O SMS Gefion foi um cruzador desprotegido operado pela Marinha Imperial Alemã, a última embarcação de seu tipo construída pela Alemanha. Sua construção começou em março de 1892 nos estaleiros da Schichau-Werke em Danzig e foi lançado ao mar em março do ano seguinte, sendo comissionado na frota alemã em outubro de 1895. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 105 milímetros em montagens individuais, tinha um deslocamento carregado de pouco mais de quatro mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezenove nós.
O Gefion foi projetado para serviço colonial, mas inicialmente atuou com a principal frota alemã, muitas vezes escoltando o iate imperial em viagens pela Europa. Foi enviado para a Esquadra do Sudeste Asiático no final de 1897 e três anos depois ajudou a subjugar o Levante dos Boxers na China. Voltou para casa em 1901 e foi modernizado, mas nunca mais retornou ao serviço, sendo usado como alojamento flutuante na Primeira Guerra Mundial. Foi convertido em um cargueiro em 1920 e renomeado para Adolf Sommerfeld, mas foi aposentado em 1923 e desmontado.
Antecedentes thumb|esquerda|240px|Navios alemães em Kiel c. 1896; visíveis estão ironclads da Classe Sachsen, um aviso da Classe Wacht e uma corveta da Classe Bismarck A Marinha Imperial Alemã começou em meados da década de 1880 um programa para modernizar seus cruzadores, começando com os cruzadores protegidos da Classe Irene, seguida pelos cruzadores desprotegidos da Classe Schwalbe e pelo cruzador protegido . Os almirantes Alexander von Monts e Friedrich von Hollmann se tornaram em 1889 os chefes do Almirantado Imperial e do Escritório Naval Imperial, respectivamente. A construção naval alemã na época estava marcada por uma confusão estratégica; a Marinha Imperial estava ao mesmo tempo construindo os couraçados da Classe Brandenburg, necessários para uma estratégia ofensiva, e também navios de defesa de costa da Classe Siegfried e Classe Odin, que indicavam uma orientação inerentemente defensiva para a frota. Na mesma época, muitos membros do comando naval defendiam a estratégia corsária da Jeune École francesa.
Hollmann enviou um memorando para a Dieta Imperial pedindo dinheiro para um novo programa de construção. Ele pedia por sete novos cruzadores pelos três anos seguintes com o objetivo de substituir as antigas corvetas que ainda formavam a maior parte da força de cruzadores. Hollmann argumentou que as corvetas não eram mais adequadas como navios de guerra por conta da proliferação de cruzadores protegidos e desprotegidos modernos em até mesmo em marinhas pequenas ao redor do mundo, mais avanços em motores a vapor que impulsionavam navios mercantes para velocidades que não poderiam ser alcançadas pelas corvetas. O conselho orçamentário da Dieta Imperial criticou aquilo que enxergava como exigências sem limites da Marinha Imperial. A Dieta Imperial autorizou apenas dois cruzadores para o ano fiscal de 1890 e 1891, contra os três pedidos por Hollmann, com eles recebendo as designações provisórias de "J" e "K".
Cruzadores na época eram divididos em dois tipos gerais: embarcações adequadas para navegarem por longas distâncias e aquelas otimizadas para serviço com a frota. A Alemanha carecia dos recursos financeiros para construir navios dedicados para cada função, então a Marinha Imperial foi forçada a construir cruzadores que desempenhassem ambas. Qualquer cruzador novo teria de ser capaz de patrulhar o império colonial alemão e atuar como batedor para a frota. A primeira função envolvia policiamento e subjugação de agitações durante tempos de paz, enquanto em guerra o cruzador atuaria como corsário. Estas tarefas exigiam grande autonomia e um armamento relativamente pesado. Cruzadores otimizados para serviço com a frota em vez disso precisavam de velocidades máximas elevadas e blindagem espessa para sobreviverem a batalhas. O comando naval alemão e sua equipe de projeto não apenas tinham que conciliar o pensamento estratégico confuso da época com a necessidade de combinar os dois tipos de cruzadores em uma única embarcação, mas também tinham que lidar com o ritmo acelerado do desenvolvimento das tecnologias navais.
Desenvolvimento Oficiais navais, com o orçamento para iniciar os trabalhos garantido, começaram em 1889 a esboçar os requerimentos para o novo projeto. O vice-almirante barão Max von der Goltz, o chefe do Alto Comando Naval Imperial, queria uma repetição do Kaiserin Augusta com alguns melhoramentos, incluindo um armamento de canhões calibre 35 de 149 milímetros. O capitão de mar August von Thomsen do Departamento Geral expressou preocupações que essas armas eram muito pesadas. Uma autonomia de nove mil milhas náuticas (dezessete mil quilômetros) era desejada, mas o Departamento de Construção informou que o navio precisaria ser ampliado para que houvesse espaço de armazenamento de carvão suficiente. Entretanto, como a Dieta Imperial era contra quaisquer aumentos orçamentários, assim uma embarcação maior e mais cara estava fora de questão.
