thumb|direita|Neemias, copeiro do rei da Pérsia. O Livro de Neemias é um dos livros do Tanakh e do Antigo Testamento, que integra a seção do Ketuvim e dos livros históricos. Narra a terceira jornada de retorno a Jerusalém após o cativeiro babilônico, liderada por Neemias, com o objetivo de ensinar a lei mosaica ao povo. No Tanakh, compõe uma única obra junto com o Livro de Esdras, sendo que o texto é uma continuação narrativa deste.

Partes O livro consiste de quatro partes: Um relato da reconstrução das muralhas de Jerusalém, e o registro do que Neemias encontrou ao retornar da Babilônia. Entre os detalhes estão a descrição de como Neemias se tornou governador de Judá (Ne, 1:1-2:20, 9), as diversas formas de oposição que sofreu, de Sambalá e outros, e descreve seu retorno anterior, sob Zerubabel (Ne, 7:6-73, 9; ver também (Es, 2:1-70 para um relato semelhante) - capítulos 1 a 7. Um relato da situação da religião entre os judeus do período - capítulos 8 a 10. Aumento da população de Jerusalém; o censo da população masculina adulta, os nomes de seus chefes, juntamente com listas de sacerdotes e levitas - capítulos 11 e 12:1-26. Dedicatória do muro de Jerusalém, disposição das autoridades do Templo, e reformas executadas por Neemias - capítulos 12:27 e 13.

Origem

Tradicionalmente acredita-se que o autor deste livro tenha sido o próprio Neemias, embora isto seja controverso. Existem partes do livro escritas em primeira pessoa (1-7; 12:27-47 e 13), porém outras onde Neemias é referido pela terceira pessoa (8; 9; 10).

Alguns estudiosos acreditam que estas partes teriam sido escritas por Esdras - embora não exista qualquer evidência distinta disso - enquanto outros acreditam que o arranjo e revisão final do texto teriam ocorrido num período bem posterior.

Se Neemias de fato foi o autor, a data em que o livro foi escrito teria sido por volta de 431 - 430 a.C., quando ele retornou pela segunda vez a Jerusalém, depois de sua visita à Pérsia.

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que haveria um único autor para I Crônicas, II Crônicas, Esdras e Neemias,Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.439 que seria provavelmente um levita,Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.442 e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 a.C. nem depois de 250 a.C., mas haveria adições posteriores a 200 a.C.Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.439-1.440 Esta edição também sustenta que os livros de Esdras e de Neemias formavam apenas um único "Livro de Esdras" (veja Esdras-Neemias),Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.399 composto antes dos Livros de Crônicas,Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 548 como se verifica na Bíblia hebraica e na Septuaginta.

Perspectiva panorâmica (Sumário) thumb|direita|Construção da muralha de NeemiasEsquema abaixo extraído de Tradução Ecumênica da Bíblia (cit., pp 1.399): Oração de Neemias - Neemias 1 Viagem de Neemias a Jerusalém - Neemias 2 Restauração dos muros de Jerusalém - Neemias 3:1-32 Obstáculos e dificuldades - Neemias 3:33-Neemias 4,17 Injustiças sociais. Intervenção de Neemias - Neemias 5 Término da reconstrução das muralhas - Neemias 6 Recenseamento dos israelitas - Neemias 7 Leitura pública da Lei - Neemias 8 Oração de confissão dos pecados - Neemias 9 Resoluções diversas - Neemias 10 Repartição dos habitantes de Jerusalém - Neemias 11 Sacerdotes e levitas - Neemias 12 Reformas diversas, realizadas por Neemias - Neemias 13

Perspectiva histórica Esquema abaixo extraído da "Bíblia Sagrada - Edição Pastoral"Esdras e Neemias , acessado em 27 de julho de 2010 586 a.C.: Exílio na Babilônia 539 a.C.: Ciro II derrota a Babilônia 520 a.C.: Atividade dos profetas Ageu e Zacarias 445 a.C.: Neemias vai para Jerusalém ; construção da muralha Ne 1 -Ne 2 ). Neemias é nomeado governador Ne 5,14 433 a.C.: Neemias volta para Susa Ne 13 . Atividade do profeta Malaquias 430 a.C.: Neemias e Esdras em Jerusalém ; leitura da lei; reformas Ne 8 -Ne 10;13 423-404 a.C.: Os Samaritanos constroem um templo no Monte Garizim .

Perspectiva política thumb|direita|Jerusalém na época de Neemias. A obra procura mostrar a reconstrução da comunidade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei. Sob o domínio persa, foi concedida aos judeus uma oportunidade para recuperar e preservar a sua identidade como povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa a ser o centro da vida da comunidade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da comunidade.A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo , acessado em 24 de julho de 2010

A obra não se resume a uma narrativa, pois pretende discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria comunidade judaica, sendo que a questão central é determinar qual a liderança que vai governar, nesse contexto, quando se propõe reestruturar a sociedade a partir da religião, a primeira conclusão é que os sacerdotes devem liderar o povo, no entanto, resta determinar o sacerdócio legítimo.

No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, o que indicava a legitimidade dos descendentes de Sadoc, no entanto, restava resolver a questão da legitimidade dos levitas, que também seriam descendentes diretos de Aarão.

Desde o tempo de Salomão, os levitas tinham sido expulsos do Reino de Judá 1Rs 2,26-27 e passaram a exercer suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o Reino de Israel Setentrional. Ligados aos profetas, eles preservaram e produziram tradições que formaram o Livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no Reino de Judá, entretanto, depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes.

O autor dessa obra, que provavelmente era um levita, busca reabilitar historicamente a figura do levita e, assim, reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade, mas seu objetivo não se resume a defender o interesse dos levitas, o que se pretende é resgatar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o projeto de Javé, dentro da legítima tradição do Livro do Êxodo.

Essa tradição fora transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária, pode-se, portanto, dizer que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas.

Ligações externas

Categoria:Século IV a.C. Categoria:Ketuvim