Glitter é a trilha sonora do filme homônimo de 2001 e o oitavo álbum de estúdio da cantora e compositora estadunidense Mariah Carey. Foi lançado em 18 de agosto de 2001 pela Virgin Records. Misturando dance-pop, funk, hip-hop e R&B, o álbum representou uma mudança em relação aos lançamentos anteriores de Carey, com foco em uma sonoridade pós-disco dos anos 80 para acompanhar o filme, que se passa em 1983. Carey colaborou com Jimmy Jam e Terry Lewis e DJ Clue, que também coproduziu o álbum. O álbum conta com a participação de diversos artistas convidados, incluindo Eric Benét, Ludacris, Da Brat, Busta Rhymes, Fabolous e Ja Rule.
Após o lançamento, tanto o álbum quanto o filme que o acompanhava foram duramente criticados. No entanto, resenhas posteriores foram em grande parte positivas, com muitos afirmando que o álbum foi injustamente difamado. Apesar disso, Glitter foi universalmente considerado um fracasso comercial e de crítica, levando a Virgin Records a rescindir o contrato com Carey e comprar sua assinatura de US$100 milhões. Embora o álbum tenha estreado na sétima posição da Billboard 200 nos Estados Unidos, marcou as menores vendas na primeira semana de Carey até então. Internacionalmente, alcançou o topo das paradas na Grécia, Japão e Coreia do Sul.
Vários singles foram lançados, incluindo "Loverboy", que serviu como carro-chefe e alcançou o segundo lugar da Billboard Hot 100. Os singles subsequentes não tiveram grande impacto nas principais paradas musicais globais. Quase duas décadas após seu lançamento, Glitter começou a atrair elogios generalizados da crítica especializada e desenvolveu um culto de fãs. Em 22 de maio de 2020, Carey anunciou o lançamento do álbum em serviços de streaming; no entanto, ele foi removido em janeiro de 2026 por razões desconhecidas. Carey confirmou em março de 2026 que uma reedição de 25º aniversário seria lançada em 30 de outubro.
Antecedentes e desenvolvimento
Após o termino das atividades promocionais de Butterfly, Carey começou a trabalhar em um projeto de filme e trilha sonora, intitulado All That Glitters. No entanto, durante esse período, sua gravadora Columbia Records pressionou-a para lançar uma compilação de grandes sucessos, em tempo para a temporada de férias em novembro. Consequentemente, a cantora deixou de trabalhar em All That Glitters, e #1's foi lançado em novembro de 1998. Carey colocou o projeto novamente em espera para gravar seu álbum Rainbow em 1999, e posteriormente quis terminar o projeto de All that Glitters. Carey e seu agora ex-marido Tommy Mottola, chefe da Columbia, não tinham um bom relacionamento profissional ou pessoal. Mottola queria Carey fora da gravadora e ela queria sair; no entanto, ela ainda devia mais um álbum à Columbia para cumprir seu contrato. A Virgin Records interveio e ofereceu pagar à Columbia 20 milhões de dólares para deixar Carey rescindir seu contrato mais cedo, para que eles pudessem contratá-la por um contrato de 100 milhões.
Após assinar contrato com a Virgin, Carey pretendia concluir o projeto do filme e da trilha sonora. Como parte de seu contrato de cinco álbuns, ela recebeu total controle criativo sobre a obra. Ela optou por gravar um álbum parcialmente misturado com disco com influência dos anos 1980 e outros gêneros semelhantes, para combinar com o cenário do filme, que era ambientado em 1982. À medida que a data de lançamento se aproximava, o título do filme e do álbum foram alterados de All That Glitters para Glitter.
Estilo musical Musicalmente, Glitter é notavelmente diferente de qualquer álbum que Carey havia escrito ou gravado, tendo influência da década de 1980. Devido ao filme ser ambientado em 1982, a trilha sonora consistiu na recriação do som da época, e incorporou as baladas pelas quais Carey era conhecida. Embora alguns críticos tenham favorecido o estilo retrô do álbum e a inclusão de várias amostras, muitos sentiram que ele não era original, e que seu excesso de artistas convidados ofuscou a cantora. Em uma entrevista com a MTV News, Carey descreveu o conteúdo do álbum, bem como suas influências para fazê-lo:
thumb|esquerda|150px|Ludacris fez uma participação no remix de "Loverboy".
