Carvalhosa é uma vila portuguesa sede da Freguesia de Carvalhosa do Município de Paços de Ferreira, freguesia com 5,97 km² de área e 4514 habitantes (censo de 2021), tendo, assim, uma densidade populacional de .

A povoação de Carvalhosa foi elevada à categoria de vila em em 9 de dezembro de 2004.

A Freguesia de Carvalhosa confina a norte com as freguesias de Eiriz e Sanfins, Lamoso e Codessos, a sul com as freguesias de Paços de Ferreira e Meixomil, a nascente com as freguesias de Figueiró, Freamunde e Ferreira, e a poente com Eiriz e Meixomil.

Demografia A população registada nos censos foi:

Distribuição da População por Grupos Etários Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos2001 957 667 2264 3692011 866 639 2604 4742021 634 562 2636 682

História Em termos arqueológicos, as prospecções aqui realizadas, dizem-nos que este território foi habitado desde tempos imemoriais, até porque reunia todas as condições propícias à fixação desses povos na região. No seu perímetro físico foram identificados o Castro de São Domingos, na fronteira com as freguesias vizinhas de Ferreira e Paços de Ferreira, e as necrópoles de São Roque e de Peias.

No Castro foram identificados vestígios de muralhas defensivas, alguns fragmentos de cerâmica de pasta grosseira e fabrico manual, anterior à romanização e algumas ânforas romanas. Embora não tenha sido estudado exaustivamente como seria exigível, os estudos até agora realizados levam a supor ter sido um local com algum relevo à época e com um razoável tempo de ocupação.

A Necrópole de São Roque que foi descoberta em 1952, a quando da abertura de uma estrada, contribuiu com imenso espólio para o estudo dos povos que remotamente povoaram este espaço. Foram descobertas algumas sepulturas com oferendas diversificadas e casas e fornos, identificativos de um núcleo habitacional ligado a uma necrópole. Do espólio recolhido, que se encontra disperso em colecções particulares, merecem destaque onze peças intactas de cerâmica comum, cinco jarros, dos quais se destacam três por terem bocal trilobado, três bilhas de embocadura de anel côncavo e dois copos, tudo em cerâmica.

De Peias, onde foi encontrado algum espólio ocasional (um jarro e duas bilhas) pouco se sabe. Dizem que neste lugar teria existido uma necrópole, embora tudo continue envolto em muitas duvidas. São precisas novas prospecções para uma identificação correta do local.

Carvalhosa é povoação muito antiga, cuja existência, segundo documentos medievais, se confunde com a fundação da nacionalidade. Por essa altura (séc. X/XII) pertencia à Terra de Sousa (área situada entre os vales do Tâmega e Ferreira), cuja tenência era exercida pela família dos Sousas, como recompensa dos serviços prestados ao rei. Nos começos do séc. XIII, nas Inquirições de 1220 (inquérito patrimonial régio), toda esta região onde Carvalhosa estava incorporada, aparece abrangida pela designação comum de Terra de Ferreira (área situada entre os rios Sousa e Ferreira). Novo ordenamento que resulta das alterações políticas ocorridas no séc. XII, durante o reinado de D. Afonso II (1210 – 1223), quando se procura recuperar para a Coroa a autoridade pública que se tinha perdido a favor das famílias nobiliárquicas. Intensas lutas de interesses se desenvolveram durante o reinado de D. Sancho II (1223 – 1248) e se prolongaram pelo de seu filho D. Afonso III (1248 – 1279). Mas é com este monarca que o poder régio é instituído, conduzindo tal facto a um novo reordenamento administrativo do reino. Por isso, o concelho de Paços de Ferreira, nas Inquirições de 1258, passa a integrar-se em dois julgados (de Refojos e Aguiar de Sousa). Carvalhosa ficaria no Julgado de Aguiar de Sousa e na Arquidiocese de Braga.

Em 1835, passou a pertencer ao Termo do Porto e a depender da sua Câmara Municipal. Com a criação do concelho de Paços de Ferreira, em 1836, passa a ser parte integrante deste município, até aos dias de hoje.

