Lover é o sétimo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Taylor Swift. O seu lançamento ocorreu em 23 de agosto de 2019, através da Republic Records. Após o lançamento de seu álbum anterior Reputation (2017), descrito como um "mecanismo de defesa" para lidar com a experiência tumultuosa de sua vida pública, Swift finalizou seu contrato de doze anos com a Big Machine Records. Enquanto excursionava pelo mundo com a Reputation Stadium Tour (2018), a artista pôde experimentar o amor de seus fãs o que a ajudou a recuperar sua saúde mental após as controvérsias que levaram a Reputation. Com base nisso, ela começou a conceituar um álbum que apresentasse seu lado pessoal e vulnerável, conectando-a com seu público e mostrando seus pontos fortes como artista, além de canalizar sua vida pessoal reajustada e a libertação de sua percepção pública. As gravações do disco ocorreram entre novembro de 2018 a fevereiro de 2019, em diversos estúdios situados nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Reino Unido sob a produção musical da própria cantora juntamente a Jack Antonoff, Joel Little, Louis Bell e Frank Dukes, sendo que Swift participou ainda das composições de todas as faixas e serviu como produtora executiva do álbum.

Descrito por Swift como uma "carta de amor ao amor próprio", a artista optou em usar Lover no título do álbum, revelando um lado mais amoroso, além de abranger melhor seu conceito no geral. Diferente de Reputation, que continha um som ​​influenciado pelo hip hop e tratava de problemas mais obscuros, Lover celebra todo o espectro do amor, usando tons claros e brilhantes. Em termos musicais, é principalmente um álbum pop e electropop, com elementos proeminentes de rock and roll, bubblegum pop, dream pop, folk-rock, indie-pop e country, com críticos notando ainda influências do pop rock e synth-pop dos anos 1980. Swift quis incorporar estilos ecléticos, como forma de acompanhar os diversos temas líricos do álbum, o que foi possível graças ao seu novo contrato com a Republic Records, garantindo-lhe mais liberdade artística do que antes. Liricamente foca principalmente em sentimentos decorrentes do amor, como paixão, compromisso, luxúria e mágoa; alguns discutem questões da política contemporânea dos Estados Unidos, como direitos da população LGBT e feminismo. O cantor Brendon Urie e a banda The Chicks são as únicas participações apresentadas no álbum.

Lover obteve análises positivas de críticos musicais, que elogiaram as composições de Swift por transmitirem maturidade emocional e evolução artística; no entanto, alguns resenhadores negativaram sua duração, avaliando que continha um número "inconsistente" de músicas. Consequentemente, foi incluído em diversas listas dos melhores álbuns de 2019 e recebeu indicações em diversas premiações, incluindo Melhor Álbum Vocal Pop na 62ª edição dos Grammy Awards. Comercialmente, foi igualmente bem recebido, liderado as tabelas de 17 nações, como Austrália, Canadá, Espanha, Irlanda, Nova Zelândia, Portugal, e Reino Unido. Nos Estados Unidos, debutou no topo da Billboard 200, com 867 mil unidades vendidas, marcando o sexto número um de Swift e a tornando a primeira artista feminina a ter seis álbuns a venderem acima de 500 mil cópias em uma única semana. Converteu-se no único álbum entre qualquer artista a vender 1 milhão de cópias em 2019, bem como o quarto de sua carreira a encerrar o ano como o mais comprado na nação; foi eventualmente certificado como platina tripla pela Recording Industry Association of America (RIAA). Mundialmente, foi o álbum de estúdio mais vendido de 2019, registrando cinco milhões de unidades faturadas até o momento.

Cinco singles foram extraídos de seu alinhamento; com "Me!", "You Need to Calm Down" e "Cruel Summer" obtendo maior destaque nas tabelas musicais, sendo que o último citado rendeu a Swift seu décimo tema a liderar a estadunidense Billboard Hot 100, em 2023, quatro anos após seu lançamento original. A divulgação de Lover consistiu em apresentações feitas em diversas cerimônias de premiação, como MTV Video Music Awards e o Billboard Music Awards, além de programas televisivos, como Saturday Night Live e o The Voice. Para apoia-lo, a artista anunciou que embarcaria na Lover Fest, sua sexta turnê, com datas sendo anunciadas para 2020, porém, devido à pandemia de COVID-19, sua concretização foi abortada.

Antecedentes thumb|left|upright|Durante a turnê Reputation Stadium Tour, Swift escreveu e idealizou Lover canalizando sua vida pessoal reajustada. Durante a promoção de seu quinto álbum de estúdio 1989 (2014), Swift tornou-se alvo constante de fofocas em tablóides especializados em celebridades; sua reputação de "Queridinha da América", resultado de uma imagem pública saudável e inocente, foi manchada por relacionamentos amorosos conflituosos que foram altamente divulgados e controvérsias com outros artistas. Abatida com os comentários maldosos a seu respeito, Swift se isolou da imprensa enquanto desenvolvia seu sexto álbum de estúdio, Reputation, lançado em novembro de 2017; sua temática central é uma resposta à comoção criada pela mídia em torno da reputação da musicista.

