Nacional Futebol Clube, ou simplesmente Nacional, é um clube esportivo brasileiro, com sede na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Foi fundado oficialmente em 13 de janeiro de 1913 com o objetivo de ser o clube dos brasileiros no futebol, numa época em que a modalidade era dominada pelos ingleses que viviam na capital amazonense. Tem como cores oficiais o azul e o branco. Seus mascotes são a águia e o leão, sendo este último o mais conhecido, o que explica o fato de o clube ser conhecido por sua torcida como o "Leão da Vila Municipal", em referência ao então bairro da Vila Municipal (atual Adrianópolis), onde fica sua sede social.

É um dos clubes mais tradicionais da região Norte, sendo o recordista em número de títulos estaduais amazonenses de futebol desde 1918, contando atualmente com 44 conquistas, incluindo um hexacampeonato entre 1976 e 1981. É a equipe amazonense que mais disputou a divisão principal do futebol nacional, tendo participado de um total de 14 edições da competição. Na Copa do Brasil, esteve presente em 16 edições, também um recorde para equipes locais. Há ainda conquistas importantes no futsal, vôlei, basquete e outros esportes, tornando sua presença uma página importante da história poliesportiva do estado como um todo.

É também o clube dono da maior torcida no Amazonas entre equipes locais e a terceira maior da região Norte. Instituto de Pesquisas do Norte, maio de 2012 - Globoesporte.com, 9 de outubro de 2012 Seu principal rival esportivo é o Rio Negro, com quem mantém a maior rivalidade do futebol amazonense e um dos maiores clássicos da Região Norte do país. - Globoesporte, 31 de outubro de 2012

História Fundação Em 13 de janeiro de 1913, um grupo de jovens e senhores motivados pelo futebol, liderados por Manoel Fernandes da Silva, o "Fernandinho", reuniu-se para tratar da fundação de um novo clube esportivo. Nessa reunião, houve mais de 20 presentes, muitos dos quais mais tarde obtiveram destaque na sociedade manauara, seja em suas profissões, seja na política. Eram eles: Adail Valente, Althberto Rocha, Antônio Craveiro, Cícero Costa, Coriolano Durand, Crisólogo Gastão de Oliveira, Djalma Cavalcante, Fausto Paiva, Francisco Flores, João Valle, Jorge Hermes, José de Mello (Cazuza), José Ernesto, José Linhares, Júlio Linares, Júlio Verner de Matos, Manoel Fernandes, Paulo Mello, Ulysses Linares, Victor Santos Ferreira e Vivaldo Lima.

Assim, em uma casa familiar na Avenida 7 de Setembro (à época intitulada Rua Municipal), no Centro Histórico de Manaus, nascia o Onze Nacional, com a proposta de ser um clube composto unicamente por brasileiros, em posição opositora à do Manaos Athletic, equipe forte da época, que aceitava apenas ingleses. O Nacional surgia igualmente forte, uma vez que possuía bons jogadores que já tinham passagem por outros clubes, como o Brasil Foot-Ball Club, nascendo como uma espécie de selecionado brasileiro. Existe a hipótese de que o clube tenha existido informalmente durante 1913, passando a se configurar como clube organizado apenas em janeiro de 1914, quando elegeu sua primeira diretoria, com a seguinte composição: Coriolano Durand (Presidente); Júlio Verner de Matos (Vice-presidente); Crisólogo Gastão de Oliveira (1º Secretário); Francisco Flores (2º secretário); Adail Valente do Couto (Orador); Manoel Fernandes da Silva "Fernandinho" (Capitão, como de costume à época, um cargo importante nos clubes).

Apesar dessa questão, os estatutos do Nacional informam sempre que a data de fundação é 13 de janeiro de 1913, quando foi simbolizada a fundação do Onze Nacional. A primeira ata do clube só foi redigida em 1º de maio de 1914. Dentro dessa suposta existência informal, o clube já enfrentava as principais equipes que havia em Manaus, durante todo o ano de 1913. O uniforme inicial era quase completamente branco, exceto as meias azuis, com a camisa adornada com uma estrela azul, seu símbolo maior ao nascer. O team azulino em 1913 era composto por: Fernandinho, Antônio Craveiro (goleiro), José Ernesto; Jorge Hermes, Manuel Laiza, Althberto Rocha; Santos Ferreira, Paulo Melo, Cícero Costa, José Melo (Cazuza), Fausto Paiva, Adail Couto, Clodoaldo Costa, Ulysses Linhares, Carneiro, Ciriaco, Júlio Linhares, Bevilaqua, Djalma Cavalcante e Arthur Meninéa.