Discussões sobre o tamanho dos canhões da bateria principal continuaram em 1890, com Goltz destacando os cruzadores franceses contemporâneos para justificar o uso de um armamento mais pesado, já que essas embarcações seriam os inimigos mais prováveis em caso de uma guerra no futuro. A arma de 149 milímetros era necessária para penetrar a blindagem espessa dos novos cruzadores blindados franceses Dupuy de Lôme e Amiral Charner. Alfred Dietrich, o chefe construtor alemão, afirmou que a bateria desejada de canhões de 149 milímetros exigiria um deslocamento maior que seis mil toneladas, um aumentou significativo de tamanho e custo em relação ao Kaiserin Augusta. Outros oficiais, incluindo um grupo liderado por Thomsen, preferia um bateria principal de até vinte canhões do modelo calibre 35 de 105 milímetros. A Comissão Militar-Técnica finalmente decidiu em dezembro que a questão de peso exigia a arma de 105 milímetros, com seu chefe, o vice-almirante Hans von Koester, apresentando uma proposta para um navio armado com dez canhões desse tipo. Além disso, por conta da difícil situação orçamentária, o tamanho da embarcação foi reduzida de seis para 3,7 mil toneladas.
O Gefion foi classificado como um cruzador-corveta e autorizado no orçamento de 1890–1891, sendo nomeado em homenagem a uma fragata anterior homônima. O contrato para sua construção foi firmado no final de 1891 com a Schichau-Werke. Foi o último cruzador desprotegido alemão. Seu sucessor foram os cruzadores rápidos da Classe Gazelle necessários para o papel de navios pequenos para serviço estrangeiro. O Gefion mostrou-se insatisfatório devido às exigências de projeto contrastantes.
Projeto Características thumb|240px|Desenho do Gefion O Gefion tinha 109,2 metros de comprimento da linha de flutuação e 110,4 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 13,2 metros e um calado de 6,47 metros à vante e 6,27 metros à ré. Foi projetado para ter um deslocamento de toneladas, mas seu deslocamento carregado chegava a toneladas. O casco foi construído com armações de aço transversais e longitudinais, exceto pelas partes inferiores da proa e popa, que eram feitas de bronze. As armações eram cobertas com tábuas de madeira e uma camada de metal que se estendia até um metro acima da linha de flutuação com o objetivo de reduzir incrustações no casco.
Foi equipado com dois mastros de poste, cada um com gáveas que tinham o objetivo de ajudar na observação da artilharia. O navio tinha uma tripulação composta por treze oficiais e 289 marinheiros. Carregava várias embarcações menores, incluindo um barco de piquete, uma pinaça, dois cúteres, dois yawls e um bote. O Gefion era oscilante, balançava muito e tinha um abatimento sério, com seus conveses ficando muito molhados quando o navio navegava de encontro as ondas. Mesmo assim tinha uma boa manobrabilidade e um círculo de curva fechado. Sua altura metacêntrica era de 55 centímetros, com a direção sendo controlada por um único leme.
Seu sistema de propulsão era composto por dois motores verticais de tripla-expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice de três lâminas com 4,2 metros de diâmetro. O vapor vinha de seis caldeiras duplas de tubos d'água transversais cilíndricas cuja exaustão era canalizada para três chaminés. Os motores tinham uma potência indicada de cavalos-vapor (6,7 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Durante seus testes marítimos alcançou 20,5 nós (38 quilômetros por hora) a partir de cavalos-vapor ( quilowatts). O Gefion podia carregar até 860 toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de 3,5 mil milhas náuticas (6,5 mil quilômetros) a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). A energia elétrica era produzida por três geradores para quarenta quilowatts a 67 volts.
Armamento e blindagem O armamento principal do Gefion era composto por dez canhões calibre 35 de 105 milímetros instalados em montagens individuais giratórias. Duas ficavam lado a lado na proa, outras duas ficavam lado a lado na popa, outras quatro ficavam entre a última chaminé e o mastro principal; todas estas estavam no convés superior e possuíam escudos para proteção. Os dois canhões principais restantes ficavam um convés abaixo em embrasuras na altura da primeira chaminé. Cada arma tinha um suprimento de 807 projéteis, tendo um alcance máximo de 10,8 quilômetros. O navio também foi equipado com seis canhões calibre 40 de 50 milímetros, cada um com um carregamento de 1,5 mil projéteis. Estas armas ficavam em montagens individuais, duas localizadas na proa em embrasuras e as restantes ao lado da segunda chaminé. Tinham um alcance máximo de 6,2 quilômetros. O cruzador por fim tinha dois tubos de torpedo de 450 milímetros em montagens no convés, carregando um total de cinco torpedos.
Havia um fino convés blindado feito de aço, porém ele cobria apenas as salas de máquinas. O convés tinha 25 milímetros de espessura com laterais inclinadas de trinta milímetros. Acima das máquinas ficava um glacis de cem milímetros de espessura com uma camada de 180 milímetros de teca que cobria os cilindros dos motores. Uma pequena seção de 25 milímetros cobria os equipamentos de direção na popa. Também haviam braçadeiras de quarenta milímetros de espessura nas bases das chaminés.
Carreira Início de serviço O batimento de quilha do Gefion ocorreu em 28 de março de 1892 nos estaleiros da Schichau-Werke em Danzig, com o casco completo sendo lançado ao mar em 31 de março de 1893. O imperador Guilherme II compareceu ao lançamento, enquanto o discurso foi feito pelo capitão de mar conde Kurt von Haugwitz, o diretor do Estaleiro Imperial de Danzig. Os testes marítimos começaram em Kiel em 27 de junho de 1894 e duraram até 2 de outubro. Defeitos sérios de projeto, especialmente ventilação ruim, foram revelados durante os testes, necessitando de modificações no Estaleiro Imperial de Kiel. Foi colocado na reserva ao final dos testes. Os trabalhos de modificação duraram até meados de 1895 e o navio ficou pronto para ser comissionado em 5 de junho de 1895. Neste mesmo mês esteve presente para as celebrações de inauguração do Canal Imperador Guilherme.
thumb|esquerda|240px|O Gefion na década de 1890