As eleições autárquicas portuguesas de 2021 foram realizadas em 26 de setembro. Estiveram em disputa nestas eleições autárquicas a eleição de 308 presidentes de câmaras municipais, os seus vereadores, membros das assembleias municipais, bem como as presidentes de junta de freguesia e membros das assembleias de freguesia.
O Partido Socialista (PS) voltou, pela terceira eleição consecutiva, a ser o partido vencedor e com o maior número de câmaras conquistadas (147 sozinho e uma coligação). Apesar de os socialistas se terem mantido como o maior partido autárquico, o partido perdeu diversas câmaras de relevo, com o grande destaque a ser a derrota em Lisboa. Após catorze anos de governação socialista, a capital foi perdida para a coligação de centro-direita que juntou o Partido Social Democrata (PPD/PSD), o CDS – Partido Popular (CDS–PP), a Aliança (A), o Partido da Terra (MPT) e o Partido Popular Monárquico (PPM). A juntar à derrota na capital, o PS perdeu câmaras como Coimbra, Funchal e Barcelos, além de perder bastiões históricos socialistas como a Mealhada, Cartaxo ou Reguengos de Monsaraz. Os pontos positivos para os socialistas foram a recuperação de Loures, perdida em 2013 para a CDU – Coligação Democrática Unitária (PCP–PEV), e a recuperação do bastião de Vila do Conde.
O PPD/PSD, após três eleições autárquicas consecutivas a perder terreno, conseguiu ganhar fôlego e conquistou mais de trinta câmaras municipais. A grande vitória social-democrata foi a conquista da capital Lisboa, onde Carlos Moedas foi eleito presidente da câmara. O PSD também conseguiu conquistar câmaras de grande importância como foram o caso de Coimbra, Funchal, Barcelos e Portalegre. Além destas câmaras, os social-democratas foram capazes de ganhar câmaras que sempre foram socialistas como o Cartaxo e Reguengos de Monsaraz. O grande revés para o PPD/PSD nestas eleições foi a perda da câmara da Guarda para um movimento independente formado por antigos membros do partido.
A CDU voltou novamente a ter maus resultados pela segunda eleição consecutiva, obtendo o seu pior resultado autárquico de sempre. A coligação formada pelo Partido Comunista Português (PCP) e pelo Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) não só falhou o objetivo de recuperar câmaras como Almada e Barreiro, como ainda perdeu Loures para o PS. Adicionalmente, os comunistas perderam bastiões que sempre tiveram nas suas mãos: Moita, Montemor-o-Novo e Mora. Os poucos pontos positivos da noite eleitoral para a CDU foram os bons resultados conseguidos em Lisboa e no Porto, bem como a recuperação de dois antigos bastiões comunistas: Barrancos e Viana do Alentejo.
O CDS–PP teve resultados mistos. Se por um lado os centristas conseguiram manter as seis câmaras que tinham e participaram nas coligações vencedoras com o PPD/PSD em Lisboa, Coimbra, Funchal, Barcelos e Portalegre, o partido perdeu muita força nos locais onde concorreu sozinho. Em locais onde o partido era historicamente forte como Viseu ou Leiria, o CDS–PP viu-se reduzido aos seus piores resultados de sempre. A interpretação dos resultados abriu uma guerra interna, com o presidente do partido Francisco Rodrigues dos Santos a considerar que os resultados haviam sido um sucesso, enquanto o crítico Nuno Melo considerou os resultados como fracos, apresentando uma candidatura à liderança.
O Bloco de Esquerda (B.E.) voltou, mais uma vez, a demonstrar incapacidade de se implementar a nível autárquico. Os bloquistas ficaram reduzidos a apenas quatro vereadores, menos oito que os conseguidos nas eleições de 2017. O único ponto positivo para o B.E. foi a eleição de um vereador no Porto pela primeira vez na história do partido.
Quantos aos novos partidos, o Chega (CH) foi o mais bem-sucedido ao conseguir eleger dezanove vereadores nas primeiras eleições autárquicas do partido. A Iniciativa Liberal (IL) e o Pessoas–Animais–Natureza (PAN) não conseguiram eleger qualquer vereador.
Os movimentos independentes conseguiram o maior número de sempre de câmaras sob o seu controlo, conquistando dezanove autarquias, tantas como a CDU. Estes movimentos conseguiram conquistar câmaras como a Figueira da Foz, a Guarda, Marinha Grande, Caldas da Rainha ou Mealhada. miniaturadaimagem|220x220px|Logótipo oficial da eleição. Por fim, de referir a participação eleitoral de 53,6% , que foi a segunda mais baixa da história das eleições autárquicas, registo negativo apenas superado pelas eleições de 2013.