Lugares A Vila de Carvalhosa, numa alusão clara ao seu passado rural, encontra-se dividida em vários lugares, sendo que a população Carvalhosense ainda hoje se identifica mais com estes topónimos do que com os nomes das atuais ruas. Os lugares de Carvalhosa são os seguintes:

Aldeia Nova Aldozinde Alminhas Alto dos Grilos Baiuca Bande Barreiras Boavista Carral Cruz Cruzeiro Fábrica Facho Fontão Fonte Boa Fontelas Igreja Lamelas Monte Monte Gonçalo Moinho Velho Peias Raivosa Real Sanguinhais São Domingos São Roque Vila Cova

Património Igreja Matriz thumb|left|300px|Igreja Matriz de Carvalhosa (Fachada Principal) A Igreja Matriz de Carvalhosa é um templo de arquitetura única em Portugal. De planta retangular composta por duas naves, cabeceira com duas capelas, anexos adossados a ambos os lados e torre sineira adossada ao lado direito, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço de madeira, de execução recente e escassamente iluminada por janelas retilíneas novecentistas e por janelas em capialço de execução seiscentista. Fachada principal em empena simples, com dois eixos de vãos, compostos por duplo portal axial, do tipo dintelado, encimado por duas janelas retilíneas e um nicho central com imagem gótica do padroeiro São Tiago Maior. No lado direito, a torre sineira novecentista, mas efetuada segundo modelos do séc. XVII, de dois registos, com ventanas de volta perfeita e cobertura em coruchéu piramidal revestido a cantaria. Fachadas rematadas em cornija, as laterais rasgadas por portas travessas de verga reta. Interior com duas naves divididas por arcada de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, dando origem à nave e capela paroquial e a uma nave e capela da Irmandade do Santíssimo. Possui coro-alto de madeira de feitura recente e capela batismal no lado da Epístola. Possui estruturas retabulares de talha, executada em épocas diversas, duas maneiristas na nave, a da capela-mor, rococó, e a da Capela do Santíssimo, neoclássica. A Capela-mor é revestida de azulejos do séc. XVII. Destaque, ainda, para a Árvore de Jessé, um importante trabalho, do séc. XVIII, com grande significado iconográfico. A Igreja encontra-se rodeada por 14 cruzeiros, formando uma Via Sacra completa, com alguns exemplares datados do séc. XVIII.

Capela de Santa Luzia Arquitetura religiosa, setecentista (1703). Capela de planta retangular de espaço único iluminada unilateralmente, por fresta rasgada na fachada lateral esquerda, junto à zona do altar-mor. Fachada principal em empena e com portal de verga reta, dintelado. Interior com simples mesa de altar e nicho na prede testeira.

Mosteiro de Bande (Carmelo) Em Bande encontra-se o Carmelo do Imaculado Coração de Maria, um mosteiro de Irmãs Carmelitas Descalças e que possui, ainda, uma hospedaria monástica para todos aqueles que pretendam descansar ou realizar um pequeno retiro.

Capela do Senhor do Lírio Escuro Situada em pequena elevação, à qual se pode aceder da rua do Senhor do Bonfim por um caminho de terra batida, esta capela que recentemente sofreu restauro, foi mandado edificar por António Ferreira Neto, que morava no lugar do Outeiro e era Comissário do Rei, no séc. XVIII. É uma capela muito simples, sem grandes elementos arquitetónicos. Toda ela com cantaria à vista tem fachada principal com empena triangular rematada por uma torre sineira de recente colocação e do lado esquerdo uma fresta característica do século da sua construção. No interior possui um pequeno altar em cantaria e uma bela imagem do Senhor do Lírio.

O principal destaque vai para uma coluna em granito existente no exterior da capela, perto da porta, que teria servido como suporte de um cruzeiro, na qual foram gravadas em relevo uma caveira e duas tíbias em cruz.

