A privacidade na internet envolve a capacidade de controlar como e quais informações produzidas pelo usuário podem ser acessadas, gravadas e compartilhadas a terceiros no âmbito da Internet. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e vigilância, discussões sobre o que pode ou não ser compartilhado sem o consentimento dos usuários se tornaram mais frequentes, com governos se mobilizando para decidir leis que regulamentam o direito de privacidade dos usuários.

A privacidade pode ser sobre informação pessoalmente identificável (PII) ou não pessoalmente identificável, como registro de comportamento em sites. PII se refere a a qualquer informação capaz de identificar individualmente uma pessoa. Informações como a sua posição geográfica em um GPS, o endereço IP de sua máquina ou até mesmo o sexo da pessoa são suficientes para conseguir identificar uma pessoa, e como praticamente todos os sites tem meios de armazenar dados de acesso do usuário, geralmente por meio de recursos como cookies, essas informações podem ser adquiridas e acessadas pelos donos de site ou pelo seu provedor de internet.

Tipos de risco

Rastreamento

Sites constantemente fazem registros das suas atividades utilizando de cookies ou web bugs que não só armazenam suas atividades e informações como também compartilham ela entre outros sites para estabelecer um perfil de usuário rigoroso e completo, muitas vezes sem o consentimento do usuário. Sites implementam desses meios para customizar a experiência de navegação para a pessoa, de modo que possa mostrar anúncios e resultados que, em teoria, se alinhariam com os interesses dele baseado no comportamento que foi observado enquanto você navega, algo que muitos podem não se importar, mas para outros pode ser considerado como uma séria invasão de privacidade.

Vigilância

Alguns governos estabeleceram leis que permitem espionar os dados de seus cidadãos para auxiliar na investigação de casos e combate ao crime organizado. Por exemplo, leis como o ato de Poderes Investigativos de 2016 do Reino Unido que expande os direitos de vigilância do governo britânico sobre seus cidadãos para a polícia e as unidades de inteligência britânicas. Provedores de internet (ISP) no Brasil e outros países são requisitadas a armazenar registros de conexão dos usuário por um período máximo de 1 ano que podem ser requisitadas pelas autoridades do governo e usadas em investigações como explícito no contrato de adesão do plano, sob ameaça de multa caso sejam desrespeitadas as leis estabelecidas para o armazenamento de tais informações.

Observadores intermediários

Pacotes de dados trafegam por vários pontos antes de chegar ao seu destino, e se a conexão não for segura, corre o risco de ter seus dados interceptados, podendo ter desde seu IP exposto, além de descobrir informação como seu proxy, posição de acesso e destino dos seus dados. Para evitar esse tipo de problema, muitos sites empregam de criptografia utilizando o protocolo HTTPS, muito utilizado em sites do governo, ou em transações bancárias. Os certificados de criptografia são homologados por empresas de segurança que conferem a veracidade do protocolo, que é então demonstrado como um ícone de cadeado pela maioria dos navegadores modernos, no entanto, possuir esse protocolo não é garantia que um site seja seguro, apenas que a conexão entre você e o site esteja criptografada, logo ainda é necessário ter cuidado com sites falsos que adotam certificados legítimos para enganar o usuário em um falso sentimento de segurança.

Roubo de informação

Bilhões de dados são roubados, perdidos ou comprometidos em todo o ano, esses números alarmantes apontam um real risco para as pessoas. Roubo de identidade é o principal crime de violação de dados do mundo , aumentando em números de forma gritante com os anos e demandando cada vez mais da atenção dos usuários para não se tornarem vítimas dos golpes desses criminosos. Eles utilizam de programas maliciosos por meio de links infectados que são escondidos em e-mails e anúncios de site que infectam as máquinas com spywares, keyloggers e outros tipos de malware que roubam as informações do usuário e então são usadas para aplicar diversos golpes e até mesmo assumir sua identidade na internet.

Riscos para a privacidade na Internet

Cookies

Cookies HTTP são pequenos arquivos que os sites armazenam no disco rígido de seu computador quando você os visita. Servindo com o propósito de identificar o usuário caso ele retorne para o site, apesar de cookies não serem mal-intencionados por conta própria, eles podem ser utilizados de maneira indevida pelo fato deles armazenarem dados pessoais do usuário em duas formas: informação de formulários e rastreamento de anúncios. Esta informação pessoal não é gerada pelo próprio cookie e sim pelas entradas do próprio usuário em formulários de registros, páginas de pagamento, mensagens e outros formulários online.

No passado, sites não necessitavam deixar explícito a existência de cookies nas páginas para seus usuários, mas cookies de rastreamento são tipicamente utilizados para compilar longos registros de navegação de usuários auxiliando na exibição de anúncios relevantes a pessoa, mas isso levantou discussões sobre privacidade que levou a advogados europeus e nos EUA a sancionar leis que lidam com esse problema em 2011. Após isso, se tornou padrão de todas as páginas mostrarem um termo de conscientização informando do uso de cookies na página e pedindo a confirmação do usuário para armazená-los, mas por causa de mais usuários começarem a apagar seus cookies, anunciantes passaram a utilizar flash cookies e zombie cookies persistentes. Esses tipos de cookies não são armazenados nas máquinas dos usuários, sendo muito mais difíceis de serem deletados, mas navegadores modernos e programas antivírus são capazes de bloqueá-los.

