Laguemã (), historicamente também referida como Langã (e suas variações Langhan, ou Lamgan) e Langanate (Lamghanat ou Langhanat), é uma província do Afeganistão, localizada na porção oriental do país. Possui uma população multiétnica e rural estimada em indivíduos segundo censo de 2020. Sua capital é a cidade de Metarlão. Possui quilômetros quadrados de área.

História

A história de Laguemã remonta desde ao menos a Antiguidade. Localizadas atualmente no Museu de Cabul, há inscrições em aramaico encontradas na província que indicam uma antiga rota comercial ligando o subcontinente indiano à Palmira, na Síria. O aramaico era uma língua escrita burocrática do Império Aquemênida (séculos ), cuja influência estendeu-se para além de Laguemã. No , durante as invasões de , a área era conhecida como Lampaca (Lampaka).

Inscrições em aramaico datando do Império Máuria (séculos ) foram encontradas em Laguemã; nelas está contida informação sobre a conversão do imperador ao budismo. No , o peregrino chinês Xuanzang visitou Laguemã, que chamou Lampó e considerou parte da Índia. Ele indicou a presenta de budistas maaiana e numerosos hindus:

thumb|Representação de Xuanzangue

Pelo , Laguemã ainda esteve conectada ao mundo indiano. A obra (Hudud al-'alam), concluída em 982, menciona a presença de alguns templos de culto a ídolos na área. Segundo o historiador muçulmanos , a região foi convertida ao islamismo pelo fim do sob o Império Gasnévida, sob liderança de Sabuqueteguim de Gásni :

thumb|esquerda|upright=0.6|Emir afegão Habibulá Cã , morto em 1919 em Laguemã

Sabuqueteguim então teria vencido uma de suas maiores batalhas na região de Laguemã contra os xaías de Cabul cujo governante, , agrupara um exército combatente de soldados. Apesar destas vitórias, sabe-se que as comunidades incrédulas na concepção islâmica (cafires), de modo a fugir à pressão muçulmana, partiriam para leste em direção as terras altas dos vales de Laguemã, Cunar, Bajaur, etc. Mais adiante, Mamude de Gásni , o terceiro sultão gasnévida, tentaria subjugar estas concentrações cafires, sendo portanto o primeiro monarca muçulmano a pressioná-lo à conversão, porém não obteria sucesso: Mahmud invadiu 17 vezes a Índia, sem conseguir, contudo, a subjugação dos cafires.

Mais adiante, a região seria dominada pelo Sultanato Gúrida (séculos IX-XIII) e então pela dinastia Chalji do Sultanato de Déli (séculos XIII-XIV) e o Império Timúrida (séculos XIV-XVI). No , sob o imperador timúrida Tamerlão e os monarcas muçulmanos do Turquestão, novas tentativas mal-sucedidas de subjugação dos cafires foram realizadas. Durante os primeiros anos do , o grão-mogol Babur ocupou boa parte de seu tempo em Laguemã, e no Baburnama (Memórias de Babur) ele discorreu sobre a beleza das colinas florestadas e a fertilidade do fundo dos vales da região. No tempo que ali esteve, Babur teve um breve encontro com os cafires co vale de Cunar.

thumb|general estadunidense David H. Petraeus caminhado ao lado do governador Iqbal Azizi em 2011

Laguemã foi reconhecida como um distrito dependente do Cabulistão no Império Mogol, e segundo o Baburnama, a "Grande Laguemã" incluía a porção muçulmana do Cafiristão, inclusive o rio Cunar. Ela foi a base para expedições contra os infiéis e foi frequentemente mencionados em relatos de jiades lideradas pelo jovem irmão do grão-mogol Aquebar , Maomé Haquim, que era governador de Cabul. Sob Aquebar e seu sucessor Jahangir , os cafires de Tagao, Nijrao, Peche, e Laguemã foram convertidos ao islamismo. Em 1747, Amad Xá Durrani derrotou os mogóis e fez esse território parte do Império Durrani.

Nos anos 1880 são registradas revoltas em várias porções de Laguemã: em 1882 na cidade de , em 1883 no vale de e 1885 nas cidades de Vaigal, Culmã e Sao. Em 1895-1896, o Cafiristão é invadido e conquistado pelos emir afegão , que forçou os cafires remanescentes dos nuristani a aceitarem os islã. Em 20 de fevereiro de 1919, o emir Habibulá Cã seria assassinado em Laguemã durante uma viagem de caça. Durante a Guerra Afegã de 1979-1989 e as batalhas que se seguiram entre os chefes militares rivais, muitas residências e negócios estabelecidos na província foram destruídos. Além disso, diz-se que os soviéticos teriam empregado uma estratégia de mirar e destruir a infraestrutura agricultural de Laguemã para, assim, fragilizar a economia local.

Geografia

A província de Laguemã cobre uma área de Aproximadamente 55% de seu relevo é dominado por uma paisagem montanhosa ou semi-montanhosa, enquanto os demais 45% são representados por terras planas. A província é dividida em 5 distritos (Alingar, , , Metarlão e ) e faz divida com outras seis províncias afegãs: Nangarar ao sul, Cunar a leste, Nuristão a nordeste, Panjshir a noroeste, Capisa a oeste e Cabul a sudoeste.

Bibliografia

Categoria:Províncias do Afeganistão