250px|thumb|Tábua de (Opom-Ifá)Os Iorubás vivem principalmente no sul e sudoeste da Nigéria, sudeste de Benim e em menor número no centro-sul do Togo, tudo compreendido como a Iorubalândia. Sua religião engloba uma religião e visão de mundo, cosmovisão, rica mitologicamente, com função de normatizar o comportamento pessoal e coletivo. A religião baseia-se no culto aos Orixás, intermediários entre a humanidade e o Ser Superior criador do universo (chamado Olódùmarè / Olorun / Olofi). Todos são retratados com as mesmas contradições e defeitos humanos, havendo em muitos histórias de redenção pela reeducação e bom comportamento, de forma oposta à divisão maniqueísta entre bem e mal, sagrado e profano. Um aspecto fundamental e definidor da religião é dado pelos Itãs de Ifá, um sistema oracular que determina todas as ações dos iorubás, do casamento a atividades cotidianas.

O número de divindades é impreciso, podendo ir de duzentas a mil e setecentas, segundo Maria Inez Couto de Almeida. A fama de algumas dessas divindades atravessou continentes, enquanto outras são de culto familiar, em pequenas localidades. A religião iorubá cruzou o Atlântico durante o período colonial e de escravização por parte dos europeus e influenciou religiões como a Santería, em Cuba, e o Candomblé, no Brasil.

thumb|200px|Representação de Eleguá na Venezuela feita em concreto

Mito da Criação Há dois grandes mitos Iorubás sobre a criação: um onde o criador é Obatalá, e outro onde o criador é Odudua. Na mitologia iorubá, O Deus supremo é Olorum, chamado também de Olodumarê. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence na qualidade de criador de tudo o que existe em todos os nove espaços do Orum.

Há algumas variantes do mito da criação iorubá, mas, de uma forma geral, há três principais raízes mitológicas, que ainda diferenciam-se em detalhes, mas que mantêm uma linha central.Mito da criação-Ilê-Ifé A Origem do Mundo

Em algumas, Obatalá é o criador, não só do mundo, como também da humanidade, criando simultaneamente, no Orum (mundo espiritual) e no Aiê (mundo material).

Em outras, Odudua cria o mundo após Obatalá falhar na sua missão por haver embriagado-se com o emu (vinho de palma), restando, a ele, o poder da criação da humanidade no Orum e no Aiê.

Em outra variante, esta mais recente, é Orunmilá (a divindade do oráculo Ifá) o A explicação para isto é que o mito de Obatalá seria anterior à conquista de Ilê-Ifé por Odudua, pois Ilê-Ifé já era habitada por cultuadores de Obatalá. Assim, o mito de Odudua seria o novo mito adaptado para dar poderes ao conquistador sobre as terras de Ilê-Ifé, conquistadas.

Alguns Orixás Tais referências a alguns Orixás foram retiradas do livro The history of the Yorubas, de Samuel Johnson. Embora o autor tenha uma formação cristã e em sua obra perceba-se a tendência à comparação ao cristianismo e, às vezes, ao julgamento da religião iorubá, a obra tem sua importância no estudo dos mitos e religião desse povo. Entretanto, deve ser lido com cautela.

Orixalá: descrito com poderes criativos e como quem moldou a humanidade, é colaborador de Olorum. Seus devotos distinguem-se por contas brancas em torno do pescoço e por usarem somente vestes brancas. Eram proibidos de consumir vinho de palmeira e seus sacrifícios não deviam ser salgados. Pessoas com algum tipo de limitação, como deficiência física, eram devotados a ele, sendo denominados Enri Orixá, ou seja, pertencente ao deus. Orixalá é o nome comum do deus conhecido e adorado em diferentes locais, sob diferentes denominações; Ori: divindade doméstica universal, adorada por ambos os sexos como deus do destino. A boa ou má sorte depende da vontade deste deus, portanto seus devotos têm boa sorte. Sua representação é uma corda de búzios em forma de coroa. Esta coroa era guardada em uma arca chamada de Ilê Ori, Casa de Ori. Quando algum devoto morria, a Casa de Ori juntamente com a representação eram destruídos e os búzios espalhados; Ogum: deus da guerra e dos ferreiros. Todos os objetos de ferro eram consagrados para ele. Sua representação era árvore de algodão plantada, sobre a qual era colocado um pedaço de granito em que era aspergido óleo de palmeira e sangue de animais sacrificados, geralmente cães; Exu ou Elebará, Irauô Acodó, Exu Odará, Latopá, Lafiã, Ocunrim Birigidi, Laroiê, Lalu Elebá Adô, (orixá com mais epítetos, Oriqui): orixá da ordem, disciplina, responsabilidade, Olopa Eledunmare lai lai (fiscal, juiz, policial de Olodumarê, desde tempos imemoriais). Primeira estrela criada por Olodumarê (Irawo Akoda). A ele são ofertados dendê, oti (bebida destilada), obi, etc. A crença é de que sua ira, uma vez provocada é difícil de conter (paapa-wara a tuka ma ṣe ṣaa - aquele que quebra em pedaços que ninguém poderá reconstruir). Seus devotos geralmente são reconhecidos por carregarem uma imagem esculpida em madeira (Erê Exu) enfeitada com búzios; Onibodê Eledumarê, o guardião do Deus Supremo, Olodumarê; Oṣeetura (epíteto que simboliza o transporte ágil do ebó ao seu destino, denota a ligação de Exu e Orunmilá, o deus do oráculo). Erinlé: foi um caçador nativo de Ajabussi, pobre e sem esposa. Diz-se que ele foi levado por uma forte correnteza do rio. Sua representação consiste na imagem de pedras lisas negras retiradas do rio Erinlé (batizado em sua homenagem) e ferro moldado na forma de pássaro. Seus seguidores se distinguem por usarem correntes de ferro ou cobre e braceletes do mesmo material; Ocô: também era um caçador, nativo de Irauô (Iràwo). Viveu muito tempo e quando não podia mais caçar, começou a praticar adivinhação e reuniu seguidores. Pessoas acusadas de feitiçaria eram levadas para o julgamento de Ocô. Diz-se que Ocô levava o acusado para uma caverna supostamente habitada por um demônio chamado Polo, e lá praticava sua magia. Se o acusado fosse inocente, Ocô retornava com ele; caso não, era decapitado e a cabeça arremessada para fora da caverna. A pessoa era executada por Polo. A representação de Ocô podia ser uma flauta de marfim. Todos os orixás tem sua própria forma oracular que é o obi (Noz de Cola) e o erindilogum (16 búzios).

