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O trasgo é um ser folclórico presente em diversas culturas, principalmente em regiões que hoje compõem o norte da Espanha, como a Galiza, Cantábria, Catalunha e as Astúrias, além de regiões no norte de Portugal, como a província de Trás-os-Montes, onde ainda há, no concelho de Vimioso, ruínas de um velho “moinho dos trasgos”.
Estando paralelamente relacionado aos trasgus das tradições asturianas e os trasnos dos galegos, sem contar fortes influências dos duendes castelhanos e os folletsArtigo "Follet" na wikipedia em língua catalã e donyetsArtigo "Donyet" na wikipedia em língua catalã catalães, os trasgos geralmente são descritos de maneira semelhante a diabretes ou espíritos travessos e são muitas vezes confundidos com tardos. Tal como o zanganito e o fradinho da mão furada, o trasgo seria um ser sobrenatural parecido com uma pessoa de baixa estatura que faz travessuras, principalmente de noite e dentro das casas humanas. Por vezes, relatos também os atribuem gorros vermelhos na cabeça.
Algumas crenças antigas contam que os trasgos seriam pequenas “almas penadas”, crianças que não foram batizadas e retornaram para fazer maldades e pregar partidas com seus poderes sobrenaturais: partem louça, quebram vidros, arrastam móveis, espalham a fruta, mudam os objetos de lugar. Por este motivo, a palavra "trasgo" possui significados como: aparição fantástica, espírito, diabrete, génio, duende e, em sentido figurado, pessoa traquinas.Definição de Trasgo no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Segundo Alexandre Parafita, tais criaturas, “pela sua descrição, parecem corresponder aos famosos duendes, gnomos ou elfos da mitologia dos países nórdicos”, porém, “ao contrário destes, os trasgos são praticamente desconhecidos nas sociedades modernas, ditas civilizadas, porquanto a sua sobrevivência está circunscrita a uma cultura popular estritamente oral, que sempre foi subalternizada pelas sociedades mediáticas”.
Etimologia Uma possível origem para o nome "trasgo" pode ser encontrada em uma das cartas componentes do "Epistolario do P. Sarmiento", que, traduzindo livremente do seu idioma de origem, cita a seguinte história: "A palavra cocotriz já significava crocodilo na língua castelhana. Assim, essa figura serpentina foi chamada na Galiza de Coca e em Castela Tarasco ou Tarasca. Aqui se deu a origem da palavra trasgo para significar o duende que se acredita ser o demônio quando está em festas. Da palavra tarasco, que teve suprimida a vogal, se fez trasco e então trasgo. Aposto que nenhum dos infinitos visitantes da tarasca pensou em averiguar sua genealogia."Carta 159, 1760, 6 de junho." (grifos nossos)
Na Galiza
O trasno na cultura popular Conta-se no Curro, freguesia (gl: parroquia) do município pontevedrês de Barro, que uma volta iam duas velhinhas ao moinho e encontraram um menino só, abandonado, nu e mortinho de frio. Começáram a limpá-lo e abrigá-lo e acenderam o lume para o aquecer, mas quando o iam pra vestir o menino, ele desaparecera e, em vez dele, estava um homem a rirs-e delas, dizendo: "Hu, hu, huuuu! Duas velhas do Curro aqueceram-me o cu!".Isidoro Millám Gonçales-Pardo e Alfredo Garcia Além: "Nueva ara (¿a Cosus?) en Santa María de Curro (Barro, Pontevedra)", en El Museo de Pontevedra XXXIV, 1980, 109-144 (o conto está na px. 137).
De acordo com a cultura popular, há um truque infalivel para de livrar do trasno. Consiste em deixar-lhe num prato ou ainda melhor, espalhado pelo chão, uma mão-cheia de lentilhas, feijões, grãos de milho ou coisa semelhante. Como o trasno não sabe contar acima de cem, quando chega a este numero tem que começar de novo, e assim mantém-se sempre ocupado e já não faz das suas.Trasno na cultura Popular - Nós Diário
https://www.nosdiario.gal/articulo/cultura/conece-pedro-chosco-ao-trasno-traves-da-cultura-popular-galega/20231212095619184656.html
Fraseologia
Andar feito um trasno: diz-se de quem anda só por caminhos solitários. Fazer trasnadas: fazer malandrices às escondidas. Ser do coiro do trasno: ser da pele do demo, aplicado a rapazes que adoram fazer trasnadas. Ser um trasno: qualifica-se assim a quem parece divertir-se fazendo trasnadas. Também um rapaz rebelde e irrequieto. Sei que anda o trasno comigo: sai-lhe tudo mal, ao contrário do que queria.
Refrães
Nunca se farta o trasno de fazer trasnadas. Que há-de o trasno gádde, se não forem trasnadas?
Ver também Fradinho da mão furada Moritasgo Tardo
Bibliografia José Leite de Vasconcelos. Tradições populares de Portugal. Biblioteca Ethnografica portuguesa. Nuno Matos Valente. Bestiário Tradicional Português. Edições Escafandro, 2016 PARAFITA, Alexandre. O Maravilhoso Popular: Lendas. Contos. Mitos, Lisboa, Plátano Editora, 1999. PARAFITA, Alexandre. A Mitologia dos Mouros, Porto, Gailivro, 2006 CUBA, Xoán Ramiro; Miranda, Xosé; Reigosa, Antonio (2022). Dicionario dos seres míticos galegos. Vigo: Edicións Xerais de Galicia. ISBN 978-84-1110-072-4.
Ligações externas Galiza encantada, mitologia galega
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