thumb|direita|300px|Uma saxotrompa alto, um barítono e um eufónio. A trompa barítono, ou simplesmente barítono, é um instrumento de metal com válvulas, afinado em Si♭, pertencente à família dos saxhorns, usado principalmente em brass bands, bandas militares e bandas de concerto. Possui três, ou às vezes quatro válvulas, geralmente válvulas de pistão, embora válvulas rotativas sejam comuns na Europa Central e Oriental, onde é chamado de Tenorhorn. Sua furação é moderadamente cônica, como a da tenor horn em Mi♭ e a do cornetim, embora mais estreita que a do eufônio, instrumento muito próximo, e também mais estreita que a de outros bugles com válvulas, como o flugelhorn e a tuba. Utiliza um bocal de copo com borda larga, de dimensões semelhantes aos bocais de trombone e de eufônio. Assim como o trombone e o eufônio, o barítono pode ser considerado tanto um instrumento transpositor, lendo em clave de sol em Si♭, quanto um instrumento não transpositor, lendo em clave de fá.
Nas brass bands britânicas, a instrumentação padrão inclui partes para dois barítonos, além de dois eufônios. Na música de banda de concerto dos Estados Unidos, muitas vezes há uma parte marcada baritone, mas essas partes costumam ser destinadas ao eufônio e tocadas nesse instrumento. Um barítono também pode executar música escrita para trombone devido às semelhanças de timbre e extensão.
Nome O nome baritone foi aplicado a vários instrumentos de metal aparentados, com válvulas, em diferentes lugares, idiomas e momentos da história, geralmente afinados em dó de 8 pés (8′) ou Si♭ de 9′ e desenvolvidos no século XIX. O eufônio, embora semelhante, possui um tudel e um corpo mais cônicos e um campânula maior, o que o aproxima mais da tuba.Bevan, Clifford (2001). "Euphonium". Grove Music Online (8th ed.). Oxford University Press. doi: 10.1093/gmo/9781561592630.article.09077. ISBN 978-1-56159-263-0.
Nomes em outras línguas incluem o francês saxhorn baryton, do qual deriva o instrumento moderno usado nas brass bands britânicas, e, em italiano, flicorno tenore; flicorno baritono e flicorno basso referem-se ao eufônio, sendo que o basso tem sempre uma quarta válvula."Flicorno". Grove Music Online (8th ed.). Oxford University Press. 2001. doi:10.1093/gmo/9781561592630.article.51233. ISBN 978-1-56159-263-0. Na Alemanha, o barítono geralmente tem formato oval e válvulas rotativas, e é chamado de Tenorhorn (enquanto o menor tenor horn em Mi♭ é chamado de Althorn); Baryton ou Baritonhorn referem-se a um instrumento semelhante, mas com o diâmetro interno e o tamanho da campânula maiores, semelhantes aos do eufônio.Baines, Anthony; Herbert, Trevor (2001). "Baritone (ii)". Grove Music Online (8th ed.). Oxford University Press. doi:10.1093/gmo/9781561592630.article.02064. ISBN 978-1-56159-263-0. A tendência norte-americana de confundir o barítono e o eufônio pode ter sido causada pelo influxo de músicos e fabricantes de instrumentos alemães nos Estados Unidos no século XIX. miniaturadaimagem|Instrumentos barítono e eufônio no catálogo Lyon & Healy de 1894. O catálogo da Lyon & Healy de 1894 mostra instrumentos chamados B♭ tenor, B♭ baritone e B♭ bass (com apenas um “B”), com a mesma afinação e construção geral de três válvulas, diferindo apenas nas larguras do diâmetro interno e da campânula.
O barítono de estilo americano, com três válvulas de pistão na parte frontal e uma campânula curva voltada para a frente, dominou as bandas marciais escolares norte-americanas ao longo de grande parte do século XX. Este instrumento, junto com o barítono vertical de estilo britânico, o eufônio de concerto e instrumentos de aparência semelhante, mas com furação mais cilíndrica, como o trombonium, eram quase universalmente colocados no mesmo grupo e rotulados como baritone tanto por regentes de banda quanto por compositores. Partituras de banda e fabricantes às vezes os trataram como se fossem o mesmo instrumento.