O uso original dos cookies eram que apenas eles fossem transmitidos para o próprio usuário, assim ele conseguiria a informação que o site já possui, mas programadores são capazes de contornar essas restrições permitindo o uso de cross-site scripting ou outras técnicas para roubar informação do usuário.

Impressão digital do dispositivo

A impressão digital do dispositivo é uma tecnologia recente que é útil em prevenir contra fraudes e proteger informação do computador. As impressões digitais utilizam informações de dispositivos e sessões de navegadores para determinar o risco de realizar negócios com a pessoa naquele dispositivo. Essa tecnologia funciona até mesmo com os cookies desligados, VPNs e outras formas de segurança, tendo estas informações recolhidas por serviços de web analytics permitindo empresas ter um local para poder conferir os níveis de risco de negociar ou até mesmo se comunicar com um indivíduo, mas empresas podem usar disso para anúncios direcionados e outros propósitos.

Devido a isso, é bem difícil navegar na internet sem ser rastreado por impressões digitais hoje em dia. Entretanto, para aqueles que não desejam estar expostos a rastreamento são muitas e podem necessitar que o usuário tenha um certo nível de conhecimento avançado para poder customizar seu navegador e usar VPNs para mascarar o IP do usuário. No entanto, tais ações podem acabar fazendo que alguns sites parem de funcionar e até mesmo causar bloqueios temporários em contas.

Motores de busca

Um motor de busca é um programa capaz de buscar palavras-chave fornecidas pelo utilizador em uma base de dados, na internet procurando elas em websites. Motores de busca online como o Google também possuem a habilidade de rastrear cada uma de suas buscas. Eles podem armazenar seu endereço de IP, os termos de busca usados, a hora e a data da busca, e outras informações. Esses dados são ligados as suas pesquisas e armazenados nos servidores deles para serem depois utilizados de forma para aprimorar os serviços de busca, proteger contra pressão da segurança e fraude. Tudo isso faz parte de um esforço das empresas de busca para personalizar os resultados das pesquisas dos usuários, mostrando resultados em sua linguagem, que estão na sua proximidade e coletando informações que podem ser utilizadas para mostrar anúncios que possam ser úteis para você.

O Google armazena todos os dados de pesquisa e uso de outros programas dele como Gmail, Google Maps, YouTube, Google Chrome, além dos números, contatos e modelos de celulares associados em sua conta, centralizando todos os dados em que a empresa possui dele. As políticas de privacidade do Google explicam a informação que eles coletam, além das razões por trás disso, o uso delas e como você pode acessar e atualizar elas. O Google informa coletar suas informações pessoais, podendo também guardar número de telefone e informações de pagamento, além disso eles também coletam todo conteúdo criado ou recebido pelas plataformas deles, incluindo e-mails enviados e recebidos, fotos e vídeos salvos, documentos e planilhas criados e comentários feitos em vídeos no YouTube. O Google também coleta informação sobre apps, navegadores e dispositivos que você usa para acessar os programas da google, e mesmo caso não esteja online na conta, eles armazenam identificadores exclusivos que identificam sua máquina individualmente na internet. O Google também coleta toda a sua atividade nos serviços dela, desde suas pesquisas, vídeos que assiste, interação com anúncios, atividade de compras, pessoas que se comunica ou compartilha conteúdo, atividades em sites e apps de terceiros que utilizam os serviços deles e histórico de navegação do Google Chrome. O Google também coleta informação de sua posição, Endereço IP, dados de sensores e informação de itens próximos do dispositivo. O Google continua atualizando os seus termos de serviço periodicamente, mas o núcleo dos termos continuam os mesmos. Por exemplo, o Google não vende informação pessoal nem compartilha ela externamente.

Redes sociais

As redes sociais apresentam um ambiente em que usuários podem compartilhar informação, em grande parte pessoal, com outros usuários em diferentes níveis, como relacionamento, profissional, comunitário etc. Milhões de dados circulam na internet em sites como Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e Google+, e que podem ser facilmente acessados de forma pública ou até mesmo tendo seus usuários induzidos a revelar suas informações por meio de técnicas de engenharia social.

Os dados postos nessas redes são utilizados para formar perfis públicos dos usuários, que podem ser acessados por pessoas de boa ou má índole, aumentando seu grau de exposição pública, que pode implicar a vários problemas sociais nos seus usuários, em especial de menores. Ter informações como nome, endereço, locais que frequenta, e-mail, ou até mesmo fotos podem ser utilizados para identificar a pessoa a meio de encontrar ela fora da internet, o que pode acarretar em inúmeros perigos para a segurança da pessoa, seus amigos e familiares por abrir espaço para a ação de stalkers e criminosos que utilizam das redes sociais para conhecer a rotina do dia a dia dos seus alvos.

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