O Grupo Bambuí é uma unidade litoestratigráfica pertencente ao Supergrupo São Francisco e constitui uma cobertura sedimentar neoproterozóica situada sobre o Cráton São Francisco, no Brasil.Alkmim F.F., Martins-Neto M.A. 2001. A bacia intracratônica do São Francisco: Arcabouço Estrutural e cenários evolutivos. In: Pinto, C.P., Martins-Neto, M.A. (eds.) Bacia do São Francisco: geologia e recursos naturais. Belo Horizonte, SBG/MG, p. 9-30. Tal unidade abrange uma área de 300 mil km², se distribui pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Bahia.Uhlein G.J., Uhlein A., Pereira E., Caxito F.A., Okubo J.,Warren L.V., Sial A.N. 2019. Ediacaran paleoenvironmental changes recorded in the mixed carbonate-siliciclastic Bambuí Basin, Brazil. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 512: 39-51.Uhlein A., Baptista M.C., Seer H.J., Caxito F.A., Uhlein G.J., Dardenne M.A. 2011. A Formação Lagoa Formosa, Grupo Bambuí (MG): Sistema Deposicional de Leque Submarino. Revista Geonomos, 19(2): 163-172. Esta cobertura foi depositada em uma bacia sedimentar do tipo foreland, ou seja, em uma bacia formada atrás de um cinturão orogênico, tendo como mecanismo de controle a subsidência para compensar isostaticamente o cinturão orogênico e o regime de marés. O grupo representa uma sucessão de transgressões e regressões, com depósitos intercalados de tálus (diamictitos), marinhos profundo e raso.

Introdução Localização

O Grupo Bambuí se assenta sobre o cráton do São Francisco (Brasil) e constitui um conjunto de coberturas neoproterozóicas que teve suas bordas deformadas por eventos no Brasiliano.

Breve Histórico

O primeiro a descrever as sequências argilosas e carbonáticas foi geólogo americano naturalizado brasileiro Orville Adelbert Derby (1880) e a denominação usada foi Sequência São Francisco, que posteriormente, em 1917, foi alterada por E. T. Rimann para Série Bambuí.Chaves M.L.S., Benitez L., Andrade K.L., Queiroga G.N. 2007. Estratigrafia e Evolução Geomorfológica do Grupo Bambuí na Região de Morro da Garça (MG). Revista Geonomos, 15(2): 43-52. Em 1961, M. T. Costa e J. J. T. Branco propuseram a primeira sequência estratigráfica com três grandes formações (Fm. Carrancas, Fm. Sete Lagoas e Fm. Rio Paraopeba), cuja “seção tipo” foi definida ao longo da BR-040, onde a partir de Belo Horizonte foi elaborado um perfil geológico até as cercanias de Brasília.Alkmim F.F., Martins-Neto M.A. 2012. Proterozoic first-order sedimentary sequences of the São Francisco craton, eastern Brazil. Marine and Petroleum Geology, 33: 127-139.Chaves M.L.S., Benitez L., Andrade K.L., Queiroga G.N. 2007. Estratigrafia e Evolução Geomorfológica do Grupo Bambuí na Região de Morro da Garça (MG). Revista Geonomos, 15(2): 43-52. Em 1965, O. Barbosa publicou uma nova divisão litoestratigráfica com quatro formações (Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra da Gineta, Fm. Lagoa do Jacaré e Fm. Três Marias); em 1967, Oliveira sugeriu outra divisão com cinco formações (Fm. Jequitaí, Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra de Santa Helena, Fm. Lagoa do Jacaré e Fm. Três Marias).Pessoa P.F.P. 2005. Hidrogeologia dos aqüíferos cársticos cobertos de Lagoa Santa, MG. Monografia de Pós-graduação, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 575p.

Em 1968, Braun elevou a “Série Bambuí” à condição de “Grupo Bambuí”, nomenclatura usada atualmente. No início da década de 1970, o geólogo Walter Uwe Schöll sugeriu uma divisão para Grupo Bambuí em cinco formações, da base ao topo: Fm. Macaúbas, Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra de Santa Helena, Fm. Lagoa do Jacaré e Fm. Três Marias.Pessoa P.F.P. 2005. Hidrogeologia dos aqüíferos cársticos cobertos de Lagoa Santa, MG. Monografia de Pós-graduação, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 575p.

