos podem não ser incluídos no banco de dados da PRETS.
Medição
Contrário a crença popular de que tornados não ocorrem no Brasil, a Bacia do Rio da Prata é caracterizada por uma média atividade tornádica e altíssima atividade de convecção muito severa (rajadas descendentes intensas >120 km/h, precipitações torrenciais, bow-echoes/derechoes e granizo largo >5 cm). Essa região inclui países como a Argentina, Centro-Sul da Bolívia, todo o Centro-Sul do Brasil, Uruguai e Paraguai.
A frequência anual de tornados na Bacia do Rio da Prata é desconhecida. Porém, a frequência de tempestades convectivas severas foram estimadas em mais de 400 horas (>17 dias) por ano em toda essa região, a maior do mundo em frequência (desconsiderando intensidade). Os tornados na região da Bacia do Rio da Prata já foram pesquisados como eventos excepcionalmente severos e de longa duração (situação similar ao "Dixie Alley"), aos comparados de outras regiões, como Europa, Austrália, Bangladesh, África do Sul e leste da China.
Adicionalmente, um estudo publicado pela Universidade Harvard apresentou uma teoria da razão da América do Sul ter uma baixa frequência de eventos tornádicos, mas uma alta frequência de tempestades severas. A teoria explica que a rugosidade da superfície da Floresta Amazônica e do Planalto Central causa uma diminuição no cisalhamento vertical e vorticidade próximo a superfície do solo, suprimindo o potencial tornádico na Bacia do Rio da Prata. O autor também nota que a região dessa bacia poderia ter uma frequência semelhante ou maior de tornados violentos, se não fosse por essa suposta limitação.https://www.wku.edu/scholar/documents/2009_10_cover/2009_10extremestorms.pdf Porém, um estudo sobre o desenvolvimento e intensificação de mesociclones em ambientes rugosos mostrou que nem níveis de rugosidade muito altos nem muito baixos podem favorecer a intensificação e o desenvolvimento do mesociclone. Além disso, mesmo os ambientes com alta rugosidade ainda produzem tornados, embora geralmente mais fracos. Ou seja, a rugosidade não é o principal fator da baixa incidência de tornados em regiões com grande incidência de tempestades severas; o que ocorre, na verdade, é que as pesquisas disponíveis sobre o assunto ainda não são muito robustas. Adicionalmente, muitos tornados extremos (F4-F5) já ocorreram em ambientes rugosos/florestados/montanhosos, principalmente na África do Sul, nordeste dos EUA (Nova Inglaterra), sudoeste da Alemanha, Rússia e leste da Austrália.
A "Radiossonda" (GFS, WFR, ECMWF, ICON, HRRR, NAM) é a principal ferramenta utilizada nos EUA, Brasil e no mundo inteiro, para prever o risco de tempestades convectivas severas, downbursts, super-células e tornados. No Brasil e na América do Sul, está disponível na versão GFS/WRF/ECMWF nos serviços como Sigma Meteorologia e MetSul Meteorologia.
Frequência miniaturadaimagem|Serra de São Pedro, local de transição entre a Depressão Periférica e o Planalto Ocidental no centro-leste de São Paulo De acordo com a base de dados da PREVOTS, há 1451 registros de danos por tornados (incluindo tromba-d'águas) em todo território brasileiro entre 1º de junho de 2018 e 18 de fevereiro de 2025. Isso resulta em uma média de 216 danos tornádicos catalogados anualmente. Segundo a base, os registros de tornados terrestres possuem uma maior concentração no Noroeste Gaúcho, no Oeste Catarinense, no Oeste Paranaense e no sul e centro do Mato Grosso do Sul.
O modelo de risco de Daniel Henrique Candido (2012) também mapeia uma alta frequência anual (>30%) na Depressão Periférica Paulista. Além disso, devido às complexas circulações e perturbações atmosféricas causadas pela interação entre a brisa marítima, a Serra do Mar, o Planalto Ocidental e o ar quente acumulado na Depressão Periférica, muitas supercélulas do centro-leste paulista conseguem se desenvolver a partir de forçantes mesoescalares, sendo essas frequentemente do tipo mini-supercélula (escala reduzida) ou supercélula marginal (mesociclone curto e desorganizado).
