O Círculo Mágico () é uma pintura a óleo do estilo Pré-Rafaelita, criada em 1886 por John William Waterhouse. A pintura retrata uma bruxa ou feiticeira desenhando um ardente círculo mágico sobre a terra, para criar um espaço ritual.
História O Círculo Mágico foi mostrado na Royal Academy em 1886, logo após Waterhouse ter sido eleito membro associado da instituição. Depois de Consultando o Oráculo (1884) e Santa Eulália (1885), foi a terceira exposição de Waterhouse com tema sobrenatural em anos consecutivos.
A pintura foi bem recebida quando exposta, e foi comprada por £650 no mesmo ano pela Tate Gallery, através do fundo monetário pró-arte do legado de Francis Chantrey. A obra foi um enorme sucesso tanto com a crítica quanto com o público. Quando a pintura foi exibida na Royal Academy em 1886, o crítico da Magazine of Art escreveu que Waterhouse estava "no seu melhor – original na concepção e pictórico em seus resultados".
Versões e estudos Como era comum no período, Waterhouse produziu a obra em diferentes escalas, provavelmente a pedido de colecionadores. A versão principal de O Círculo Mágico, com dimensões de 183 × 127 cm, está exposta na Tate Britain em Londres. Existe uma segunda versão menor, pintada também em 1886, medindo 88 × 60 cm, que se encontra em uma coleção privada.
Waterhouse também criou um estudo preparatório para a pintura, datado de cerca de 1886, com dimensões de 61,5 × 41,2 cm, também em coleção privada. Além disso, ele inicialmente esboçou a composição em uma versão a caneta sépia e tinta em 1880-1881.
O Círculo Mágico foi exibido na Galeria Nacional da Austrália, em Camberra, como parte da exposição "Love and Desire" de dezembro de 2018 até abril de 2019.
Descrição Em um estilo típico de Waterhouse, o personagem principal é uma figura feminina solitária, colocada centralmente na tela. A paisagem ao redor é nebulosa, como se não fosse real, e as figuras de fundo só são discerníveis em uma inspeção cuidadosa, garantindo deliberadamente que a bruxa é a única imagem de importância.
A mulher nesta imagem aparenta ser uma bruxa ou sacerdotisa, dotada de poderes mágicos, possivelmente o poder da profecia. Sua vestimenta e aparência geral são altamente ecléticas, derivadas de várias fontes: ela tem a pele morena de uma mulher de origem do Oriente Médio; seu penteado é como o de uma antiga anglo-saxã; seu vestido é decorado com figuras que, por muito tempo, foram descritas como guerreiros persas ou gregos.
Entretanto, um estudo acadêmico publicado em 2024 no Konsthistorisk tidskrift/Journal of Art History revelou que a figura central no vestido da feiticeira é, na verdade, Medusa, copiada por Waterhouse de um vaso grego arcaico do Museu Britânico. Ao adornar sua feiticeira com uma potente alusão figurativa à mitologia grega, Waterhouse não apenas se alinhou com os interesses antiquários de seus pares, mas também se engajou com as representações de Medusa como uma síntese de beleza e horror, prevalentes na arte romântica e vitoriana.
Em sua mão esquerda, ela segura uma foice em forma de crescente, ligando-a à lua e a Hecate. Com a varinha na mão direita, ela desenha um círculo mágico protetor em volta dela. Fora do círculo, a paisagem é nua e estéril; um grupo de gralhas ou corvos e um sapo — todos símbolos do mal e associados à feitiçaria — são excluídos. Mas dentro de seus limites estão as flores e a própria mulher, objetos de beleza. Uma serpente viva envolve o pescoço da mulher.
Composição miniaturadaimagem|300px|Miranda - A Tempestade, por J. W. Waterhouse (1916)
Waterhouse prestou cuidadosa atenção aos ângulos empregados neste trabalho, equilibrando o círculo que a figura desenha em torno de si usando um triângulo — seu braço reto, estendido pelo bastão reto, mantido a 25 graus em direção ao corpo ereto. O poder da bruxa é enfatizado pelo rosto determinado, por sua exclusão dos corvos e sapos — símbolos populares representando a magia — e por seu comando sobre o pilar de fumaça. Em vez de ondular para fora ou ser afetado pelo vento, ele permanece em linha reta.