Reputation contém músicas com letras de vingança e drama e foi percebido como um retorno após esses períodos tumultuosos em sua imagem. Swift evitou promover o álbum na mídia como ela havia feito em seus álbuns anteriores, em vez disso, realizou sessões de audição exclusivas para fãs e algumas apresentações na televisão sem realizar entrevistas. Foi seu primeiro álbum lançado fora de seu ciclo usual de dois anos para lançamentos, e seu último sob seu contrato de 12 anos com a Big Machine Records, assinado em 2006. A turnê Reputation Stadium Tour (2018), criada em apoio ao álbum, quebrou o recorde de maior arrecadação de bilheteria na história dos Estados Unidos. Em novembro de 2018, ao concluí-la, Swift assinou com a gravadora Republic Records, do Universal Music Group, cujo contrato lhe permitia possuir os direitos sobre as gravações masters de seus primeiros seis álbuns de estúdio. Ela também endossou dois candidatos democratas para as eleições daquele ano em seu antigo estado de residência, o Tennessee — sua primeira vez expressando publicamente sua opinião política.

Swift comentou que escreveu Reputation como um "mecanismo de defesa" para lidar com a experiência tumultuosa de ter uma vida pública, e se isolou da imprensa porque precisava proteger sua saúde mental e parou de se sentir obrigada a "se explicar". Comentando sobre sua reputação de "Queridinha da América", ela disse que foi libertador abrir mão da autoconsciência que esse título carrega e de tentar aparecer "sempre sorridente, sempre feliz". Na Reputation Stadium Tour, Swift se inspirou no amor que recebeu dos fãs para abraçar o que havia de mais positivo e vulnerável em si; apesar de sua reputação manchada na imprensa, ela percebeu que seus admiradores "a veem como um ser humano de carne e osso", o que "a mudou completamente". Para isso, ela concebeu seu sétimo álbum de estúdio como um registro pessoal e vulnerável, conectando-se com seu público e mostrando seus pontos fortes como artista: "Muitas vezes, com a nossa cultura de rebaixamento, difamar uma celebridade é basicamente o mesmo que falar mal sobre o novo iPhone. Então, quando eu vou e encontro fãs, vejo que eles realmente me veem como um ser humano de carne e osso. Isso — por mais artificial que possa parecer — mudou-[me] completamente, atribuindo humanidade à minha vida".

Desenvolvimento e gravação thumb|direita|261x261px|Jack Antonoff (foto), colaborador frequente de Swift desde 2013, co-produziu 11 faixas para Lover.|alt=Jack Antonoff se apresentando Swift começou a gravar material para Lover em novembro de 2018, assim que completou a Reputation Stadium Tour, canalizando a "energia positiva" que recebeu durante a turnê para o estúdio. O álbum foi gravado em três meses, com sua última sessão ocorrendo em 24 de fevereiro de 2019, embora uma amostra pertencente a Cautious Clay usada em "London Boy" só tenha sido aprovada em junho do mesmo ano. A maior parte do álbum foi gravada no Electric Lady Studios em Nova Iorque, enquanto algumas sessões ocorreram no Golden Age West em Auckland, Nova Zelândia; Golden Age e Electric Feel Studio, ambos em Los Angeles, e Metropolis Studios em Londres, Reino Unido. Swift disse que abordou as gravações como se estivesse fazendo apresentações ao vivo, e que grande parte do álbum foi registrado em um único take. Em uma entrevista de janeiro de 2020 para Chris Willman, jornalista da Variety, ela revelou que "Only the Young", a música de seu documentário da Netflix, Miss Americana (2020), estava inicialmente cogitada para ser incluída em Lover.

A artista concebeu Lover a partir de um "lugar aberto, livre, romântico e caprichoso" de seu íntimo; ela acrescentou que o álbum parecia-lhe "esteticamente muito diurno", enquanto seu antecessor, Reputation, soava com "toda a paisagem urbana, escurecido". Swift afirmou que tentou "não fazer o álbum com nenhuma expectativa"; ela começou a "escrever tanto" que "sabia imediatamente que [Lover] provavelmente seria mais longo" do que seus outros discos de estúdio. A intérprete compôs sozinha três faixas — "Lover", "Cornelia Street" e "Daylight"; o restante foi co-escrito com os produtores. Ela co-produziu todas as músicas e atuou como a única produtora executiva do projeto. Swift também destacou que todas as canções de Lover foram escritas especificamente para integrá-lo, sem sobras de outros trabalhos; citando "This Love" como exemplo, que ela havia escrito para Red (2012), mas acabou sendo incluído em 1989 (2014). Ao colaborar com percussão para a faixa "Paper Rings", Lover tornou-se seu primeiro álbum desde 1989 em que ela participou ativamente de gravações instrumentais.

Swift produziu Lover com o seu colaborador de longa data Jack Antonoff, bem como com Joel Little, Louis Bell, Frank Dukes, e Sounwave, esses últimos trabalhando pela primeira vez ao seu lado. Antonoff co-escreveu oito e co-produziu onze músicas do álbum. Little, conhecido por ser o vocalista da banda Goodnight Nurse e por seu trabalho com Lorde, co-escreveu e co-produziu outras faixas, incluindo "Me!" e "You Need to Calm Down". Bell e Dukes, que trabalharam com artistas como Camila Cabello e Post Malone, co-escreveram e co-produziram três obras. Swift co-produziu faixas com Bell, Dukes e Little de novembro a dezembro de 2018. Enquanto isso, ela trabalhou com Antonoff no álbum de janeiro a fevereiro de 2019. Sounwave co-escreveu e co-produziu a música "London Boy"; outros artistas com créditos de escrita incluem St. Vincent, Cautious Clay e Brendon Urie.