Peniche é uma cidade portuguesa da região Oeste portuguesa, situada na província histórica da Estremadura, e do distrito de Leiria, com cerca de 13.200 habitantes (2021). Integra atualmente a NUTII do Oeste e Vale do Tejo.

É sede do município de Peniche que integra a Comunidade Intermunicipal do Oeste e que tem de área e habitantes (2021) e está subdividido em 4 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013 O município é limitado a leste pelo de Óbidos, a sul pelo da Lourinhã e a oeste e norte pelo Oceano Atlântico.

Presume-se que o topónimo Peniche provém do latim vulgar pinniscula (península), o que significa que o termo se refere a um lugar e não a um povoado e que teve origem durante a Conquista romana da Península Ibérica.Peniche, no dicionário Infopédia de toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018Romanização da Península Ibérica (Infopédia) Por efeito da evolução linguística o termo terá perdido as últimas duas sílabas. Os mais recentes achados arqueológicos em Peniche e nas Berlengas parecem confirmar esta hipótese.

A cidade está localizada a norte de Lisboa (89,7 km via A8 / IP 6) e a sul de Coimbra (157,2 km via A1 / IC36 / A8 / IP 6).

Implantação Peniche, a cidade mais ocidental da Europa Continental, está implantada numa península (primitivamente uma ilha), com cerca de dez quilómetros de perímetro, criada por um tômbolo. O tômbolo da península de Peniche formou-se lentamente durante o século XVII. Essa língua de areia, na costa oriental da ilha, era invadida pelo mar durante a maré cheia e ficava a descoberto durante a maré vazia.

Vila «de grande população e de muito negócio», Peniche tornava-se por isso ilha na preia-mar e península na baixa-mar. Esse facto é comprovado por uma gravura de 1634 de Pedro Teixeira Albernaz. Além dos espaços urbanos, destaca-se ainda nesta gravura o porto de abrigo, adjacente à atual Avenida do Mar e as salinas, situadas a nordeste, no areal da praia da Gamboa (“Baya da Camboa” na gravura), que «carregam o sal em grande quantidade», bem essencial para a salga de pescado. Salga e Secagem do Pescado Por efeito do crescente assoreamento do tômbolo pelas areias, Peniche será definitivamente península a partir do século XVIII, embora o alagamento do chamado Fosso da Muralha durante a maré alta permitisse a navegação de pequenas embarcações entre norte e sul através do istmo.

O povoado foi construído numa área rochosa considerada por cientistas como única a nível mundial enquanto exemplo da transição do período Triássico, aquando da extinção do Jurássico Inferior. Essa área engloba a orla costeira desde a PapôaIlhéu da Papôa de Peniche ao Cabo Carvoeiro. Essa particularidade marca inequivocamente a grande importância do património geológico e paleontológico de Peniche. O património geológico da península de Peniche – artigo de Ana Rodrigues Rilo, Luís Vítor Duarte e Alexandre TavaresPatrimónio geológico no litoral de Peniche : geomonumentos a valorizar e divulgar – Paper de José Manuel RomãoArriba atual da Península da Peniche – ficha de caracterização de geo-sítios na tese de mestrado de Liliana de Sousa, pp 48 a 52, Universidade do Minho, Outubro de 2014

Geografia miniaturadaimagem|290x290px|Praia de Peniche de Cima (Norte) Peniche tem praias extensas a norte e a sul da península. A praia norte prolonga-se, ultrapassando o Baleal, a uns três quilómetros, numa extensão de cerca de nove quilómetros até à Foz do Arelho.

O ponto mais ocidental da Península de Peniche é o Cabo Carvoeiro. A oeste do Cabo Carvoeiro, para lá das seis milhas, situa-se o arquipélago das Berlengas, formação de origem vulcânica alegadamente contemporânea com a do ilhéu da Papôa.The evolution of the coastline at Peniche and the Berlengas islands (Portugal) – State of the art em Academia Este arquipélago é hoje uma reserva natural onde se encontram espécies raras de flora, aves e peixes.

História A população da Península de Peniche e terras circundantes O município de Peniche possui uma longa e rica história. Foi sucessivamente ocupado por populações que, ontem como hoje, fizeram da pesca e da agricultura as suas principais atividades económicas : agricultores locais que se tornam pescadores, pescadores migrantes provenientes de várias localidades da costa portuguesa, da Nazaré, da Póvoa de Varzim e do Algarve, que se tornam residentes, pescadores residentes que, de geração em geração, abandonam Peniche e emigram. O pescador e o seu duplo: migrações transnacionais no mar europeu – artigo de João de Oliveira em SCIELO A especificidade geomorfológica e insular/peninsular de Peniche parece ter moldado e condicionado, de um ponto de vista socioeconómico e cultural, as populações que ao longo dos tempos ocuparam este território. Peniche, Mar e História – Artigo de Leonor Almeida em Naturlink Peniche – artigo em A Região

Peniche e o seu município são palco de importantes acontecimentos históricos de índole nacional e internacional. Perante frequentes assaltos de piratas e ocupações de potências estrangeiras,Horizontes da Memória, Paços Perdidos, Peniche, 1998 - episódio da série A Bruma da Memória de José Hermano Saraiva, RTP, 1998, 29 min. (ver filme no YouTube inserindo esta referência no motor de busca) foi terra defendida por uma construção fortificada, a Praça-forte de Peniche, mandada edificar pelo rei D. João III em 1557 e concluída em 1645 por D. João IV. Tendo sido praça militar em 1897 e bastião estratégico na defesa da península no século XIX,Fortificações de Peniche na pág. da CMP abrigou refugiados da Guerra dos Bôeres nos primeiros anos do século XX (1901) e prisioneiros alemães e austríacos durante a Primeira Guerra Mundial. Tornar-se-ia célebre como prisão política durante o regime autoritário de António de Oliveira Salazar, entre 1934 e 1974, ano da Revolução dos Cravos. Recolheu ainda famílias de retornados das ex-colónias portuguesas de África. Quando estes se integraram na sociedade metropolitana, o forte tornou-se museu local, o Museu Municipal de Peniche.FORTE DE PENICHE - LUGAR DE REPRESSÃO, RESISTÊNCIA E LUTA – artigo na página do SPLG

