miniaturadaimagem|256x256px|Membros do Exército Simbionês de Libertação roubando um banco nos Estados Unidos, 1974 Terrorismo comunista (também denominado terrorismo vermelho ou terrorismo de esquerda) Adicionado em 21 de julho de 2019. é o terrorismo praticado por grupos de ideologias relacionadas com o leninismo, o maoismo ou o marxismo-leninismo para conduzir um país ao comunismo. Ao longo da história, o terrorismo comunista assumiu a forma de terrorismo de estado, apoiado por estados socialistas como a União Soviética,Fleming, pág. 110. Adicionado em 21 de julho de 2019.Chaliand, págs. 197/202. Adicionado em 21 de julho de 2019. China, Coreia do Norte, Camboja Clymer pág. 107. Adicionado em 21 de julho de 2019. e Cuba. Além disso, atores não estatais, como as Brigadas Vermelhas, Prima Línea e a Fração do Exército Vermelho, também participaram do terrorismo comunista.C. J. M. Drake, pág. 19. Adicionado em 21 de julho de 2019.Sloan, pág. 61. Adicionado em 21 de julho de 2019. Esses grupos procuraram inspirar as massas a se levantar e iniciar revoluções para derrubar os sistemas políticos e econômicos existentes para implantar o comunismo.Yonah, pág. IX. Adicionado em 21 de julho de 2019.
Acredita-se que o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética levaram a uma diminuição acentuada dessa forma de terrorismo.David C. Wills, pág. 219. Adicionado em 21 de julho de 2019. Brian Crozier, fundador e diretor do Institute for the Study of Conflict, afirmou que o comunismo foi a fonte primária do terrorismo estatal e não estatal.Brian Crozier, pág. 203. Adicionado em 21 de julho de 2019.
História
Embora Lenin denunciasse sistematicamente o terrorismo praticado pelos SRs (socialistas revolucionários) e se opusesse ao regicídio, ele também apoiava o uso do terror como ferramenta, considerando-o como um método estratégico e eficaz para promover os objetivos revolucionários. Adicionado em 21 de julho de 2019. De acordo com Leon Trotsky, Lenin enfatizou a necessidade absoluta do terror e já em 1904 ele disse: "Sem a coerção jacobita, a ditadura do proletariado é uma expressão totalmente sem sentido". Adicionado em 21 de julho de 2019. Em 1905, Lenin encorajou os membros do "Comitê de Combate" de São Petersburgo a cometer atos de roubo, incêndio criminoso e outros atos terroristas. Adicionado em 21 de julho de 2019. Nem todos os estudiosos concordam com a posição de Lenin sobre o terrorismo. Joan Witte diz que se opôs à prática, exceto quando foi exercida pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e pelo Exército Vermelho depois de 1917. Ela também sugere que ele se opôs ao uso do terrorismo como um ato irracional, mas ele apoiou seu uso para promover a revolução comunista. Chaliand e Blin afirmam que Lenin defendeu o terror das massas, mas se opôs a atos de terrorismo desordenados, desorganizados ou insignificantes. De acordo com Richard Drake, Lenin havia abandonado qualquer relutância em usar táticas terroristas em 1917, acreditando que qualquer resistência à revolução comunista deveria ser alcançada com força máxima. Drake alegaria que a intenção terrorista no programa de Lenin era inconfundível, como Trotsky reconheceu em seu livro Terrorism and Communism publicado em 1918. ISBN 9780765637864 No livro, Trotsky forneceu uma justificativa elaborada para o uso do terror ao afirmar que "o homem que repudia o terrorismo em princípio, isto é, repudia as medidas de repressão e intimidação contra uma contra-revolução determinada e armada, deve rejeitar todas as idéias de supremacia política da classe trabalhadora e sua ditadura revolucionária”. A justificativa de Trotsky é baseada em uma crítica ao uso do termo "terrorismo" para descrever toda a violência política em nome da esquerda, mas não a violência política realizada por facções liberais ou reacionárias.
thumb|210px|direita|Dano provocado pelo atentado à Catedral de Sveta-Nedelya.
