Geová Lemos Cavalcante (Pedra Branca, 8 de agosto de 1942 — Fortaleza, 5 de junho de 2020) foi um advogado, delegado de polícia, jornalista e escritor brasileiro. Durante a ditadura militar no Brasil, dirigiu a estrutura federal responsável pela censura de diversões públicas, tendo atuado na avaliação e proibição de peças teatrais, filmes, músicas e programas de televisão. Posteriormente, dedicou-se à pesquisa histórica e genealógica, com trabalhos relacionados principalmente à história do Ceará e à Igreja Católica.
Biografia Geová Lemos Cavalcante nasceu em Pedra Branca, no Ceará, em 8 de agosto de 1942. Era filho de Adauto Vieira Cavalcante e Adelaide Lemos Cavalcante. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará em 1967.
Ingressou na carreira policial federal e exerceu funções como delegado federal. Ao longo da carreira, foi superintendente da Polícia Federal nos estados do Acre, Paraná, Alagoas e Ceará.
Atuação na censura miniaturadaimagem|Requerimento de censura da peça “Quem casa quer casa”, de Martins Pena, com a assinatura de Geová Lemos Cavalcante. Cavalcante ocupou a direção da Divisão de Censura de Diversões Públicas durante o período da ditadura militar. Segundo entrevista concedida ao jornal O Globo em 2014, esteve à frente do órgão entre maio de 1970 e novembro de 1971. Na função, era responsável pela decisão final sobre diversos processos de censura envolvendo manifestações culturais.
Durante sua gestão, o órgão funcionava em Brasília, no quarto andar do edifício-sede do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). De acordo com seu relato, a estrutura contava com um auditório e salas destinadas à projeção de filmes para exame. Cavalcante afirmou que aproximadamente 30 técnicos trabalhavam sob sua chefia.
Em entrevista, descreveu o trabalho de censura como uma atividade predominantemente administrativa, que incluía classificação etária e análise de obras culturais. Também afirmou que havia contatos frequentes de empresários, representantes de emissoras de televisão e integrantes do meio artístico com órgãos do governo em razão das decisões de censura.
Entre os casos mencionados por Cavalcante esteve o filme Como Era Gostoso o Meu Francês, produzido por Luiz Carlos Barreto. Segundo o próprio ex-diretor, o filme foi inicialmente proibido durante sua gestão em razão de cenas de nudez frontal. Posteriormente, após sua saída do cargo, a obra foi liberada mediante cortes.
Outro episódio relatado na entrevista envolveu o filme Doutor Jivago. Segundo Cavalcante, a produção havia sido liberada para maiores de 18 anos, mas posteriormente sua classificação foi alterada para maiores de 16 anos após uma intervenção junto a autoridades governamentais.
Documentos e pesquisas acadêmicas sobre a censura durante a ditadura também registram a atuação de Cavalcante em processos de análise de obras cinematográficas e teatrais. Em 1971, por exemplo, ele assinou decisões relacionadas a processos de censura cinematográfica e teatral.
Atuação intelectual Após a carreira na Polícia Federal e na censura, Cavalcante dedicou-se à pesquisa histórica, genealógica e religiosa. Tornou-se membro da Associação Cearense de Imprensa e do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), onde tomou posse em 24 de abril de 2013. Também foi associado do Colégio Brasileiro de Genealogia a partir de 2019.
Entre suas áreas de interesse estava a história da Igreja Católica no Ceará. Exerceu a função de conselheiro de assuntos econômicos da Arquidiocese de Fortaleza e participou de atividades ligadas à preservação da memória histórica e religiosa do estado. A própria Arquidiocese de Fortaleza o descreveu, por ocasião de sua morte, como professor e pesquisador e registrou sua participação no conselho econômico da instituição.
Produção bibliográfica Cavalcante publicou artigos na Revista do Instituto do Ceará sobre temas históricos e genealógicos, entre eles estudos sobre o senador Pompeu, a história do Instituto do Ceará e da Arquidiocese de Fortaleza.
Condecorações Entre as distinções recebidas por Geová Lemos Cavalcante, esteve a Ordem do Mérito Aeronáutico, no grau de Oficial.
Morte Geová Lemos Cavalcante morreu em Fortaleza em 5 de junho de 2020, aos 77 anos. A Arquidiocese de Fortaleza publicou uma nota de falecimento no dia seguinte, na qual informou sua morte e destacou sua atuação como professor, pesquisador e integrante do Conselho Econômico da Arquidiocese.
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