Santo Aleixo da Restauração é uma aldeia raiana portuguesa pertencente ao Município de Moura, sub-região do Baixo Alentejo que é sede da Freguesia de Santo Aleixo da Restauração, freguesia que tem 179,53km² de área e uma população de 633 habitantes (2021).
A Freguesia de Santo Aleixo da Restauração foi extinta (agregada), pela reorganização administrativa de 2012/2013, tendo o seu território sido agregado ao da Freguesia de Safara para criar a União de Freguesias de Safara e Santo Aleixo da RestauraçãoLei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.. Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Santo Aleixo da Restauração foi de novo reposta.
A relevante posição geográfica no contexto histórico de defesa e reconquista do território português a leste do rio Guadiana, e a ausência de um acordo de fronteira definitivo entre Portugal e Espanha nos terrenos da Contenda até 1893, fizeram de Santo Aleixo palco de múltiplos conflitos armados ao longo da sua história. Quase despovoada por razias na Crise de 1383–1385, foi homenageada como aldeia heróica no Monumento aos Restauradores, em Lisboa, e agraciada com o denominação "da Restauração" pela República em 1957, pelo valioso sacrifício da gente desta aldeia na Guerra da Restauração. A aldeia foi arruinada em 1704, no decorrer da Guerra da Sucessão de Espanha.
Em Santo Aleixo da Restauração são celebradas três festas religiosas, sendo a Festa da Tomina (em agosto/setembro) uma das maiores da margem este do Rio Guadiana, e as outras duas sendo a Festa de Santo António (em maio), e a Festa de Santo Aleixo (em julho)
Etimologia A aldeia surge documentada pela primeira vez no século X, numa descrição referente ao Al-Andalus (Península Ibérica) realizada pelo geógrafo Ar-Razi. Nesse documento a aldeia era denominada de Totalica ou Tutaliqa (do latim corrompido totum: toda; ligatio: liga de metais; "toda a liga de metais").
O nome Totalica designou o povoado da ocupação romana, no século II a.C., à reconquista cristã no reinado de D.Sancho II. Após a conquista pela Ordem dos Hospitalários a povoação passou a designar-se de Santo Aleixo.
A 3 de Maio de 1957 após uma solicitação da Junta de Freguesia de Santo Aleixo ao Governo da República, que evocava os feitos históricos da Guerra da Restauração e a partilha da denominação com outras localidades, o nome da aldeia e freguesia foram alterados para Santo Aleixo da Restauração. Em baixo um excerto do decreto n.º 41 093, DG n.º 102, de 3 de Maio de 1957 publicado em Diário da República que altera oficialmente a denominação da aldeia e freguesia:
A Junta de Freguesia de Santo Aleixo, do concelho de Moura, solicitou ao Governo que a mesma freguesia passe a denominar-se Santo Aleixo da Restauração, não só porque outras freguesias existem com a sua actual denominação, o que tem sido causa de perturbações no serviço de distribuição de correspondência, mas, principalmente, atendendo aos actos heróicos praticados pelos seus habitantes, sob o comando do capitão Martim Carrasco Pimenta, durante o período de lutas que se seguiram à Restauração da independência. [...] Paços do Governo da República, 3 de Maio de 1957. – Francisco Higino Craveiro Lopes – António de Oliveira Salazar – Joaquim Trigo de Negreiros.
História Guerra da Restauração da Independência |thumb|250px|Tabuleta com inscrições indicativas dos combates travados em Santo Aleixo durante a Guerra da Restauração e Sucessão Durante a Guerra da Restauração Santo Aleixo foi palco de dois grandes combates, o primeiro a 6 de Outubro de 1641 e segundo a 12 de Agosto de 1644, sendo este último de maior dimensão, o que causou mais baixas em ambos os lados e também o que provocou maiores danos na aldeia. Este último ataque também valeu a Santo Aleixo a designação de aldeia heróica e a alteração da sua toponímia em Diário da República para Santo Aleixo da Restauração no ano de 1957.
