As eleições primárias presidenciais do Partido Democrata em 2020 foram uma série de disputas eleitorais organizadas pelo Partido Democrata para escolher seu candidato à Presidência dos Estados Unidos na eleição de novembro. As eleições ocorreram de fevereiro a agosto de 2020 em todos os 50 estados, no Distrito de Colúmbia, em cinco territórios e entre os eleitores residentes no exterior.

Dezenas de políticos apresentaram suas candidaturas, sendo os principais o ex-vice-presidente Joe Biden, o ex-prefeito Michael Bloomberg, o prefeito Pete Buttigieg, a senadora Amy Klobuchar, o senador Bernie Sanders e a senadora Elizabeth Warren. Outros candidatos, como a senadora Kirsten Gillibrand, a senadora Kamala Harris e o representante Beto O'Rourke, desistiram antes das primeiras votações ocorrerem.

Ao término das primárias, a chapa democrata foi oficialmente designada pela Convenção Nacional do partido, que ocorreu de 17 a 20 de agosto. Para ganhar a nomeação, o candidato deveria obter metade dos 3.979 delegados no primeiro turno. Na primeira votação da convenção, Biden recebeu o apoio de 2.727 delegados, superando facilmente Sanders, que conseguiu 1.118. Para a vice-presidência, Biden escolheu Harris, que foi confirmada de forma unânime pela Convenção.

Contexto Depois que Hillary Clinton perdeu a eleição presidencial de 2016, muitos passaram a acreditar que o Partido Democrata não possuía uma clara liderança a nível nacional. As divisões permaneceram no partido após as primárias de 2016, que colocaram Clinton contra Bernie Sanders. Na eleição para a presidência do Comitê Nacional Democrata em 2017, Tom Perez derrotou Keith Ellison, o que foi visto à época como uma vitória do establishment do partido contra a ala mais à esquerda.

Entre as eleições de 2016 e as eleições de meio de mandato de 2018, os democratas do Senado geralmente mudaram suas posições políticas para a esquerda em relação a temas como propina escolar, saúde pública e imigração. As eleições de 2018 resultaram no Partido Democrata recuperando o controle da Câmara dos Representantes pela primeira vez em oito anos, ganhando assentos em distritos urbanos e suburbanos.

Processo Reformas desde 2016 Em agosto de 2018, os membros do Comitê Nacional Democrata (DNC) aprovaram reformas no processo das primárias presidenciais do partido, alegadamente para aumentar a participação e garantir a transparência. Os partidos estaduais foram incentivados a deixar para os governos a administração das primárias sempre que fosse possível e facilitar o registro de novos votantes. As novas reformas regularam ainda como a Convenção Nacional Democrata lidaria com o resultado das primárias e caucuses em três possíveis cenários:

Se um candidato ganhar pelo menos 2.268 delegados: os superdelegados poderão votar na primeira votação, pois sua influência não pode mudar a maioria dos delegados comprometidos obtidos pelo candidato; Se um candidato ganhar entre 1.886 e 2.267 delegados: os superdelegados serão impedidos de votar na primeira votação, que somente será decidida pela vontade dos delegados obtidos nas prévias; Se nenhum candidato ganhar mais de 1.885 delegados: a convenção será considerada "contestada", na qual os superdelegados são impedidos de votar na primeira votação, mas recuperam o poder de voto em todas votações subsequentes necessárias até que um candidato receba a maioria dos votos. Os superdelegados podem votar em qualquer candidato.

A proibição de os superdelegados votarem na primeira votação nos dois últimos cenários mencionados acima não os impede de endossar publicamente um candidato de sua escolha antes da convenção. Nas primárias presidenciais anteriores, os superdelegados democratas votaram em todas as votações. Em 2016, Clinton conseguiu o apoio de mais de 90% dos superdelegados votantes.

O partido também incentivou os estados que utilizavam o método de votação chamado caucus a mudarem para votações primárias normais. Como resultado, os democratas tiveram em 2020 seu menor número de caucuses na história recente do partido, com o sistema sendo usado apenas em apenas três estados e quatro territórios.

Número de delegados e cláusula de barreira de 15% Os delegados designados para cada estado são proporcionais ao número de votos que possuem no Colégio Eleitoral e nas votações obtidas pelos candidatos democratas a presidente. Assim, menos peso é dado aos swing states (estados decisivos) e republicanos e mais peso aos estados fortemente democratas na escolha do candidato. Entre seis e sete votos são atribuídos a cada território, exceto para Porto Rico, que possui 51 delegados. Para os democratas que residem no exterior foram distribuídos 12 delegados.

Dentro dos estados, um quarto dos delegados é alocado para candidatos com base no total de votos em todo o estado, enquanto que o restante é dado com base nos votos obtidos em cada distrito da Câmara dos Representantes. Os distritos mais democratas recebem mais delegados e menos delegados são alocados para os distritos decisivos e republicanos. Assim, por exemplo, o 12.º distrito da Califórnia, fortemente democrata e representado pela speaker Nancy Pelosi, tem 7 delegados, ou um a cada 109.000 pessoas, e o 10.º distrito da Califórnia, menos democrata, tem 4 delegados, ou um por 190.000 pessoas.

