A Ordem da Vitória (, translit. Orden "Pobeda") foi a mais alta condecoração militar da União Soviética concedida pelo serviço na Segunda Guerra Mundial, e uma das ordens mais raras do mundo. A ordem foi concedida apenas a generais e marechais que conduziram com sucesso operações de combate envolvendo um ou mais grupos de exércitos e resultando em uma "operação bem-sucedida dentro da estrutura de uma ou várias frentes, resultando em uma mudança radical da situação em favor do Exército Vermelho". Em sua história, foi atribuída vinte vezes, a doze líderes soviéticos e cinco líderes estrangeiros, com uma revogação. O último recipiente vivo foi o rei Miguel I da Romênia, morto em 2017.

História

História da criação Em 1943, após a virada decisiva na Grande Guerra Patriótica, a liderança soviética percebeu a necessidade de instituir uma ordem militar suprema para homenagear comandantes que se destacassem. Para o design da medalha, foram convocados vários artistas especializados em medalhística.

Inicialmente, o nome planejado para a condecoração era "Por Lealdade à Pátria", no entanto, seu nome foi modificado por volta de outubro daquele ano.. Um dos primeiros esboços foi apresentado em julho de 1943 pelo coronel N. S. Neielov, oficial do quartel-general do Exército Soviético. No entanto, sua proposta foi rejeitada, e o trabalho continuou.Dmitry Markov, Ordem da Vitória - 1943 (Russian-medals.net)

Em 25 de outubro de 1943, o artista A. I. Kuznetsov, que já era o criador de muitas ordens soviéticas, apresentou seu primeiro esboço a Stalin. O esboço consistia em um medalhão redondo com retratos de Lenin e Stalin, mas não foi aprovado pelo Comandante Supremo. Em vez disso, Stalin queria um design com a Torre Spasskaia no centro. Kuznetsov retornou quatro dias depois, com vários novos esboços, dos quais Stalin escolheu um intitulado "Vitória". Ele pediu a Kuznetsov que alterasse um pouco o design e, no dia 5 de novembro, um protótipo foi finalmente aprovado. Ao todo, Kuznetsov apresentou mais de quinze variantes do desenho.

A produção da Ordem da Vitória exigia materiais preciosos, incluindo platina, ouro, diamantes e rubis. Diferentemente de outras condecorações soviéticas, a fabricação não foi realizada na Casa da Moeda, mas sim por artesãos da Fábrica de Joias e Relógios de Moscou. Inicialmente, planejou-se a confecção de 30 exemplares, e para cada um eram necessários 180 diamantes, 50 diamantes lapidados em rosa, além de 300 gramas de platina. O Soviete de Comissários do Povo disponibilizou um total de 5400 diamantes, 1500 diamantes lapidados em rosa, além de 9 kg de platina para a fabricação. Durante o processo, surgiu um problema: os rubis naturais apresentavam variação de tonalidade, impossibilitando a criação de peças uniformes. Assim, decidiu-se pelo uso de rubis sintéticos, permitindo um padrão de cor consistente.

Em 2010, uma análise nos exemplares da Ordem da Vitória preservados nos Museus do Kremlin revelou que alguns diamantes usados na confecção haviam sido reaproveitados de condecorações imperiais russas armazenadas no Gokhran antes da guerra.

No total, foram fabricados 22 exemplares, dos quais 2 nunca foram concedidos. A ordem foi oficialmente instituída em 8 de novembro de 1943, sendo concedida primeiramente a Gueorgui Júkov (nº 1), Aleksandr Vasilevsky (nº 2) e ao próprio Stalin (nº 3).

A ordem também foi concedida aos principais comandantes das forças aliadas. Todos as honrarias foram apresentados durante ou imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, exceto pelo controverso prêmio de 1978 concedido a Leonid Brejnev. O prêmio de Brejnev foi revogado postumamente em 1989, por não atender aos critérios do estatuto.

Como outras ordens concedidas por nações comunistas, a Ordem da Vitória podia ser concedida mais de uma vez ao mesmo indivíduo. No total, a ordem foi apresentada vinte vezes a dezessete pessoas (incluindo Brejnev).