Após o fim da Primeira Guerra Mundial, nos Estados Unidos aumentam as ações subversivas de simpatizantes socialistas e anarquistas, em sua maioria de origem europeia. Em 1919, um grupo de anarquistas liderados pelo anarco-comunista Luigi Galleani plantou bombas em todo o país. Isso causaria o início das Incursões de Palmer, onde 249 imigrantes russos seriam deportados e mais de 5.000 cidadãos seriam presos sem respeitar seus direitos constitucionais. Em 1920, haveria um ataque ao Senado romeno, pelo qual os comunistas seriam responsabilizados, embora a responsabilidade não tenha sido totalmente provada. Anos mais tarde, em 1925, o atentado contra a Catedral de Sveta-Nedelya pelo Partido Comunista da Bulgária seria realizado com o resultado de 150 pessoas mortas.
Na década de 1930, o termo "terrorismo comunista" foi usado pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista, como parte de uma campanha publicitária para espalhar o medo do comunismo. Os nacional-socialistas culparam o terrorismo comunista pelo incêndio do Reichstag, que seria usado como pretexto para aprovar leis que aboliriam as liberdades individuais dos cidadãos alemães.Conway, pág. 17. Adicionado em 21 de julho de 2019.Gadberry, pág. 7. Adicionado em 21 de julho de 2019. Nas décadas de 1940 e 1950, vários países do sudeste asiático, como as Filipinas e o Vietnã, testemunharam o surgimento de grupos comunistas envolvidos no terrorismo. John Slocum escreveu que os comunistas malaios usaram o terrorismo para chamar a atenção para suas crenças ideológicas,Slocum, pág. 75. Adicionado em 21 de julho de 2019. mas Philip Deery diria que os insurgentes malaios foram chamados de terroristas comunistas apenas como parte de uma campanha de propaganda. Na década de 1960, a ruptura entre a China e a URSS causou um forte aumento da atividade terrorista na região.Weinberg, pág. 14. Adicionado em 21 de julho de 2019. Nessa década, vários grupos terroristas também começaram a operar na Europa, Japão e América. Yonah Alexander definiu esses grupos como FCO's ((Fighting Communist Organizations - "organizações comunistas de luta"),Alexander, pág. 16.Harmon, pág. 13. Adicionado em 21 de julho de 2019. afirmando que o movimento sindical estudantil, que protestava contra a Guerra do Vietnã, foi a origem desses grupos. Na Europa Ocidental, as ações desses grupos ficaram conhecidas como Euroterrorismo.Harmon, pág. 58. Adicionado em 21 de julho de 2019. Os fundadores das FCO's argumentavam que a violência era necessária para atingir seus objetivos e que o protesto pacífico era ineficaz e ineficiente.Drake, pág. 102. Adicionado em 21 de julho de 2019.Sandler, pág. 10. Adicionado em 21 de julho de 2019. Na década de 1970, havia cerca de 50 grupos marxistas ou leninistas operando na Turquia e aproximadamente 225 grupos operando na Itália. Os grupos também iniciaram operações na Irlanda e no Reino Unido.Alexander, pág. 51-52. Adicionado em 21 de julho de 2019. Esses grupos foram considerados uma grande ameaça pela OTAN e pelos governos da Itália, Alemanha e Grã-Bretanha.Paoletti, pág. 202. Adicionado em 21 de julho de 2019. O terrorismo comunista não gozava de total apoio de todos os grupos ideologicamente alinhados. O PCI (Partido Comunista Italiano), por exemplo, condenou tal atividade. Estudiosos da esquerda argumentam que, embora seja uma questão de registro histórico que a violência foi empregada por movimentos comunistas, o rótulo "terrorismo" é usado desproporcionalmente na mídia ocidental para se referir a toda a violência política empregada pela esquerda. Historical Materialism. 12:2: 25–55. "In May 1948, Arendt denounced the ‘development of totalitarian methods’ in Israel, referring to ‘terrorism’ and the expulsion and deportation of the Arab population. Only three years later, no room was left for criticism directed against the contemporary West." Historical Materialism. 12:2: 25–55. "Nowadays we constantly hear denunciations, directed toward Islam, of "religious totalitarianism"or of the ‘new totalitarian enemy that is terrorism’."
