Orion, Orião, Órion ou Oríon é uma das oitenta e oito constelações modernas. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Orionis. Está localizada no equador celeste e, por este motivo, é visível em praticamente todas as regiões habitadas da Terra. A época mais favorável para sua observação se dá principalmente nas noites de verão no hemisfério sul, ou inverno no hemisfério norte, em dezembro e janeiro.Precessão UFRGS Baseado no livro ASTRONOMIA, de Kepler de Oliveira e Maria de Fátima, ISBN 9788578611873. Citação: "Por exemplo, atualmente Órion é uma constelação característica de dezembro, e o Escorpião é uma constelação característica de junho"
A constelação de Órion é notável pela presença de muitas estrelas brilhantes, que formam figuras de fácil reconhecimento. A gigante azul Rígel e a gigante vermelha Betelgeuse apresentam maior brilho e, juntamente com Bellatrix e Saiph compõem o quadrilátero principal. Em seu centro figuram Alnitak, Alnilam e Mintaka, três estrelas de brilho similar alinhadas que constituem o Cinturão de Órion, asterismo conhecido popularmente como Três Marias.
Órion também possui numerosos objetos do céu profundo, sobretudo nebulosas. A mais notável é a Nebulosa de Órion, única visível a olho nu que, a cerca de anos-luz, é uma das regiões de formação estelar mais próximas. A constelação também abriga outras nebulosas emblemáticas, incluindo a Nebulosa escura Cabeça de Cavalo e a Nebulosa da Chama, além de muitas outras nuvens que compõem o Complexo de Nuvens Moleculares de Órion. De fato, muitas das estrelas gigantes azuis originaram-se dessas nuvens moleculares e hoje iluminam o material remanescente.
A constelação abriga o radiante de uma chuva de meteoros denominada Oriônidas, cujo pico acontece no final de outubro quando a Terra cruza com os fragmentos deixados pelo cometa Halley.
Por ser um conjunto proeminente de estrelas, foram atribuídos vários significados à constelação por diversas culturas em todo o mundo. Sua denominação moderna provém do personagem da mitologia grega Órion, o caçador, que, segundo algumas versões, se apaixonou pela deusa Ártemis, mas foi morto por um escorpião e eternizado nos céus sob a forma de constelação. Órion figura na esfera celeste segurando um porrete na mão direita e uma pele de leão (ou escudo) no braço esquerdo.
Características frameless|400px|direita Órion é uma das oitenta e oito constelações modernas. É uma das constelações mais facilmente reconhecíveis pela quantidade de estrelas brilhantes presentes e a presença de asterismos facilmente distinguíveis. Estende-se por uma área de 594 graus quadrados na esfera celeste, correspondendo a somente 1,4% de todo o céu, sendo a vigésima sexta constelação em ordem de área. Em sentido horário limita-se com Gemini (Gêmeos), Taurus (Touro), Eridanus (Rio Erídano), Lepus (Lebre) e Monoceros (Unicórnio).
O equador celeste corta o centro da constelação, o que a torna visível em praticamente todas as regiões habitadas da Terra, desde a latitude 74°N até 67°S. A melhor época para observação da constelação é durante o mês de janeiro (inverno no hemisfério norte e verão no hemisfério sul). Uma das formas mais fáceis de se localizar Órion é encontrar o asterismo do Cinturão de Órion, popularmente conhecido como Três Marias, uma série de três estrelas alinhadas e igualmente espaçadas (Alnitak, Alnilam e Mintaka). Este asterismo situa-se no centro de um quadrilátero de estrelas brilhantes. Uma das estrelas mais brilhantes deste quadrilátero, chamada Betelgeuse, apresenta um brilho vermelho característico. No canto oposto, destaca-se Rígel com um brilho azulado. As outras duas estrelas são Bellatrix (próxima a Betelgeuse, sendo que estas duas formam os ombros do caçador) e Saiph (que, junto com Rígel, são seus pés ou joelhos). Um conjunto de estrelas de menor brilho enfileiradas pouco ao sul do cinturão constituem a espada de Órion. Próximo a Bellatrix uma série de estrelas forma o escudo do caçador, enquanto que, a partir de Betelgeuse, outras estrelas de menor brilho formam seu braço levantado. Ainda, pouco acima da linha entre Betelgeuse e Bellatrix, a estrela Meissa representa a cabeça do caçador.
