Luiz Henrique Eloy Amado, mais conhecido como Eloy Terena (Aldeia Ipegue, município de Aquidauana, 2 de fevereiro de 1988), é um advogado, antropólogo, pesquisador, professor universitário e uma liderança indígena brasileira, da etnia Terena, trabalhando principalmente na área da defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil, na qual tem reconhecimento nacional e internacional. Desde janeiro de 2023 foi secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, e em 31 de março de 2026 foi empossado ministro, substituindo Sônia Guajajara.
Biografia
Terena nasceu na Aldeia Ipegue, Terra Indígena Taunay-Ipegue, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, em 2 de fevereiro de 1988. É filho de Simão Amado, natural da Aldeia Colônia Nova, fundada por seu avô Manoel Amado. Sua mãe é Zenir Eloy, natural da Aldeia Ipegue. Os pais casaram em 1980 e se divorciaram em 1991. Teve as irmãs Val, Simone e Glaucinéia. Após separar-se do marido, Zenir viveu com os filhos em Campo Grande, trabalhando como empregada doméstica.Amado, Luiz Henrique Eloy. Vukápanavo: O despertar do povo terena para os seus direitos. Movimento indígena e confronto político. Laced / Museu Nacional, 2020, pp. 16-17
Fez seus primeiros estudos na escola da aldeia, em Campo Grande estudou na Escola Municipal Frederico Soares, e concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Arlindo de Andrade Gomes. Inicialmente pretendia fazer alguma graduação na Educação ou na Biologia e depois voltar para sua aldeia, mas influenciado por sua irmã, acabou optando pelo Direito.Mineo, Liz. "Struggling to hold up the sky". The Harvard Gazette, 20 de outubro de 2022 Em 2005 prestou vestibular para Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, mas seis meses depois de iniciar o curso recebeu uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos, transferindo-se para a Universidade Católica Dom Bosco, onde se graduou.
Durante o curso, estimulado por seu professor, o historiador Antonio Brandi, entrou em contato com as lutas dos povos indígenas e passou a se interessar pelos direitos dos povos indígenas. Fez mestrado em Desenvolvimento Local na mesma Universidade, e sofreu perseguições.Cartas Indígenas do Brasil. "Eloy Terena". CNPq / CAPES / UFBA / NEAI, consulta em 30 de janeiro de 2026"Eloy Terena: o advogado que marcou o direito indígena". O Estado de Minas, 8 de agosto de 2020
Nesta época já se destacava nacionalmente como advogado, a partir de 2012 foi membro da Comissão Especial de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, dava assessoria jurídica para várias comunidades e entidades indígenas e indigenistas, como o Conselho Aty Guasu Guarani Kaiowá, o Conselho do Povo Terena e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI),"Advogado terena dedica a carreira em defesa dos indígenas em MS". G1, 18 de abril de 2013"Conselho do Povo Terena realiza 6ª Grande Assembleia a fim de debater temas como território, saúde e educação". Conselho Indigenista Missionário, 12 de novembro de 2014Aparicio, Miguel. "Indígenas que subvertem a velha divisão entre antropólogos e nativos". Nexo Políticas Públicas, 12 de julho de 2021 organizava cursos para formação de lideranças, já havia defendido causas no Supremo Tribunal Federal, e em matéria de 2014 da revista Exame foi citado como "uma peça fundamental do movimento indígena devido ao seu trabalho exclusivo na defesa dos direitos dos índios no país. Um de seus maiores sucessos veio à tona em 2013, quando conseguiu reverter uma decisão judicial que expulsava várias comunidades das terras tradicionais que haviam retomado". Neste período continuou sofrendo perseguições e ameaças. Em 2014 foi indiciado em uma CPI da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul por supostamente incitar retomadas de terras indígenas, entidades ruralistas abriram um processo para suspender sua banca de mestrado, que ocorreria numa aldeia Terena, rejeitado como insubstancial pela Justiça, e a Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da OAB-MS entre 2014 e 2015 abriu dois processos de cassação do seu registro profissional, questionando a veracidade da sua identidade indígena e alegando que suas ações atentavam contra o Código de Ética da advocacia e o Estatuto da OAB, ambos classificados como "impertinentes" e rejeitados pela OAB nacional.Dias, Aliny Mary. "Pedido de comissão para cassar advogado terena é impertinente, diz OAB". Correio do Estado, 6 de outubro de 2015Santos, Marcelo Brito dos. "Carta da Fian em solidariedade aos advogados Rogério Batalha e Luiz Henrique Eloy Terena". Conselho Indigenista Missionário, 9 de outubro de 2015"Famasul e Acrissul contra um advogado Terena no MS". Conselho Indigenista Missionário, 30 de setembro de 2015 Segundo a presidente da Comissão de Assuntos Indígenas da OAB-MS, Sâmia Barbieri, as acusações contra Terena foram "despropositadas e fruto de mera perseguição política".
