miniaturadaimagem|Incêndio numa floresta da Califórnia thumb|Incêndio no Parque Nacional de Bitterroot (E.U.A) thumb|direita|Quadro informativo em catalão acerca do incêndio no Parque Natural do Montgrí, les Illes Medes i el Baix Ter em 2001. Dito incêndio arrasou 376 ha de massa florestal miniaturadaimagem|Incêndio florestal de Pedrógão Grande em 2017 (Portugal) Um incêndio de vegetação é um fogo ou queimada que se propaga sem controle numa área florestal, que geram impactos sociais e ambientais onde ocorrem. Um incêndio florestal distingue-se de outros tipos de incêndio pela sua ampla extensão, a velocidade com a qual se pode estender desde o seu lugar de origem, o seu potencial para mudar de direção inesperadamente, e a sua capacidade para superar obstáculos como estradas, rios e acaba prejudicando ou destruindo a fauna e aflora acometendo principalmente os animais.
O incêndio rural é o incêndio florestal ou agrícola que decorre nos espaços rurais. Um incêndio rural distingue-se de outros tipos de incêndios pela sua ampla extensão, a velocidade com a qual se pode estender desde o seu lugar de origem, o seu potencial para mudar de direção inesperadamente, e a sua capacidade para superar obstáculos como estradas, rios e aceiros. O incêndio rural pode ser:
Incêndio agrícola: o incêndio rural em que a área ardida agrícola é superior à área ardida florestal e a área ardida florestal é inferior a 1 hectare; Incêndio florestal: o incêndio rural em que a área ardida florestal é superior à área agrícola e a área ardida total é inferior a 1 hectare ou sempre que a área ardida florestal seja superior a 1 hectare;
Dependendo do tipo de vegetação em que ocorre, um incêndio rural também pode ser classificado mais especificamente como uma das seguintes ocorrências:
fogo de taiga fogo de estepe fogo do deserto fogo de pampa fogo de savana fogo da tundra fogo de montanha fogo de caatinga fogo de pastagem Os incêndios rurais são considerados catástrofes naturais, mais pelo facto de se desenvolverem na natureza e por a sua possibilidade de ocorrência e caraterísticas de propagação dependerem fortemente de fatores naturais, do que por serem causados por fenómenos naturais.
Causas thumb|Paisagem após um incêndio, em Alcalá la Real, Jaén, Espanha Se bem que as causas imediatas que dão lugar aos incêndios florestais podem ser muito variadas, em todos elas se dão os mesmos pressupostos, isto é, a existência de grandes massas de vegetação em concorrência com períodos mais ou menos prolongados de seca.
O calor solar provoca desidratação nas plantas, que recuperam a água perdida do substrato. Não obstante, quando a humidade do terreno desce a um nível inferior a 30% as plantas são incapazes de obter água do solo, de modo que se vão secando pouco a pouco. Este processo provoca a emissão para a atmosfera de etileno, um composto químico presente na vegetação e altamente combustível. Tem lugar então um duplo fenómeno: tanto as plantas como o ar que as rodeia se tornam facilmente inflamáveis, de modo que o risco de incêndio se multiplica. E se a estas condições se soma a existência de períodos de altas temperaturas e ventos fortes ou moderados, a possibilidade de que uma simples faísca provoque um incêndio se torna significativa.
Por outro lado, apesar de que as condições físicas sejam mais ou menos favoráveis a um incêndio, há que destacar que na grande maioria dos casos não são causas naturais as que provocam o fogo, mas sim a ação humana, quer seja de maneira intencionada ou não.
