Volodymyr Olexandrovytch Zelensky (em ucraniano: Володимир Олександрович Зеленський; Kryvy Rih, 25 de janeiro de 1978) é um político, comediante, ator, roteirista e diretor ucraniano. É o atual presidente da Ucrânia, cargo para o qual foi empossado em 20 de maio de 2019.
Zelensky nasceu e cresceu em Kryvy Rih, uma região localizada no sudeste da Ucrânia. Concluiu a graduação em direito pelo Instituto de Economia de Kryvy Rih, mas não exerceu funções jurídicas. Ainda na juventude iniciou sua carreira como comediante e fundou o grupo Kvartal95, que produziu filmes, desenhos e programas de televisão como a série Servo do Povo, onde Zelensky faz o papel de presidente da Ucrânia. A série durou de 2015 a 2018 e foi extremamente popular. Em março de 2018, integrantes do Kvartal95 registraram um partido político com o mesmo nome do programa.
Em dezembro de 2018, Zelensky anunciou sua candidatura para a eleição presidencial ucraniana de 2019. Zelensky apresentou uma plataforma de campanha sobretudo antissistema. No segundo turno, derrotou o presidente Petro Poroshenko, alcançando 73% dos votos. Na presidência, defendeu o governo eletrônico e a união entre as populações falantes de russo e ucraniano do país. Utilizou as redes sociais como seu principal meio de comunicação, principalmente o Instagram. Seu partido obteve uma vitória esmagadora nas eleições antecipadas do legislativo que ocorreram logo após sua posse.
Durante seu governo, Zelensky propôs reformas em diversas áreas, incluindo agrária, eleitoral, política e judicial. Entre as medidas promulgadas, extinguiu a imunidade legal dos membros do Conselho Supremo da Ucrânia e introduziu a possibilidade de convocação de referendos. Também sancionou uma legislação alegadamente para desoligarquiar o país. Zelensky prometeu acabar com a Guerra Russo-Ucraniana e tentou dialogar com o presidente russo Vladimir Putin. No entanto, houve uma escalada de tensões com a Rússia que culminou em uma invasão em fevereiro de 2022. O gerenciamento de Zelensky durante a ofensiva militar rendeu-lhe ampla admiração internacional, tendo sido descrito como um símbolo da resistência ucraniana.
Juventude, família e educação thumb|esquerda|Zelensky e sua esposa Olena, em 2021
Volodymyr Oleksandrovych Zelensky é filho de um casal de judeus. Nasceu em 25 de janeiro de 1978 na cidade de Kryvy Rih, então parte da República Socialista Soviética da Ucrânia. Seu pai, Oleksandr Zelensky, é um matemático e professor, além de responsável pelo departamento de cibernética do Instituto de Economia de Kryvy Rih. Sua mãe, Rymma Zelenska, era engenheira. Seu avô paterno, Semyon (Simon) Ivanovych Zelensky, serviu no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial; o pai de Semyon e três irmãos foram mortos no Holocausto. Além de Semyon, uma avó de Zelensky escapou dos nazistas ao ser evacuada para o Cazaquistão.
Zelensky referiu que cresceu em uma "família judia soviética comum", não muito religiosa, eis que a religião era reprimida pela União Soviética. Quando era criança, sua família se mudou para a cidade de Erdenet, na Mongólia, diante de compromissos profissionais de Oleksandr. Ali a família permaneceu durante quatro anos e Zelensky aprendeu a língua mongol, embora posteriormente afirmou que, por conta da falta de prática, não sabia mais pronunciar nenhuma palavra em mongol. Também é um falante nativo de russo, assim como muitos moradores da região de Dnipropetrovsk, e atingiu fluência em ucraniano e inglês.
Após quatro anos na Mongólia, Zelensky e sua família retornaram para Kryvy Rih, onde ingressou no ensino primário. Durante a juventude, tinha a aspiração de ser guarda fronteiriço; posteriormente, desejava seguir carreira diplomática. Aos 16 anos, foi aprovado no Teste de Inglês como uma Língua Estrangeira e recebeu uma bolsa de estudos para estudar em Israel, mas seu pai não permitiu a mudança para aquele país. Em 1995, matriculou-se no Instituto de Economia de Kryvy Rih e graduou-se em Direito por esta instituição em 2000. Zelensky não exerceu nenhuma atividade jurídica.
