Joaquim Norberto de Sousa e Silva (Rio de Janeiro, 6 de junho de 1820 – Niterói, 14 de maio de 1891), também conhecido como J. Norberto de S. S. e pelos pseudônimos literários Fluviano, João do Norte e A.C., foi um poeta, escritor e historiador brasileiro do período romântico. É reconhecido como um dos precursores da historiografia literária no país, tendo como uma de suas obras mais notáveis o livro Brasileiras Célebres (1862).

Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), entidade que presidiu de 1886 até sua morte.

Vida pessoal Joaquim José nasceu em 6 de junho de 1820, na rua da Lapa n°14 Matos Peixoto, Cronológico Norbertino - RIHGB 1945, na cidade do Rio de Janeiro. Era filho de Manoel José de Souza Silva e de Emerenciana Joaquina da Natividade, De acordo com o próprio filho, Manoel José era "descendente pela parte materna dos antigos nobres e empreendedores paulistas"Joaquim Norberto - "Amador Bueno ou a fidelidade paulistana' - página de Rosto - peça dedicada ao pai, "como uma lembrança de amor filial, como uma lembrança de saudade"- RJ empresa typ. Dois de dezembro - 1855. Nascido em Minas Gerais, foi militar e, posteriormente, rico empresário na Corte. Do Rio de Janeiro transferiu-se com a família para uma espaçosa chácara em Niterói, situada na antiga rua D'El Rey (hoje rua Uruguai). onde costumava receber os amigos João Caetano, diretor de uma companhia de teatro, Antônio Paulino Limpo de Abreu, futuro visconde de Abaeté, Fernando Sebastião Dias da Mota, advogado, e do mais tarde brigadeiro Bernardo José Pinto Gavião Peixoto. Após a morte de EmerencianaJoaquim Norberto "Lágrimas e flores - Modulações Poéticas" - 1841, pg. 128 a 130- dedicada à mãe., Manoel José casou-se mais duas vezes, porém sem descendência. Seu falecimento, em 1853, eram seus herdeiros os oito filhosVide Ascendência e Descendência de Joaquim Norberto. e o menor Leopoldo Luiz Caetano Pereira de Mello.

A infância de Joaquim Norberto foi marcada por sérios problemas de saúde. Como consequência, seus pais foram obrigados a retardar seus estudos primários. Cursou Humanidades no Seminário Imperial de São Joaquim, dez anos antes de ser transformado, Imperial Colégio D. Pedro II, com estudos em filosofia, francês, por decreto de 1837, no latim, desenho etc. Anos mais tarde, por influência paterna, interrompeu os estudos para juntar-se ao irmão João José na administração dos negócios da família. Segundo Matos PeixotoMatos Peixoto, Cronológico Norbertino - RIHGB 1945, sabe-se que os irmãos dedicavam-se, nas horas de folga, a composições dramáticas, à pintura de aquarelas e a compilar poesias e peças teatrais. Sem vocação, a carreira comercial de Joaquim José durou pouco tempo. Assim, por volta de 1838 já estava matriculado no Colégio Inglês, situado na rua Santa Tereza n°15Sonia Regina Pinto Soares - "Joaquim Norberto de Souza-Silva: Historiador - um olhar sobre Minas Gerais colonial tese de mestrado - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, 2002- Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP.. Foi neste educandário que o diretor Guilherme Norris convenceu seu novo aluno, com o intuito de homenagear o santo consagrado no dia do seu nascimento, a tornar-se Joaquim Norberto (JN). Neste colégio iniciou uma grande amizade com Jose Carlos de Almeida Areias, futuro visconde D'Ourém. Seguiram-se os estudos na aula de Comércio, na Escola de Arquitetos e Agrimensores e na Escola de Belas Artes. Por fim, entrou para o Colégio Emulação, onde cursou filosofia, retórica e poética, ministrados por Domingos José Gonçalves de Magalhães visconde de Araguaia Joaquim Norberto "A meu mestre DJ.G.de Magalhães -Modulações Poéticas". - 1841- pg. 68/72. Joaquim Norberto concluiu, também, curso de língua francesa, atestado pelo professor E. DelamareArquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro AIHGB, lata 845, pasta 56, com "conhecimento necessário para qualquer emprego ou estudo, tanto em tradução como composição e falas".