História A trompa barítono encontrada nas brass bands britânicas derivou do saxhorn baryton francês, um membro mais grave da família dos saxhorns, embora medições do diâmetro interno de instrumentos históricos mostrem que ela está mais próxima do baritone saxotromba. Essas eram duas famílias de instrumentos de furação cônica com válvulas de pistão desenvolvidas na década de 1840 por Adolphe Sax. Outros membros se desenvolveram em instrumentos hoje comuns em bandas, como a tenor horn em Mi♭ e as tubas em Mi♭ e Si♭.Herbert, Trevor; Myers, Arnold; Wallace, John, eds. (2019), The Cambridge Encyclopedia of Brass Instruments, OCLC 1038492212, OL 20520497W, Wikidata Q114571908
Por volta da década de 1850, Sax havia convencido as bandas militares francesas a utilizarem exclusivamente saxhorns em suas formações, dando a esses instrumentos um de seus primeiros nichos estáveis no campo militar. Os saxhorns de Adolphe Sax tornaram-se padrão em bandas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos em grande parte graças à família Distin, que ajudou a popularizar o movimento das brass bands britânicas, promovendo e se apresentando amplamente com instrumentos de metal de Sax. Em 1850, a Distin & Co. já os fabricava em Londres, e em Nova York e na Pensilvânia na década de 1870, depois que a empresa londrina foi adquirida pela Boosey & Co.O'Connor, Michael (2007). "A Short History of the Euphonium and Baritone Horn". In Bone, Lloyd E.; Paull, Eric; Morris, R. Winston (eds.). Guide to the Euphonium Repertoire: The Euphonium Source Book. Bloomington: Indiana University Press. pp. 1–18. ISBN 0-253-34811-0. Wikidata Q135963380.
Na Europa Central e Oriental, a Baß-Tuba, patenteada em 1835 pelo maestro militar prussiano Wilhelm Friedrich Wieprecht e pelo fabricante berlinense Johann Gottfried Moritz, inspirou diversos instrumentos aparentados. Estes acabaram por utilizar válvulas rotativas, e seu característico formato oval foi desenvolvido por Václav František Červený no final do século XIX. O equivalente a esses instrumentos em termos de diâmetro interno, tamanho da campânula e sonoridade é chamado de Tenorhorn em alemão.
Desenvolvimentos na América do Norte
Nos Estados Unidos, no início da Guerra Civil Americana, havia apenas um pequeno número de bandas militares; as poucas existentes incluíam a United States Marine Band, a United States Military Academy Band, várias bandas de regimentos do Exército Regular e bandas associadas às milícias estaduais. A Ordem Geral nº 48 do Departamento de Guerra, emitida em 31 de julho de 1861, autorizava dois músicos de campo (corneteiros ou flautins e tamborileiros) por companhia de soldados e uma banda de 16–24 músicos para cada regimento. Esses grupos adotaram cornetas e saxhorns, incluindo barítonos em Si♭ e eufônios. Variedades “sobre o ombro” (over-the-shoulder) eram frequentemente utilizadas, pois a campânula voltada para trás permitia que as tropas que marchavam atrás da banda ouvissem a música com mais facilidade.
Durante o decorrer da Guerra Civil Americana, de 1861 a 1865, fabricantes de instrumentos nos EUA produziram dezenas de milhares de instrumentos de metal, e muitos deles sobreviveram em museus. Após a guerra, as bandas e sua música permaneceram populares, e a demanda de fabricação de cornetas e saxhorns continuou forte. A partir desses conjuntos e músicos surgiu a tradição norte-americana dos drum and bugle corps, que, por volta da década de 1890, passou a se padronizar em instrumentos em sol (G).
