O Movimento de Acção Revolucionária foi um movimento socialista de esquerda radical português fundado por volta de 1962-1963, na sequência da crise académica de 1962.
Origem e ideologia O MAR foi fundado em 1962 e terá uma existência breve.Miguel Cardina (2010) A Esquerda Radical. Biblioteca Mínima.
O MAR integrou a Frente Patriótica de Libertação Nacional, sediada em Argel. No entanto, as tensões entre as linhas de pensamento agudizaram-se com o tempo, quer com o Partido Comunista Português, quer com Humberto Delgado.José Pacheco Pereira (2013) As armas de papel. Publicações periódicas clandestinas e do exílio (1963-1974). Círculo de Leitores.
O MAR foi influenciado pela Revolução Cubana e pelos movimentos de libertação em África. Por exemplo, os textos de Manuel Lucena com a visão da época sobre a revolução cubana e Bénard da Costa que defendia o diálogo com os movimentos de libertação em África para fornecer uma alternativa aos blocos da guerra fria.
O MAR não acreditava na evolução pacífica do regime do Estado Novo. Apoiava o recursos a ações armadas para derrubar a ditadura e vários dos fundadores tinham tido ligação com a revolta de Beja, mas havendo setores mais moderados.
A sua ação foi centrada "na actividade política e diplomática no exílio" e no apoio aos desertores.
Membros O movimento começa por juntar exilados como Rui Cabeçadas, Sacuntala de Miranda, António Lopes Cardoso, Fernando Piteira Santos, e José Hipólito dos Santos.
Num segundo momento, membros do "Grupo Flor" juntaram-se ao MAR como Vítor Wengorovius, Jorge Sampaio, Manuel de Lucena, João Cravinho, Nuno Brederode dos Santos, José Medeiros Ferreira. Vasco Pulido Valente, João Benard da Costa, José Augusto Seabra, Fernando Echevarría, e Nuno Bragança foram outros dos membros.
O MAR teve representantes em Argélia, França, Inglaterra, Itália, e Marrocos.
O núcleo de Londres incluía Sacuntala de Miranda, João Monjardino, Álvaro de Miranda, Sá Caetano, Leonor Matos e Hermínio Martins.
O núcleo de Argel incluía Rui Cabeçadas, Hélder Veiga Pires, Fernando Echevarria, José Augusto Seabra, Hipólito Santos, Moura Marques, e Maria Emília Silvestre.
Publicações Tinha como boletim o jornal clandestino "Acção Revolucionária", impresso fora do país. O primeiro número sairia em 1963 e prolongar-se-iam até janeiro de 1966. Os objetivos eram divulgar: orientação política; iniciativas do movimento no interior e exterior; problemas sindicais e outros ligados à emigração económica; artigos sobre a conjuntura política.
Publicou também outro boletim, igualmente chamado "Acção Revolucionária", publicado em Argel pela Comissão Política do Exterior do MAR, e que gerou grande controvérsia dentro da organização, com acusações que os textos publicados nesse boletim não tinham a aprovação da direção do movimento.
Em Janeiro de 1964, o MAR publica o boletim "Unidade" "para os trabalhadores portugueses" [emigrados], focando-se na emigração para França. Noticia novidades de Portugal, como o julgamento do golpe de Beja, os direitos dos emigrantes em França e um apelo à sindicalização.
Um Boletim semelhante à iniciativa do núcleo de Londres que no mesmo ano publicou o boletim "Unidade" para os Portugueses em Londres com "informações úteis sobre os serviços sociais ingleses, os sindicatos e algumas notícias sobre Portugal, sobre o dia do Estudante e o julgamento de Beja".
Ver também Oposição à ditadura portuguesa O Tempo e o Modo Movimento de Esquerda Socialista
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