Penela é uma vila portuguesa do distrito de Coimbra, na antiga província da Beira Litoral e da região do Centro (Região das Beiras), atualmente englobada na sub-região Região de Coimbra (NUT III), com cerca de 3 300 habitantes. Situa-se a cerca de 20 km a sul da capital do distrito.

A vila é sede do município de Penela que tem 132,49 km² de área e 5 983 habitantes (2011) , subdividido em 4 freguesias.Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013. O município é limitado a norte pelo município de Miranda do Corvo, a leste por Figueiró dos Vinhos, a sudoeste por Ansião, a oeste por Soure e a noroeste por Condeixa-a-Nova.

História Localizada na encosta poente de um monte entre as cotas 230 e 290 metros, na estrada romana que ligava Coimbra a Tomar, a cerca de três dezenas de quilómetros da primeira. Etimologicamente, o termo "penela" é um diminutivo de "peña", "pena" ou "penha", e significava, em baixo latim, cabeço, monte ou rochedo.

Tendo em atenção estudos feitos aos vestígios existentes, é de crer que na origem do Castelo de Penela estivesse um primitivo castro lusitano posteriormente aproveitado quando da invasão romana da península Ibérica.

À história de Penela crê-se ainda estarem associadas as passagens sucessivas dos Vândalos, destruidores da fortificação construída pelos Romanos, dos muçulmanos, que tomaram o castelo no , e das tropas de Fernando I de Leão, tendo a fortificação ficado sob a responsabilidade do conde Sesnando Davides, após a conquista de Coimbra (1064), a quem se deve reedificação da fortificação de Penela.

No contexto da formação da nacionalidade, a povoação recebeu o seu primeiro foral em julho de 1137, concedido por D. Afonso Henriques, constituindo-se portanto num dos Municípios mais antigos do país. A este fato (a concessão do foral) não terá sido alheia a grande importância estratégica de Penela, visando os privilégios então concedidos aos seus moradores atrair mais população. O seu castelo é, depois do Castelo de Montemor-o-Velho, o mais amplo e forte que atualmente nos resta da linha defensiva do Mondego. Tomado pelos Muçulmanos já depois de 1137, veio a ser definitivamente reconquistado em 1148.

Será, contudo, Sancho I de Portugal quem, em 1187, deu nova vida a Penela, mandando-a repovoar e reparar o seu castelo. A torre de menagem do castelo foi mandada erigir por Dinis I de Portugal, aquando de uma nova reparação do castelo.

Da história do Concelho ressalta um episódio frisante do apoio popular com que contou D. João, Mestre de Avis, na crise de 1383—1385 em Portugal: sendo senhor de Penela o conde de Viana do Alentejo, D. João Afonso Telo de Meneses, partidário de D. Beatriz, casada com João I de Castela, decidiu o povo defender e apoiar o seu rei amotinando-se, sendo célebre um tal Caspirro, por ter assassinado o Conde. Logo a seguir, Penela enviou os seus representantes às Cortes de Coimbra de 1385, a fim de elegerem o Mestre, futuro D. João I. Este ao fazer doações aos seus filhos, criou o título de duque de Coimbra para o seu filho D. Pedro, destinando-lhe Penela e o seu termo.

Penela teve uma comunidade judaica que aí se fixou no século XV.

Durante a Época Moderna, o concelho conheceu diversos donatários. Em 1465, foi doado a D. Afonso de Vasconcelos, primeiro conde de Penela, e posteriormente confirmado a D. João de Vasconcelos e Meneses, seu filho e segundo conde. Na terceira geração desta família, D. Afonso de Vasconcelos e Meneses herdou o senhorio que pertencera aos seus antepassados, mas não o título do pai e do avô. O seu filho, D. João de Vasconcelos e Meneses, veio por fim a ser senhor de toda casa, “excepto do que vagara para a Coroa”.