No início da década de 1930, a corneta baixa (bugle) de furação estreita em sol, utilizada até então, havia evoluído para a baritone bugle (originalmente conhecida como bass baritone), com furação mais larga, afinada em sol (G) com uma única válvula de pistão que abaixava a afinação uma quarta, para ré (D). A Ludwig (então subsidiária da C. G. Conn) chamou a sua de “Baro-tone” bugle. Na década seguinte, foi acrescentada uma válvula rotativa adicional de semitom, posteriormente substituída por uma segunda válvula em fá (F), conforme permitido por uma mudança nas normas em 1967. Em 1990, a Drum Corps International (DCI), entidade reguladora dos drum and bugle corps competitivos na América do Norte, alterou as regras para permitir instrumentos com três válvulas em qualquer tonalidade, não apenas em sol. Isso possibilitou o uso no conjunto de instrumentos comuns em outros tipos de banda, incluindo tanto barítonos em Si♭ “regulares” quanto versões marciais de campânula voltada para a frente, além de eufônios.
O instrumento moderno A trompa barítono moderna foi desenvolvida na Grã-Bretanha a partir do saxhorn baryton francês. Na década de 1870, um sistema de compensação de três válvulas foi desenvolvido por David Blaikley, gerente de fábrica do fabricante londrino Boosey & Co. Ele desenvolveu uma terceira válvula compensada, em que sua tubulação devolve a coluna de ar pelas duas primeiras válvulas uma segunda vez, adicionando pequenos laços de tubulação para corrigir a afinação. Projetos semelhantes haviam sido patenteados anteriormente por Gustave Auguste Besson em 1859, e pelo système équitonique de Pierre-Louis Gautrot em 1864. O sistema de compensação de Blaikley foi o mais bem-sucedido e vem sendo utilizado continuamente na Grã-Bretanha, com poucas alterações, em instrumentos Boosey & Co. (posteriormente, Boosey & Hawkes) e Besson, após sua aquisição pela Boosey & Hawkes em meados do século XX. O sistema de três válvulas ainda é produzido em barítonos da Besson, assim como o sistema de quatro válvulas compensadas de Blaikley, mais comum em eufônios."Baritones". Besson. London: Buffet Crampon. Retrieved 20 October 2025.
Construção
A trompa barítono, assim como o eufônio, é afinada em Si♭ de 9 pés (9′), uma oitava abaixo do trompete ou do cornetim. Quando nenhuma válvula está acionada, o instrumento produz parciais da série harmônica de Si♭ resultantes da coluna de ar vibrante dentro de seus 9 pés (2,7 metros) de tubulação.
Como o eufônio, o barítono possui furação predominantemente cônica, porém mais estreita, com menor expansão da campânula e, consequentemente, diâmetro de campânula menor. O enrolamento é mais compacto, de modo que o instrumento é menor e mais leve no geral. Essas características favorecem os harmônicos de frequência mais alta no som, resultando em um timbre mais brilhante e próximo ao do trombone do que o do eufônio. De modo semelhante à relação entre cornetim e flugelhorn, os dois instrumentos podem ser facilmente dobrados por um mesmo músico, com algum ajuste de respiração e embocadura, já que possuem essencialmente a mesma extensão e digitação.
Como em outros instrumentos de metal com válvulas, cada válvula acrescenta comprimentos de tubulação para abaixar a altura do som do instrumento e produzir uma escala e uma extensão totalmente cromáticas.Adler-McKean, Jack (2020). The Techniques of Tuba Playing (in multiple languages). Kassel: Bärenreiter. . OCLC 1201192145. Wikidata Q134349391. Os barítonos comumente têm três válvulas de pistão em ação superior, operadas com os três primeiros dedos da mão direita. Alguns possuem uma quarta válvula, geralmente localizada no meio do lado direito do instrumento, tocada com o indicador ou o dedo médio da mão esquerda. Alguns podem ter uma quarta válvula de ação superior, ao lado das outras três, tocada com o quarto dedo da mão direita. Os Tenorhorns europeus geralmente têm formato oval e três ou quatro válvulas rotativas não compensadas, operadas juntas com a mão direita.
Válvulas compensadas Muitos barítonos de três válvulas de estilo britânico e alguns instrumentos americanos mais antigos possuem uma terceira válvula compensada. Elas conduzem a tubulação da terceira válvula de volta pelas duas primeiras, que acrescentam um segundo conjunto de pequenos comprimentos de correção para ajustar a afinação das notas mais graves, por exemplo, dó3 (C3) e si2 (B2). Em modelos de alto padrão, a quarta válvula é compensada, corrigindo a afinação e estendendo a extensão para baixo de mi2 (E2).