miniaturadaimagem|200x200px|Dubrovnik. Os croatas (croata: Hrvati) são um povo eslavo do sul habitando principalmente a Croácia, Bósnia e Herzegovina e países vizinhos. Há cerca de 4,6 milhões de croatas vivendo na região dos Bálcãs, enquanto estima-se um total de 9 milhões em todo o mundo. Devido a razões políticas, sociais e econômicas, muitos croatas migraram para várias partes do mundo, estabelecendo uma notável diáspora croata. Grandes comunidades croatas existem em vários países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Chile, Brasil, Nova Zelândia e África do Sul. Os croatas são conhecidos por sua cultura única que, através dos tempos, tem sido de diversas maneiras influenciada pelo Oriente e pelo Ocidente. Os croatas são predominantemente católicos e sua língua é o croata.

Localização A Croácia é o estado-nação dos croatas, enquanto na vizinha Bósnia e Herzegovina eles são uma das três nações constituintes.

Minorias croatas autóctones existem em ou entre:

Voivodina, a província autônoma do norte da Sérvia, onde a língua croata é oficial (junto com outras cinco línguas); a vasta maioria dos šokci se considera croata, assim como muitos dos bunjevci (estes últimos se estabeleceram na vasta e abandonada área após a retirada otomana, assim como outras nacionalidades; as origens deste subgrupo croata estão no sul, principalmente na região de Bačka). As comunidades šokci e bunjevci no condado de Bács-Kiskun na Hungria. Os croatas são um povo reconhecido na República de Montenegro assim como a língua croata em uso; eles vivem principalmente na baía de Kotor. Uma pequena comunidade na região de Carso e Trieste na Itália. Esta é a região mais ao norte habitada por croatas - eles foram na maior parte assililados, mas há traços nos sobrenomes e em alguns nomes de lugares. No litoral esloveno (Primorska), Prekmurje e nas regiões de Metlika e Baixa Carniola na Eslovênia. Nos condados de Zala, Baranya e Somogy na Hungria, que são regiões de fronteira com a Croácia. Os krashovani na Romênia geralmente se consideram croatas. Burgenland na parte oriental da Áustria, as áreas de fronteira da Hungria ocidental (condados de Vas e Győr-Moson-Sopron) e da Eslováquia. Kosovo (janjevci). Região de Molise na Itália. A cidade de Szentendre na Hungria, hungarizada, mas com lembranças de suas origens croatas (da Dalmácia). Na Eslováquia, na região em volta de Bratislava nas vilas de Chorvátsky Grob, Čunovo, Devínska Nová Ves, Rusovce e Jarovce. A maioria foi assimilada, mas uma pequena minoria preserva sua identidade croata. Na região da Morávia na República Tcheca.

As estimativas populacionais são razoavelmente precisas domesticamente: cerca de 4 milhões na Croácia e quase 600 mil na Bósnia e Herzegovina, ou cerca de 15% da população total.

Diáspora Um grande número de croatas foi forçado através dos tempos por razões econômicas ou políticas a deixar sua terra natal tradicional, e dessa forma existe hoje uma grande diáspora croata além dos limites de sua tradicional terra natal nos Bálcãs.

A primeira grande emigração de croatas ocorreu nos séculos XV e XVI, no início das conquistas otomanas das regiões onde hoje estão Croácia e Bósnia e Herzegovina. A população fugiu para áreas seguras no que hoje é a Croácia e para outras áreas do império dos Habsburgos (atuais Áustria e Hungria). Esta migração resultou nas comunidades croatas na Áustria e Hungria.

No final do século XIX e começo do século XX, muitos croatas emigraram, particularmente por razões econômicas, para destinos além-mar, que incluíram as Américas do Norte e do Sul (sobretudo para Chile e Argentina), Austrália e Nova Zelândia.

Uma grande onda de emigração posterior, desta vez por razões políticas, começou imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial. Eles fugiram do regime Ustaša e depois do regime comunista. Estima-se que durante e logo depois da Segunda Guerra (de 1939 a 1948) cerca de 250.000 croatas tenham deixado o país.

