Hispano-Suiza (Português: Hispânica-Suíça) é uma empresa espanhola automotiva. Em 1923, sua subsidiária francesa tornou-se em uma parceira semi-autônoma com a empresa espanhola. Após a Segunda Guerra Mundial, a subsidiária francesa tornou-se uma fabricante de componentes e motores aeronáuticos. A Hispano-Suiza é conhecida por seus automóveis de luxo e motores aeronáuticos de antes da Segunda Guerra Mundial. Em 1946, a empresa espanhola venderia todos os seus ativos automobilísticos para a ENASA. Em 1968, o braço francês foi adquirido pela empresa aeroespacial Snecma, agora parte da francesa Safran e do Peralada Group.
História Primeiros anos Em 1898 um capitão de artilharia espanhol, Emilio de la Cuadra, iniciou a produção de automóveis em Barcelona com o nome La Cuadra. Em Paris, De la Cuadra conheceu o engenheiro suíço Marc Birkigt e o contratou para trabalhar em sua empresa na Espanha. Em conjunto, construíram dois modelos a gasolina, um com um motor de único cilindro com 4,5 hp e outro com motor de dois cilindros e 5 hp. Em 1900, estes dois motores foram os primeiros projetados e construídos na Espanha por La Cuadra a partir de um projeto de Birkigt. Estes carros tinham quatro rodas, com dois mecanismos direcionais para a embreagem, caixa de transmissão com 3 velocidades e suspensão de arcos. Dois veículos completos foram montados e havia outros em construção. Em algum momento durante 1902, a empresa passa a pertencer a José María Castro Fernández e tornou-se J. Castro, Fábrica Hispano-Suiza de Automóviles (J. Castro, Fábrica Hispânica-Suíça de Automóveis), mas esta faliu em dezembro de 1903.
Outra reestruturação ocorreu em junho de 1904, criando a La Hispano-Suiza Fábrica de Automóviles, sob a direção de Damián Mateu, também em Barcelona. Quatro novos motores foram introduzidos no próximo um ano e meio; um de 3,8 L e outro de 7,4 L de quatro cilindros e um par de grandes motores com seis cilindros. Essa empresa conseguiu evitar a falência e suas principais operações permaneceram em Barcelona até 1946, onde carros, caminhões, ônibus, motores aeronáuticos e armas foram produzidos. Outras fábricas na Espanha foram sediadas em Ripoll, Sevilha e Guadalajara.
Em 1910, Jean Chassagne competiu em conjunto com a Hispano-Suiza com os pilotos Pilleveridier e Zucarelli nas corridas Coupe des Voiturettes Boulogne e Catalan Cup, ganhando em segundo e quarto lugares respectivamente. A França estava logo provando ser o maior mercado para os carros de luxo da Hispano-Suiza, maior inclusive que a própria Espanha. Em 1911, uma fábrica de montagem chamada Hispano France iniciou as operações em Paris no subúrbio de Levallois-Perret. A produção foi movida para fábricas maiores em Bois-Colombes, sob o nome de Hispano-Suiza em 1914 e logo tornou-se a principal fábrica para produção de seus maiores e mais caros modelos.
Primeira Guerra Mundial thumb|Um motor aeronáutico Hispano-Suiza HS.8A SOHC da Primeira Guerra Mundial preservado em um museu Com o início da Primeira Guerra Mundial, a Hispano-Suiza começou a produzir motores aeronáuticos sob a direção de Marc Birkigt. Seu engenheiro-chefe durante esse período foi outro suíço, Louis Massuger. Tradicionalmente, os motores eram fabricados ao usinar cilindros de aço separadamente e então prendendo-os diretamente no bloco do motor. A solução de Birkigt foi tornar o bloco do motor formado de uma única peça de alumínio, no qual as camisas do pistão eram colocadas. Fabricar o motor dessa forma simplificou a construção e resultou em um motor leve, mas ainda mais forte e durável. Então, o novo método de Birkgit criou o primeiro prático e atualmente conhecido como motor "cast block". Seu bloco de alumínio no tipo V8 também incorporou Árvore de Cames à cabeça, caixa de redução para a hélice e outras características que não apareceriam nos motores de seus competidores até o final da década de 1920. Outra característica importante de projeto, na linha do HS.8B foi o uso de um eixo de hélice oco em ambas as versões com caixa de redução 8B e 8C, que permitiam o disparo de um canhão de 37 mm através do eixo, evitando a necessidade de um mecanismo sincronizador, uma característica utilizada nos futuros motores militares da Hispano-Suiza. Seus motores aeronáuticos, produzidos em suas próprias fábricas e sob licença, tornaram-se um dos motores mais usados pelas Forças Aéreas da França e da Grã-Bretanha, motorizando mais da metade das aeronaves dos caças dessa aliança.
