Andréa Vianna Beltrão (Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1963) é uma atriz e produtora brasileira. Considerada uma das melhores atrizes do Brasil, tendo sido indicada ao Emmy. Artista de inúmeras facetas e versátil, iniciou sua carreira nos palcos do Tablado e, mais tarde, tornou-se popular na televisão e no cinema. Beltrão é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Grande Otelo, um Trofeu Imprensa, dois APCA, três Prêmios Shell e três Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido indicada a oito Prêmios Guarani e um Emmy Internacional.

Beltrão fez sua estreia profissional na peça de comédia O Auto da Compadecida (1976) no papel de João Grilo. Desde então, tornou-se uma operária do teatro integrando diversas companhias teatrais e atuando em peças de aclamação da crítica. No teatro, destacou-se em Senhorita Júlia (1991), Memória da Água (2001), A Prova (2002), pela qual venceu o Prêmio Shell, Sonata de Outono (2005), As Centenárias (2007), que rendeu seu segundo Shell, Nômades (2014) e Antígona (2016), pela qual recebeu um APCA.

Na televisão, sua estreia ocorreu em 1982 em uma participação na novela Elas por Elas, da TV Globo. Em telenovelas, Beltrão teve personagens marcantes em Rainha da Sucata (1990), Pedra Sobre Pedra (1992), Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994), Vira Lata (1996), Era Uma Vez... (1998), As Filhas da Mãe (2001), Um Lugar ao Sol (2021) e No Rancho Fundo (2024). No entanto, foi nas séries, especial de comédia, que ganhou mais destaque, como em Armação Ilimitada (1985), A Madona de Cedro (1994), A Grande Família (2002–09), Som & Fúria (2009), Tapas & Beijos (2011–15), pela qual venceu um Prêmio Qualidade Brasil, e Hebe (2019), que lhe rendeu a indicação ao Emmy Internacional de Melhor Atriz.

Beltrão, mais uma vez nomeada ao Grande Otelo de Melhor Atriz em 2023, atingiu sua 12.ª indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, tendo vencido uma vez por sua atuação em Hebe: A Estrela do Brasil (2019). No cinema, é reconhecida pela versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque para Minas-Texas (1989), O Escorpião Escarlate (1990), Pequeno Dicionário Amoroso (1997), A Partilha (2001), Jogo de Cena (2007), Verônica (2009), Salve Geral (2009), Sob Pressão (2016), Albatroz (2018), Verlust (2020) e Ela e Eu (2022).

Carreira

1978—89: Formação e primeiros trabalhos Andréa iniciou sua carreira nos palcos do renomado teatro O Tablado, fundado por Maria Clara Machado, com apenas 14 anos de idade. Em sua estreia profissional, interpretou João Grilo numa montagem do clássico O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Em seguida, a atriz passou a integrar o elenco de diversos grupos teatrais. Participou por três anos do grupo Arco da Velha, apresentando espetáculos em orfanatos e hospitais infantis. No início da década de 1980, ingressou no Manhas e Manias, grupo teatral do diretor José Lavigne, onde também atuava Débora Bloch, Chico Diaz e Pedro Cardoso. Em entrevistas, Andréa revela não saber ao certo como se deu o início de sua carreira profissional. Segundo a atriz, com os grupos teatrais, ela trabalhou em diversas produções, incluindo teatro de rua, com montagens no Brasil inteiro. Ela ainda participou do Manhas de Cabaré, grupo que promoveu a reforma do teatro Gláucio Gil com espetáculos de dança, música e cursos de teatro.