Incursão castelhana de 1641 Na manhã de 6 de Outubro de 1641, uma força de 1500 soldados de infantaria e 200 cavaleiros castelhanos cercaram a aldeia de Santo Aleixo de modo a concretizar parte da operação que visava o saque e destruição das aldeias de Safara e Santo Aleixo, as mais ricas da comarca de Moura. Devido a inexistência de um contingente militar regular na aldeia, formou-se aquando da noticia da invasão, uma milícia de cerca de cem homens, fracamente armadas e sem qualquer experiência militar, liderada pelo Capitão Martim Carrasco Pimenta.
O assalto castelhano ao complexo fortificado da aldeia resumiu-se a uma série de oito ou dez assaltos que acabaram todos por ser repelidos nas trincheiras de taipa que rodeavam a aldeia. O combate acabou ao fim de três horas com cinquenta e cinco baixas do lado castelhano e duas do lado português.
Esta acção militar foi descrita por Jorge Rodrigues, no ano de 1641, descrição essa que se transcreve parcialmente em baixo: "Descuidados estavam os da Aldeia de S.to Aleixo do termo da vila de Moura na madrugada de 6 do presente mês [Outubro], quando se acharam cercados de 1500 castelhanos de pé e de cavalo, que se tinham ajuntado dos lugares de Cheles, Alconchel, Vila Nova, Valença, Oliva e Encinasola, e outros que confinam com aquelas fronteiras, em que havia mais de duzentos de cavalo que tinham vindo de Badajoz a esta facção.
Sabiam eles que a Aldeia de S.to Aleixo e a de Safara sua vizinha são as mais ricas daquela comarca e em que podiam fazer uma importante presa, porque não tinham gente paga que as defendesse. Havia em S.to Aleixo uma companhia de pouco mais de cem homens que pudessem tomar arma, mas o valor do Capitão supre muitas vezes a falta de soldados. Martim Carrasco Pimenta o era destes, e ao prudente modo com que soube opor-se aos desígnios do inimigo, se deveu a vitória deste dia, porque cometendo o lugar às oito da manhã, em toda a sua circunferência se ouviram a um tempo os mosquetaços, tiros de pistolas, e carivinas com que os castelhanos investiram as taipas que lhe serviam de trincheira, saqueando duas casas, uma do prior, e outra vizinha, nas quais entraram pelos quintais sem serem vistos. Acudiram os moradores a defendê-las com tal ânimo e valor, que detiveram o ímpeto dos que já as tinham entrado, que passados do ferro e balas dos nossos, caíram mortos aos pés dos seus, que investiam mais frouxos com o exemplo dos companheiros. Por oito ou dez vezes tornaram a cometer as trincheiras, nas quais com pura fé e confiança no céu haviam posto os nossos [...] na primeira hora, durando três o combate em que os nossos pelejaram com mais valor de homens, porque de cento mal armados, e mais costumados ao exercício do campo, que ao militar, se não podia esperar tão glorioso sucesso; o qual teve fim com a vergonhosa retirada dos castelhanos, ficando cinquenta e cinco mortos e alguns cavalos, e de nossa parte mais que dois homens, um dos quais por tomar um cavalo vivo se lançou da trincheira, e o mataram-no campo."- Jorge Rodrigues, 1641
Guerra da Sucessão de Espanha A 31 de Maio de 1704, Santo Aleixo foi alvo de um cerco por parte de forças espanholas, que arruinou a aldeia, no âmbito do envolvimento português na Guerra da Sucessão de Espanha.
Demografiahttps://www.ine.pt De acordo com os Censos de 2021, a aldeia de Santo Aleixo da Restauração apresentava na altura do censo uma população residente de 814 pessoas. Tal como a maioria das povoações do interior português, Santo Aleixo também sofre uma diminuição considerável da população causada pelo fenómeno do êxodo rural. Este está intimamente ligado a razões económicas, e tem como consequências, não só a diminuição da população residente como também o envelhecimento da mesma.