As primárias estaduais possuem uma cláusula de barreira para a distribuição dos delegados. Os candidatos com menos de 15% dos votos populares não recebem delegados. Os candidatos que obtiverem 15% ou mais dos votos populares dividem os delegados na proporção de seus votos. O limiar de 15% foi estabelecido em 1992 para limitar candidatos "marginais." No entanto, o limiar significa que qualquer setor do partido (moderado, radical, centrista etc.) que produz poucos candidatos, não dividindo os votos dos apoiadores, pode ganhar a maioria dos delegados, sem obter a maioria dos votos populares.

Calendário eleitoral thumb|400px|Calendário indicando a data das votações em cada estado e território:

Por conta da pandemia de COVID-19 nos Estados Unidos, algumas prévias foram remarcadas. A tabela a seguir indica os estados e territórios que alteraram a data diante da pandemia:

2020 Democratic primaries altered due to COVID-19. Primary Data original Data final Votação presencial? Última alteração Ohio 17 de março 28 de abril Não 25 de março Geórgia 24 de março 9 de junho Sim 9 de abril Porto Rico 29 de março 12 de julho Sim 21 de maio Alasca 4 de abril 10 de abril Não 23 de março Wyoming 4 de abril 17 de abril Não 22 de março Havaí 4 de abril 22 de março Não 27 de março Louisiana 4 de abril 11 de julho Sim 14 de abril Maryland 28 de abril 2 de junho Sim 17 de março Pensilvânia 28 de abril 2 de junho Sim 27 de março Rhode Island 28 de abril 2 de junho Sim 23 de junho Nova Iorque 28 de abril 23 de junho Sim 27 de abril Delaware 28 de abril 7 de julho Sim 7 de maio Connecticut 28 de abril 11 de agosto Sim 17 de abril Kansas 2 de maio 2 de maio Não 30 de março Guam 2 de maio 6 de junho Sim 4 de junho Indiana 5 de maio 2 de junho Sim 20 de março Virgínia Ocidental 12 de maio 9 de junho Sim 1 de abril Kentucky 19 de maio 23 de junho Sim 16 de março Nova Jersey 2 de junho 7 de julho Sim 8 de abril

Candidatos O número de candidatos relevantes para a indicação presidencial democrata de 2020 atingiu a casa das duas dúzias. De acordo com o Politifact, a quantidade de candidatos à presidência era maior do que de qualquer partido político norte-americano desde 1972, superando os 17 republicanos que disputaram a indicação do partido em 2016. Em maio de 2019, a CBS News se referiu aos presidenciáveis democratas como "o maior e mais diversificado grupo de candidatos democratas na história moderna", o qual incluía seis candidatas.

Principais candidatos Candidato Idade e naturalidade Cargos ocupados Candidatura frameless|x110pxJoe Biden 20 de novembro de 1942(77 anos)Scranton, Pensilvânia Vice-presidente dos Estados UnidosSenador dos Estados Unidos por Delaware frameless|135x135px frameless|x110pxMichael Bloomberg 14 de fevereiro de 1942(78 anos)Boston, Massachusetts Prefeito de Nova IorqueCEO da Bloomberg L.P. frameless|135x135px frameless|x110pxPete Buttigieg 19 de janeiro de 1982(38 anos)South Bend, Indiana Prefeito de South Bend frameless|135x135px frameless|x110pxAmy Klobuchar 25 de maio de 1960(59 anos)Plymouth, Minnesota Senadora dos Estados Unidos por Minnesota frameless|135x135px frameless|x110pxBernie Sanders 8 de setembro de 1941(78 anos)Brooklyn, Nova Iorque Senador dos Estados Unidos por VermontPrefeito de Burlington frameless|135x135px frameless|x110pxElizabeth Warren 22 de junho de 1949(70 anos)Oklahoma City, Oklahoma Senadora dos Estados Unidos por Massachusetts frameless|135x135px

Demais candidatos Além dos candidatos listados abaixo, outras 270 pessoas apresentaram documentação junto à Comissão Federal de Eleições para concorrer nas primárias presidenciais democratas de 2020.

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Financiamento de campanha Esta é uma visão geral das finanças das campanhas dos principais candidatos, e discrimina o valor arrecadado e gasto por cada um deles durante todo o período de 1º de janeiro de 2017 a 31 de janeiro de 2020, conforme relatado pelas campanhas à Comissão Federal de Eleições (FEC). O total arrecadado é a soma de todas as contribuições individuais (grandes e pequenas), empréstimos e transferências de outros comitês de campanha. A última coluna, "dinheiro disponível" (DP), foi calculada subtraindo o valor "gasto" do valor "arrecadado", mostrando assim o dinheiro restante que cada campanha tinha disponível em 31 de janeiro de 2020 para seus gastos futuros.