Casa do Fontão / Capela de São Bento A Casa de Fontão, é uma solarenga moradia do séc. XVIII (infelizmente a precisar que alguém ou alguma entidade ponha cobro à sua degradação), que pertenceu a António Carneiro Leão, Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Anexa à casa está a Capela de São Bento, construída em 1733, a expensas de António Carneiro Leão, para que seus pais já idosos não tivessem de se deslocar à Matriz. Exteriormente é uma Capela simples sem grandes preocupações arquitetónicas. Vale pelo seu interior onde se destacam vários elementos decorativos tais como: um retábulo barroco com pinturas e talha rocaille, com decoração à base de pássaros, anjos e cachos de uvas; duas imagens, uma de Nossa Senhora da Aparecida e outra de São Francisco de Assis; e cinco sepulturas talhadas no chão, cobertas por taburnos.

Casa da Botica (ou Casa da Ponte) Esta brasonada Casa da Botica, erigida no séc. XVIII, foi pertença dos Botelhos-Brandões, família de grandes posses, de cujo seio saíram vários sacerdotes e Oficiais de Ordenanças. Também conhecida por Casa da Ponte, o nome de Casa da Botica acabou por se sobrepor por nela ter existido, durante muito tempo, a única Botica (farmácia) das redondezas.

No séc. XVIII era uma casa com grande opulência, a ela pertencia a generalidade das terras das redondezas. Contudo na primeira metade do século seguinte, a má administração financeira do seu proprietário, o Capitão José Joaquim Brandão, levou a que todos os seus bens fossem penhorados, os quais posteriormente foram divididos e vendidos em hasta pública a terceiros.

Ponte Joanina Situada a cerca de 150 metros da Casa da Botica, esta ponte Joanina, sobre o rio de Carvalhosa, terá sido construída no reinado de D. João V (século XVIII) por forma a facilitar o atravessamento do rio por parte daqueles que, provenientes de terras mais a norte, como Guimarães e Vizela, demandavam o litoral, sobretudo o Porto.

Construída totalmente em pedra bem aparelhada e em estilo românico, tem um só arco circular, possuindo igualmente, do lado norte uma abertura retangular, para permitir a passagem das águas de uma levada paralela ao rio.

Atualmente encontra-se inserida numa via de utilização rural e está a necessitar de um pouco de atenção para que não se venha a perder este interessante monumento.

Monumento aos Párocos Colocado no largo da Igreja Matriz, com o intuito de homenagear todos os párocos que já passaram pela freguesia, esta escultura contemporânea, é da autoria do escultor concelhio de seu nome José Carlos Nogueira.

Pode ainda também ser contemplado como o “Monumento À Vida”, hoje somos crianças para aprender, amanhã o adulto para ensinar e depois do amanhã o ancião que sabe confiar na geração futura e entrega o cajado à juventude.

Este Monumento pretende também ser um monumento à cultura, “O livro” ,“A Palavra” ,“Good”, onde cada um efetua a sua própria leitura de sempre atual.

Simbologia do Brasão Quatro Castelos *Símbolo de Vila Cruz da Ordem dos Templários *Testemunho da existência da povoação de Carvalhosa ao tempo da nacionalidade. É também prova da presença desta ordem em Carvalhosa. A Igreja Matriz possui várias pedras espalhadas pela sua construção com o este símbolo e que atesta a grande fé deste povo. As espigas douradas *Representam a riqueza da terra que alimentou este povo ao longo dos séculos. A sua folhagem verde representa a esperança do povo no progresso. A roda dentada *Símbolo da indústria, hoje a atividade dominante em Carvalhosa. A ponte e o arco de prata *Símbolo da antiguidade e a beleza do património, que se pode admirar na construção dos sete arcos existentes na Igreja matriz. A ponte símbolo de passagem. Por Carvalhosa passavam as gentes do Norte nas suas idas para o litoral, nomeadamente as gentes das zonas de Guimarães e arredores. É também símbolo de viagem e de imigração.

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