População da Freguesia de Santo Aleixo da RestauraçãoAnoPopulaçãoVariação (%)143612018641299187813141,15189020645,7190019077,61911231521,4192023893,2193023870,081940299025,31950302111960249017,61970163934,219811381161991108621,4200184222,520117935,82021633↓ 20,2
Economiahttps://www.ine.pt A freguesia têm como base económica a atividade agropecuária. O sector de acividade secundário têm um peso muito singelo na economia local, a par do sector terciário, apesar deste ter uma expressão muito superior. O principal dinamizador da economia da freguesia é a Herdade da Contenda, empresa municipal responsável pela gestão do Perímetro Florestal da Contenda, que apesar dos benefícios socioeconómicos que tem para a freguesia gera um prejuízo avultado à Câmara Municipal de Moura, detentora da empresa municipal que gere a herdade.
Agropecuária Desde o início do recenseamento agrícola em Portugal, em 1989, foi possível traçar o cariz da produção agrícola e pecuária na freguesia de Santo Aleixo da Restauração. Este sector de atividade, de 1989 a 2009, sofreu alterações consideráveis, sendo as mais flagrantes o aumento da produção pecuária em detrimento da produção agrícola, a forma de utilização da superfície agrícola, e o aumento considerável da mecanização agrícola e da superfície irrigável.
O número de máquinas agrícolas cresceu substancialmente, passando de 39 em 1989, para 54 em 1999 e para 80 em 2009.. Desta analise estatística é possível observar que a proporção do tipo de máquinas agrícolas manteve-se constante - em 1989 e 1999 de todas as maquinas agrícolas apenas cinco não eram tractores. Estas cinco máquinas eram ceifeiras-debulhadoras. Em 2009 o número de ceifeiras-debulhadoras desceu para duas, mas no entanto houve o emprego de duas motoenxadas
Outra grande evolução de cariz agrícola foi a superfície agrícola irrigável. Em 1989 apenas 8 hectares eram irrigáveis, passando esta superfície para 78 ha em 1999, e 116 ha em 2009.
Explorações agrícolas Culturas de cariz permanente Explorações agrícolas com culturas permanentes e tipo de culturas Tipo de culturas por exploração Período de referência dos dados Frutos frescos (excepto citrinos) Citrinos Olival Vinha Total20201078180 2009 1 1 91 2 92 1999 2 1 120 1 121 1989 0 0 84 0 84 Dados referentes ao intervalo entre 1989 e 2009. Fonte: Instituto Nacional de Estatística Culturas de cariz temporário Explorações agrícolas com culturas temporárias e tipo de culturas Tipo de culturas por exploração Período de referência dos dados Cereais para grão Leguminosas secas para grão Prados temporários Culturas forrageiras Culturas industriais Culturas hortícolas Total 2009 8 0 0 17 1 0 23 1999 26 0 0 8 0 2 32 1989 49 7 5 9 0 4 57 Dados referentes ao intervalo entre 1989 e 2009. Fonte: Instituto Nacional de Estatística Explorações animais A produção pecuária foi o único ramo económico da freguesia a sofrer uma clara expansão, tendo sido registado um aumento exponencial do número de animais criados com fins comerciais ou de consumo. De 4048 animais em 1989, passou-se para 12 300 em 2009, ou seja, registou-se um aumento de 304%. Da variação do número de cabeças de gado, pode destacar-se o aumento do gado bovino e suíno, e também da produção melífera.
Explorações animais e espécies exploradas Número de animais por exploração Período de referência dos dados Bovinos Suínos Ovinos Caprinos Equídeos Aves Coelhos Colmeias e cortiços povoados Total 2009 3 294 2 221 3 048 2 135 63 669 0 870 12 300 1999 1 564 1 130 1 326 2 529 49 1 229 32 626 8485 1989 721 882 1 209 1 680 80 667 11 7 4048 Dados referentes ao intervalo entre 1989 e 2009. Fonte: Instituto Nacional de Estatística Geografia Localização geográfica