Rodrigo Rangel (Vitória, 24 de março de 1979) é um jornalista brasileiro. Trabalhou nos jornais O Globo, O Estado de S.Paulo e Correio Braziliense e nas revistas Veja, IstoÉ e Época. Dirigiu a redação da revista digital Crusoé. Atualmente, tem uma coluna de notícias e reportagens no portal Metrópoles.
Biografia
Rodrigo Rangel Costa nasceu em Vitória, no Espírito Santo. Formou-se em Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santohttp://portalmakingof.com.br/rodrigo_rangel_deixa_veja_e_vai_para_o_antagonista, onde ingressou em 1997. Começou a trabalhar em redações ainda no início do curso. Primeiro, na rádio da própria universidade. Depois, na rádio CBN em Vitória. Durante a graduação, paralelamente ao trabalho na CBN e à graduação em jornalismo, passou a colaborar com o jornal O Globo a partir da capital capixabahttps://www.redegazeta.com.br/jornalistas-revelam-bastidores-da-cobertura-politica-em-brasilia/. Produziu reportagens investigativas sobre as ligações do poder local com o crime organizado e cobriu, entre outros assuntos, o trabalho da força-tarefa federal enviada ao estado para apurar a infiltração de grupos criminosos nas instituições do estado, como a Assembleia Legislativa.
Mudou-se para Brasília em 2003, para trabalhar no jornal Correio Braziliense. Na capital federal, onde vive desde então, seguiu produzindo reportagens investigativas, especialmente na área política. Depois do Correio, passou pelas sucursais de alguns dos principais veículos do país, em diferentes posições, de repórter a repórter especial e editor, sem nunca deixar a linha de frente da apuração: O Globo novamente, IstoÉ, Época, O Estado de São Paulo e Vejahttp://redeglobo.globo.com/tvgazetaes/noticia/2015/09/curso-de-residencia-traz-dois-feras-em-jornalismo-politico-no-dia-28.html. Na Veja, foram oito anos. Deixou a posição de editor-executivo da revista para assumir o projeto da Crusoé, em 2018https://portal.comunique-se.com.br/rodrigo-rangel-estreia-diretor-crusoe/. Rangel chefiou a redação da Crusoé, a primeira revista integralmente digital do Brasil, até o início de 2022. Em seguida, a convite da jornalista Lilian Tahan, assumiu uma coluna de notícias e reportagens no portal Metrópoles, com sede em Brasília.
Reportagens
Início da carreira
Ainda no Espírito Santo, enquanto cursava a graduação em jornalismo, Rodrigo Rangel fez reportagens agraciadas com prêmios locais e nacionais. Pela CBN, por exemplo, investigou casos de violência contra crianças em situação de rua em Vitória e revelou esquemas de corrupção envolvendo o então governador do estado, José Ignácio Ferreira, e o então presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz, apontado àquela altura como um dos chefes da chamada máfia capixaba. Por O Globo, a partir de Vitória, atuou na apuração de uma série de reportagens sobre um mercado de venda de sentenças no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em parceria com Chico Otavio, Bernardo de La Peña e Renato Garcia. A série foi agraciada como o Prêmio Esso de Jornalismo de 2002https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,globo-ganha-premio-esso-de-jornalismo-capa-do-estado-e-premiada,20021218p54492.
