A Liga Portuguesa Abolicionista (LPA) (1926-1957) foi uma associação, constituída em 1 de setembro de 1926,Processo de constituição da Liga. com sede em Lisboa, que, visava combater a prostituição no país e o seu sistema regulamentarista em particular.Estatutos da Liga Portuguesa Abolicionista.LOUSADA, Isabel. «Da presença feminina nas Letras & Ciências : o pioneirismo de Adelaide Cabete, in Ciências & Letras, Porto Alegre, n.º 53, pp. 113-132, jan./jun. 2013.

Estatutos e Membros Criada em 1926, a associação considerava que «a prostituição regulamentada era um erro higiénico, uma injustiça social, uma monstruosidade moral e um crime jurídico», favorecendo apenas aqueles que lucravam e exploravam as crianças, os jovens e as mulheres que eram escravos desse sistema, existindo cumplicidade ou conhecimento público e condenação moral da sociedade portuguesa que no entanto não intervinha ou condenava os reais culpados. Os seus estatutos afirmam-na «livre de qualquer escola filosófica, de qualquer confissão religiosa ou de qualquer partido político», defendendo «a máxima liberdade individual com a máxima responsabilidade no campo legislativo em matéria de costumes», «o princípio da moral única para ambos os sexos» e a «igualdade dos sexos perante a lei». Condenava «toda a medida de exceção sob o pretexto dos costumes».

Entre os seus membros mais activos destacaram-se o advogado, professor e presidente da associação Arnaldo Brazão,Sobrinho e filho adotivo de Adelaide Cabete. Cf. Arnaldo Brazão na página Silêncios e memórias. a notária e publicista Aurora Teixeira de Castro (1891-1931) e a médica e activista feminista Adelaide Cabete (1867-1935).

Filiações A Liga Portuguesa Abolicionista estava filiada no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP) e federada na Federação Abolicionista Internacional,A Federação Abolicionista Internacional foi fundada em 19 de março de 1875 por Josephine Butler (1828-1909), tendo reunido a sua primeira conferência em Londres, em 1876. Em 1913, 1922, 1924 e 1927 a Federação Abolicionista Internacional reuniu os seus congressos em Paris, Roma, Gratz e Anvers, respetivamente. Cf. LOUSADA, Isabel. «Da presença feminina nas Letras & Ciências : o pioneirismo de Adelaide Cabete, in Ciências & Letras, Porto Alegre, n.º 53, p. 120, jan./jun. 2013. cujos princípios gerais acolhia.

Congressos Exercendo o seu ativismo através de várias campanhas de divulgação, petições, conferências, congressos e palestras de carácter social e científico, o primeiro congresso da LPA, intitulado Primeiro Congresso Nacional Abolicionista, teve lugar em agosto de 1926, e o segundo em maio de 1929.

Para o Segundo Congresso Nacional Abolicionista foram convidados, entre outros, Adolfo Lima, Agostinho FortesCf. Agostinho José Fortes (1869-1940), na página do Arquivo Histórico-Social., António Abranches Ferrão, Angélica PortoCf. CASTRO, Zília Osório (dir.); ESTEVES, João (dir.). Dicionário no feminino (séculos XIX-XX). Lisboa : Livros Horizonte, 2005. , sv «Angélica Cristina Irene Lopes Viana Porto»., Beatriz de Magalhães, Elina Guimarães, Emílio Martins Costa e Maria O'Neill.

Referências

Bibliografia Para além das obras citadas nas referências: COVA, Anne. ««Mulheres e associativismo em França, Itália e Portugal (1888-1939)», in aa. vv. Itinerários : A investigação nos 25 anos do ICS. Lisboa : Instituto de Ciências Sociais : Imprensa de Ciências Sociais, 2008. VELOSO, A. «O fantasma do impossível : a propósito da última exposição abolicionista» in Broteria Cultural, vol. 51 (1950), pp. 19-33.

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