Enquanto isso, na América Latina, Cuba atuou como um farol ideológico da doutrina marxista na região. Em 1985, a América Latina havia superado a Europa Ocidental como a região com mais atos de terrorismo contra alvos dos Estados Unidos, com grande parte dessa violência, na década de 1980, sendo causada por grupos marxista-leninistas patrocinados por Cuba. No Peru, desenvolver-se-ia o Pensamento Gonzalo, uma doutrina que colocaria especial ênfase no uso do terror como meio de obter poder e conduzir um país ao comunismo.
Terrorismo comunista por continente
África
África do Sul
Durante a era do Apartheid na África do Sul, o governo do NP (Nasionale Party - Partido Nacional africânder) considerou o CNA (Congresso Nacional Africano) e seu braço militar Umkhonto we Sizwe, como terroristas comunistas. Adicionado em 21 de julho de 2019. Como resultado, uma série de leis foram introduzidas pelo governo, como o Suppression of Communism Act, (lei de supressão do comunismo), que definiu e proibiu organizações e pessoas que o governo considerava comunistas. Em 1967, o governo promulgou a lei antiterrorismo, conferindo aos atos terroristas status de crime e estabelecendo a detenção por tempo indeterminado, sem julgamento, contra aqueles que fossem capturados.
Rodésia
Na década de 1970, durante a Guerra Civil da Rodésia (rebatizada Zimbabwe em 1980), os grupos guerrilheiros que atuavam no país eram considerados terroristas comunistas pelo governo. Estes grupos receberam armamento e apoio financeiro de numerosos países comunistas, e treinamento em vários destes, incluindo a União Soviética, a China e Cuba. Ambos os exércitos de guerrilha envolvidos na guerra - o ZIPRA (Exército Revolucionário do Povo do Zimbabwe) da ZAPU (União do Povo Africano do Zimbabwe) e o ZANLA (Exército de Libertação Nacional Africano do Zimbabwe), ligado à ZANU (União Nacional Africana do Zimbabwe) - basearam-se inicialmente na área de Lusaka, na Zâmbia, de modo a estar a pouca distância da Rodésia.Windrich, pág. 279. Adicionado em 21 de julho de 2019. A ZANU e a ZANLA mudaram as suas bases para a Tete, em Moçambique, por volta de 1972, e lá se instalaram até ao final da guerra, em 1979. A ZIPRA permaneceu baseada na Zâmbia. De acordo com a ideologia maoísta professada por sua organização matriz, a ZANU e a ZANLA usaram táticas maoístas chinesas com grande efeito, politizando a população rural e escondendo-se entre os habitantes locais durante greves. Enquanto a ZIPRA conduziu operações similares em menor grau, a maioria de seus homens formava um exército de estilo convencional na Zâmbia, que foi treinado por oficiais cubanos e soviéticos para eventualmente invadir a Rodésia e se envolver abertamente em combate contra as Rhodesian Security Forces (forças armadas do país). Isso no final nunca aconteceu. Adicionado em 21 de julho de 2019.
América
Brasil
thumb|210px|direita|What you need, man, is a revolution like mine. ("O que você precisa, cara, é de uma revolução como a minha."): Fidel Castro aconselhando o Brasil, enquanto conduz Cuba acorrentada. Charge de Edmund S. Valtman, publicada em 31 de Agosto de 1961 e ganhadora do Prêmio Pulitzer no ano seguinte.
A ditadura militar brasileira (assim como o Governo Jair Bolsonaro) classificou os grupos de resistência armada ao regime militar, durante as décadas de 1960-1970, como terroristas. Nações comunistas ofereceram apoio à luta armada brasileira, tanto militar quanto financeira.