A eleição presidencial na Argentina em 2019 foi realizada em 27 de outubro para eleger o presidente e o vice-presidente da nação, simultaneamente com as eleições gerais. O eleito foi Alberto Fernández, do Partido Justicialista, com 48,24% dos votos válidos.
A legislação eleitoral previa que, se no primeiro turno nenhum candidato obtivesse 40% dos votos válidos, além de 10% de vantagem sobre o segundo colocado, ou ainda 45% dos votos válidos, um segundo turno, denominado balotaje, ocorreria em 24 de novembro. Como Fernández recebeu mais de 45% dos votos válidos, o pleito foi encerrado em primeiro turno.
Além do eleito Fernández, também concorreram o então presidente Mauricio Macri, candidato à reeleição, Roberto Lavagna, Nicolás del Caño, José Espert e Juan Centurión.
Além de eleger o presidente e o vice-presidente, os argentinos escolheram 130 deputados nacionais, 24 senadores nacionais e 43 deputados do Parlamento do Mercosul. Em várias províncias e no distrito federal também se elegeram, nesse mesmo dia, autoridades executivas e legislativas.
Contexto As eleições ocorreram num contexto de grave crise económica. Cerca de 40% dos argentinos viviam abaixo da linha de pobreza, de acordo com o canal nacional C5N (35% segundo dados oficiais, um aumento de 30% em um ano). A inflação ultrapassara 54% nos doze meses anteriores e 237% desde o início do mandato de Mauricio Macri. De acordo com a FAO, cinco milhões de argentinos sofreram de grave "insegurança alimentar" no período de 2016-2018, um aumento de duas vezes no período de 2014-2016, e a situação piorou ainda mais desde então. A taxa de desemprego ultrapassava os 10%, de acordo com dados oficiais, provavelmente subestimados, e esperava-se uma queda de 3,1% do PIB para 2019, de acordo com o FMI. Em 2018, o governo solicitou um empréstimo de 57 mil milhões de dólares do FMI e iniciou uma política de corte na despesa pública, incluindo o corte no orçamento para a educação, ciência e saúde.
Regras eleitorais As regras eleitorais fundamentais para a eleição presidencial foram estabelecidas no texto da Reforma Constitucional de 1994 e são mesmas regras que nas eleições de 1995, 1999, 2003, 2007, 2011 e 2015.
As principais regras eleitorais para a eleição presidencial foram:
Sufrágio direto. Presidente e vice-presidente são eleitos na mesma chapa. Mandato presidencial de quatro anos, com possibilidade de uma só reeleição imediata.
As regras eleitorais são regidas pelo Código Eleitoral Nacional. Para esta eleição aplicou-se também a Lei N.º 26 571, de 2011, que previa que as eleições primárias internas fossem abertas, que foram denominadas PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), para eleger os candidatos da cada aliança.
Cronograma eleitoral Até a data das eleições, em 27 de outubro, foram realizados diversos eventos ao longo do ano, como atos eleitorais regionais nos quais foram eleitos os governadores, o que trouxe influência indireta para a eleição presidencial.
30 de abril: fechamento do regulamento eleitoral provisório. 10 de maio: publicação do regulamento eleitoral provisório. 12 de junho: vencimento do prazo para formar as coligações eleitorais. 22 de junho: vencimento do prazo para a apresentação das listas de pré-candidatos. 12 de julho: início da campanha eleitoral para as eleições internas. 12 de julho: fechamento e publicação do regulamento eleitoral definitivo. 9 de agostoː fim da campanha eleitoral. E início do período de silêncio eleitoral. 11 de agosto: eleições internas de cada coligação para a definição dos candidatos. 13 de outubro: primeiro Debate presidencial obrigatório 20 de outubro: segundo Debate presidencial obrigatório 27 de outubro: primeiro turno das eleições presidenciais. 24 de novembro: segundo turno das eleições presidenciais (caso fosse necessário).
Candidaturas O número oficial das candidaturas se desenhou bem perto do fim do prazo para registro das eleições primárias, em 12 de junho. Nenhuma das coligações apresentou mais de um candidato para disputar as primárias, o que ocasionou um debate no país sobre a real necessidade de se manter as PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias). Ao fim, dez nomes se apresentaram para a disputa do governo argentino.
O presidente Mauricio Macri, do centro-direitista Proposta Republicana (PRO), surpreendeu e anunciou o peronista Miguel Pichetto como seu vice. A sua coligação Mudemos passou a se chamar Juntos somos a Mudança, e foi composta, para além do PRO, pela Coalizão Cívica (ARI) e pela União Cívica Radical (UCR). Por ela, também deveriam concorrer nas primárias o ex-ministro da Economia Martín Lousteau (UCR) e a governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, mas ambos declinaram em apoio à chapa Macri-Pichetto.
A oposição de centro-esquerda, peronista e kirchnerista, se reuniu numa única coligação, a Frente de Todos. Isso só foi possível após a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, líder nas pesquisas, ceder a cabeça da chapa para seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández. Cristina e Alberto eram rompidos politicamente até então. A candidatura de ambos foi chamada pela imprensa de "Fernández-Fernández". O ex-governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, e o terceiro colocado nas pesquisas, Sergio Massa, anunciaram que também concorreriam à presidência nas primárias, na mesma coligação que Alberto e Cristina, mas acabaram desistindo em apoio à ambos. Os também peronistas Agustín Rossi, Felipe Solá e Axel Kicillof também anunciaram a desistência de suas candidaturas em apoio à Alberto e Cristina.
