A competência lingüística é o sistema de conhecimento lingüístico possuído por falantes nativos de uma língua. Distingue-se do desempenho linguístico, que é a forma como um sistema de linguagem é usado na comunicação. Noam Chomsky introduziu este conceito em sua elaboração da gramática gerativa,Chomsky, Noam. (1965). Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, MA: MIT Press. onde foi amplamente adotado e a competência é o único nível de linguagem que é estudado.

De acordo com Chomsky, competência é o sistema de linguagem ideal que permite aos falantes produzir e compreender um número infinito de sentenças em sua língua e distinguir sentenças gramaticais de sentenças não gramaticais. Isso não é afetado por "condições gramaticalmente irrelevantes", como erros de fala.Chomsky, Noam. (1965). Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, MA: MIT Press. Na visão de Chomsky, a competência pode ser estudada independentemente do uso da linguagem ("desempenho"), por exemplo, por meio de introspecção e julgamentos de gramaticalidade por falantes nativos.

Muitos outros linguistas - funcionalistas, linguistas cognitivos, psicolinguistas, sociolinguistas e outros - rejeitaram essa distinção, criticando-a como um conceito que considera o trabalho empírico irrelevante, deixando de fora muitos aspectos importantes do uso da linguagem.Paulston, Christina Bratt. "Linguistic and communicative competence." TESOL quarterly (1974): 347-362. Além disso, argumentou-se que a distinção é freqüentemente usada para excluir dados reais que são, nas palavras de William Labov, "inconvenientes de manusear" dentro da teoria gerativista.Hymes, D. (1992). The concept of communicative competence revisited. Thirty years of linguistic evolution. Studies in honour of René Dirven on the occasion of his sixtieth birthday, pp. 40-41.Milroy, Lesley. "What a performance! Some problems with the competence‐performance distinction." Australian Journal of Linguistics 5, no. 1 (1985): 1–17.Butler, Christopher S. "On functionalism and formalism: A reply to Newmeyer." Functions of language 13, no. 2 (2006): 197–227.Eckman, F. (1994). The competence-performance issue in second-language acquisition theory: A debate. Research methodology in second-language acquisition, 3–15. ChicagoLakoff, George (1973), 'Fuzzy Grammar and the Performance / Competence Terminology Game', Chicago Linguistic Society 9, 271–291.Newmeyer, Frederick J. "Grammar is grammar and usage is usage." Language (2003): 682–707.Shohamy, Elana. "Competence and performance in language testing." Performance and competence in second language acquisition (1996): 138-151.Steinberg, Danny D. "Competence, performance and the psychological invalidity of Chomsky's grammar." Synthese 32, no. 3 (1976): 373-386.Chandler, M. J. (1991). Alternative readings of the competence-performance relation. Criteria for competence: Controversies in the conceptualization and assessment of children’s abilities, 5-18.Riley, P. (1996). Developmental sociolinguistics and the competence/performance distinction. Performance and competence in second language acquisition, 114-135.Christiansen, Morten H. "The (non) necessity of recursion in natural language processing." In Proceedings of the Fourteenth Annual Meeting of the Cognitive Science Society. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. 1992.

Competência versus desempenho A teoria lingüística está preocupada principalmente com um locutor-ouvinte ideal, em uma comunidade de fala completamente homogênea, que conhece sua linguagem (da comunidade de fala) perfeitamente e não é afetado por condições gramaticalmente irrelevantes como limitações de memória, distrações, mudanças de atenção e interesse, e erros (aleatórios ou característicos) na aplicação de seu conhecimento dessa linguagem no desempenho real. ~ (tradução livre) Chomsky, 1965Chomsky, Noam. (1965). Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, MA: MIT Press.  (página 3)Chomsky diferencia competência, que é uma capacidade idealizada, de desempenho, a produção de enunciados reais. Segundo ele, competência é o conhecimento ideal do falante-ouvinte de sua língua e é a 'realidade mental' a responsável por todos aqueles aspectos do uso da língua que podem ser caracterizados como ' linguísticos '.Kroy, Moshe. (1974). The Conscience, A Structural Theory. Israel: Keterpress Enterprise Chomsky argumenta que em uma situação idealizada em que o falante-ouvinte não seja afetado por condições gramaticalmente irrelevantes, como limitações de memória e distrações, o desempenho será um reflexo direto de competência. Uma amostra de fala natural consistindo em vários começos falsos e outros desvios não fornecerá tais dados. Portanto, ele afirma que uma distinção fundamental deve ser feita entre competência e desempenho.

Chomsky rejeitou as críticas de delimitar o estudo do desempenho em favor do estudo da competência subjacente, como injustificado e completamente mal direcionado. Ele afirma que a limitação descritivista de princípio para classificar e organizar dados, a prática de "extrair padrões" de um corpus de fala observada e a descrição de "hábitos de fala" são fatores centrais que impedem o desenvolvimento de uma teoria do desempenho real .Chomsky, Noam. (1965). Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, MA: MIT Press. 