Navegação A constelação de Órion, por estar repleta de estrelas brilhantes, pode servir como guia para se encontrar outras estrelas importantes no céu. Formando-se uma linha imaginária partindo de Rígel e passando por Betelgeuse encontra-se Pólux e Castor, as estrelas mais brilhantes de Gêmeos. As três estrelas do cinturão apontam para Sirius, a estrela mais brilhante do céu em Cão Maior e, na direção oposta, guiam até Aldebaran, uma estrela avermelhada em Touro. Outra linha, partido de Bellatrix e passando por Betelgeuse leva a Procyon, a principal estrela da constelação de Cão Menor. Betelgeuse, Sirius e Procyon formam o asterismo do Triângulo de Inverno (no hemisfério norte, verão no hemisfério sul), facilmente reconhecível.
Objetos celestes A constelação de Órion é notável pela diversidade de objetos celestes presentes. São muitas nebulosas presentes na constelação, incluindo a Nebulosa de Órion, a mais brilhante de todo o céu, visível a olho nu. Esta abundância deve-se à presença do Complexo de Nuvens Moleculares de Órion relativamente próximos ao nosso planeta. Estas nuvens também foram o material de origem de muitas das estrelas mais brilhantes da constelação. De fato, a constelação é abundante na quantidade de estrelas gigantes azuis, algumas das mais brilhantes visíveis, como Rígel e Bellatrix. Betelgeuse, uma gigante vermelha, também inclui-se nesta lista.
Estrelas miniatura|Betelgeuse fotografada pelo VLT do Observatório Europeu do Sul, onde distinguem-se o disco estelar e a nuvem de gás e poeira ao seu redor.
A constelação de Órion é notável pela quantidade de estrelas facilmente distinguíveis concentradas em uma região do céu. Uma das principais é Betelgeuse (Alfa orionis), uma estrela de primeira magnitude caracterizada por seu brilho avermelhado. De fato trata-se uma estrela supergigante vermelha que, se colocada no lugar do Sol, se estenderia para além da órbita de Marte. Sua extensão é tamanha que é possível distinguir seu disco estelar mesmo estando a 430 anos-luz de distância. São percebidas no disco estelar regiões com maior brilho e, ao seu redor, nuvens de gases e poeira, que são responsáveis pela variação errática do seu brilho. Sua coloração avermelhada e características indicam que Betelgeuse está num estado evolutivo avançado, quando o hidrogênio praticamente se exauriu de seu interior.
miniatura|esquerda|Órion, estando em seu centro o famoso asterismo das Três Marias. A estrela laranja no topo (seta) é Betelgeuse, à sua direita, Bellatrix, no canto inferior, descendo em linha reta, Rígel e, à sua esquerda, Saiph, que formam o quadrilátero principal da constelação. No topo da imagem, com brilho menor, Meissa Rígel, embora na designação de Bayer seja denominada Beta Orionis, é a estrela mais brilhante da constelação. Apesar de estar a quase o dobro de distância em comparação com Betelgeuse, a supergigante azul possui um notável brilho, vezes mais intenso que o brilho do Sol, apresentando uma magnitude visual de +0,13. Rígel possui ainda duas estrelas companheiras menores, ofuscadas pelo brilho da estrela principal. Ao lado de Rígel, a estrela Saiph (Kappa Orionis), de segunda magnitude, é de fácil reconhecimento. Também uma estrela supergigante, emite um brilho branco azulado. No entanto, apesar da distância e tamanho comparável, seu brilho é menor que de Rígel pelo fato de que boa parte da energia emitida pela estrela se encontra na faixa do ultravioleta. Bellatrix (Gama Orionis), de segunda magnitude é a terceira estrela mais brilhante da constelação, com aspecto branco azulado, classificada de acordo com suas características espectrais como uma estrela gigante com temperatura da ordem de K, embora seu tamanho seja substancialmente menor que as demais componentes do grupo, com apenas nove massas solares.