Alguns aspectos sociais da religião Os ritos são manifestações da religiosidade e informam sobre a mesma. Historiadores da religião e antropólogos, como de Mircea Eliade e Claude Lévi-Strauss, apontam que para compreender o funcionamento das crenças e religião para as sociedades é preciso entender o caráter de sacralidade que as estórias possuem bem como de historicidade, já que para tais culturas, conforme Eliade, esses mitos contam o que de fato aconteceu in illo tempore (no tempo primordial), sendo essas narrativas a própria história daquelas pessoas. Neste sentido, apresentam-se agora três exemplos dos aspectos sociais que a religiosidade iorubá possui.

Xangô: Segunda as lendas, Xangô foi o quarto rei dos iorubás, deificado após sua morte. Governou toda a nação ioruba, incluindo o atual Benim, Popos e Daomé, sendo que sua adoração continuou nesses lugares. É relacionada a ele a imagem de um governante tirano, destronado por seu povo e expulso do país. Seus amigos e esposa, Oiá, o renegaram. Assim, Xangô cometeu suicídio. Sua história se tornou muito conhecida e seus amigos, envergonhados e para expiar suas ações, decidiram estudar encantamentos. No retorno, decidiram colocar em prática o que haviam aprendido como forma vingança, atraindo trovões e raios. Interrogados sobre as mortes que ocorreram no processo, os amigos atribuíram a catástrofe ao falecido rei. Para apartar a vingança do rei, seus amigos ofereceram sacrifícios a ele como um deus, e assim esses mediadores se tornaram "Mobá" (defensores) e sacerdotes de Xangô. O emblema relacionado a Xangô é uma pedra lapidada em forma de machado. O ritual de iniciação nos mistérios de Xangô compreende uma série de processos até que o iniciado é considerado renascido como devoto de Xangô. Os trovões e relâmpagos, portanto, são consagrados a eles. Conforme as tradições, quando uma casa é atingida por um raio, rituais são performados. Não é permitido aos habitantes permanecerem na casa, até que o local seja purificado. Um vigilante é mantido na entrada para alertar a quem passar que aquele local é sagrado, até que se performem todos os rituais e o deus seja apaziguado. Todas as autoridades locais devem ir até o lugar do incidente e prestar homenagem a Xangô. Durante essas ocasiões, um grupo de adoradores de Xangô ia até o lugar servir de entretenimento para a família atingida e os vizinhos. O rei (alafim de Oió) também comparecia e era recebido com oferendas. Os sacerdotes entram na casa, após terem sido purificados, e procuram o lugar que o raio atingiu a casa e no qual “entrou no chão”. Depois de encontrar o local, o chão é cavado e o raio retirado com solenidade. A cerimônia de conclusão inclui a família dar um filho para ser iniciado nos mistérios do culto e futuramente são ressarcidos para reconstruir a casa. Oiá, esposa de Xangô, foi a única que o acompanhou até a nupé, entretanto decidiu permanecer em Ira, sua cidade nativa. E depois de ouvir sobre o suicídio de seu marido, fez o mesmo, sendo ainda deificada depois da morte. Os tornados e tempestades violentas são atribuídas a ela. O rio Níger é consagrado a Oiá; Orunmilá e Ieuá: Ieuá era uma Orixá de grande beleza que se casou com Orunmilá, depois de ter se casado e separado de diversos outros Orixás. Depois de um tempo Orunmilá decidiu manda Ieuá embora, pois ela não tinha bons modos, sendo preguiçosa e irresponsável. Mas Orunmilá ele percebeu que não podia viver sem ela, afinal sua vida ruiu. Vestiu-se egungum e foi procurá-la e a encontrou casada com Olójo, que recusou devolve-la. Orunmilá derrotou Olójo e Ieuá foi levada de volta. Esta história mostra a importância do bom caráter, simbolizado pela mulher, já que ela representa dois extremos: amor, cuidado, devoção e beleza, por outro lado fraqueza, deslealdade e falsidade. Percebe-se também que o homem deve cuidar do caráter, assim como da esposa;