Em 2003, Zelensky se casou com Olena Zelenska. Ambos eram colegas de escola em Kryvy Rih, embora só se conheceram durante a universidade. Relacionaram-se durante oito anos antes do casamento. Tiveram dois filhos: Oleksandra, nascida em julho de 2004, e Kyrylo, nascido em janeiro de 2013.
Em 2021, a Pandora Papers revelou uma rede de empresas offshore fundada e mantida por Zelensky e pessoas próximas. Entre as disposições financeiras estavam pelo menos dez empresas que lhe pagaram dividendos (cujo montante permanecia desconhecido) após a sua chegada à presidência. Através destas empresas, mantinha a propriedade de bens imobiliários de luxo no centro de Londres. Zelensky alegou que fez isso para evitar que os seus programas de TV satíricos fossem "influenciados pela política" e enfatizou que nem ele nem qualquer membro do Kvartal95 estava envolvido com lavagem de dinheiro.
Carreira no entretenimento thumb|Zelensky (ao centro) em uma performance do Kvartal 95, em 2018
Aos 17 anos de idade, Zelensky ingressou em uma equipe da Klub Vesyólykh i Nakhódchivykh (KVN), traduzido em língua portuguesa para "Clube das Pessoas Divertidas e Inventivas". Trata-se de uma competição de humor criada em 1961 em que seus participantes são geralmente estudantes universitários. Sua equipe venceu a competição em 1997 e, no mesmo ano, criou sua própria equipe, a Kvartal 95. De 1998 a 2003, o Kvartal 95 atuou na liga principal da KVN, levando os membros da equipe a passarem muito tempo em Moscou e a realizarem excursões nos antigos países soviéticos. Em 2003, a Kvartal 95 começou a produzir programas televisivos para o canal de TV ucraniano 1+1 e, em 2005, a equipe mudou-se para o canal ucraniano Inter.
Em 2008, Zelensky estrelou o longa-metragem Love in the Big City e sua sequência Love in the Big City 2. Nos anos a seguir, participou dos filmes Office Romance. Our Time (2011), Rzhevsky Versus Napoleon (2012), Love in the Big City 3 (2014) e 8 First Dates (2012, 2015 e 2016). De 2010 a 2012, integrou o conselho administrativo e ocupou o cargo de produtor-geral do canal de televisão Inter.
Em 2014, Zelensky manifestou-se contrariamente à intenção do Ministério da Cultura ucraniano de banir artistas russos do país. A partir de 2015, os ucranianos começaram a banir obras culturais da Rússia. Em 2015, os russos baniram o filme Love in the Big City 2, estrelado por Zelensky. Quando a mídia ucraniana relatou que a Kvartal 95 havia doado recursos financeiros ao exército do país, alguns políticos russos demandaram a proibição de suas obras na Rússia.
Em 2015, Zelensky se tornou a estrela da série de televisão O Servo do Povo, interpretando o papel de presidente da Ucrânia. Seu personagem era um professor de história do ensino médio na casa dos 30 anos que ganhou a eleição presidencial depois que um vídeo viral o mostrou fazendo um discurso contra a corrupção do governo ucraniano. A série tornou-se o programa com maior audiência do país.
Campanha presidencial de 2019 thumb|Zelensky e o presidente Petro Poroshenko em 19 de abril de 2019
Em março de 2018, membros do Kvartal95 registram o Servo do Povo como um partido político. No mesmo ano, Zelensky tinha em torno de 10% das intenções de votos para a eleição presidencial de 2019. Em 31 de dezembro de 2018, no especial de final de ano do canal 1+1, anunciou sua candidatura à presidência. Sua campanha foi quase que inteiramente virtual, através das redes sociais, evitando engajar-se em entrevistas com jornalistas. Zelensky rapidamente assumiu a liderança nas pesquisas de opinião.
