miniaturadaimagem|Três pessoas usando um telefone celular. Transformação digital pode ser definida como um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de problemas tradicionais. Assim, abrange mudanças procedurais em diversos âmbitos de uma sociedade, isto é, essa transformação modifica o paradigma da utilização da tecnologia, por exemplo, das seguintes áreas: governo, economia, mercado de trabalho, educação, medicina, artes, ciência, comunicação global, entre outros.http://www.mctic.gov.br/mctic/export/sites/institucional/estrategiadigital.pdf

Além disso, a transformação digital tem como capacidade aumentar a integração entre diferentes setores da sociedade, sendo aplicado em assuntos relacionados aos problemas de administração pública. Um exemplo dessa integração feita de forma consistente e eficaz é a Estónia.

Desenvolvimento histórico da Transformação Digital Para estudar a história da Transformação Digital, é preciso considerar todos os aspectos do tema. Mesmo sendo algo mais pesquisado e desenvolvido recentemente, a Transformação Digital é algo que ocorre já há alguns séculos.

Transformação Digital Binária

Em 1703, Gottfried Wilhelm von Leibniz explicou e imaginou o conceito que seria conhecido como "digitalização" em sua publicação Explication de l'Arithmétique Binaire. Inicialmente desenvolvido como um sistema numérico de base 2, usando apenas dois valores, 0 e 1, o sistema foi desenvolvido e complementado por estudiosos como George Boole (1854), Claude Shannon (1938) e George Stibitz durante a década de 1940.

Computadores Digitais Hoje, Stibitz é considerado um dos muitos pioneiros do computador digital, através do desenvolvimento do primeiro computador eletromecânico a partir de sua descoberta dos relés de computação automáticos, assim como o termo 'digital'. O primeiro computador eletrônico foi introduzido por John Atanasoff em 1939. O processo de digitalização depois se acelerou, com o desenvolvimento de computadores pessoais como o Simon em 1950, o Apple II em 1977 e o IBM PC em 1981.

Avanços Vertiginosos Com a criação e os avanços da World Wide Web, a dimensão, escala, velocidade os efeitos da digitalização mudaram profundamente, resultando no aumento da pressão sobre o processo de transformação social.

A partir dos anos 2000, a digitalização começou a ser usada mais amplamente como um conceito e argumento para uma introdução governamental geral de TI, aumento do uso da Internet e da TI em todos os níveis. Um desenvolvimento semelhante começou no clima geral de negócios para aumentar a conscientização sobre o assunto e a oportunidade. Na União Europeia, por exemplo, foi desenvolvida uma iniciativa denominada Mercado Único Digital, com recomendações para as agendas digitais nacionais do bloco, que gradual e positivamente devem contribuir para a futura transformação social, com um desenvolvimento mais moderno das comunidades, estruturas e para criar um base para a governança eletrônica e a sociedade da informação.

Impacto O debate em torno da transformação digital, entretanto, ganhou maior importância prática para questões políticas, empresariais e sociais, e está ligado a questões de trabalho político para desenvolvimento comunitário, novas mudanças nas abordagens práticas de negócios e oportunidades mais efetivas para organizações no desenvolvimento de processos operacionais e de negócios. Como resultante, a transformação digital está programada para gerar mais de 370 bilhões de dólares em valor global durante os próximos quatro anos. Transformação digital para Governos A transformação digital para governos implica no uso da tecnologia para melhorar o desempenho da administração pública, trazendo serviços mais modernos ao cidadão e maior transparência aos dados públicos.

República Federativa do Brasil A Estratégia Brasileira para Transformação Digital é o principal documento institucional que trata acerca de como a República Federativa do Brasil enxerga a transformação digital.

O governo a considera uma peça-chave para aumentar a competitividade e a produtividade da economia brasileira. A Estratégia Digital estabelece um conjunto de 100 ações para impulsionar a digitalização de processos produtivos e da sociedade em um horizonte de quatro anos. O objetivo é criar um ambiente para impactos transformadores em agricultura, comércio, educação, finanças, indústria e serviços.

Estratégia Brasileira para Transformação Digital Em março de 2018, a Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital) foi decretada após assinatura, do então, presidente da República, Michel Temer, durante a 47ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, junto com cria o Comitê Interministerial para a Transformação Digital.

Organização do Documento Oficial Na introdução, o documento postula o objetivo de "Aproveitar todo o potencial das tecnologias digitais para alcançar o aumento da produtividade, da competitividade e dos níveis de renda e emprego por todo o País, visando a construção de uma sociedade livre, justa e próspera para todos."

Um aspecto fundamental para E-Digital é a contextualização das ações estratégicas nas grandes agendas internacionais para o desenvolvimento. Entre elas, destaca-se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. Sendo destacado no documento que a meta 9c do Objetivo 9, que é “Aumentar significativamente o acesso às tecnologias de informação e comunicação e se empenhar para procurar ao máximo oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos, até 2022” pode demonstrar diretamente a necessidade de uma ação estratégica com enfoque na transformação digital. Mas o cumprimento do objetivo 9 como um todo, o objetivo e dos 1, 2, 3, 4 e 13 também podem ser auxiliados por uma plena transformação digital.