Esse potencial, embora comum e já simulado no trabalho de Candido como capaz de gerar tornados de menor intensidade, é frequentemente subestimado, em parte porque esse tipo de tornadogênese apresenta recorrência relativamente mais concentrada na região da Depressão Periférica (centro-leste do Paraná e de São Paulo) em comparação com outras áreas do Brasil, o que diminui o seu reconhecimento em escala nacional. Os tornados de Rio das Pedras e Mombuca (07/12/2025), Cotia (23/03/2025) e Ourinhos (08/02/2026) são exemplos nos quais episódios tornádicos se desenvolveram em ambientes nos quais a PREVOTS classificara, em seus boletins de previsão convectiva diária, como propensos a "tempestades esparsas e isoladas" (Tempestades) ou "tempestades severas isoladas/pouco organizadas" (Nível 1), a partir das condições em escala sinótica.
Um estudo da UFSM também inclui a região Metropolitana de Belém, em destaque os municípios de Ananindeua e Santarém (PA), como tendo uma média incidência de tornados, com a maioria deles sendo misociclônicos (não-supercelulares), mas também com alguns casos oriundos de supercélulas. No mesmo estudo, a costa do Maranhão, incluindo municípios como São Luís, também possuem uma notável incidência de tornados landspouts.https://www.researchgate.net/publication/391438996_Tornados_em_Ananindeua_Para_Caracteristicas_visuais_e_ambientes_atmosfericos
Observações
"E/F?" são usados para eventos de intensidade desconhecida. A Escala Fujita Melhorada (EF) é usada de forma extremamente fragmentada no Brasil, sendo limitada a pesquisadores independentes/voluntários e eventos específicos, como o de Rio Bonito do Iguaçu (2025), que recebeu tanto classificação F4 quanto EF4. Todavia, este artigo usa tanto a Escala Fujita tradicional quanto a Melhorada para a categorização dos eventos, pois ainda não há consolidação definitiva quanto ao seu uso. '~' indica que o número é estimado. '≥' indica que o valor foi igual ou superior ao elemento estimado. '≤' indica que o valor foi igual ou inferior ao elemento estimado. A lista busca ser precisa. Portanto, existem diferentes terminologias envolvendo a documentação de um vórtice "Reconhecido" e "notado" indicam que alguma instituição ou projeto oficial sem alguma base de dados consolidada ou foco em meteorologia de tempo severo (como o INMET) notou o evento. "Catalogado" é geralmente utilizado sob o contexto de projetos com base de dados fixa (PRETS, trabalhos acadêmicos). Normalmente, refere-se à adição do fenômeno a esse banco, mas cujas evidências não permitem uma confirmação integral. Já os termos "confirmado" e "validado" são os de maior hierarquia, normalmente reservados para instituições de maior peso e especialização na área de tempo severo. Na lista, essas terminologias são usadas quando o evento é definitivamente classificado como um tornado (no caso da maioria dos órgãos oficiais); ou, no caso da PRETS, quando o fenômeno é localizado ou possui informações detalhadas envolvendo sua trajetória, horário e/ou coordenadas geográficas.
Classificação da Intensidade dos Tornados Escala Fujita
F0F1F2F3F4F5 60–110 km/h 120–170 km/h 180–240 km/h 250–320 km/h 330–410 km/h 420–510 km/h
Escala Fujita melhorada
EF0EF1EF2EF3EF4EF5 105-137 km/h 138–178 km/h 179–218 km/h 219–266 km/h 267–322 km/h +322 km/h
Catálogo total de eventos
FUF0F1F2F3F4F5 Total238162976963190645 Nota: Tornados não classificados serão contados como FU na tabela. Nota: Alguns tornados talvez sejam classificados na Escala Fujita melhorada. Eles serão contados como o equivalente na Escala Fujita tradicional.