Em Brasília
Já em Brasília, integrou, com Eumano Silva, Matheus Leitão e Thiago Vitale, a equipe do Correio Braziliense que produziu uma série de reportagens, também premiada com o Esso, que trouxe revelações sobre a Guerrilha do Araguaiahttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1812200324.htm. Na sucursal de O Globo na capital federal, publicou reportagem que o jornalista Ricardo Kotscho, ex-secretário de imprensa da Presidência da República, apontou como o caso inaugural de corrupção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva: uma viagem a Buenos Aires da então ministra Benedita da Silva, à custa dos cofres públicos, para participar de um encontro evangélicohttp://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL550977-10406,00-BENEDITA+DA+SILVA+PAGA+PASSAGENS+DE+VIAGEM+A+ARGENTINA.html. Ainda em O Globo, bem antes de Delúbio Soares ganhar os holofotes da política nacional como um dos operadores do chamado mensalão, Rangel revelou a partir de uma investigação própria que, logo após coordenar as finanças da vitoriosa campanha de Lula ao Palácio Planalto, o poderoso tesoureiro do PT vinha investindo quantias vultosas de dinheiro em espécie na expansão da propriedade rural de sua família, no interior de Goiáshttp://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI15453-15223,00-MINISTERIO+PUBLICO+PROCESSA+PAIS+DE+DELUBIO+POR+COMPRA+DE+TERRAS+EM+GOIAS.html. A lista de reportagens publicadas no diário carioca inclui ainda uma investigação sobre brasileiros recrutados ilegalmente para trabalhar como mercenários no Iraquehttps://www.dgabc.com.br/Noticia/210387/mercenarios-brasileiros-sao-recrutados-para-lutar-no-iraque.
Época e IstoÉ
Na IstoÉ, entre outras reportagens de repercussão, revelou a existência de uma investigação secreta do serviço antiterrorismo da Polícia Federal sobre um esquema de contrabando de minério radioativo extraído da Amazôniahttps://istoe.com.br/21854_O+CONTRABANDO+DO+URANIO+BRASILEIRO/ brasileira e um rumoroso processo em que um amigo do então ministro das Comunicações do governo Lula, Hélio Costa, foi beneficiado por um acordo milionário com a Telebras, estatal sob o seu comandohttps://istoe.com.br/5913_ACORDO+SOB+SUSPEITA/.
Já na Época, foi o responsável por uma capa que quebrou um tabu nos quartéis brasileiros: a reportagem contava a história de dois sargentos que se assumiram como o primeiro casal homoafetivo do Exércitohttp://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI5020-15204,00-ELES+SAO+DO+EXERCITO+ELES+SAO+PARCEIROS+ELES+SAO+GAYS.html. Os militares acabariam punidos, na sequência, pelo alto comando da corporação. Um deles chegou a ser presohttp://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL591111-5598,00-SARGENTO+GAY+QUE+ESTA+PRESO+FOI+AGREDIDO+DENUNCIA+NAMORADO.html#:~:text=O%20sargento%20Fernando%20de%20Alc%C3%A2ntara,e%20foi%20transferido%20para%20Bras%C3%ADlia.. Também na revista Época, produziu reportagens sobre a atuação dos guerrilheiros colombianos das Farc na fronteira com o Brasilhttp://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80777-6009,00-NA+FRONTEIRA+COM+AS+FARC.html e uma das últimas entrevistas de Raúl Reyeshttp://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI5004-15223,00-DE+RAUL+REYES+PARA+LULA.html, um dos comandantes da guerrilha, que viria a ser morto em um ataque a bomba no meio da selva em 2008https://br.reuters.com/article/idBRB11129620080301.
Estadão: Caso Sarney e atos secretos
Em O Estado de São Paulo, publicou, com os colegas Leandro Colon e Rosa Costa, uma das séries de reportagens de maior repercussão da história centenária do jornal: o Caso Sarney, com revelações sobre suspeitas de corrupção envolvendo a família de José Sarneyhttps://politica.estadao.com.br/noticias/geral,leia-a-cronologia-do-caso-da-fundacao-sarney-no-estado,457175, então presidente do Senado e ex-presidente da República, e sobre atos editados secretamente por ele para distribuir privilégios a aliados e familiares às expensas dos cofres do Congresso Nacionalhttps://politica.estadao.com.br/noticias/geral,estado-ganha-premio-esso-por-revelar-atos-secretos,478923. Em razão da série, Fernando Sarney, filho do ex-presidente, obteve na Justiça de Brasília uma decisão que impediu o jornal de publicar novas reportagens acerca do assunto. Foi a censura mais longa já sofrida pelo Estadãohttps://politica.estadao.com.br/noticias/geral,justica-censura-estado-e-proibe-informacoes-sobre-sarney,411711. A decisão foi derrubada anos depois pelo Supremo Tribunal Federalhttps://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lewandowski-derruba-censura-ao-estado-no-caso-boi-barrica,70002596111.