Na segunda metade do século XX vários croatas, em grande parte devido às dificuldades econômicas e condição de vida, deixaram o país como trabalhadores imigrantes principalmente para a Alemanha, Áustria e Suíça. Além disso, alguns emigraram por razões políticas. Esta emigração diminuiu o desemprego da Iugoslávia comunista naquela época e criou ao mesmo tempo, pelo envio de dinheiro pelos imigrantes para suas famílias, uma grande fonte de renda exterior. thumb|200px|Uma das muitas tumbas croatas no cemitério municipal em Punta Arenas (Chile).

A última grande onda de emigração croata ocorreu durante e depois das guerras iugoslavas, quando muitas pessoas da região (não apenas croatas, mas também sérvios, bósnios e outros) fugiram como refugiados. As comunidades migrantes que já estavam estabelecidas em países como Austrália, Estados Unidos e Alemanha cresceram como resultado.

No exterior, os cálculos são apenas aproximados por causa dos registros estatísticos incompletos e naturalizações, mas estimativas (elevadas) sugerem que a diáspora croata equivale entre um terço e a metade do número total de croatas. Os maiores grupos emigrantes estão na Europa ocidental, principalmente na Alemanha, onde se estima que haja cerca de 450.000 pessoas com ancestralidade direta croata.

Além-mar, os Estados Unidos possuem o maior grupo croata emigrante (544.270 no censo de 1990; 374.271 no censo de 2000, principalmente em Ohio, Pensilvânia, Illinois e Califórnia), seguidos pela Austrália (105.747, de acordo com o censo de 2001, com concentrações em Sydney, Melbourne e Perth) e pelo Canadá (sul de Ontário, Colúmbia Britânica e Alberta). Os croatas também emigraram em várias ondas para a América do Sul, principalmente para Argentina, Chile e Brasil; as estimativas para a América do Sul variam muito. Há também pequenos grupos no Bolívia, Nova Zelândia e África do Sul. As mais importantes organizações da diáspora croata são a União Fraternal Croata (Hrvatska bratska zajednica), a Fundação da Herança Croata (Hrvatska matica isljenika) e o Congresso Mundial Croata.

Origens A origem da tribo croata antes da grande migração dos eslavos é incerta. De acordo com a teoria mais amplamente aceita teoria eslava do século VII, a tribo croata se moveu da área a norte dos Cárpatos e a oeste do rio Vístula (chamada de Croácia Branca) e migrou para oeste dos Alpes Dináricos. Os croatas brancos formaram o Principado da Dalmácia no alto Adriático. Outra onda de migrantes eslavos da Croácia Branca subsequentemente fundou o Principado da Panônia.

De acordo com o modelo autóctone, em grande parte promovido pelo Movimento Ilírio no século XIX e depois abandonado, a terra natal dos eslavos seria na verdade a região sul da Croácia, e eles se disseminaram nas direções norte e oeste ao invés da rota inversa. Uma revisão da teoria, desenvolvida por Ivan Muzić, argumenta que a migração eslava a partir do norte não aconteceu, que o número real de colonizadores eslavos era pequeno e que o substrato étnico ilírio foi predominante para a formação das características étnicas croatas.

A teoria da origem iraniana dos croatas sugere que eles sejam descendentes dos antigos iranianos (alanos), dos quais observam-se semelhanças para os nomes Croácia e croatas. A mais antiga menção do nome croata, Horouathos, pode ser vistas em duas inscrições em pedra em língua e alfabeto gregos, datadas por volta do anos 200 A.D., encontradas na cidade portuária de Tanais no mar de Azov, localizado na península da Crimeia próximo ao mar Negro. Ambas as peças de pedra são mantidas no museu arqueológico de São Petersburgo, Rússia. Se o termo Horouathos é relacionado ao etnônimo "croata", isto está aberto a conjecturas, porque as duas palavras podem ser origens distintas.