Carreira Entre 1838 e 1840, JN já colaborava nas colunas do Despertador, do Diário do Rio de Janeiro e na Minerva Brasiliense. Em 1840 foi publicado no Despertador o seu Bosquejo da História da Poesia BrasileiraJosé Américo de Miranda - "A única história da literatura brasileira anterior àa Silvio Romero", op., cit., sua primeira importante obra. Assíduo frequentador da Biblioteca Pública da Corte, passou a ser aceito, como nos informa Carlos WehrsCarlos Wehrs - Vide bibliografia. , na Sala de Literatos, onde conheceu e fez amizade com intelectuais da estirpe de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, Martim Francisco Ribeiro de Andrade, cônego Januário da Cunha Barbosa, fundador em 1838 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Baltazar da Silva Lisboa, José Feliciano Fernandes Pinheiro - Visconde de São Leopoldo, José Silvestre Rebelo, Mariano José Pereira da Fonseca marquês de Maricá, Emílio Joaquim da Silva Maia e de Manoel de Araújo Porto Alegre - barão e marquês de Santo Ângelo, seu futuro compadre (padrinho de batismo de sua filha Júlia). Estimulado pelo cônego Januário Barbosa, publicou na revista do IHGB, em 1841, as biografias de Rosa Maria de Siqueira e de Úrsula de Abreu Lencastre - as primeiras brasileiras célebresJoaquim Norberto - "'Brasileiras Célebres - Garnier, RJ. 1862.. Passou a publicar nas colunas do Despertador, poesias, novelas e artigos literários. Foram editados, também em 1841, no Diário do Rio de Janeiro, as suas primeiras balatasBalada (Balada) é uma "peça musical, outrora acompanhada de canto e dança ou ainda um pequeno poema narrativo de assuntos lendários ou fantásticos - Antonio Geraldo Cunha - Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa - Nova Fronteira, 1982, pg.93.: O último abraço, A vítima da saudade e A morte da filha.

Com indicação do cônego Januário e do visconde de São Leopoldo, JN foi admitido, em 12 de agosto de 1841, como sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Apesar de ter planos de estudar na Europa, JN cedeu às pressões do cônego Januário e aceitou a nomeação, também em 1841, para o cargo de praticante na Biblioteca Pública da Corte. Arrependeu-se"Foi ele (cônego Januário) que me cortou a carreira e me fez entrar para a Biblioteca em paga da dedicatória da História da Literatura Brasileira que publiquei aos 20 anos de idade, e por sua causa deixei de ir estudar na Europa". JN - Biblioteca Nacional - RJ, seção de manuscritos, correspondência avulsa, 28/06/1882, Carta a destinatário ignorado.

Vide Ascendência e Descendência de Joaquim Norberto.. "Assim, aos 21 anos era funcionário público, membro do IHGB, e estava lançado como historiador literário e político, como polemista, com periódicos onde escrever" (Matos Peixoto, op., cit.).

Joaquim Norberto casou-se, em 01 de outubro de 1842, com Maria Thereza da Motta Alves Pereira (assinava-se Alves da Motta). O casal teve 06 filhosVide Ascendência e Descendência de Joaquim Norberto.. Em 1844, JN já trabalhava na Contadoria da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra acumulava as responsabilidades de Inspetor (examinador) de Instrução Pública. Dois anos mais tarde, tornou-se funcionário concursado da Assembleia Legislativa Provincial do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1859.

Já nas novas instalações do IHGB, no paço da cidade, D. Pedro II incumbiu Joaquim Norberto, na sessão de 15 de dezembro de 1849, de escrever sobre a intencionalidade ou não do descobrimento do Brasil - "'O descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral foi devido a um mero acaso ou teve ele alguns indícios para isso?"RIHGB- 1852, tomo 15, pg. 125 - 204. Após um ano de acurada pesquisa, Norberto começa a ler no Instituto o seu tratado sobre o descobrimento. Este trabalho foi responsável por uma das grandes discussões de que o IHGB foi palco. De um lado JN, que sustentou a tese da intencionalidade, hoje consagrada, e de outro suscitando exaltados protestos, Gonçalves Dias e Duarte da Ponte Ribeiro - que defendiam a casualidade. Este embate só terminou em 1855, quando JN apresentou sua Refutação às reflexões do consócio Gonçalves Dias RIHGB - 1855, tomo 18, pg. 293 -421.