Veja
Na Veja, Rodrigo Rangel também publicou reportagens de grande repercussão. É o caso de uma capa da revista que trouxe à luz declarações de Marcos Valério, o principal operador do mensalão, nas quais ele revelava que o então presidente Lula sempre soube da existência do esquema, destinado a comprar apoio para o governo federal no Congressohttps://veja.abril.com.br/politica/marcos-valerio-envolve-lula-no-mensalao/. Também é assinada por Rangel a primeira reportagem a revelar a atuação do fazendeiro José Carlos Bumlai, amigo pessoal de Lula, como lobista junto ao governo e, em especial, ao Palácio do Planalto. Bumlai viria a se tornar, anos mais tarde, alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federalhttp://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/11/policia-federal-deflagra-21-fase-da-lava-jato-em-3-estados-e-no-df.html.
Sob o comando de Policarpo Júnior, chefe da sucursal brasiliense da revista, vieram outras apurações de relevo. Em 2011, por vezes em parceria com colegas como Daniel Pereira e Hugo Marques, Rodrigo Rangel produziu reportagens que resultaram em sucessivas quedas de ministros da então presidente Dilma Rousseff por suspeita de corrupção – a onda de demissões no primeiro escalão do governo ficou conhecida como “faxina ética”https://veja.abril.com.br/politica/a-disputa-de-poder-no-pt-expoe-um-racha-inedito-na-historia-do-partido/. Entre os ministros demitidos em razão de revelações assinadas por Rangel nas páginas de Veja estavam Orlando Silva, do Ministério do Esporte, e Wagner Rossi, do Ministério da Agricultura. No curso da apuração sobre suspeitas de desvios na gestão de Rossi, Rangel foi agredido por um lobista que, mesmo sem ser funcionário, despachava frequentemente dentro do ministério graças às ligações com o ministro. A agressão, assim como a reportagem, ganhou repercussão nacionalhttps://oglobo.globo.com/politica/anj-repudia-agressao-de-lobista-editor-de-revista-2705788.
Em setembro de 2014, em outra reportagem de capa da Veja, a partir dos detalhes da delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, Rodrigo Rangel mostrou em primeira mão que a Operação Lava Jato, deflagrada meses antes, avançaria brevemente sobre a nata da política nacional, o que depois acabou se confirmando, com a consolidação daquela que é a maior investigação anticorrupção da história do paíshttps://veja.abril.com.br/brasil/exclusivo-paulo-roberto-costa-comeca-a-revelar-nomes-dos-beneficiarios-do-esquema-de-corrupcao-da-petrobras/. Era a gênese do escândalo bilionário que, logo depois, viria a ser chamado de petrolão: a reportagem mostrava que as primeiras investigações na Petrobras eram só a ponta de um caso bem mais complexo, que atingiria em cheio a elite política brasileirahttps://veja.abril.com.br/brasil/o-penultimo-degrau-da-lava-jato/. Na sequência vieram outras revelações sobre frentes da operação que ainda eram desconhecidas do grande público, como a que desvelaria que o marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas presidenciais de Lula e Dilma Rousseff, foi pago com dinheiro sujo proveniente dos desvios na Petrobrashttps://veja.abril.com.br/politica/lava-jato-deflagra-nova-operacao-e-decreta-prisao-de-joao-santana/.
Ainda na Veja, Rangel revelou, a partir de uma minuciosa apuração própria, a proximidade entre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da gigante JBS que se tornaram delatores na Lava Jatohttps://veja.abril.com.br/politica/as-relacoes-perigosas-entre-gilmar-mendes-e-joesley-batista/.
Crusoé centro|miniaturadaimagem|400x400px|Rodrigo Rangel durante debate realizado no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo | Foto: Alice Vergueiro/Abraji