Depois de mais de cem anos na posse da mesma família, a jurisdição da vila transitou para o segundo duque de Aveiro, D. Jorge de Lencastre, filho bastardo do rei D. João II, duque de Coimbra e mestre das ordens de Santiago e de Avis.

Muitos anos mais tarde, com o destino trágico sofrido pelos senhores da vila, propiciando a extinção da Casa de Aveiro, em 1759, acontece o fim do “ciclo dos senhores de Penela" passando esta para a coroa A Estrutura Administrativa de Penela nos Séculos XVII e XVIII- Penela - Um percurso pelo tempo, por Margarida Sobral (Coord.) Cristóvão Mata, Margarida Sobral Neto. Coimbra: Palimage, 2015, pág. 111 e 112

Freguesias thumb|left|250px|Freguesias do município de Penela Desde a reorganização administrativa de 2012/2013, o Município de Penela está dividido em 4 freguesias: Cumeeira Espinhal Podentes São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal

Economia Uma das empresas destacadas no concelho é a Geonatour, que tem sido responsável pelo desenvolvimento de aplicações para telemóvel para a promoção do património natural e cultural em vários pontos do país, nomeadamente no Piódão, Oliveira de Frades Vila Velha de Ródão e Óbidos. Em 2023, a sua aplicação foi finalista do Prémio Nacional de Turismo 2023, na categoria Turismo Inovador, e em 2025 foi distinguida com o selo Sustainability Engaged do Turismo de Portugal, em reconhecimento pelos esforços na utilização de práticas sustentáveis.

Personalidades destacadas Manuel dos Santos Serra (1926 - 2018) - Médico, escritor e autarca em Albufeira

Evolução da População do Município

Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 9118 9998 10180 9954 12305 11197 10754 11088 10525 9438 7890 8023 6919 6594 5983 5440 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

De acordo com os dados do INE o distrito de Coimbra registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 5.0% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Penela esse decréscimo rondou os 9.1%.

Número de habitantes por Grupo Etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 3 372 4 133 3 304 3 199 3 025 2 486 2 108 1 590 1 568 1 065 823 731 56815-24 Anos 1 661 1 949 1 915 1 930 1 767 1 585 1 309 925 1 049 919 784 541 45425-64 Anos 4 432 4 765 5 034 4 842 4 884 5 040 4 652 4 060 3 754 3 217 3 191 2 957 2 679= ou > 65 Anos 939 1 038 565* 1 206 1 274 1 236 1 369 1 295 1 652 1 718 1 796 1 754 1 739 <small> * Valor confirmado no censo de 1920 <big>

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Política

Eleições autárquicas <small> +Data%V%V%V%V%VParticipaçãoPPD/PSDPSCDS-PPFEPU/APU/CDUCH197654,10335,0423,26 -1,97 -197962,97428,3414,93 -198258,84330,6521,64 -2,97 -198564,49428,3313,59 -198962,83430,8711,18 -199368,27424,7911,51 -199763,24429,2011,35 -1,12 -200152,78340,9321,89 -0,63 -200550,88342,8921,38 -1,33 -200962,49332,3421,47 -201351,28340,0321,28 -2,20 -201763,39427,5214,00 -202139,04256,6630,98 -202536,43255,8030,77 -4,76 - <big>

Eleições legislativas <small> Data%PSDPSCDSPCPUDPADAPU/ CDUFRSPRDPSNBEPANPSDCDSLCHIL197648,3030,805,761,340,781979AD30,55ADAPU0,3558,763,141980FRS0,2461,783,5926,65198350,2334,325,310,613,96198549,4824,405,110,413,4910,48198764,2623,532,87CDU0,162,031,45199165,9424,672,330,930,551,10199554,7735,093,620,631,060,30199951,5837,214,411,790,61200254,8332,535,381,900,86200544,8840,974,831,322,67200942,6235,478,191,755,49201153,7024,087,502,943,261,012015CDS29,39PSD3,926,650,6548,520,31201932,7538,533,222,768,272,060,661,010,78202230,9549,191,511,393,471,130,535,622,712024AD31,17AD35,361,033,681,341,8916,003,162025CDS24,69PSD0,792,041,1441,722,6517,643,08 <big>