Em mapas do século XVI e XVII, a localidade aparece nomeada como Nova Lisboa. (Noua Lisbona)https://www.raremaps.com/gallery/detail/77021/theatrum-orbis-terrarum-ortelius-mack-the-elder-and-family-koler

É a partir da segunda metade do século XV que têm início momentos determinantes da história social e política de Peniche. Em 1449 D. Afonso V doa as Berlengas e o Baleal As origens de Atouguia da Baleia no site da Junta de Freguesia ao Infante D. Henrique. Em 1497 D. Manuel concede aos moradores de Peniche a possibilidade de possuírem carniçaria e carniceiro, o que lhes permite não terem de ir a Atouguia da Baleia comprar carne, e a possibilidade ainda de cortar lenha em terras do reino. Em 1503 autoriza ainda aos penicheiros semearem nas terras do reguengo, entre a Gamboa e a Ribeira. Em 1537 D. João III ordena que quatro navios armados patrulhem os mares de Peniche para impedir ataques de corsários. Em 1557 el-rei D. Sebastião manda construir o Baluarte do Redondo, junto do portinho da Ribeira. Baluarte do Redondo no site da CMP

Em 1589 desembarca em Peniche um exército inglês liderado por António, Prior do Crato, tendo como missão a tomada de Lisboa e a restauração da independência do território português. Desembarque em Peniche de um exército inglês liderado por António, Prior do Crato, EPISÓDIOS DA HISTÓRIA LOCAL no site da CMP

No final da primeira década do século XVII, ano de 1609, a povoação de Peniche é elevada por Filipe III de Espanha (Filipe II de Portugal), rei invasor, à categoria de vila e sede de concelho. Em 1642, o Conselho de Guerra instaurado por D. João IV após a Restauração da Independência considera Peniche “a principal chave do reino pela parte do mar” dando início a uma ampla política de fortificação da vila, que tinha cerca de 3600 habitantes. No ano de 1735 existiam nas fortificações de Peniche cerca de 50 peças de artilharia, ao serviço de uma guarnição permanente composta por 316 militares.

No ano sete do século XIX, a Praça de Peniche é ocupada por um regimento de Napoleão Bonaparte, durante a Primeira invasão francesa de Portugal. Invasões Francesas – nota sumária dos arquivos da Torre do Tombo Em 1808 ocorre na vila um levantamento popular, rapidamente reprimido pelo invasor, que acaba por abandonar esta praça militar ainda nesse mesmo ano. Em 1851, as rendas de bilros de Peniche são premiadas com Medalha de Prata em exposições internacionais, tanto em Paris como em Londres. Rendas de Bilros de Peniche no site SAPO (cultura)

No século XX, em 1901, são albergados no forte de Peniche a maioria dos 400 boers refugiados da guerra travada contra os ingleses na África do Sul. Um questionário da Companhia Real dos Caminhos de Ferro, ano de 1904, revela que as maiores indústrias do município eram a pesca e as rendas de bilros, seguidas do fabrico de telha, tijolos e loiças. Como principais produtos agrícolas são apontados o vinho, o milho, o feijão, a cevada, a batata e a cebola. Roteiro Bibliográfico de de etnografia na região do oeste - dissertação de Brnca Moriés em Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas (M E M O R I A M E D I A - Museu do Património Cultural Imaterial) A salga e secagem do pescado contribuia também para que muitas pessoas tivessem uma fonte importante de receita.Salga e Secagem do Pescado, artigo no site da FAO

Motoriza-se a pesca. As traineiras à vela serão cada vez menos. Em 1924 é lançada ao mar a primeira traineira a motor do Porto de Peniche, a ‘Carminha’, do armador Manuel Farto. A energia elétrica chega a Peniche em 1930. O município conta então com mais de 16000 habitantes, numa época em que a pesca da sardinha é o elemento dinamizador de uma importante indústria conserveira, cujo operariado é exclusivamente feminino.Apontamentos para a História das Fábricas de Conservas e Estivas em Peniche 2000, texto de Fernando Engenheiro, agosto de 2000 No entanto a presença de cardumes de sardinha nos mares de Portugal apenas tem lugar na época do verão durante cerca de três meses. O restante pescado é insuficiente para permitir nas outras estações do ano o sustento tanto da população costeira como abastecer a indústria de conservas ou garantir o mínimo de lucros ao pequeno comércio. Todas as pessoas dependentes da pesca estão sujeitas a um modo de vida precário, dramático para algumas famílias, durante cerca de nove meses. A encosta sul da Península de Peniche, onde se situa o porto de abrigo, é de resto particularmente vulnerável ao mau tempo durante o inverno.Pesca da Sardinha - Tomada de Posição da Câmara Municipal de Peniche : ontem como hoje a inexistência da pesca da sardinha fora de época é fonte de graves problemas económicos para os pescadores

O ano de 1936 é marcado por tais condições, por sérios motivos de ordem social e política. É neste ano que a fortaleza é convertida pelo Estado Novo (Portugal) em prisão para simples delinquentes e particularmente para resistentes antifascistas.

A Guerra das Espoletas