Em 1980, estreia na peça Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, interpretando "Neuzinha", sob a direção de Carlos Vicente, espetáculo que narra a jornada de uma família que deixa o sertão de Minas Gerais e busca sobreviver em uma capital impulsionada pelo consumo. No mesmo ano, atua na peça infantil João e Maria, de Maria Clara Machado, compondo o elenco dos três sapos da trama. Em 1981, colaborou com o grupo teatral Manhas e Manias na produção de Brincando com o Fogo, protagonizado por ela e pelo ator Pedro Cardoso, sob a direção de José Lavigne. Em 1982, destacou-se como protagonista em duas peças teatrais: Zíper Aberto e O Dragão. Também neste ano, fez sua estreia na televisão na novela Elas por Elas (1982), escrita por Cassiano Gabus Mendes, com uma breve participação como "Regina", amiga da personagem Cris (interpretada por Thaís de Campos). Em 1983, voltou aos palcos com as peças Teatro Enredo e Recordações do Futuro, ambas dirigidas por José Lavigne para o grupo teatral Manhas e Manias. miniaturadaimagem|240x240px|Beltrão e o ator Paulo Leão em uma peça de teatro em 1985. Em 1984, foi convidada para fazer um teste de elenco para a novela Corpo a Corpo, escrita por Gilberto Braga, junto com as atrizes Malu Mader, Luiza Tomé e Lília Cabral, que também estavam em início de carreira na televisão. As quatro atrizes foram aprovadas e chamadas para o elenco da novela. Beltrão foi escalada para o papel de "Ângela", retratada como a noiva de "Rafael" (Lauro Corona) no início da trama, uma jovem bonita e doce, porém passiva e sem grande determinação. Após perder o pai em uma enchente em Blumenau, Santa Catarina, ela segue para o Rio de Janeiro com o noivo. A personagem concentra sua energia na relação com Rafael, que não a ama e a trata como um fardo que precisa suportar com resignação.

Neste mesmo ano, ela fez sua estreia no cinema com uma participação especial no filme musical Bete Balanço, dirigido por Lael Rodrigues e estrelado por Débora Bloch, no qual interpreta uma dançarina. Mas foi no filme de aventura Garota Dourada (1984), de Antônio Calmon, que teve seu primeiro grande papel no cinema. Co-estrelando ao lado de André de Biase e Bianca Byington, ela interpretou "Glória". Nos palcos, atua em uma montagem do texto O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, dirigida por Buza Ferraz.

Seu próximo papel, em 1985, marcou definitivamente sua carreira: interpretar a jornalista "Zelda Scott" na série Armação Ilimitada, criada por Antônio Calmon, Euclydes Marinho, Patrycia Travassos e Nelson Motta, com direção de Guel Arraes. Na série, "Zelda" estava envolvida em um triângulo amoroso com os esportistas Juba (Kadu Moliterno) e Lula (André de Biase), que compartilhavam uma casa com Bacana (Jonas Torres), um ex-menino de rua. A série, conhecida por sua linguagem anárquica que combinava elementos do cinema, música, história em quadrinhos e videoclipes, foi um marco na televisão brasileira, retratando com humor as aventuras dos jovens protagonistas. Permaneceu no ar por quatro temporadas, chegando ao fim em dezembro de 1988. Neste ano ainda, integra o elenco coadjuvante do filme O Rei do Rio, de Fábio Barreto, no papel de "Taís", e faz uma participação especial na comédia Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez, de Ivan Cardoso, como "Andréa". Além do mais, é dirigida por Antônio Grassi na peça Sapomorfose.

Em 1986, estrela com Jacqueline Laurence o espetáculo Ação Entre Amigos, que trazia Paulo Betti na direção com texto de autoria de Márcio Souza. Também em 1986, recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema do Rio por sua performance em As Sete Vampiras, uma comédia dirigida por Ivan Cardoso. Esta foi a segunda colaboração da atriz com o cineasta. Neste ano ainda, atua no segundo filme da trilogia do rock brasileiro dos anos 80 do diretor Lael Rodrigues, Rock Estrela, no papel de "Mary Louca", estrelando o filme com Diogo Vilela, Malu Mader, Léo Jaime e Vera Mossa.

Em 1987, atua em A Cor do Seu Destino, drama dirigido por Jorge Durán que aborda o exílio de brasileiros no exterior durante a ditadura militar sob a ótica da história de vida do personagem "Paulo" (Guilherme Fontes). No filme, que conta ainda com Norma Bengell, Chico Díaz e Julia Lemmertz no elenco principal, ela interpreta "Helena", a namorada do personagem protagonista. No mesmo ano, interpreta Marta no curta-metragem O Bebê.