Alagoas
2024
+Lista de tornados confirmados - 22/02/2024F#LocalidadeUFCoord. de inícioHorário (UTC)Distância da trilha (km)Largura máxima (m)F1Estrela de AlagoasAlagoasDesconhecidoDesconhecidoDesconhecidoDesconhecido Tornado de lenta movimentação. Algumas residências de alvenaria colapsaram parcialmente, enquanto outras tiveram destelhamentos quase totais. Intensidade oscilou entre F0 e F1, com picos localizados no limite intermediário do F1. Árvores foram decepadas nos troncos.
Amapá DataÁreaF#ÓbitosFeridosImpactoNotas/Fontes 2006 27/02/2006 MacapáFU 0 0 Centenas de famílias desabrigadas; Muitas casas, postes, escolas e árvores destruídas. 2017 27/11/2017MacapáFU00 Destelhou casas e derrubou árvores Possível tornado que se formou em água. 2018 7/02/2018MacapáFU00 Tornado que começou como uma tromba d'água. Atingiu o solo e destelhou uma quadra poliesportiva. 2022 20/09/2022 MacapáF0 0 0 Trombas d'água gêmeas observadas durante fortes chuvas. 202506/09/2025MacapáF000Filmada por populares no rio AmazonasTromba d'água
Amazonas DataÁreaF#ÓbitosFeridosImpactoNotas/Fontes 2002 10/11/2002 ManausF0 0 0 Observado e registrado em imagens. Tromba-d'água 2005 26/10/2005 ManausF0 0 0 Tromba-d'água se iniciou sobre o Rio Amazonas e avançou sobre a terra, mas houve ocorrência de apenas danos leves. Tromba-d'água 2010 14/10/2010 ManausF0 0 0 Danos em vários bairros foram registrados. 2024 12/08/2024ManausFU00 Registrada por populares que a viram da costa do Rio Amazonas Registrado pela PEVOTS como tornado 2025 9/11/2025CoariFU00 Tromba d'água registrada por um morador as margens do Rio Amazonas24/12/2025ManausFU00 Tromba d'água registrada no Rio Negro202617/04/2026SilvesF000 2 trombas d'água registradas por um morador de zona rural atrás da ilha do Ipiranga.Tromba d'água
Bahia
DataÁreaF#ÓbitosFeridosImpactoNotas/Fontes 2008 26/01/2008 Morro de São PauloF0 0 0 Observada na zona litorânea. Tromba-d'água 12/02/2008 Salvador (Praia da Paciência)F0 0 0 Observada na zona litorânea. Tromba-d'água 30/11/2008 Coração de MariaF? 0 ~4 300 desabrigados. Várias casas completamente destruídas; escolas danificadas. 2018 08/09/2018 São Francisco do CondeF0 0 0 Várias residências danificadas. Tornado do tipo não-supercelular (landspout). 2020 22/01/2020 SalvadorF0 0 0 Várias residências danificadas e danos no teto de um teatro. Tornado do tipo não-supercelular (landspout). 2021 07/11/2021 Camaçari (Morro da Manteiga)F0 0 0 Tornado do tipo não-supercelular (landspout). 2024 26/02/2024 Porto SeguroF0 0 0 Tornado do tipo não-supercelular (landspout). Casas destelhadas e danos em caixas-d'água.04/11/2024São DesidérioF000 Tornado landspout filmado por um motorista 25/11/2024 Luís Eduardo MagalhãesF0 0 0 Tornado do tipo não-supercelular (landspout). Observado em área rural. 2025 08/01/2025 Formosa do Rio PretoF? 0 0 Tornado supercelular filmado em área inabitada.02/05/2025Salvador (Bairro Alto de Ondina)F000 Tromba-d'água filmada por um residente local
Ceará
DataÁreaF#ÓbitosFeridosImpactoNotas/Fontes 2009 11/02/2009 EusébioFU 0 0 Danos em dois galpões de empresas locais. 11/03/2009 JaguaribaraF0 0 0? Tromba-d'água 11/03/2009 Senador PompeuFU 0 0 Queda de uma torre de internet e destruição de muros. 07/04/2009 ItatiraFU 0 0? 2011 14/04/2011 ParamotiFU 0 0? 202628/02/2026TianguáFU01Landspout