Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (São Luís, — Rio de Janeiro, ), também conhecido como Artur Azevedo, foi um escritor, dramaturgo, poeta, contista, prosador, comediógrafo, crítico, cronista e jornalista brasileiro. Ao lado de seu irmão, o escritor Aluísio Azevedo, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Tendo escrito milhares de artigos sobre eventos artísticos e encenado mais de cem peças no Brasil e em Portugal, Azevedo foi um dos maiores defensores da criação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, cuja inauguração ocorreu meses depois de sua morte.

Suas peças mais conhecidas são A Joia, A Capital Federal, A Almanjarra, O Mambembe, entre outras. Três teatros no Brasil foram batizados com o seu nome: o Teatro Arthur Azevedo de São Luís, Maranhão, sua cidade natal, o Teatro Arthur Azevedo da cidade de São Paulo, e o Teatro Arthur Azevedo da cidade de Rio de Janeiro.

Biografia Artur Azevedo era filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães. Aos oito anos, Azevedo já dava indícios de inclinação às atividades teatrais, adaptando de forma amadora textos de Joaquim Manuel de Macedo e, posteriormente, criando peças próprias, que representava. Aos 15 anos, escreveu a obra teatral Amor por Anexins, que alcançou êxito regional e nacional.

miniatura|280x280px|Coelho Netto "operando" Artur de Azevedo, numa encenação que imita a Lição de Anatomia de Rembrandt - com Olavo Bilac (que assina), entre outros intelectuais que formaram o grupo fundador da ABL.

Devido a discordâncias com a administração provincial, Azevedo concorreu a um concurso aberto para vagas de amanuense da Fazenda. Sendo classificado, ele se transferiu para a capital federal, à época o Rio de Janeiro. Lá, ficou empregado no Ministério da Agricultura e no Colégio Pinheiro, onde lecionava português. Foi nesse período em que iniciou sua carreira jornalística, fundando diversos periódicos literários, como A Gazetinha, Vida Moderna e O Álbum. Junto a Machado de Assis, colaborou em A Estação e, com Alcindo Guanabara, Moreira Sampaio, Olavo Bilac e Coelho Neto, no jornal Novidades.

Defendeu a abolição da escravatura tanto em artigos de jornal como em obras dramáticas, como O Liberato e A Família Salazar, sendo que esta última, escrita com Urbano Duarte, foi publicada sob o título de O Escravocrata.

Foi por insistência de Artur Azevedo, principalmente através de seus artigos na imprensa, que, em 1895, foi aprovada a lei que previa a construção de um teatro municipal no Rio de Janeiro.

Tinha o teatrólogo a convicção de que somente a construção desse teatro poria fim à má fase em que se encontravam as artes cênicas na segunda metade do século XIX. A criação da lei traria resultado somente em 1904, quando foi aberto concurso para a construção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Arthur Azevedo, que sustentou a campanha vitoriosa para construção do Teatro, não assistiria à sua inauguração em 14 de julho de 1909, pois faleceu nove meses antes. Antes de sua morte, foi um crítico mordaz do pano de boca do Theatro Municipal, pintado por Eliseu Visconti.

Faleceu aos 53 anos no Rio de Janeiro e foi sepultado no Cemitério do Caju.

Bibliografia TeatroNEVES, Larissa de Oliveira. Referências bibliográficas de Artur Azevedo. Remate de Males, Campinas, SP, v. 28, n. 1, p. 121–127, 2012. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/remate/article/view/8635940. Acesso em: 3 fev. 2026.

Carapuças (1871) À Porta da Botica (1871) Amor por Anexins (1872) A Filha de Maria Angu (1875) Horas de Humor (1875) Uma Véspera de Reis (1876) A Casadinha de Fresco (1876) Abel, Helena (1877) A Pele do Lobo (1877) Nova Viagem à Lua (1877) Um Dia de Finados (1877) A Joia (1879) A Princesa dos Cajueiros (1880) O Califa da Rua do Sabão (1880) Os Noivos (1880) O Liberato (1881) A Mascote na Roça (1882) Uma Noite em Claro (1884) Herói à Força (1886) O Barão de Pituaçu (1887)

A Almanjarra (1888) O Homem (1888) Viagem ao Parnaso (1891) Entre o Vermute e a Sopa (1895) O Major (1895) Revelação de um Segredo (1895) A Fantasia (1896) A Capital Federal (1897) O Badejo (1898) O Jagunço (1898) Gavroche (1899) A Viúva Clark (1900) Comeu! (1902) O Retrato a Óleo (1902) A Fonte Castália (1904) O Mambembe (1904) Entre a Missa e o Almoço (1907) O Dote (1907) O Oráculo (1907)

Colaborações O Rio de Janeiro em 1877 (com Tomás Lino d'Assunção, 1877) Os Doidos (com Aluísio Azevedo, 1879) A Flor de Lis (com Aluísio Azevedo, 1882) Casa de Orates (com Aluísio Azevedo, 1882) O Escravocrata (com Urbano Duarte, 1884) O Mandarim (com Moreira Sampaio, 1884) Cocota (com Moreira Sampaio, 1885) O Bilontra (com Moreira Sampaio, 1886) Mercúrio (com Moreira Sampaio, 1887) O Carioca (com Moreira Sampaio, 1887) A República (com Aluísio Azevedo, 1889) Fritzmac (com Aluísio Azevedo, 1889)

Contos e poesias Sonetos (1876) Contos Possíveis (1889) Contos Fora de Moda (1894) Contos Efêmeros (1897) Contos em Verso (1898) Rimas (1909) Contos Cariocas (1928) Vida Alheia (1929) Histórias Brejeiras (1962) Contos (Ed. Três, 1973) Contos Ligeiros (1974) Plebiscito e Outros Contos (1993)

Academia Brasileira de Letras Foi um dos fundadores do Silogeu Brasileiro, onde ocupou a cadeira 29, que tem por patrono Martins Pena.

Ligações externas

Perfil no sítio da Academia Brasileira de Letras, Em web.archive.org . Bibliografia, ABL, Em web.archive.org . Biografia, ABL, Em web.archive.org . Contos fora da moda, edição de 2018, por Cadernos do Mundo Inteiro. Uma boa parte dos contos de Artur Azevedo está disponível gratuitamente em formato virtual .pdf , em www.dominiopublico.gov.br .

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