As causas que originam um incêndio florestal classificam-se em cinco grandes grupos:ESTATÍSTICAS de Incêndios Florestais do Ministério do Meio Ambiente de Espanha. Decenio 2001-2010. link
Intencionados: segundo dados do Governo de Portugal, representam cerca de 60% dos casos (entendendo-se intencionalidade tanto quando há ação dolosa como culposa do causante). As motivações são variadas, sendo com diferença as mais comuns a queima não autorizada, ilegal e incontrolada de superfícies agrícolas, quer seja para a eliminação de restolhos ou matagais ("queima agrícola") ou para a regeneração de pastos para o gado.MOLINA, D.M. 1997. Origins of Arson in Northwestern Spain; Fire Management Notes, 57(3):18-23, USDA, Washington, USA. [www.fs.fed.us/fire/fmt/fmt_pdfs/fmn57-3.pdf link] Após estas destacam-se também a piromania, usos cinegéticos, vandalismo ou vinganças pessoais. Por último, em algumas ocasiões a motivação tem que ver com caçar animais (lobos, javalis), a especulação urbanística, a aversão contra repovoamentos florestais, baixar o preço da madeira, e outras várias. Cabe assinalar que o delito de incêndio está tipificado em muitas legislações; Negligências e causas acidentais: representam 20%-25% dos casos. Neste âmbito, as queimas agrícolas (neste caso autorizadas, mas nas quais os autores perderam o controlo do fogo estendendo-se este pela superfície florestal contígua) estão também entre as causas habituais. Outras causas são as beatas e fogueiras mal apagadas, queima de resíduos, trabalhos florestais, etc. Raio: esta causa natural representa cerca de 4-5% dos casos; Desconhecidas: em cerca de 15% dos incêndios florestais não é possível determinar a causa; Reproduções de incêndios anteriores: em raras ocasiões (cerca de 2%) um incêndio é uma reprodução de um incêndio anterior que não chegou a extinguir-se de todo e se estende a uma nova zona.
As percentagens indicadas são valores médios: a frequência da intencionalidade, por exemplo, pode variar muito de uma região para outra.
Fases do incêndio thumb|direita|Fase de propagação de um incêndio florestal Um incêndio possuiu três fases distintivas: iniciação, propagação e extinção:
Iniciação: é o começo do incêndio produzido por causas naturais ou maioritariamente pela ação humana; Propagação: é a extensão do incêndio pela vegetação próxima; Extinção: é a finalização do incêndio por causas naturais (chuva ou falta de vegetação) ou por ação humana (trabalhos de extinção), ou seja, pelos bombeiros.
A propagação do fogo dependerá das condições atmosféricas, da topografia do lugar no qual ocorre e da vegetação presente no mesmo. Normalmente ocorrem em climas secos ou subsecos, como o mediterrâneo, onde a vegetação sofre estresse (stress) hídrico e, para além disso, algumas espécies vegetais como os pinheiros contêm resinas que ajudam a que o incêndio se propague melhor e seja mais virulento. Do mesmo modo, geralmente também possuem mecanismos de adaptação ao fogo como por exemplo as pinhas serotinas.
Tipos de incêndio thumb|219x219px|Incêndio florestal próximo de Castelo de Aro O estudo dos incêndios florestais distingue entre distintos tipos de fogos, o qual se torna útil na hora de considerar as medidas mais apropriadas de prevenção e de extinção dado que podem ser diferentes para um ou outro caso.
Segundo o meio de propagação Fogo de solo ou subsolo: O fogo propaga-se pela matéria orgânica em decomposição e pelas raízes. Quase sempre se queimam lentamente e em combustão incandescente (pouca chama ou ausência dela) por não dispor de oxigénio suficiente. Fogo de superfície: O incêndio propaga-se pelo combustível que encontramos sobre o solo, incluindo o lixo, ervas, arbustos e madeira caída mas não imersa no lixo em decomposição. Fogo de copas: Archote ou coroação: Passagem de fogo de superfície a fogo de copas, mas só de forma esporádica em alguns pés. Copas passivo: É o fogo que avança pelas copas das árvores acoplado e dependente de um fogo de superfície, se este se extingue detém-se o de copas. Copas ativo: É o fogo que avança pelas coroas das árvores independentemente da superfície. Só se pode atacar de forma indireta e geralmente necessita de um vento superior a 30 km/h e proximidade das copas (alta densidade aparente das copas e copas altas).
