Luzerna (nomenclatura oriunda de Portugal,SILVA, Antonio Arthur Baldaque da. Estado actual das pescas em Portugal: comprehendendo a pesca maritima, fluvial e lacustre em todo o continente do reino, referido ao anno de 1886. Editora Imprensa nacional. Oxford. 1892. 519 páginas. bola de luz) é um termo que está ligado a uma lenda comum do interior do Nordeste do Brasil transmitida pela tradição oral através dos tempos, e que é usado popularmente para designar luzes globulares que flutuam em uma velocidade pequena, pelas estradas e caminhos se digladiando a noite inteira (batendo uma contra a outra).SANTOS, José Marcio Mateus dos. Mitos e folclores de Tobias Barreto. Tobiasbarreto.wordpress. 2016.BARRETO, Luiz Antônio. A luzerna de Itabaiana. Serigy. Sergipe. 2010. O fenômeno chamado de luzerna é bastante confundido em algumas obras com outro fenômeno chamado fogo-corredor.MORAIS FILHO, Melo. Palácio da mão d'água. In: mitos e poemas: nacionalismo. Rio de Janeiro. Tipografia de G. Leuzinger & Filhos. 1884, p.15-13.

Etimologia e origem

miniaturadaimagem|Gravura de uma luzerna entrando pela janela para perseguir pessoas (1901) As luzernas no imaginário popular nordestino seriam as almas de dois compadres que morreram sem se falar. Por conta disso, essas almas estariam amaldiçoadas à viverem como luzes globulares em conflito (guerreando pelas estradas) até que consigam fazer as pazes ou explodam como fogos de artifício, liberando um odor de enxofre.

A lenda nordestina mescla duas outras lendas: termo luzerna tem origem portuguesa, como um mito popular de pescadores que afirmavam ver luzes que flutuam no céu, e a lenda de que pessoas se transformam nessas luzes certamente se origina da variação dos mitos dos povos amerindios,ORICO, Osvaldo. Mitos amerindios: Sobrevivencias na tradição e na literatura brasileira. 2° Edição. São Paulo editora limitada. São Paulo. 1930. 195 páginas. onde a luzerna seria uma entidade sobrenatural:"(...) E, afinal, transtormou-se numa luzerna, clarão sem chamas, fogaréu azulado, desprendido dos olhos que ainda estavam vivos nela. Foi assim e foi por isso que os homens, quando viram a boi-guaçu tão demudada, não a conheceram mais."

Explicação científica Assim como toda lenda é uma narrativa fantasiosa que combina fatos reais e históricos com fatos irreais que são meramente produto da imaginação aventuresca humana, as luzernas realmente existem e se tratam de fenômenos elétricos chamados raios globulares. Esse fenômeno se tornou lenda: até os anos 1960, a maioria dos cientistas argumentavam que raio globulares não eram um fenômeno real, apesar de inúmeras aparições.

Tem sido sugerido que um raio globular é baseado em oscilações não lineares esfericamente simétricas de partículas carregadas no plasma - o análogo de um solitão de Langmuir espacial. Essas oscilações foram descritas tanto por teorias clássicas como teorias quânticas. Verificou-se que as oscilações de plasma mais intensas ocorrem nas regiões centrais de um raio globular. Porém, dados científicos sobre os raios globulares naturais ainda são escassos, devido à sua raridade e imprevisibilidade.

Ver também

Anchimallén Fogo de São Telmo Fogo fátuo Foo fighter

Referências

Categoria:Folclore do Brasil