Versão errada Há uma versão da história da fundação do clube que diz que Fernandinho (idealizador maior do clube) era membro do Manáos Sporting, saindo do quadro desse clube por desentendimentos com o então presidente do Manaus Sporting, Dr. Edgard de Melo Freitas. Em determinada reunião da diretoria, discutia-se um artigo do estatuto daquele clube; então, Fernandinho (até então capitão da equipe) teria se oposto ao que fora proposto e encontrado apoio entre muitos de seus companheiros de equipe, da qual faziam parte, entre outros, o Sr. José Marçal dos Anjos, de tradicional família manauara. Descontentes, estes teriam abandonado o quadro esportivo de outrora, passando a idealizar, junto a outros esportistas independentes e jogadores oriundos de vários clubes da cidade (entre eles alguns do Brasil Football Club), a criação de uma nova agremiação. Essa versão é divulgada pelo próprio clube, mas está errada, pois o Manáos Sporting só foi fundado em 2 de julho de 1913, quase seis meses depois do surgimento do Nacional.

O nome Quando fundado, o clube recebeu um nome em inglês, em função de o esporte ter sido trazido pelos britânicos, sendo assim chamado de "Eleven National". O que motivou esse nome foi o fato de o clube ter sido fundado inteiramente por brasileiros e aceitar apenas brasileiros, o que era difícil naqueles anos. Ou seja, era uma referência ao time que entrava em campo, um "Onze Nacional". A finalidade foi a de exaltar a nacionalidade brasileira em um esporte crescente em todo o país. O clube utilizou como suas as cores da bandeira do país, para enfatizar esse teor patriótico. O Nacional chegou a ter em seu estatuto a imposição de que só permitiria jogadores brasileiros em suas fileiras.

Pouco depois, ainda em 1913, o clube já estava mais estruturado. Coriolano Durand, professor e seu primeiro presidente, recebeu de Fernandinho a sugestão de que o nome deveria ser aportuguesado, uma vez que, se o clube exibia uma exaltação à sua nacionalidade e até proibia estrangeiros entre os seus, deveria refletir isso por inteiro. A ideia foi acatada, e o clube passou a se chamar "Onze Nacional". Em janeiro de 1914, com a organização do clube, ocorreu uma nova mudança: o termo "Onze" foi excluído, e o clube assumiu definitivamente seu nome atual, "Nacional", ou, na grafia da época, "Nacional Foot-Ball Club" (os estrangeirismos "futebol" e "clube" ainda não eram usados).

O início: 1914-1915 A primeira partida oficial da história do campeonato de futebol do Amazonas Durante o ano de 1913, por ainda não existirem ligas, o então "Onze Nacional", assim como os outros clubes do estado, limitou-se a fazer amistosos com equipes como Manaos Athletic, Vasco da Gama, Manáos Sporting e Onze Português, entre outros. Além disso, realizava partidas internas entre seus próprios times.

A primeira partida oficial do Nacional também é considerada a primeira partida oficial da história do futebol amazonense, valendo pelo Campeonato Amazonense de Futebol de 1914. Ela ocorreu no dia 1º de fevereiro contra o Manaos Athletic. O adversário era um famoso clube de ingleses residentes na capital amazonense, que vinha massacrando seus rivais nos jogos extraoficiais realizados desde 1908, sendo considerado imbatível até então. O confronto aconteceu no campo do adversário, o Bosque Municipal, e o clube da estrela azul venceu por 2 a 1. Os dois primeiros gols oficiais do certame amazonense foram marcados pelo jogador azulino Paulo Mello.

Foi a única derrota do Athletic, que acabou sendo campeão da primeira edição histórica do estadual. Neste campeonato inaugural, o Nacional aplicou as duas maiores goleadas de sua história sobre seu maior rival, o Rio Negro. Ao lado do Nacional, o Rio Negro é o único clube remanescente daquela primeira edição. Naquele ano, os dois ainda estavam longe de ter a rivalidade que se consolidaria nos anos seguintes, com o Nacional vencendo pelos placares de 9 a 0 e 12 a 0, os maiores resultados registrados no Clássico Rio-Nal até os dias atuais.