Geneticamente, pela linha do cromossomo Y, a maioria (> 87%) dos croatas pertence a um dos três haplogrupos Y-DNA europeus - haplogrupo I (38%), haplogrupo R1a (35%) e haplogrupo R1b (16%).Barac et al, "Y chromosomal heritage of Croatian population and its island isolates", European Journal of Human Genetics (2003) 11, 535-542 Todos os três grupos migraram para a Europa durante o paleolítico superior entre 30000 e 20000 a.C.

Depois, linhagens neolíticas, originárias do Oriente Médio e que trouxeram a agricultura para a Europa, estão presentes em números surpreendentemente baixos. os haplogrupos J, E e G somam juntos menos de 10% - significativamente menor que as outras populações na região.Pericic et al, "High-Resolution Phylogenic Analysis of Southeastern Europe Traces Major Episodes of Paternal Gene Flow Among Slavic Populations", Journal of Society for Molecular Biology and Evolution (2005) Além disso, a presença dominante do Haplogrupo I é particularmente interessante. Este grupo existe apenas na Europa e é bastante disseminado, mas em percentangens relativamente pequenas. Sua frequência nos Bálcãs é alta, mas as únicas populações que têm níveis similares do haplogrupo I são os escandinavos.Semino et al, The Genetic Legacy of Paleolithic Homo sapiens sapiens in Extant Europeans, Science Vol290, 2000 Acredita-se que o haplogrupo I tenha permanecido o último período glacial no sul da península Balcânica, migrando para o norte (passando imediatamente pelo que hoje é a Croácia) à medida que o gelo recuava.

Há inúmeras conclusões relevantes que podem ser retiradas dos dados genéticos. thumb|direita|350px|Haplogrupos croatas.

A primeira de todas elas fornece forte apoio à teoria de que a região da atual Croácia serviu como refúgio para populações do norte durante o último período glacial. Após isso, houve uma migração para o norte de pessoas cuja descendência hoje forma uma porção significante das populações escandinavas. Aqueles que decidiram permanecer são os ancestrais de cerca de 38% dos croatas modernos.

A segunda conclusão que pode ser retirada é que a teoria de uma origem iraniana tem pouca sustentação genética. Os iranianos modernos possuem uma distribuição de haplogrupos significantemente diferente, apesar de milênios atrás a Pérsia ter sido o lar para vários povos distintos. Apenas uma percentagem relativamente pequena dos croatas pertence a um dos haplogrupos que é comum no Oriente Médio. A baixa frequência destes grupos é consistente com a migração menor de fazendeiros neolíticos a partir do Oriente Médio que ocorreu por volta de 10.000 anos atrás.Luigi Luca Cavalli-Sforza, Genes, Peoples and Languages (2001)

E a terceira conclusão é que os croatas modernos talvez não tenham tanto em comum geneticamente com os croatas de origem proto-eslava. O haplogrupo R1a que atinge normalmente os níveis entre 40 e 60% na maioria dos países do Leste Europeu, é de 35% dentro da população croata. A evidência genética aponta para o fato de que houve um alto grau de miscigenação das tribos croatas recém-chegadas com as populações indígenas que já estavam presentes na região da moderna Croácia.<ref name = "olson">Steve Olson, Mapping Human History (2003)</ref> Portanto, a maioria dos croatas modernos é descendente da população europeia original da região e que vivia no território com outros nomes, como os ilírios e seus ancestrais. Estes habitantes originais também desempenharam uma função importante no repovoamento da Europa após a última era glacial.

História

O estado croata mais antigo foi o Principado da Dalmácia. O príncipe Tromir da Dalmácia foi nomeado duque dos croatas em 852. Em 925, o duque croata da Dalmácia Tomislav uniu todos os croatas. Ele organizou um estado com a anexação do Principado da Panônia, assim como manteve laços próximos com Pagânia e Zahúmlia.