Segundo o tamanho thumb|Imagem tomada do satélite Aqua da NASA mostra uma perspetiva desde o espaço dos incêndios florestais sobre a América Central
Incêndios de sexta geração. Neste novo tipo de desastre, surgido como resultado da mudança climática, o fogo é tão potente que lança colunas de ar muito quente para a troposfera que, ao arrefecerem-se ali, colapsam-se sobre o solo, provocando muitos focos secundários. Também se denominam incêndios de última geração. A sua grande perigosidade intrínseca adiciona-se ao seu comportamento enganoso, pois tornam-se mais agressivos justamente quando as condições meteorológicas fazem pensar que vão perder virulência. Os grandes incêndios florestais (GIF). Definem-se assim aqueles incêndios que superam os 500 hectares florestais afetados. Caracterizam-se por um comportamento que fica fora da capacidade do sistema de extinção, quer seja pelas elevadas extensões de chama, pelas altas velocidades de propagação ou pela presença de atividade de fogo de copas. Estes incêndios não são muito frequentes mas são o problema real, já que calcinam enormes superfícies em poucas horas ou dias. Em Portugal são GIF menos de 0,20% dos incêndios florestais declarados, mas em termos de superfície queimada representam cerca de 40% num ano típico. Incêndios normais. Aqueles com uma extensão entre 1 ha e 500 ha. Em Portugal pertencem a este tipo cerca de 35% dos incêndios declarados. Incipientes. Os que não superam 1 hectare de superfície queimada. Em Portugal representam quase 65% do total. Quanto maior é a percentagem de incêndios que se ficam incipientes, maior efetividade se supõe nos sistemas de extinção.
Segundo o elemento que rege o incêndioMIRALLES, M.. KRAUS, D., MOLINA, DM., LOUREIRO, C., DELOGU, G. & RIBET, N. VILALTA, O. 2010. Improving suppression-fire capacity In EFI Research Report nr. 23.“Fire Paradox”, Project no. FP6-018505, European Commission, p. 204-215. http://www.efi.int/files/attachments/publications/efi_rr23.pdf Combustível, gás, topográfico, conduzido por vento e combustível.
Prevenção A prevenção do fogo baseia-se, por um lado, em tentar evitar que se provoquem incêndios florestais, e por outro lado em criar condições que minimizem as suas consequências uma vez declarados. Nesse sentido, podemos falar dos seguintes tipos de medidas:Firefighters say Gel Works, But Don't Expect Rush to Stockpile It. By: Associated Press Originally published: Oct 13, 2007 - 12:25 pmAvaliação da eficiência de um gel hidroretentor como retardante de fogo A consciencialização social, com a finalidade de educar a população num uso racional do fogo, evitando situações de risco. Podem-se realizar mediante campanhas informativas e multas coercivas; O cuidado e planificação das massas florestais e dos bosques, mediante a realização de aceiros e uma planificada e extensa rede de caminhos florestais e depósitos de água; A limpeza periódica dos bosques mediante os oportunos trabalhos silvícolas, assim como os trabalhos de desmatamento; Incentivar um melhor aproveitamento económico das florestas (como por exemplo a biomassa), mediante a observação de que a floresta não arde onde é rentável, por ter gente que a cuide por interesse próprio; A introdução em franjas delimitadoras de espécies com um baixo poder combustível; A realização de queimas preventivas (queima prescrita) durante períodos de baixo risco de incêndio; A adoção de medidas legislativas orientadas para prevenir que existam pessoas ou colectivos que possam sacar benefício dos incêndios; Reforçar a perseguição policial e judicial dos incendiários para evitar que possam ficar impunes, assim como a vigilância daqueles que após cumprir condenação voltam a ficar em liberdade; Oferecer recompensas que incentivem qualquer pessoa que conheça o responsável por um incêndio a dar o passo de denunciá-lo; Reforçar os meios de vigilância das florestas (patrulhas, postos fixos de observação, câmaras, aviões, satélites...) em períodos de alto risco de incêndio. Recentemente começou-se também a usar drones (aviões não tripulados) de vigilância, com efeito dissuasor.
Extinção