Os jogos do Nacional naquele primeiro campeonato: 1º de Fevereiro de 1914: Nacional 2x1 Athletic – Bosque Municipal 1º de Março de 1914: Nacional 9x0 Rio Negro – Bosque Municipal 16 de Março de 1914: Nacional 3x0 Vasco da Gama – Bosque Municipal 29 de Março de 1914: Nacional 3x0 Sporting – Bosque Municipal 19 de Abril de 1914: Nacional 12x0 Rio Negro – Bosque Municipal 10 de Maio de 1914: Nacional 3x0 Vasco da Gama – Bosque Municipal 31 de Maio de 1914: Nacional 0x2 Sporting – Bosque Municipal 14 de Junho de 1914: Nacional 2x3 Athletic – Bosque Municipal

O Nacional foi vice-campeão da histórica primeira edição do Campeonato Amazonense de Futebol. Cícero Costa, principal craque nacionalino da época, foi o artilheiro do clube na competição.

Em 1915, abandonou No Campeonato Amazonense de Futebol de 1915, o Nacional vinha bem, mas uma derrota inesperada gerou protestos entre seus atletas. Segundo eles, o referee não apresentou a imparcialidade que deveria, o que teria prejudicado o quadro azulino. Inconformado, o Nacional acabou abandonando o campeonato, mesmo estando com pontuação suficiente para disputar o título. Os jogos que disputou foram:

10 de Janeiro de 1915: Nacional 1x0 Vasco da Gama - Bosque Municipal 24 de Janeiro de 1915: Nacional 2x2 Manaos Athletic - Bosque Municipal 28 de Fevereiro de 1915: Nacional 7x0 Rio Negro - Bosque Municipal 21 de Março de 1915: Nacional 0x2 Manaos Sporting - Bosque Municipal

Após a derrota para o Sporting, o Nacional abandonou a competição. Vale lembrar que foi o Sporting, ao vencer o Nacional, quem impediu o clube de conquistar o título de 1914.

1916-1920: a conquista da hegemonia estadual O Nacional foi fundado como um clube dedicado à prática do futebol e, nos seus primeiros anos, já se consolidava como uma potência no esporte bretão amazonense. Após o vice-campeonato no primeiro torneio oficial em 1914 e o abandono da competição em 1915, o clube conquistou seu primeiro título ao vencer o Campeonato Amazonense de Futebol de 1916, obtendo a posse da Taça Kirk. Em 1917, conquistou o bicampeonato, marcado pelo primeiro confronto direto com seu grande rival, o Rio Negro.

O rival chegou a pleitear o título nos tribunais, alegando um gol irregular na partida decisiva entre os dois clubes e solicitando a realização de um novo jogo. Dias depois, durante reunião da Liga Amazonense de Sports Athleticos, a entidade acabou sendo extinta. A questão não foi completamente resolvida, dando início à primeira controvérsia entre os adversários.

Nessa época, o Nacional contava com seu primeiro campo oficial, conhecido como "Campo da Floresta".

Em 1918, o Nacional conquistou seu terceiro campeonato consecutivo, tornando-se o maior campeão estadual do Amazonas, marca que jamais seria superada. No mês de maio do mesmo ano, o clube participou da festa de inauguração do Estádio Parque Amazonense para o futebol, empatando em 1 a 1 contra o Combinado Paraense.

O Nacional sagrou-se campeão também em 1919 e 1920, alcançando cinco títulos estaduais consecutivos, feito que só seria igualado pelo próprio clube em competições oficiais do Amazonas. Nesse período, o Nacional foi convidado pelo Paysandu a jogar em Belém do Pará, tornando-se o primeiro clube do estado a realizar uma excursão interestadual, em 1919. O clube realizou quatro jogos naquela capital, vencendo um e perdendo três.

1921-1932: Primeiras crises Em 1921, o Nacional obteve uma vitória acachapante sobre o Euterpe por 19 a 0, mostrando que vinha firme na busca pelo hexa; porém, de forma surpreendente, acabou abandonando o campeonato, assim como fizera em 1915.https://historiadofutebol.com/blog/?p=81943