Logo na introdução é destacado que o documento visa primordialmente a Transformação Digital do governo. Segue com a sessão de Metodologia Adotada, onde explica-se a metodologia adotada para elaboração do documento. Um processo que envolveu criação de cinco subgrupos que tratavam, respectivamente, de:

Infraestrutura. Cidadania e Governo Digital. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Segurança e Confiança no Ambiente Digital. Economia Digital.

Além de reunião com especialistas, realização de um grupo de trabalho interministerial, realização de Workshops e palestras, dentre outros aspectos. Terminando com o documento base.

Em seguida, o documento dividisse em Eixos Temáticos-Habilitadores e Eixos Temáticos-Transformação Digital.

Os Eixos Temáticos-Habilitadores tratam dos aspectos necessários para implementação de uma transformação digital do governo e da economia. Sendo dividido nos seguintes eixos:

Infraestrutura e Acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Confiança no Ambiente Digital. Educação e Capacitação Profissional. Dimensão Internacional.

Em contrapartida, os Eixos Temáticos tratam da própria implementação da transformação digital. Sendo divido nos seguintes eixos:

Transformação Digital da Economia. Transformação Digital: Cidadania e Governo.

Ações O documento prevê a realização de 100 institucionais. Algumas já foram implantadas, algumas já estão em fase de implantação e outras ainda necessitam ser implantadas. Porém, é destacado que o governo sozinho não faz a plena transformação digital, pois a mesma é um aspecto que perpassa a sociedade como um todo.

Indicadores Sendo um aspecto que não envolve unicamente questões técnicas, mas também questões institucionais e sociais, não existe um índice perfeito e único para transformação digital. Seguem alguns índices:

Digital Evolution Index from Harvard Business Review Este índice é apresentado em um artigo, onde reflete sobre um “planeta digital”, e como as interações físicas – no modo como nos comunicamos, nas mudanças sociais, políticas, comerciais, midiáticas e de entretenimento – estão sendo substituídas por seus modelos digitais. O modo como a Evolução Digital é considerada influi diretamente na Transformação Digital, porque esta evolução é vista como a progressão da Transformação Digital nos países.

Como parte de uma colaboração entre a Escola Flecher na Universidade Tuflts e Mastercard, foi criado este índice de Evolução Digital, sendo analisado o estado e alcance da evolução digital em 60 países. Esta evolução é o resultado de uma interação entre quatro pilares, com cerca de 170 indicadores neles. Este pilares eram:

Condição de Suprimento(relativo a aspectos estruturas para tecnologia). Condição de demanda(quão engajados os consumidores no pais em questão estão com as práticas de consumo digitais). Ambiente Institucional(avanço dos sistemas jurídicos quanto a tecnologia e nível de digitalização do governo). Inovações e mudanças(relativos a aspectos que corroboram as práticas de P&D).

Neste índice o Brasil localiza-se entre a região de "Break out" e "Watch out." A região de Break out refere-se a países com pouca digitalização mas que vêm evoluindo rapidamente. Em contrapartida a região de Watch out refere-se a países que vêm enfrentando sérias barreiras em seu processo de digitalização e em alguns casos regresso no processo de digitalização.

Índice de Maturidade Digital da Dell Tecnologies 2018 O índice realizado pela Dell, em colaboração com a Intel, utiliza da ideia de maturidade digital para quantificar a transformação digital em diferentes países ao redor do mundo. Neste índice é medido o progresso da transformação dos negócios ao redor do mundo. De tal forma, o índice trata de aspectos de como a transformação digital no mercado vem ocorrendo nos países ao redor do mundo, sendo assim útil para vislumbrar a transformação digital da economia. O Brasil aparece como o segundo país com maior transformação digital entre os países analisados, atrás somente da Índia.

República da Estónia Hoje a Estónia é uma referência mundial em administração pública, mas seu processo de transformação digital começou há 20 anos, quando o país se via isolado da transformação digital corrente pelo mundo. Usando a educação, a tecnologia e a segurança digital como pilares, os estonianos criaram toda sua infraestrutura governamental de uma forma menos burocrática e mais colaborativa.

Atualmente, um cidadão estoniano precisa comparecer pessoalmente a um órgão público em três ocasiões:

Casamento. Divórcio. Transferência de imóvel.

Quase 95% da população estoniana utiliza uma espécie de RG digital, que garante acesso a mais de 500 serviços do governo. Fora as situações citadas acima, tudo pode ser realizado online de forma segura e eficiente.

Estónia e a segurança digital Um dos maiores desafios da transformação digital é fazer com que a população sinta confiança no mundo digital, e para isso a certificação digital é uma grande aliada do governo estoniano. A certificação digital fornece tecnologias fundamentais para a execução de todos esses processos. Os RGs estonianos são uma forma de smartcard com chip: quando um cidadão acessa os serviços governamentais, o sistema valida a operação com uma senha e um carimbo do tempo, que fideliza as datas de cada operação.

República da Índia

Índia Digital O programa Índia Digital foi feito como uma maneira de estimular para frente a transformação digital do país e empoderar os cidadãos no processo. Tendo como base de seus esforços a ênfase do governo em desenvolver infraestruturas para possibilitar acesso a internet para todos os cidadãos e para todos os Indianos possuírem uma identidade digital.

Consequências