Em 1978, o geólogo Marcel Auguste Dardenne propôs a coluna litoestratigráfica mais difundida do Grupo Bambuí, subdividindo o grupo em seis formações, da base ao topo: Fm. Formação Jequitaí, Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra de Santa Helena, Fm. Lagoa do Jacaré, Fm. Serra da Saudade e Fm. Três Marias. Comparativamente com a proposta de Scholl, Dardenne agrupa e denomina os conglomerados, arcóseos e filitos como Formação Jequitaí, ao invés de Formação Macaúbas; além de rearranjar a Formação Três Marias em duas formações. Posteriormente ao último modelo descrito, surgiram e surgem inúmeras propostas para o arranjo litoestratigráfico para o Grupo Bambuí, que foram ou são concebidas de diversas formas (e.g. trabalhos de Grossi Sad & Quade, em 1985). Atualmente são propostas duas colunas litoestratigráficas para cada setor da Bacia do São Francisco (Setor Oriental e Ocidental) de acordo com critérios sedimentológicos e estruturais (como o tipo de sedimentação e a profundidade regional da bacia).Pessoa P.F.P. 2005. Hidrogeologia dos aqüíferos cársticos cobertos de Lagoa Santa, MG. Monografia de Pós-graduação, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 575p.

Estratigrafia A coluna litoestratigráfica clássica e mais conhecida do Grupo Bambuí foi elaborada e proposta pelo geólogo Marcel Auguste Dardenne no XXX Congresso da Sociedade Brasileira de Geologia, em 1978. Esta proposta divide o Grupo Bambuí em seis formações, as quais da base ao topo, são: Formação Jequitaí, Formação Sete Lagoas, Formação Serra de Santa Helena, Formação Lagoa do Jacaré, Formação Serra da Saudade e Formação Três Marias.Pessoa P.F.P. 2005. Hidrogeologia dos aqüíferos cársticos cobertos de Lagoa Santa, MG. Monografia de Pós-graduação, Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 575p.Dardenne M. A. 1978. Síntese sobre a estratigrafia do Grupo Bambuí no Brasil Central. In: SBG, Congresso Brasileiro de Geologia, 30, Recife, Anais, v. 2, p. 507-610.

Com a evolução dos conhecimentos da sedimentação do Grupo Bambuí na Bacia do São Francisco, a proposta de uma única coluna litoestratigráfica para tal unidade está sendo abandonada, sendo substituída por um modelo que propõem uma divisão do Grupo Bambuí sob critério de setorização da sedimentação na Bacia do São Francisco. Essa divisão sugere dois setores ou margens: Setor ou Margem Ocidental (deposição de sedimentos mais grossos em bacia mais profunda, preenchimento sedimentar em uma margem tectonicamente influenciada) e Setor ou Margem Oriental (deposição de sedimentos químicos em bacia mais rasa, preenchimento sedimentar em uma margem tectonicamente estável).De Lima O.N.B. 2011. Estratigrafia isotópica e evolução sedimentar do Grupo Bambuí na borda ocidental do Cráton do São Francisco: implicação tectônica e paleo-ambiental. Dissertação de Mestrado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Brasília. Brasília, 114p.

Formação Jequitaí A Formação Jequitaí fica restrita ao que marca a base do Grupo Bambuí, constituindo a expressão de uma glaciação em escala continental no Proterozóico Superior. Trata-se de paraconglomerados com matriz esverdeada ou marrons onde flutuam seixos de quartzitos, calcários, dolomitos, chert, gnaisses, micaxistos, granitos e rochas vulcânicas. Além deles, ocorrem alguns varvitos rosados contendo em alguns afloramentos possíveis icnofósseis de vermes tubulares.Dardenne M. A. 1978. Síntese sobre a estratigrafia do Grupo Bambuí no Brasil Central. In: SBG, Congresso Brasileiro de Geologia, 30, Recife, Anais, v. 2, p. 507-610. Em alguns locais específicos, como por exemplo na Serra da Água Fria (próximo à Jequitaí-MG), os diamictitos dessa formação assentam-se sobre pavimentos estriados típicos de ação glacial.Karfunkel J., Noce C.M., Hoppe A. 2002. Sítio Inhaúma, MG - Camadas aragoníticas pré-cambrianas. In: Schobbenhaus C., Campos D.A., Queiroz E.T., Winge M., Berbert-Born M.L.C. (Edits.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil, 1ª Edição, Brasília, DNPM/CPRM - Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), p. 175-180.