Na contagem de capitais de distrito e de região autónoma, o PPD/PSD saiu vencedor numa maioria de 11 em 20. Com as conquistas de Lisboa (Carlos Moedas, na coligação Novos Tempos Lisboa, com o CDS–PP, Aliança, MPT e PPM), Coimbra (José Manuel Silva, na coligação Juntos Somos Coimbra, com CDS–PP, Nós, Cidadãos!, PPM, Aliança, R.I.R. e Volt Portugal) e Funchal (Pedro Calado, na coligação Funchal Sempre à Frente, com o CDS–PP) ao PS, e de Portalegre (Fermelinda Carvalho, na coligação Por Portalegre, também com o CDS–PP) ao movimento Candidatura Livre e Independente por Portalegre (de Adelaide Teixeira), o partido ganhou vantagem sobre os socialistas, apesar da perda da Guarda para o movimento independente Pela Guarda (encabeçado por um dissidente social-democrata, Sérgio Costa). O partido conservou também Braga (Ricardo Rio, na coligação Juntos por Braga, com CDS–PP, PPM e Aliança), Viseu (com o regressado Fernando Ruas), Aveiro (José Ribau Esteves, na coligação Aliança com Aveiro, com CDS–PP e PPM), Ponta Delgada (com Pedro do Nascimento Cabral, que substituiu José Manuel Bolieiro), Faro (com Rogério Bacalhau à frente da coligação Unidos por Faro, com CDS–PP, Iniciativa Liberal, MPT e PPM), Santarém (com Ricardo Gonçalves) e Bragança (com Hernâni Dias).
Já o PS, registou as perdas de Lisboa, Coimbra e Funchal, e segurou Leiria (com Gonçalo Lopes, a substituir Raul Miguel de Castro), Viana do Castelo (Luís Nobre, no lugar que era de José Maria Costa), Vila Real (Rui Santos), Castelo Branco (agora com Leopoldo Rodrigues, ao invés de Luís Correia) e Beja (Paulo Arsénio).
A CDU manteve as duas capitais que detinha, Setúbal (com André Martins, que substituiu Maria das Dores Meira impossibilitada de se recandidatar devido à lei de limitação de mandatos) e Évora (Carlos Pinto de Sá).
As restantes duas capitais de distrito foram para grupos de cidadãos eleitores: o Porto (com Rui Moreira, movimento Rui Moreira: Aqui Há Porto) e Guarda (Sérgio Costa, movimento Pela Guarda).
Em relação aos vinte municípios com mais população, o PS conseguiu manter a hegemonia que já detinha, ao vencer em dez autarquias (tinha antes onze). Apesar das derrotas em Lisboa e Coimbra para coligações encabeçadas pelo PPD/PSD, os socialistas roubariam Loures (com Ricardo Leão) à CDU e segurariam Sintra (Basílio Horta), Vila Nova de Gaia (Eduardo Vítor Rodrigues), Almada (Inês de Medeiros), Matosinhos (Luísa Salgueiro), Gondomar (Marco Martins), Amadora (Carla Tavares), Guimarães (Domingos Bragança), Odivelas (Hugo Martins) e Vila Franca de Xira (agora com Fernando Paulo Ferreira, no lugar antes ocupado por Alberto Mesquita).
Os sociais-democratas, além de conquistarem Lisboa e Coimbra, mantiveram o seu controle sobre Braga, além de Cascais (Carlos Carreiras, na Coligação Viva Cascais, com o CDS–PP), Santa Maria da Feira (Emídio Sousa), Vila Nova de Famalicão (Mário Passos, que substituíra Paulo Cunha) e Maia (António Silva Tiago).
Com a perda de Loures, a CDU viu-se reduzida a apenas um dos vinte maiores centros urbanos, Seixal, presidido por Joaquim Santos.
Já os movimentos de cidadãos seguraram também, além do Porto, o município de Oeiras, ganho novamente pelo movimento Isaltino Inovar Oeiras de Isaltino Morais.
Mandatos VereadoresMandatosEleitoresRef.17Lisboa13Porto11 eleitores ou mais9mais de eleitores7mais de eleitores5 eleitores ou menos
Limitação de mandatos Nestas eleições, cinquenta presidentes de câmara eleitos em 2017 estavam impedidos de se candidatar por força da lei da limitação de mandatos. No entanto, doze destes abandonaram funções antes do fim do mandato 2017–2021, pelo que os autarcas que os substituem deixam de estar sujeitos a limitação de mandatos.
28 eleitos pelo Partido Socialista (PS); 15 eleitos pelo Partido Social Democrata (PPD/PSD); 3 eleitos pela CDU – Coligação Democrática Unitária (PCP–PEV); 1 eleito pelo CDS – Partido Popular (CDS–PP); 1 eleito pela coligação Juntos pelo Futuro, entre o Partido Social Democrata e o CDS – Partido Popular; 1 eleito pelo Movimento Independente por Estremoz (MIETZ).
Três capitais de distrito tiveram presidentes eleitos nestas condições: Leiria (deixou de estar por renúncia do presidente eleito em 2017) Setúbal Viana do Castelo