Património edificado

Castelo de Penela Castelo de Germanelo Igreja de São Miguel Pelourinho de Penela - remonta à época medieval e compõem-se de uma coluna de fuste oitavado, da pinha e de três degraus. Inicialmente colocado no meio da praça da vila, hoje encontra-se na Rua 25 de Abril. Monumento Classificado, nele salientam-se o conjunto das quatro hastes de ferro que imitam serpentes e suspendem da boca as argolas. Possui dois brasões semelhantes que representam, eventualmente, o brasão de armas do município de Penela. Igreja da Misericórdia - remonta à segunda metade do , tendo sido reformada em 1616 conforme inscrição epigráfica em seu portal. Nela se destacam a qualidade da bandeira processional, composta por duas pinturas evocativas da Piedade e da Senhora da Misericórdia, da autoria de Ernesto Condeixa. A porta principal apresenta elementos dos estilos manuelino, renascentista e maneirista. Igreja de Santa Eufémia - Embora já haja referências a esta igreja em 1254, o atual templo é do período renascentista, com um corpo de três naves, separadas por arcadas da ordem toscana, cobertura em madeira e cabeceira tríplice. Monumento classificado, nele salientam-se a capela-mor abobada com retábulo barroco de talha dourada, a capela dedicada ao Espírito Santo, onde existe um retábulo de pedra de Ançã, produto de uma oficina conimbricense em meados do , e uma escultura da Virgem com o Menino, em estilo gótico, dos finais do , também de uma oficina coimbrã, e a pia batismal de estilo manuelino. Igreja Matriz de Podentes - o exterior desta igreja é resultante de uma remodelação executada no . No seu interior tem apenas uma nave e uma única capela na cabeceira, cujo altar-mor é oitocentista. Nele se salientam as duas capelas laterais: a da esquerda, do , evocadora do Santíssimo Sacramento; e a da direita, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, que exibe uma cúpula quinhentista de pedra. Pelourinho de Podentes - em estilo manuelino, com o fuste de mármore, provavelmente reaproveitado de um antigo edifício romano em ruínas. É o maior fuste de um só bloco, datável desta época, encontrado no país. Monumento classificado, nele salientam-se o fuste elevado sobre uma base de quatro degraus, o capitel de forma cúbica, ostentando nas suas faces a Cruz de Cristo, a esfera armilar, e nas outras faces dois escudos já gastos, um dos quais, esquartelado, dos Sousas de Arronches. Igreja Matriz do Rabaçal - o atual edifício é o resultado de diversas remodelações, tendo sido a mais representativa executada nos finais do . Possui cabeceira composta por uma só nave e uma capela, de onde se destaca um retábulo oitocentista de talha com uma tela alusiva à sua patrona, Santa Maria Madalena. Nela salientam-se a qualidade dos dois altares dos flancos, de talha e de gosto neoclássico dos finais do . Nos seus nichos pode ver-se duas esculturas também setecentistas de São Domingos e Santa Teresa. Villa Romana do Rabaçal - situada a 12 km de Conímbriga, encontra-se numa meia-encosta entre uma cumeada com arvoredo e um riacho, fazendo parte integrante do território da antiga civitas, junto da via romana que ligava Olisipo a Bracara Augusta. Datada do , conhece-se a "área urbana" (pars urbana; área residencial), o (balneum; balneário), a "área frumentária" (pars frumentaria; área do pátio agrícola com alpendre), a "área rústica" (pars rustica; alojamento dos servos, armazéns, oficinas). Nela salientam-se os motivos figurativos dos mosaicos e algumas composições geométricas e vegetalistas que não têm semelhança com o que existe em Portugal. No seu conjunto formam um grupo estilístico novo.