Em 1988, retoma sua parceria com Paulo Betti no teatro, estrelando o espetáculo O Amigo da Onça, escrito por Chico Caruso e Nani, ao lado do ator Sérgio Mamberti. Em 1989, atua na peça A Estrela do Lar, de Mauro Rasi. Estrelada por Marieta Severo, a peça conta a sátira de uma família suburbana e seus sonhos e desejos frustrados, alicerçados na matriarca da família (Marieta). A obra marca também o início de uma amizade e parceria artística entre Andréa Beltrão e Marieta Severo, com quem trabalhou inúmeras vezes. Também neste ano, protagoniza com José Dumont o filme de aventura Minas-Texas, de Carlos Alberto Prates Correia. No filme, seu papel é o de "Januária", uma jovem que nutre uma fantasia romântica pelo peão "Roy" (Dumont). Ela se rebela contra um casamento arranjado e decide abandonar seu noivo no altar para formar um grupo, tornar-se fazendeira e experimentar diversos amores, enquanto aguarda o retorno do seu amado. Sua atuação no filme lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Brasília.

1990—99: Consolidação na televisão e protagonismo nas telenovelas Após o fim de Armação Ilimitada, Andréa ficou um ano sem realizar trabalhos na televisão. Em 1990, foi convidada por Sílvio de Abreu e Jorge Fernando para o elenco da novela Rainha da Sucata, sendo eles o autor e o diretor da novela, respectivamente. A produção dessa novela foi realizada para comemorar os 25 anos da TV Globo e reuniu os grandes astros da teledramaturgia brasileira em homenagem. Na trama, interpreta "Ingrid de Bresson", filha de "Isabelle" (Cleyde Yáconis), que retorna com ela da Europa. "Ingrid" é descrita como uma personagem viva, esperta, animada, de ótimo caráter, que expressa suas ideias e influencia as pessoas ao seu redor. Ela tem um grande interesse em descobrir o verdadeiro Brasil e, apesar de ter interrompido seus estudos de sociologia na Sorbonne para vir para o Brasil, continua demonstrando uma curiosidade ingênua ao fazer perguntas às pessoas. Sua aparição ocorre somente após o capítulo 30. Ainda nesse ano, estreou nos cinemas brasileiros a comédia O Escorpião Escarlate, dirigida por Ivan Cardoso, com Andréa protagonizando o papel da estilista "Glória". Sua atuação nesse papel lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema e TV de Natal.

Em 1991, protagoniza a peça Senhorita Júlia com José Mayer, uma adaptação do texto de August Strindberg dirigida por William Pereira. O drama conta, em estilo naturalista, a trágica história da breve relação entre a jovem aristocrata "Júlia" (Beltrão) e seu serviçal "Jean", durante uma noite de verão. Os temas das classes sociais, do amor e da luta entre os sexos são elementos essenciais desta tragédia. Atuou em uma participação especial no filme de comédia Vai Trabalhar, Vagabundo II (1991), dirigido por Hugo Carvana, aparecendo como uma amiga do personagem central "Edu". Sua pequena participação foi elogiada pela crítica, sendo premiada como Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema de Brasília.

Em 1992, volta às novelas em Pedra sobre Pedra, escrita por Aguinaldo Silva para o horário das nove da TV Globo. Ela interpreta a mística "Úrsula", a filha mais nova da vilã "Gioconda" (Eloísa Mafalda), cuja saúde é frágil. Por causa disso, ela se casa com o farmacêutico "Diamantino" (Ênio Gonçalves), mas o casamento não resolve seus problemas e eles se separam. "Úrsula" desenvolve um lado místico, tornando-se especialista em cristais, uma forma de comunicação com o além. É ela quem faz o primeiro contato com o espírito do fotógrafo "Jorge Tadeu" (Fábio Júnior).

Em 1993, é escalada para o remake Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, para interpretar a espirituosa "Tônia". Na trama, ela é filha de "Zé Pedro" (Carlos Zara), irmã de "Reginho" (Fabrício Bittar) e namorada de "Juca". Sua personagem é dona de um bazar e é uma mulher forte, decidida, que não hesita em confrontar os poderosos, buscando justiça a qualquer custo e lutando pelos mais vulneráveis. Também esteve em Radical Chic, um híbrido de programa humorístico e game show apresentado por Maria Paula Fidalgo, onde Andréa interpretava a personagem "Radical Chic" em diversas esquetes. esquerda|miniaturadaimagem|240x240px|Andréa como "Lisa" em A Viagem, 1994.