Formação Sete Lagoas

A Formação Sete Lagoas assenta-se sobre a Formação Jequitaí e é constituída por uma sucessão carbonática (calcilutitos, calcarenitos, dolomitos, estromatólitos, trombolitos, microbialitos e calcirruditos de cor escura - típico carbonato de capa), sendo comum as estruturas do tipo hummocky e nódulos de chert. Sua sedimentação deu-se após um evento glacial de ocorrência global, representado pelos diamictitos da Formação Jequitaí. A deposição das rochas carbonáticas da Formação Sete Lagoas ocorreu, para grande parte da sequência, em ambiente marinho raso, em resposta a uma transgressão que afogou a sequência de rochas de provável origem glacial.Martínez M. I. 2007. Estratigrafia e Tectônica do Grupo Bambuí no norte do Estado de Minas Gerais. Dissertação de mestrado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, 147p.

Formação Serra de Santa Helena thumb|Afloramento de marga esverdeada, da Formação Serra de Santa Helena, mostrando estratificação gradacional ascendente (Localização: UTM 23K 587643m E 8023430m N) A Formação Serra de Santa Helena constitui uma sucessão sedimentar predominantemente pelítica, composta de siltitos, folhelhos, argilitos e margas de cores esverdeadas. Apresenta ainda intercalações de calcários cinza escuro. Está sobreposta à Formação Sete Lagoas através de contato concordante e gradativo, representado pelo aumento gradual do conteúdo de pelitos nos carbonatos de topo da Formação Sete Lagoas gradando para margas cinza-esverdeadas. O contato superior com a Formação Lagoa do Jacaré também é concordante e gradativo.Martínez M. I. 2007. Estratigrafia e Tectônica do Grupo Bambuí no norte do Estado de Minas Gerais. Dissertação de mestrado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, 147p.

Esta unidade representa o afogamento gradual da plataforma carbonática da formação anterior e a deposição de uma sucessão em ambiente marinho plataformal, com profundidades variáveis, submetido, por vezes, à influência de ondas.Iglesias M., Uhlein A. 2009. Estratigrafia do Grupo Bambuí e coberturas fanerozóicas no vale do rio São Francisco, norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Geociências, 39(2): 256-26.

Formação Lagoa do Jacaré

Formação Lagoa do Jacaré é composta por calcários pretos a cinza, localmente oolíticos e pisolíticos, brechas intraclásticas, margas e intercalações de siltitos e folhelhos de cor verde-amarelada. Tal formação sobrepõe-se à Formação Serra de Santa Helena em contato gradacional. O mesmo tipo de contato verifica-se também na sua passagem para a Formação Serra da Saudade. Tal formação sobrepõe-se à Formação Serra de Santa Helena e sotopõe-se à Formação Serra da Saudade. Em ambos os contatos, o tipo de contato é gradacional.Martínez M. I. 2007. Estratigrafia e Tectônica do Grupo Bambuí no norte do Estado de Minas Gerais. Dissertação de mestrado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, 147p.

A sedimentação regressiva da Formação Lagoa do Jacaré sucedeu a formação anterior, constituindo nova fase de instalação de plataformas carbonáticas de alta energia, sujeita a constante retrabalhamento (brechas intraclásticas) e episódios de tempestades (hummocky), intercaladas com períodos de relativa calmaria. As gretas de ressecamento, observadas em vários locais, evidenciam a emersão de algumas partes da plataforma, provavelmente por curtos períodos de tempo.Iglesias M., Uhlein A. 2009. Estratigrafia do Grupo Bambuí e coberturas fanerozóicas no vale do rio São Francisco, norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Geociências, 39(2): 256-26.

Formação Serra da Saudade