O Círculo Mágico é semelhante a uma outra composição posterior de Waterhouse, Miranda - A Tempestade (1916), que também tem uma mulher associada à magia. A bruxa usa um vestido semelhante ao utilizado para Miranda e seu rosto também só pode ser visto de perfil. Ao contrário dos retratos de feiticeiras de Frederick Sandys, como a sua Medea (1868) ou Morgan le Fay (1864), Waterhouse optou por fazer sua bruxa com rosto alerta e intrigante, ao contrário de malévolo.
Temas Milagres, magia e o poder da profecia são temas comuns na arte de Waterhouse. Mais especificamente, a noção de mulher como feiticeira é uma que se repete em imagens como "Circe Oferecendo a Taça para Ulisses" (1891, Oldham Art Gallery) e "Hylas e as Ninfas" (1896, Manchester City Art Gallery). Sua obra também inclui vários assuntos do Oriente Médio, nos quais ele se baseou no trabalho de artistas contemporâneos como J.F. Lewis (1805–1876) e Lawrence Alma-Tadema (1836-1912), ao invés de se basear em experiência real. Este é um dos trabalhos anteriores de Waterhouse e reflete seu fascínio pelo exótico.
Teorias
Rosto escondido Em um artigo da Pre-Raphaelite Society Review, foi levantada a hipótese de que Waterhouse pode ter pintado uma imagem de seu próprio rosto em O Círculo Mágico e que a imagem só é visível a uma distância específica da pintura. O artigo também sugere que pode ter sido possível alcançar essa distância visualizando a pintura através de binóculos invertidos ou óculos de ópera. Um documentário acompanhante apresenta o argumento visual.
Inspiração em Teócrito Um ensaio posterior na Pre-Raphaelite Society Review de 2023 apresentou evidências de que a pintura é diretamente inspirada pelo Segundo Idílio de Teócrito, mais comumente conhecido como "A Feiticeira" (Pharmaceutria), particularmente pela tradução de C.S. Calverley de 1866. No poema do século III a.C., a personagem Simaetha realiza um ritual mágico para reconquistar seu amante infiel Delfis, desenhando um círculo protetor no chão, invocando divindades como Hécate e a lua, e incorporando elementos animais como cães e serpentes no feitiço.
Uma resenha de 1881 na Pall Mall Gazette sobre o desenho em sépia de Waterhouse para O Círculo Mágico (produzido cinco anos antes da pintura) observou que a obra "ilustra sem exagero uma das cenas mais brilhantes de Teócrito". O ensaio acompanhante de um blog apresenta um argumento detalhado, incluindo evidências de que o "rosto" emergindo da paisagem na pintura seria o de Delfis, o amante da feiticeira, que ela está tentando invocar.
Paródias Harry Furniss criou uma série de paródias da pintura O Círculo Mágico, incluindo uma em Punch mostrando a atriz Sarah Bernhardt cuidando de um caldeirão e outra em uma exposição intitulada "O Círculo Mágico, ou Não há nada como ser ensaboado por Sabão-e-Banheiro" (). Curiosamente, Furniss desenhou uma serpente na saia da feiticeira na caricatura, interpretável como uma sinédoque da Medusa.
Cultura Popular Uma reprodução de O Círculo Mágico é uma das pinturas com tema ocultista que aparece na decoração do Grande Salão da Academia de Miss Cackle para Bruxas na série de televisão infantil de 2005, The New Worst Witch.
O Círculo Mágico fazia parte da exposição Harry Potter: Uma História da Magia na Biblioteca Britânica em 2017.
Uma reprodução de O Círculo Mágico também aparece no cenário da série de TV O Mundo Sombrio de Sabrina.
Ver também Lista de quadros por John William Waterhouse
Referências
Leitura complementar
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Ligações externas
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