1918–1936 thumb|Ação da Hispano-Suiza Fabrica de Automoviles SA, emitida em 21 de dezembro de 1918 Após a Primeira Guerra Mundial, a Hispano-Suiza voltou à fabricação de veículos e em 1919 introduziram o Hispano-Suiza H6. O H6 vinha equipado com um motor de seis cilindros em linha OHC, baseado nas características de seus motores aeronáuticos V8 de alumínio da Primeira Guerra Mundial, enquanto que a carroceria era produzida por fabricantes famosos, tais como Hibbard & Darrin e D'Ieteren.
As licenças para as Patentes da Hispano-Suiza estavam em muita demanda por fabricantes conhecidos mundo afora. A Rolls-Royce utilizou algumas das patentes. Por exemplo, por muitos anos a Rolls Royce instalou freios projetados pela Hispano-Suiza em seus veículos.
Em 1923, o braço francês da Hispano-Suiza foi incorporado e tornou-se a Société Française Hispano-Suiza, com a empresa espanhola mantendo controle sobre 71% de seu capital. A subsidiária francesa teve, entretanto, uma grande independência financeira e liberdade para projetar e produzir em contato mais próximo com seus principais mercados, com a direção geral ainda em Barcelona. Essa configuração aumentou a importância da fábrica Bois-Colombes próxima a Paris, como a fábrica de carros de luxo da Hispano-Suiza, enquanto na Espanha a fábrica permanecia produzindo carros luxuosos, a maior parte de modelos menores e mais baratos, passando a aumentar a produção de ônibus, caminhões e motores aeronáuticos em várias fábricas ao redor do país.
Durante as décadas de 1920 e 1930, a Hispano-Suiza construiu uma série de carros luxuosos como motores OHC com desempenho cada vez melhor. Por outro lado, na década de 1930, os motores V12 reverteram a atuação de válvula por hastes, para reduzir o ruído do motor.
thumb|right|Ornamento de capô de uma cegonha da Hispano-Suiza.
A estatueta de mascote sobre o radiador após a Primeira Guerra Mundial era uma cegonha, o símbolo da província francesa de Alsácia, tirada do emblema do esquadrão pintado na lateral de um caça motorizado com um motor da Hispano-Suiza que foi voado na Primeira Guerra Mundial pelo ás francês Georges Guynemer.
O Hispano-Suiza T49 também foi projetado e fabricado pela empresa espanhola entre 1924 e 1944; era a versão espanhola do modelo francês H6B, com um motor de 6 cilindros de 8.000 cm3, 160 hp e uma velocidade máxima de 177 km/h.
Em 1925, Carlos Ballester obteve a permissão de representar a Hispano-Suiza na Argentina. O acordo consistia de uma fase em que o chassi era importado, seguido de uma produção completa na Argentina. A então Hispano Argentina Fábrica de Automóviles (HAFDASA) foi criada, para a produção de motores e automóveis da Hispano-Suiza e também a produção de peças para outros fabricantes de automóveis.
Guerra Civil Espanhola e Segunda Guerra Mundial Após o início da Guerra Civil Espanhola em 1936, o governo regional da Catalunha, pela Segunda República Espanhola, coletivizou o controle das fábricas espanholas da Hispano-Suiza e as colocou em estado de guerra. A empresa foi dividida em três seções: motores aeronáuticos e canhões carros e caminhões ferramentas e maquinários
Devido ao isolamento internacional da República Espanhola, o braço espanhol da empresa sofreu com a escassez de materiais.