A coligação de terceira via Alternativa Federal acabou sendo implodida com a saída de Pichetto, para apoiar Macri, e de Massa, para apoiar Fernández. A coligação, rebatizada de Consenso 19, passou a ter uma única chapa, encabeçada pelo ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, e tendo o governador de Salta Juan Manuel Urtubey como vice. A coligação também teve o apoio do Partido Socialista (PS).
A coligação dos partidos de esquerda, a Frente de Esquerda, apresentou o nome de Nicolas del Caño como candidato à presidente. Os libertários lançaram a coligação Despertar, com o professor universitário José Luis Espert como candidato à presidente, e tendo o ex-deputado provincial de Mendoza, Luis Rosales, como vice. Já a extrema-direita lançou Alejandro Biondini como candidato pela coligação Frente Patriota.
Completam a lista de candidatos a socióloga Manuela Castañeira (MAS), o major do Exército Juan Centurión (NOS), o ex-senador José Ferris (PAN) e o ex-vereador Raúl Humberto Albarracín (MAV).
Lista de candidatos Partido ou aliançaFotoCandidato a presidenteCargo anteriorFotoCandidato a viceCargo anteriorCandidatos aprovados pelas eleições primárias (PASO)Juntos pela Mudança75px110pxMauricio Macri (PRO)Presidente da Argentina (2015-2019)110pxMiguel Pichetto (PJ)Senador por Río Negro (2001-2019)Todos75px110pxAlberto Fernández (PJ)Chefe de Gabinete da Argentina (2003-2008)110pxCristina Kirchner (PJ)Senadora por Buenos Aires ePresidente da Argentina (2007-2015)Consenso 19110pxRoberto LavagnaMinistro da Economia (2002-2005)110pxJuan Manuel Urtubey (PJ)Governador de Salta (2007-2019)Frente de Esquerda75px110pxNicolás del Caño (PTS)Deputado Nacional (2017-2019)110pxRomina del Plá (PO)Deputada Nacional (2017-2019)Unite75px110pxJosé Luis Espert (PL)Professor110pxLuis RosalesDeputado provincial por Mendoza (1989-1991)Nós75px110pxJuan Centurión (PCP)Vice-presidente do Banco Nación (2017-2019)110pxCynthia Hotton (VP)EconomistaCandidatos rejeitados pelas eleições primárias (PASO)Frente Patriótica 110pxAlejandro Biondini (BV)Enrique Venturino Coronel do Exército ArgentinoNovo Movimento ao Socialismo75px110pxManuela Castañeira (MAS)SociólogaEduardo Mulhall (MAS)ProfessorAutonomista75px110pxJosé Feris (PAN)Governador de Corrientes (1983-1987)Guillermo Sueldo (PAN)ProfessorAção VizinhançaRaúl Humberto Albarracín (MAV)Vereador de CórdobaSergio Pastore (MAV)Advogado
Pesquisas de opinião
Primeiro turno Instituto Data <small>Entrevis-tados 60px|link=Alberto Fernández|alt=Alberto Fernández 60px|link=Mauricio Macri|alt=Mauricio Macri 60px|link=Roberto Lavagna|alt=Roberto Lavagna 60px 60px 60px Indecisos Fernández Macri Roberto Lavagna Del Caño Espert Centurión Federico González & Asociados 02/08/19 1.600 42% 34,6% 6,4% 3,2% 3,3% 0,8% - Oh Panel 01/08/19 1.200 41% 35% 9% 3% 5% 0% - Dicen 01/08/19 2.243 40,5% 35,3% 8,2% 3% 2,4% 2,1% - Opinaia 01/08/19 3.051 37,6% 36,4% 8,5% 3,8% 4% - - Synopsis 11 - 13/07/19 2.260 40,6% 38,1% 8,9% 1,5% 3,9% - 4,9% Gustavo Córdoba y Asociados 11/07/19 1.934 33,5% 32,5% 11,3% 3,8% 5,1% - 1% Universidad de San Andrés 2 - 11/07/19 2.260 29% 25% 5% 3% 3% 1% 15% Meridional 28/06/19 1.934 42,5% 34,5% 8,8% 2,7% 11,5% - 11,3% CEOP 23/06/19 1.500 43,7% 32,3% 9,3% 2,1% 3,9% - 8,7% Trespuntozero 23/06/19 1.500 42% 33,4% 7,9% 0,9% 2,5% 2,5% 6,9%
Resultados +CandidatoPartidoPASO1º TurnoVotos%Votos%Alberto FernándezPartido JusticialistaPJ12.205.93815px|Sim12.473.709Mauricio MacriProposta RepublicanaPRO8.121.68910.470.607Roberto LavagnaConsenso 192.081.3151.599.707Nicolás del CañoPartido dos Trabalhadores SocialistasPTS723.147561.214Juán José CenturiónNós670.162443.507José Luis EspertDespertar550.593382.820Manuela CastañeraNovo Movimento ao Socialismo179.46115px|NãoAlejandro BiondiniFrente Patriótica58.934Raúl Humberto AlbarracínAção Vizinhança36.411José FerisPartido Autonomista32.722Votos afirmativos25.931.56425.255.469Votos brancos882.659399.751Votos válidos25.861.050Votos nulos318.009232.208Votos impugnados35.70731.937Votos válidos24.387.452Votos totais24.723.17826.595.460Participação24.387.45226.595.460Abstenção8.234.3647.263.273Eleitorado33.871.83233.858.733Fonte PASO (100% apurado) apurado
2019 Categoria:2019 na Argentina Categoria:Eleições de 2019 na América