Nomeado. em 1854, pela Câmara Municipal, JN tornou-se membro da comissão encarregada de erigir uma estátua equestre de D. Pedro I na praça da Consolação (hoje Tiradentes) inaugurada em 1862.

Nos anos de 1855 e 1860, Joaquim Norberto iniciou a leitura, também no IHGB, respectivamente de suas "História da Literatura Brasileira" "'História da Conjuração Brasileira" - esta, sua mais importante obra.

Em 5 de março de 1859, foi transferido para o cargo de 1° Oficial da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, tendo sido efetivado como chefe de seção em 1861. Permaneceu nesta Secretaria até a sua aposentadoria, decretada em 1890.

Em 1868, passou a servir no gabinete do ministro Paulino Soares de Souza, onde elaborou importantes trabalhos - incluídos no Relatório do Império desse ano. Como reconhecimento, foi agraciado por D. Pedro II, ainda em 1868, com o grau de Oficial da Imperial Ordem da Rosa. Por solicitação do ministro, Norberto dedicou-se intensamente, a partir de 1870, a projetos indispensáveis à administração pública, tais como: investigações sobre os recenseamentos da população geral do Império, elaboração do mapa da população escrava existente em todas as províncias e feitura do quadro eleitoral do império com indicação dos distritos eleitorais das províncias, seus colégios, paróquias e número de eleitores (os trabalhos investigações sobre os recenseamentos da população geral do império e elaboração do mapa da população escrava existente em todas as províncias fizeram parte do Relatório do Império em 1870

Durante o ano de 1874, JN fez parte da comissão organizadora dos catálogos da Biblioteca Pública da Corte.

No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Norberto ocupou os cargos de secretário, vice-presidente, chegando à presidência em 1886, substituindo Luiz Pedreira do Couto Ferraz - visconde de Bom Retiro. Neste ano, D. Pedro II eleva-o ao grau de Comendador da Ordem da Rosa.

Segundo a escritora Stella LeonardosStella Leonardos da Silva Lima Cabassa - professora, poetisa, ensaista literária, teatróloga, romancista, escritora para crianças, tradutora - laureada no Brasil e no exterior. Secretária Geral da União Brasileira de Escritores - UBE - (RJ), membro do Pen Club do Brasil, do Instituto Brasileiro de Cultura Hispânica, da Associação Brasileira de Critica Literária, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e da Academia Carioca de Letras. - Discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, Joaquim Norberto, seu trisavô, dedicou grande parte de sua herança a patrocinar companhias de bel canto, de arte dramática e, sobretudo, sendo mecenas de estudantes.

Historiador, romancista dramaturgo, novelista, poeta, crítico e tradutor, JN tornou-se membro de diversas instituições culturais, tendo fundado e presidido algumas delasVide cronologia..

Em 1° de março de 1891 presidiu sua última sessão no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Amigo do imperador, JN, sofreu muito com a troca do regime e, sobretudo, com o banimento da família imperial.

Joaquim Norberto faleceu em 14 de maio de 1891.

Bibliografia do autor Registros de sua produção dão conta de cerca de oitenta títulos; seus textos variam enormemente indo da poesia ao teatro, do romance à história.

Produziu algumas peças, das quais apenas uma foi encenada: "Amador Bueno ou a fidelidade paulistana" com cinco atos, levada aos palcos por João Caetano em 1846.

Principais títulos

História

Memória histórica e documentada das aldeias dos índios da província do Rio de Janeiro - Tip. Universal de Laemmert, Rio de Janeiro, 1854 ( separata do TOMO XVII da RIHGB ). Laureada na sessão magna do IHGB de 15,12.1852 com o prêmio imperial. Brasileiras Célebres -B.L. Garnier e Tip. e Ed, Blot, Rio de Janeiro e Paris, 1862.