Outros gerativistas Competência linguística é tratada como um termo mais abrangente para lexicalistas, como Jackendoff e Pustejovsky, dentro da escola de pensamento gerativista. Eles assumem um léxico modular, um conjunto de entradas lexicais contendo informações semânticas, sintáticas e fonológicas consideradas necessárias para analisar uma frase.Jackendoff, R. 1997. The architecture of the language faculty. Cambridge (Massachusetts): The MIT Press.Pustejovsky, J. 1998a. The generative lexicon. Cambridge (Massachusetts) & London (England): The MIT Press. Na visão lexicalista gerativa, essa informação está intimamente ligada à competência linguística. No entanto, seus modelos ainda estão em linha com a pesquisa gerativa dominante em aderir a forte inatismo, modularidade e autonomia de sintaxe.Paridis, Carita. (2003)

Ray S. Jackendoff O modelo de Ray S. Jackendoff se desvia da gramática gerativa tradicional, pois não trata a sintaxe como o principal componente gerador a partir do qual o significado e a fonologia são desenvolvidos, ao contrário de Chomsky. Segundo ele, uma gramática gerativa consiste em cinco componentes principais: o léxico, o componente de base, o componente transformacional, o componente fonológico e o componente semântico.The Five Major Components of the Generative GrammarJackendoff, Ray S.(1972). Contra a visão centrada na sintaxe da gramática gerativa (sintactocentrismo), ele trata especificamente a fonologia, a sintaxe e a semântica como três processos gerativos paralelos, coordenados por meio de processos de interface. Ele ainda subdivide cada um desses três processos em várias "camadas", elas mesmas coordenadas por interfaces. No entanto, ele esclarece que essas interfaces não são sensíveis a todos os aspectos dos processos que coordenam. Por exemplo, a fonologia é afetada por alguns aspectos da sintaxe, mas não vice-versa.

James Pustejovsky Em contraste com a visão estática do significado da palavra (onde cada palavra é caracterizada por um número predeterminado de sentidos de palavra), que impõe um enorme gargalo na capacidade de desempenho de qualquer sistema de processamento de linguagem natural, Pustejovsky propõe que o léxico se torne um componente ativo e central na descrição linguística. A essência de sua teoria é que o léxico funciona gerativamente, primeiro fornecendo um vocabulário rico e expressivo para caracterizar a informação lexical; a seguir, desenvolvendo uma estrutura para manipular distinções refinadas em descrições de palavras; e, finalmente, ao formalizar um conjunto de mecanismos de composição especializada de aspectos de tais descrições de palavras, à medida que ocorrem no contexto, são gerados sentidos estendidos e novos.Pustejovsky, James. (1995).

Katz & Fodor Katz e Fodor sugerem que uma gramática deve ser pensada como um sistema de regras relacionando a forma externalizada das sentenças de uma língua a seus significados que devem ser expressos em uma representação semântica universal, assim como os sons são expressos em uma representação semântica universal . Eles esperam que, ao tornar a semântica uma parte explícita da gramática gerativa, estudos mais incisivos do significado sejam possíveis. Uma vez que assumem que as representações semânticas não são formalmente semelhantes à estrutura sintática, eles sugerem que uma descrição linguística completa deve, portanto, incluir um novo conjunto de regras, um componente semântico, para relacionar os significados à estrutura sintática e / ou fonológica. Sua teoria pode ser refletida por seu slogan "descrição linguística menos gramática é igual a semântica".Jackendoff, Ray S.(1972).A.Fodor, Jerry. and J.Katz,Jerrold.(1964).

Áreas de Estudos Relacionadas A competência linguística é comumente usada e discutida em muitos estudos de aquisição de idiomas. Algumas das mais comuns são na aquisição de línguas de crianças, afásicos e multilíngues.

Linguagem infantil A visão Chomskyana de aquisição da linguagem argumenta que os humanos têm uma capacidade inata - a gramática universal - de adquirir a linguagem. No entanto, uma lista de aspectos universais subjacentes a todas as línguas tem sido difícil de identificar.

Outro ponto de vista, defendido por cientistas especializados na aquisição da linguagem, como Tomasello, argumenta que a linguagem das crianças pequenas é concreta e baseada em itens, o que implica que sua fala é baseada nos itens léxicos conhecidos do ambiente e na linguagem de seus cuidadores. Além disso, as crianças não produzem afirmações criativas sobre experiências passadas e expectativas futuras porque não tiveram exposição suficiente à sua língua alvo para fazê-lo. Assim, isto indica que a exposição à linguagem desempenha mais um papel na competência linguística de uma criança do que apenas suas habilidades inatas.

Afasia Afasia refere-se a uma família de desordens clinicamente diversas que afetam a capacidade de comunicar-se oralmente ou na linguagem escrita, podendo ser os dois, dependendo do dano cerebral.

Na afasia, o dano neurológico inerente é frequentemente assumido como uma perda de competência linguística implícita que danificou ou eliminou centros neurais ou caminhos necessários para a manutenção das regras e representações linguísticas necessárias para a comunicação. A medida da competência linguística implícita, embora aparentemente necessária e satisfatória para a teoria da linguística, é complexamente entrelaçada com fatores de desempenho. Transiência, estimulação e variabilidade no uso da linguagem afásica fornecem evidências para um modelo de déficit de acesso que suporta a perda de desempenho.

Multilinguismo A definição de multilíngue é uma definição que nem sempre tem sido muito clara. Na definição de um multilíngue, a pronúncia, morfologia e sintaxe usada pelo falante no idioma são critérios-chave usados na avaliação. Às vezes, o domínio do vocabulário também é levado em consideração, mas não é o critério mais importante, pois pode-se adquirir o léxico no idioma sem conhecer o uso adequado do mesmo.

Ao discutir a competência linguística de um multilíngue, tanto a competência comunicativa quanto a competência gramatical são frequentemente levadas em consideração, pois é imperativo que um falante tenha o conhecimento para usar o idioma corretamente e com precisão. Para testar a competência gramatical em um falante, são usados com frequência julgamentos de gramática de afirmações. A competência comunicativa, por outro lado, é avaliada através do uso de afirmações apropriadas em diferentes contextos.

Entendendo o humor