Eta Orionis, localizada a sudeste do cinturão principal, é na verdade um sistema quádruplo composto por duas estrelas massivas azuis, além de uma estrela menor que, ao eclipsar a estrela principal, causa uma queda de 0,15 na magnitude visual da estrela, bem como outra estrela mais afastada das demais. Sigma Orionis ao sul de Alnitak, é um sistema estelar múltiplo com brilho de quarta magnitude. O par principal (Sigma Ori A e B) é composto de duas estrelas gigantes azuis. Outro par (Sigma Ori D e E) são estrelas anãs menores, sendo que a última apresenta teor de hélio anormalmente alto. Sigma Ori C é uma anã com brilho fraco em comparação com as demais, de nona magnitude.
No catálogo de Bayer, Pi Orionis é composto de um conjunto de sete estrelas de brilho menor enfileiradas em sequência que formam o escudo de Órion. O grupo, no entanto, apresenta componentes bem distintos. Pi1 Orionis e Pi2 Orionis são estrelas anãs com magnitudes de 4,60 e 4,35, respectivamente. Pi3 Orionis, também é uma anã branca, situada a apenas 26 anos-luz da Terra. Pi4 Orionis, por sua vez, é um sistema binário composto por uma gigante e uma subgigante azul, a mais de 1 250 anos-luz de distância. Pi5 Orionis situa-se ainda mais longe, a 1 342 anos-luz. Por fim, Pi6 Orionis é uma estrela gigante laranja a quase mil anos-luz.
miniatura|Alnitak, Alnilam e Mintaka (da esquerda para direita) são os componentes do cinturão de Órion No entanto, uma das características mais distintas da constelação de Órion é o seu cinturão, formado por três estrelas similares alinhadas com aproximadamente a mesma distância visual. Mintaka (Delta Orionis) Alnilam (Epsilon Orionis) e Alnitak (Zeta Orionis) possuem um brilho similar branco azulado. No entanto, Mintaka e Alnitak são sistemas binários com distância de aproximadamente 800 anos-luz. Alnilam, por sua vez, situa-se a mais de anos-luz da Terra e, mesmo assim, é a mais brilhante do trio por ser uma supergigante azul, que supera em vezes a luminosidade do Sol.
Ao sul do cinturão de Órion situa-se outro asterismo, a espada de Órion, com algumas estrelas de menor brilho visualmente enfileiradas. A mais proeminente é Hatysa (Iota Orionis), com uma magnitude aparente de +2,77, mesmo estando a mais de anos-luz de distância. Na verdade trata-se de um sistema quádruplo do qual o principal componente é uma supergigante azul, orbitada por uma estrela menor, mas também gigante e azul, além de outras duas estrelas de menor porte. Iota Orionis é o componente mais brilhante do aglomerado aberto NGC 1980, que contém cerca de duas mil estrelas e está localizado próximo à Nebulosa de Órion, situando-se pouco a frente da mesma, a cerca de mil anos-luz de distância. As duas principais estrelas do sistema Iota Orionis são binárias espectroscópicas, cuja órbita excêntrica seria resultado de encontro de outros dois sistemas binários, sendo que outros dois componentes dos antigos sistemas, AE Aurigae e Mu Columbae foram gravitacionalmente arremessadas em direções opostas para fora do conjunto, passando a ser estrelas em fuga. Nas proximidades estão Theta1 Orionis e Theta2 Orionis sendo que a primeira, quando observada por um instrumento óptico, revela-se como sendo na verdade quatro estrelas que constituem o Alglomerado do Trapézio, um conjunto de estrelas azuis e massivas recém-formadas a partir do material da nuvem molecular circundante, a Nebulosa de Órion.
miniatura|Meissa (mais brilhante no centro) e outras estrelas azuis que fazem parte do aglomerado aberto Collinder 69. Abaixo, também azul, a estrela Phi1 Orionis e abaixo a esquerda, amarela, Phi2 Orionis.