Em 1937, o governo francês tomou o controle da subsidiária da Hispano-Suiza com 51 por cento do capital para provisão de material de guerra, renomeando a empresa para La Société d’exploitation des matériels Hispano-Suiza. Em 1938, a empresa francesa encerrou a produção de automóveis e concentrou-se na produção de motores aeronáuticos. Na época, a Hispano-Suiza havia acabado de introduzir uma nova série de motores V12 refrigerados à água e o Hispano-Suiza 12Y estava em grande demanda para praticamente todos os modelos de aeronaves francesas. Entretanto, sem as fábricas espanholas, a Hispano-Suiza não conseguia entregar motores rápido o suficiente para a crescente força aérea e muitos caças franceses ficaram em solo esperando motores quando a Segunda Guerra Mundial começou.
O desenvolvimento da época foi a série de um canhão automático de 20 mm, primeiramente o Hispano-Suiza HS.9, seguido pelo Hispano-Suiza HS.404. O 404 foi licenciado para produção na Grã-Bretanha e equipou praticamente todos os caças da RAF durante a guerra. A produção também ocorreu nos Estados Unidos, mas essas versões não amadureceram mesmo apesar de o USAAC e de a Marinha dos Estados Unidos querer substituir suas atuais .50 BMG. Uma arma também de sucesso, mas menos conhecida, foi a Hispano-Suiza HS.820, um projeto também de 20 mm com alto desempenho que foi usado nos Estados Unidos como M139. A variação das armas de 20 mm usadas nas aeronaves Lockheed P-38 Lightning foram produzidas pela International Harvester. Em 1970, a Hispano-Suiza vendeu sua divisão de armamento para a Oerlikon, com a HS.820 tornando-se a KAD.
Em 1940, a Hispano-Suiza, em conjunto com o banco espanhol Banco Urquijo e um grupo de empresas industriais espanholas, fundou a 'Sociedad Ibérica de Automóviles de Turismo' (S.I.A.T.). Esta ação levou a Espanha a ter a primeira indústria automotiva de produção em massa, a SEAT. Após a guerra civil, a Hispano-Suiza na Espanha estava severamente afetada pela economia devastada e os embargos impostos pelos aliados. Em 1946, vendeu seus ativos automotivos para a ENASA, uma empresa pública pertencente ao Instituto Nacional de Industria, fabricante dos caminhões Pegaso.
1950–atualmente thumb|Hispano-Suiza Carmen com 1.005 HP (1.019 CV) no Salão de Genebra em 2019. Após a Segunda Guerra Mundial, o braço francês da Hispano-Suiza continuou primariamente como uma empresa aeroespacial. Entre 1945 e 1955, estava produzindo o Rolls-Royce Nene sob licença, projetando trem de pouso em 1950 e o assento ejetor Martin-Baker em 1955. A atenção da empresa virou-se cada vez mais para a manufatura de turbinas e, em 1968, foi adquirida e tornou-se uma divisão da SNECMA. Em 1999, a Hispano-Suiza moveu suas operações de turbina para uma nova fábrica em Bezons, próximo a Paris, usando as fábricas originais para transmissões e sistemas acessórios para motores a jato. Em 2005, a SNECMA fundiu-se com a SAGEM para formar a SAFRAN.
A marca tentou reavivar-se no setor automotivo com a demonstração de um modelo no Salão de Genebra de 2010. Entretanto, a produção planejada nunca se materializou.
Em 2019 a empresa espanhola foi refundada pelos bisnetos de Damián Mateu, e nesse mesmo ano a marca apresentou seu carro esportivo elétrico 'Carmen' no Salão de Genebra de 2019. O atual presidente da empresa é o empresário e advogado Miguel Suqué Mateu (bisneto de Damián Mateu).Hispano Suiza, la cigüeña vuelve a volar (22-03-2021). Motor.elpais.com .
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