Ao contrário de todas as outras condecorações soviéticas, a Ordem da Vitória não tinha nenhum número de série, o número foi mencionado apenas no certificado do prêmio. Depois que um portador da Ordem da Vitória morresse, o prêmio deveria ser devolvido ao estado. A maioria dos prêmios agora é preservada pelo Fundo do Diamante, no Kremlin. As exceções notáveis são a Ordem da Vitória de Dwight D. Eisenhower, que está em exibição na Biblioteca e Museu Presidencial Dwight D. Eisenhower, a Ordem da Vitória do Marechal Bernard Montgomery, que está em exibição no Imperial War Museum, e a Ordem da Vitória de Josip Broz Tito, que é mantida no Museu de História da Iugoslávia, em Belgrado.

Primeiros prêmios de 1944 A primeira concessão da Ordem da Vitória ocorreu em 10 de abril de 1944. O detentor da condecoração nº 1 foi o comandante da 1ª Frente Ucraniana, Marechal da União Soviética Gueorgui Júkov. A condecoração nº 2 foi entregue ao chefe do Estado-Maior General, Marechal da União Soviética Aleksandr Vasilevsky.

A Ordem da Vitória nº 3 foi concedida ao Comandante Supremo, Marechal da União Soviética Josef Stalin. Todos foram agraciados por seu papel na libertação da Ucrânia Ocidental. O decreto de concessão foi emitido pelo Presídio do Soviete Supremo da URSS em 29 de julho de 1944. Em seu livro Memórias e Reflexões, Gueorgui Júkov descreveu esse momento:

O Marechal Aleksandr Vasilevsky, em seu livro A Missão de Uma Vida, também relatou o recebimento da condecoração:

No fim da guerra miniaturadaimagem|Cartão de registro da segunda Ordem da Vitória nº 7 do Marechal Vasilevsky. (A primeira Ordem da Vitória, nº 2, foi concedida ao Marechal Vasilevsky em 10 de abril de 1944 ) As próximas condecorações ocorreram apenas um ano depois. Em 30 de março de 1945, o título de Cavaleiro da Ordem da Vitória foi concedido a:

Marechal da União Soviética Gueorgui Jukov, comandante da 1ª Frente Bielorrussa, pelo excelente cumprimento das ordens do Comando Supremo (recebendo sua segunda Ordem da Vitória); Marechal da União Soviética Konstantin Rokossovsky, comandante da 2ª Frente Bielorrussa, pelo papel na libertação da Polônia; Marechal da União Soviética Ivan Konev, comandante da 1ª Frente Ucraniana, pela libertação da Polônia e pela travessia do rio Oder.

Em 19 de abril de 1945, a segunda Ordem da Vitória foi concedida ao Marechal da União Soviética Aleksandr Vassilevski, comandante da 3ª Frente Bielorrussa, pelo comando bem-sucedido das operações que levaram à tomada de Königsberg e à libertação da Prússia Oriental. A justificativa oficial afirmava: "Pelo excelente cumprimento das ordens do Comando Supremo na liderança de operações militares em grande escala, que resultaram em sucessos significativos na derrota das forças nazistas alemãs".

Em 26 de abril de 1945, mais dois comandantes foram condecorados:

Marechal da União Soviética Rodion Malinovskiy, comandante da 2ª Frente Ucraniana; Marechal da União Soviética Fiódor Tolbukhin, comandante da 3ª Frente Ucraniana.

Ambos receberam a Ordem da Vitória pelo papel na libertação da Hungria e da Áustria, conquistada após batalhas intensas e sangrentas.

Em 31 de maio de 1945, o título foi concedido ao Marechal da União Soviética Leonid Govorov, comandante da Frente de Leningrado, pelo sucesso na derrota das tropas alemãs em Leningrado e nos Estados Bálticos.

Em 4 de junho de 1945, mais dois líderes militares receberam a condecoração por seu papel no planejamento estratégico e na coordenação das frentes ao longo da guerra:

Marechal da União Soviética Semion Timoshenko, representante do Alto Comando Soviético; General do Exército Aleksei Antonov, chefe do Estado-Maior Geral.

Em 26 de junho de 1945, Josef Stalin recebeu a Ordem da Vitória pela segunda vez.Decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS de 26 de junho de 1945, "Sobre a concessão da Ordem da Vitória ao Marechal da União Soviética Josef Stalin". Pravda Ukrainy, 28 de junho de 1945, nº 126.