Servindo como primeiro single do projeto, "Loverboy" apresenta uma amostra da canção "Candy" do grupo americano Cameo, que interpola a melodia do refrão e a introdução da instrumental. Além da amostra de "Candy" como a base musical para "Loverboy", Cameo participa da canção. Liricamente, a protagonista da canção fantasia um namorado ideal, e faz insinuações sexuais: "Namorado venha cá e me ame/Me dê mais". A letra da canção e seus vocais foram descritos como "super sexuais" por Sal Cinquemani da revista Slant, quando esta é colocada em comparação com o trabalhos anteriores da cantora. A versão remix oficial de "Loverboy", que contém versos rap de Ludacris e Da Brat, também foi incluída na lista de faixas de Glitter. A canção "Never Too Far", o segundo lançamento do álbum, foi escrita e produzida por Carey e Jimmy Jam e Terry Lewis. Descrita como uma "canção de amor adulto contemporânea", há trechos da canção em que Carey canta: "É muito doloroso falar sobre isso, então eu guardo comigo/Então meu coração pode se consertar e ser corajoso o suficiente para amar de novo", referindo-se às emoções sentidas pela protagonista no filme. Em sua instrumental primária, "Never Too Far" contém "uma base de cordas sintetizadas, bateria suave e guitarra espanhola", e incorpora violino e notas de teclado antes de seu primeiro verso. O terceiro single de Glitter, "Don't Stop (Funkin' 4 Jamaica)", foi composta por Carey e DJ Clue, e interpola a canção "Funkin' for Jamaica (N.Y.)", de Tom Browne. Com a participação do rapper Mystikal, sua letra contém insinuações sexuais, com Mystikal declarando: "Não há nada que você poderia fazer com um homem/Exceto mexer seu traseiro e bater palmas", enquanto Carey responde: "Não pare a-mooor, é êx-ta-see/Deixe-me mais para cima. O quarto e último single de Glitter, "Reflections (Care Enough)" foi escrita pela cantora e Pierre Philippe, e lançada como single no final de 2001. Liricamente, a protagonista da canção lamenta o "fim de um relacionamento". Além disso, durante seu gancho, Carey "misteriosamente" refere-se ao aborto: "Você poderia ter tido a decência/De ter desistido de mim/Antes de você me dar a vida", sobre a protagonista do filme ter sido abandonada por sua mãe quando criança. Cinquemani sentiu que a canção tinha uma reminiscência das baladas de Carey do início de sua carreira, e declarou que a canção tinha uma "beleza simples". Escrita e poruzida pela cantora e Walter Afanasieff em 1997, "Lead the Way" foi uma faixa não utilizada no álbum Butterfly. A balada foi a última canção composta pela dupla, pois eles acabaram a parceria após terem terminado a música, devido às diferenças criativas. Apesar ter sido escrita em 1997, a canção foi gravada em 2000, quando a cantora começou a trabalhar em Glitter. Começando com uma clássica e simples introdução de piano, Carey começa a canção com vocais suaves e soprosos, eventualmente levando-a a um clímax vocal, no qual ela segura uma nota por 18 segundos, sua mais longa registrada. Ela descreveu-a como a canção com um dos seus "melhores desempenhos vocais", bem como uma de suas "canções favoritas". Em uma entravista com a MTV News, Carey falou sobre Glitter bem como sobre "Lead the Way":
A versão de Carey para a canção de 1982 do grupo Indeep, "Last Night a D.J. Saved My Life", foi uma das canções do álbum destinada para discotecas. Contém participação especial dos rappers Fabolous e Busta Rhymes, e teve letras adicionais compostas por Carey e DJ Clue, sendo produzida pelos mesmos. "Twister", outra balada do álbum, atraiu fortes comparações com os trabalhos anteriores da cantora. A letra da canção é relacionada ao suicídio da cabeleireira e amiga de Carey, Tonjua Twist. De acordo com Carey, Twist suicidou-se na primavera de 2000, e era conhecida por sua alegria de vida e sua capacidade de deixar as pessoas à vontade. Chris Chuck do Daily News descreveu a letra da canção como "um delicado réquiem para uma amiga perdida para o suicídio" e sentiu que era "a única canção memorável do álbum". Avaliando alguns trechos da letra da canção, David Browne do Entertainment Weekly achou que ao invés de estar referindo-se ao suicídio de sua amiga, Carey falava sobre seu próprio suicídio, referindo-se aos eventos que estavam ocorrendo durante a época de lançamento do álbum. "Didn't Mean to Turn You On" é uma versão da canção lançada em 1984 pela cantora Cherelle, com o mesmo título. Além da amostragem pesada do gancho e da letra, Carey, que produziu a canção ao lado de Jimmy Jam e Terry Lewis, acrescentou notas de teclado e sintetizadores para melhorar sua apelação para ser uma canção para discotecas. Na canção, Carey canta: "Eu apenas estava tentando ser legal/apenas tentando ser legal/Entãooooo, eu não tive a intenção de lhe deixar afim". Em "Want You", o cantor americano Eric Benét canta com Carey, enquanto a letra da canção sugere a exploração das fantasias de um dormitório.
Controvérsia thumb|140px|direita|O uso de uma amostra da canção "Firecracker" no álbum J.Lo (2001), de Jennifer Lopez (imagem), gerou um pequeno dilema entre ela e Carey. Durante o ano de 2000, Carey já havia escrito e gravado canções para Glitter.{ Durante este período, ela desenvolveu o conceito do primeiro single do álbum, "Loverboy". Originalmente, Carey iria usar amostras da melodia e do gancho da canção "Firecracker", da banda Yellow Magic Orchestra, usando uma interpolação de todo o refrão e introdução. Carey havia terminado o seu contrato com a Sony Music Entertainment, cujo dono era seu ex-marido Tommy Mottola, quando a cantora Jennifer Lopez assinou para uma de suas gravadoras subsidiárias, a Epic Records. Lopez havia começado a gravar material para o seu álbum J. Lo (2001). De acordo com Irv Gotti, da The Inc. Records, Mottola sabia que a amostra de "Firecracker" iria ser usada pela cantora, e quis que Lopez usasse a mesma amostra antes dela. Na época, Mariah tornou-se cada vez mais paranóica sobre executivos de fora de sua gravadora sendo informados sobre Glitter, especialmente após a notícia de "roubo" de sua ideia por Lopez. Quando os publicadores de "Firecracker" foram perguntados sobre isto, eles declararam que Carey havia feito o pedido para usar a amostra antes de Lopez, que pediu mais de um mês depois, por intervio de Mottola. Após o escândalo, Carey não usou a amostra desejada, pois o álbum de Lopez seria lançado muito antes do que Glitter. Posteriormente, ela mudou a composição de "Loverboy", e incorporou uma nova amostra, "Candy" do grupo Cameo. Segundo Gotti, Mottola entrou em contato com ele com instruções para criar uma canção que soasse exatamente como outra faixa de Glitter, "If We", com os rappers Ja Rule e Nate Dogg. A amostra de "Firecracker" acabou por ser utilizada por Lopez na canção "I'm Real", do seu álbum J.Lo.
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