Continuando seus estudos, recebeu uma bolsa de pesquisa no Museu Nacional e ali defendeu em 2019 sua tese de doutorado em Antropologia Social, em 2019 realizou estágio pós-doutoral na Brandon University, no Canadá, pesquisando conflitos territoriais indígenas, em 2022 obteve doutorado em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense com a tese O campo social do Direito e a teoria do Direito Indigenista, e obteve pós-doutorado em Ciências Sociais pela École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris. Assumiu a coordenação jurídica da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), e atuou como advogado da APIB e do CIMI em representações no Supremo Tribunal Federal, na Corte Interamericana de Direitos Humanos e no Tribunal Penal Internacional."Luiz Eloy Terena". Pontifícia Universidade Católica do Paraná, consulta em 30 de janeiro de 2026
Foi um importante articulador da defesa dos povos indígenas durante o período da pandemia de covid-19, quando aumentaram os casos de violências contra indígenas. Foi responsável pela arguição de descumprimento de preceito fundamental que levou o Supremo Tribunal Federal a obrigar o governo Bolsonaro a adotar medidas de proteção dos povos indígenas contra a doença. Foi a primeira vez que um advogado indígena venceu uma ação de jurisdição constitucional nesta Corte. Denunciou a "política de extermínio indígena" promovida pelo governo no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Atuou ainda como membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, do Grupo de Trabalho Direitos Indígenas: Acesso à Justiça e Singularidades Processuais do Conselho Nacional de Justiça,"Nota de congratulação a Luiz Henrique Eloy Amado (Ministério dos Povos Indígenas)". Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social | Museu Nacional | UFRJ, 6 de janeiro de 2023 da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares, e foi sócio fundador do Núcleo de Defesa e Assessoria Jurídica Popular de Mato Grosso do Sul."Povos indígenas e diretos – Atividades com Luiz Henrique Eloy Amado". Universidade Federal de Pelotas, 17 de julho de 2019
É professor da Escola da Magistratura Federal da 1ª Região"Portaria ESMAF-TRF1 Nº 007/2023 designa nomes para integrarem o Corpo Docente da ESMAF-TRF1". Tribunal Regional Federal da 1ª Região, 15 de maio de 2023 e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, professor convidado, visitante ou colaborador de várias universidades, coordenador acadêmico do Programa Povos, Direitos e Territórios da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, pesquisador associado do Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento do Museu Nacional, membro do Observatório Fundiário Fluminense da Universidade Federal Fluminense, da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia, e do Grupo de Trabalho Povos Indígenas e Tortura da Organização Mundial de Combate à Tortura."Aula inaugural com Luis Eloy Terena". Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 30 de março de 2023 Desenvolveu muitos projetos de pesquisa e publicou muitos trabalhos.
Em 2022 integrou a equipe de transição do candidato eleito à Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, representando o Mato Grosso do Sul no Grupo Técnico dos Povos Indígenas,"Eloy Terena é escolhido para assumir Ministério dos Povos Indígenas". O Pantaneiro, 23 de novembro de 2022 sendo depois indicado para o cargo de secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, e tomando posse em janeiro de 2023. Em várias ocasiões assumiu a titularidade interina do Ministério durante ausências da ministra Sônia Guajajara."Eloy Terena assume ministério durante viagem de Sonia Guajajara". Campo Grande News, 27 de novembro de 2023"Ministro dos Povos Indígenas substituto recebe ministro irlandês em reunião bilateral sobre situação indígena no Brasil". Ministério dos Povos Indígenas, 15 de março de 2024"Termo de execução descentralizada nª 06 de 2024". Ministério dos Povos Indígenas, 17 de julho de 2024"Ministério dos Povos Indígenas". Diário Oficial da União, 18 de novembro de 2024, p. 111"Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos". Diário Oficial da União, 27 de junho de 2025, p. 5
Com a desincompatibilização da ministra Sônia Guajajara para as eleições de 2026, o presidente Lula confirmou que Eloy Terena assumiria a pasta, tomando posse em 31 de março de 2026.Cambraia, Duda. "Guajajara passa chefia do ministério dos Povos Indígenas a Eloy Terena". CNN Brasil, 31 de março de 2026
Eloy Terena também é Babalorixá no Candomblé de angola, liderando o terreiro Izo Malembá, no Bairro Jardim Inápolis, em Campo Grande."Candomblé quebra protocolo com vozes indígenas contra o racismo". Campo Grande News, 28 de março de 2026
Vukapánavo Em 2020 Terena publicou o livro Vukapánavo: O despertar do povo Terena para os seus direitos. Movimento indígena e confronto político, escrito com base em sua tese de doutorado em Antropologia Social. A tese e o livro enfocam a história étnica, política e social do seu povo, as perseguições vividas, suas relações com a história do Brasil, sua identidade em transformação, e suas lutas pela vida, pela cultura e pelas terras, assim como o processo de articulação interna e conscientização política. A tese foi incluída na bibliografia básica recomendada por Miguel Aparicio, antropólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, destacando-a entre as produções antropológicas realizadas por pesquisadores indígenas que estão "reinventando a própria natureza do conhecimento antropológico e mostrando que, para além de um movimento de assimilação dos métodos da academia, suas produções são uma das principais instâncias de inovação nessa 'ciência-sobre-os-outros'. [...] Agora produtores de etnografias, a Antropologia será feita com eles, ou não será. Os antropólogos indígenas não vêm, portanto, para complementar, mas para redefinir".