A Igreja Católica na Tanzânia é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Ainda que não seja um país que costuma aparecer nas listas de perseguição aos cristãos, há tensões com os muçulmanos. A Tanzânia é marcada por uma política de expansão agressiva do islã fundamentalista, promovida por países produtores de petróleo. As áreas costeiras, o norte da parte continental e a ilha de Zanzibar já são majoritariamente muçulmanos. O relatório de 2020 da Missão Portas Abertas registrou aumento nos ataques a igrejas e cristãos, em relação ao publicado em 2019. Essa realidade ocorre em todas as comunidades cristãs tanzanianas. Em áreas dominadas pelo islã, os ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo são os mais afetados. A ameaça de grupos islâmicos violentos na ilha de Zanzibar vem diminuindo, mas a pressão no continente em áreas onde os muçulmanos são dominantes não. Nos últimos tempos, o governo começou a pressionar as igrejas.
História Os padres agostinianos que acompanharam Vasco da Gama desembarcaram em Zanzibar em 1499. A ilha permaneceu sob o domínio português até os árabes tomarem o controle e expulsar todos os padres em 1698. A atividade missionária católica cessou a partir deste ano até 1860, quando chegaram três padres e seis irmãs. Zanzibar desempenhou um papel importante no início da Igreja na África Oriental, porque os primeiros missionários da Tanganica e Quênia iniciaram seus trabalhos vindos de lá. Os padres espiritanos, que chegaram à ilha em 1863, formaram a primeira missão católica na Tanzânia cinco anos depois e foram confiados à região em 1872.
thumb|left|250px|Primeira igreja católica da África Oriental, construída por escravos, no período colonial.
As ilhas pertenciam ao Vicariato Apostólico de Zanzibar, erigido em 1906, e depois à Diocese de Mombaça e Zanzibar, criada em 1955, cujo bispo residia em Mombaça, no Quênia. Em 1953, a hierarquia da Tanzânia foi estabelecida com duas sés metropolitanas. No dia 3 de março de 1960, o Papa São João XXIII nomeou o primeiro cardeal negro da história da Igreja, o tanzaniano Laurean Rugambwa. Em 1965, o arcebispo de Dar es Salaam foi nomeado administrador apostólico de Zanzibar e Pemba, onde as Irmãs do Preciosíssimo Sangue se encarregavam de uma casa de propriedade do governo para idosos, tuberculosos e leprosos, e administravam uma escola em Zanzibar para crianças de todas as idades e crenças.
A constituição de 25 de abril de 1977 (revisada em outubro de 1984) respeitava a liberdade religiosa e estabeleceu a Tanzânia como um estado secular. O governo concedeu à Igreja isenção de impostos, mas desencorajou o proselitismo quando ofensivo a outras religiões. Enquanto uma Igreja Católica ativa e vital trabalhava para manter relações amistosas com líderes muçulmanos no continente e nas ilhas, um aumento no fundamentalismo islâmico e a imposição da lei islâmica em certas regiões causaram tensões crescentes entre as duas religiões.
Atualmente O crescimento do islamismo é o maior desafio para a Igreja Católica tanzaniana. Cristãos que não têm um templo próprio, são desprezados e subvalorizados. A superstição também é muito disseminada, e muitos ainda creem em feitiçaria; deficiências são vistas como maldições ou penalizações por uma má ação e albinos são perseguidos, excluídos e mortos para fabricar "curas mágicas" a partir de seus corpos. A Igreja ainda tem grandes dificuldades para combater tais práticas.
Em 2000, havia 769 paróquias atendidas por 1.379 padres diocesanos e 714 padres religiosos. Outros religiosos incluíam aproximadamente 610 irmãos e 6.700 irmãs, muitos dos quais operavam as nove escolas primárias e 172 secundárias da Igreja e cuidavam das grandes populações de refugiados ao norte do país. A Igreja Católica também cuida de muitas universidades na Tanzânia. O governo obriga a Igreja Católica e outras igrejas cristãs a apresentar-se no Ministério do Interior com uma carta de acreditação da hierarquia. São feriados nacionais algumas festividades católicas: Sexta-feira Santa, Segunda-feira de Páscoa e Natal.
Em abril de 2000, uma igreja foi queimada em Zanzibar (predominantemente muçulmana), a segunda tentativa nessa propriedade em três anos. No mesmo ano, Zanzibar, ainda permanecia quase totalmente muçulmana, enquanto no continente as influências muçulmanas eram minoritárias e permaneciam nas regiões do norte. De uma forma geral, a Tanzânia tem vivenciado o medo do aumento da ação terrorista muçulmano.
Em 5 de maio de 2013 um homem jogou um bomba em uma igreja de Arusha por cima do muro que rodeava a propriedade. Com a explosão pelo menos uma pessoa morreu e outras 60 ficaram feridas. No dia 2 de maio de 2015, uma igreja católica foi incendiada no noroeste da Tanzânia, na cidade de Nyarwele, região de Kagera, próximo às fronteiras com Uganda, Burundi e Ruanda. As chamas destruíram os documentos da paróquia, cadeiras, bancos, livros litúrgicos e um gerador. Foi a terceira igreja incendiada na região desde o início daquele ano, sendo as outras duas igrejas protestantes. Em setembro do mesmo ano, também em Kagera, foi incendiada uma igreja em Kitundu.
Em 4 de dezembro de 2018, o país celebrou o jubileu de 150 anos de sua evangelização na presença de milhares de fiéis, do presidente, John Magufuli, do núncio apostólico da Tanzânia, arcebispo de Nairóbi, cardeal John Njue, e outros dignitários. O local escolhido para as celebrações do jubileu foi Bagamoyo, porque foi antes um antigo ponto de comércio escravagista, que incluía torturas e exportação. A chegada dos missionários transformou a realidade do local. "Celebramos o grande trabalho feito por missionários que vieram para a Tanzânia através de Bagamoyo em 1868. Instalaram a Santa Cruz (em Bagamoyo), um símbolo de redenção da escravidão, um símbolo de fé para nós", afirmou Dom Josaphat Louis Lebulu, arcebispo emérito de Arusha.
Organização territorial
thumb|250px|Catedral de Zanzibar. O catolicismo está presente no país com sete arquidioceses e 27 dioceses, todas listadas abaixo:
Arusha Mbulu Moshi Same Dar es Salaam Ifakara Mahenge Morogoro Tanga Zanzibar Dodoma Kondoa Singida Mbeya Iringa Sumbawanga Mafinga Mwanza Bariadi Bukoba Bunda Geita Kayanga Musonga Rulenge–Ngara ShinyangaSongea Lindi Mbinga Mtwara Njombe Tunduru–MasasiTabora Kahama Kigoma Mpanda
Conferência Episcopal
A reunião dos bispos do país forma a Conferência Episcopal da Tanzânia, que foi criada em 1969.
Nunciatura Apostólica
A Nunciatura Apostólica da Tanzânia foi criada em 1968.
Visitas papais O país foi visitado pelo Papa São João Paulo II entre os dias 1º e 5 de setembro de 1990, juntamente com Burundi, Ruanda e Costa do Marfim. Na cerimônia de abertura da visita do Pontífice, na Catedral de São José, em Dar es Salaam, ele afirmou sobre a Igreja Católica tanzaniana:
Ver também Religião na Tanzânia Igreja Católica no Burundi Igreja Católica no Malaui Igreja Católica em Moçambique Igreja Católica no Quênia Igreja Católica na República Democrática do Congo Igreja Católica em Ruanda Igreja Católica em Uganda Igreja Católica na Zâmbia