Por fim, em 8 de setembro de 1945, após a guerra contra o Japão, a condecoração foi concedida ao Marechal da União Soviética Kirill Meretskov, comandante da Frente do Extremo Oriente.direita|miniaturadaimagem| O marechal de campo britânico Bernard Montgomery (à esquerda, usando boina) recebeu a Ordem da Vitória em 5 de junho de 1945. O general americano Dwight Eisenhower e o marechal de campo soviético Gueorgui Jukov, também receptores da Ordem da Vitória, estão à direita de Montgomery. O marechal britânico Sir Arthur Tedder (à direita de Jukov) também está presente.

Aos Aliados Após o fim da guerra, decidiu-se condecorar com a Ordem da Vitória comandantes militares das forças aliadas. Pelo decreto de 5 de junho de 1945, “por sucessos notáveis na condução de operações militares de grande escala, que resultaram na vitória das Nações Unidas sobre a Alemanha hitlerista”, foram agraciados:

O general do Exército dos EUA Dwight D. Eisenhower; O marechal britânico Bernard Montgomery; O rei da Romênia Miguel I, que em 23 de agosto de 1944 prendeu os membros do governo romeno aliados da Alemanha nazista. Por esse ato, Miguel foi condecorado com a Ordem da Vitória em 6 de julho de 1945, com a justificativa: “Pelo ato corajoso de mudança decisiva na política da Romênia ao romper com a Alemanha hitlerista e aliar-se às Nações Unidas num momento em que a derrota da Alemanha ainda não era evidente”; O marechal da Polônia Michał Rola-Żymierski recebeu a condecoração em 9 de agosto de 1945 “por méritos destacados na organização das forças armadas polonesas e pela condução bem-sucedida das operações militares decisivas contra o inimigo comum — a Alemanha hitlerista”; O último estrangeiro a receber a Ordem da Vitória foi o marechal da Iugoslávia Josip Broz Tito, em 9 de setembro de 1945, “por sucessos notáveis em operações militares de grande escala que contribuíram para a vitória das Nações Unidas sobre a Alemanha hitlerista”.

Em 1966, planejou-se condecorar o presidente da França Charles de Gaulle durante sua visita à URSS, mas a homenagem nunca se concretizou.

A concessão do prêmio para Brejnev Em 20 de fevereiro de 1978, o Presidium do Soviete Supremo da URSS emitiu um decreto concedendo ao Secretário-Geral do Comitê Central do PCUS, Presidente do Presidium do Soviete Supremo da URSS e Presidente do Conselho de Defesa da URSS, Marechal da União Soviética Leonid Brejnev, a Ordem da Vitória — algo que contrariava o estatuto da condecoração.

Contudo, o Presidium nem sempre seguia rigorosamente os estatutos das ordens, inclusive durante a guerra. São conhecidos, por exemplo, casos de concessão da Ordem da Vitória a pessoas que não faziam parte do alto comando do Exército Vermelho (como todos os condecorados estrangeiros), ou ainda a outorga da Ordem de Suvorov — destinada a comandantes — a engenheiros de armamentos como Vasily Grabin e Fiodor Tokarev. Também houve condecoração de unidades militares com ordens reservadas ao comando, como as de Kutuzov, Suvorov, Nakhimov, Ushakov e Bogdan Khmelnitsky.

Em 21 de setembro de 1989, Mikhail Gorbatchov, então Presidente do Soviete Supremo da URSS, assinou um decreto que anulava a concessão da Ordem da Vitória a Brejnev, sob a justificativa de que a outorga “não correspondia ao estatuto da ordem”. No entanto, a legislação vigente à época não previa esse tipo de justificativa como motivo legal para revogação de uma condecoração.

Segundo relatório contábil da Seção Financeira e Econômica do Presidium, referente a 1978, a Ordem entregue a Brejnev teria sido a de número 13, originalmente concedida ao marechal Leonid Govorov. No entanto, o que foi realmente usado naquela 20ª concessão da história da ordem foi o exemplar de número 20 — jamais entregue anteriormente (produzido ainda em 1945). Esse erro grosseiro de inventário só foi corrigido 8 anos e 9 meses depois, graças a uma ação sem precedentes do novo comando do Departamento de Condecorações do Soviete Supremo, que recuperou a insígnia nº 20 da família de Brejnev, quatro anos após sua morte.

Estatuto