A ascensão de Zelensky nas pesquisas foi fruto da rejeição às elites e aos políticos, vistos por boa parte da população como incapazes de superar as dificuldades econômicas e os escândalos de corrupção. Além de cultivar a imagem de outsider, defendeu a renovação da política e o combate à corrupção. Afirmou que buscaria diminuir a burocracia, promover a meritocracia na escolha dos cargos governamentais, despolitizar o Poder Judiciário e eliminar o foro privilegiado dos deputados, juízes e do presidente. Propôs ainda estipular a realização de referendos e afirmou que não seria candidato à reeleição.
thumb|esquerda|Mapa com os resultados do segundo turno
Na política externa, Zelensky externou o desejo de terminar com a guerra com a Rússia, assim como a retirada das forças militares russas no país e de exigir uma compensação pelos conflitos. Zelensky prometeu manter a aproximação com o mundo ocidental e defendeu a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Não obstante, preferia que ambas as questões fossem decididas em um referendo.
No primeiro turno, no final de março, Zelensky recebeu 30,2% dos votos, superando o presidente Petro Poroshenko, que atingiu 15,9%, e Iúlia Timochenko, com 13,4%. O presidente Poroshenko então buscou explorar a inexperiência política de Zelensky, afirmando que seria o único capaz de enfrentar a Rússia e garantir a integridade territorial ucraniana. Também foi questionada sua ligação com o oligarca bilionário Ihor Kolomoyskyi.
Zelensky foi eleito presidente em 21 de abril, derrotando Poroshenko com facilidade. Em uma votação com participação de 62,8% dos eleitores, alcançou 13,5 milhões de votos, ou 73,22%, ante os 4,5 milhões de votos do presidente incumbente, correspondente a 24,45%. Zelensky venceu em quase todas as regiões, salvo em Lviv; nas demais, atingiu 60% em Kiev, 70% na região de Kiev, 86% em Kharkiv e 89% em Luhansk. Em seu discurso de vitória, declarou: "Embora eu ainda não seja presidente, posso falar como cidadão da Ucrânia: a todos os países da antiga União Soviética, olhe para nós. Tudo é possível."
Presidente da Ucrânia Posse e primeiros dias thumb|Cerimônia de posse de Zelensky na presidência ucraniana
Zelensky foi empossado como presidente da Ucrânia em 20 de maio de 2019. Tornou-se o presidente mais jovem da história do país, o primeiro judeu e o sexto desde sua independência. Em seu discurso de posse, anunciou a dissolução do Parlamento (Verkhovna Rada) e convocação de eleições legislativas antecipadas. Na formação de seu governo, escolheu Andriy Bohdan como seu assessor mais importante; Bohdan era funcionário do controverso bilionário Ihor Kolomoyskyi. Antigos membros do Kvartal95 foram nomeados para cargos-chave. Ivan Bakanov, ex-CEO do grupo, foi designado para a chefia do Serviço de Segurança.
Na primeira semana de governo, o Parlamento rejeitou sua proposta de alterar a legislação eleitoral. Zelensky propunha mudar o sistema de maioria simples para o de representação proporcional, com lista fechada, além de reduzir a cláusula de barreira de 5% para 3%. A proposta necessitava de 226 votos (metade dos 450 deputados), mas alcançou apenas 92 votos a favor. Em junho, os parlamentares rejeitaram outras duas propostas do presidente: a remoção dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa e do chefe do Serviço de Segurança e a responsabilização criminal por atos de enriquecimento ilícito.
Em julho de 2019, o Servo do Povo, partido do presidente, venceu as eleições legislativas, conquistando a primeira maioria absoluta na história política da Ucrânia. O partido recebeu 43% dos votos válidos, elegendo 254 deputados. O partido Plataforma de Oposição - pela Vida ficou em um distante segundo lugar, com 13% dos votos e 43 cadeiras. Os partidos liderados por Yulia Tymoshenko e Poroshenko tiveram 8% dos votos cada e elegeram 26 e 25 parlamentares, respetivamente. A revista The Economist pontuou que os resultados refletiam o desgosto dos eleitores com sua elite dominante e deram fôlego às reformas defendidas por Zelensky.
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