O Strasbourg foi um couraçado operado pela Marinha Nacional Francesa e a segunda e última embarcação da Classe Dunkerque, depois do . Sua construção começou em novembro de 1934 na Ateliers et Chantiers de la Loire e foi lançado ao mar em dezembro de 1936, sendo comissionado na frota francesa em setembro de 1938. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 330 milímetros montados em duas torres de artilharia quádruplas, tinha deslocamento carregado de mais de 36 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 29 nós.

O couraçado passou seu curto período de serviço em tempos de paz realizando exercícios de treinamento e viagens para portos estrangeiros. Com o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, o Strasbourg inicialmente serviu protegendo navios mercantes no Oceano Atlântico e depois patrulhando as áreas próximas da África Ocidental Francesa. Ele foi chamado de volta para o Mar Mediterrâneo em abril de 1940 para dissuadir a entrada da Itália na guerra, porém os franceses se renderam para a Alemanha no final de junho depois da derrota na Batalha da França.

O armistício especificou que a frota francesa deveria ser desmilitarizada, com o Strasbourg e outros navios ficando em Mers-el-Kébir. Os britânicos atacaram a base francesa em julho para que as embarcações não fossem tomadas pelos alemães, porém o Strasbourg conseguiu escapar e voltar para Toulon. Ele permaneceu no local até novembro de 1942, quando foi deliberadamente afundado para que não fosse capturado pelos alemães. Depois disso foi parcialmente desmontado e bombardeado por ataques aéreos até ser completamente desmontado após a guerra.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho do Strasbourg A equipe da Marinha Nacional Francesa passou a década pós-Tratado Naval de Washington de 1922 tentando produzir um projeto satisfatório para preencher as setenta mil toneladas permitidas pelo tratado. Os franceses inicialmente tentaram responder aos cruzadores pesados italianos da Classe Trento, porém todas as propostas foram rejeitadas. Os cruzadores pesados alemães da Classe Deutschland se tornaram o novo foco em 1929. O projeto tinha de respeitar o Tratado Naval de Londres de 1930, que limitava os franceses a dois navios de 23,3 mil toneladas até 1936. Um projeto foi apresentado, mas rejeitado em 1931 pelo parlamento francês. Foi então desenvolvido um novo projeto de 26,5 mil toneladas com canhões de 330 milímetros, tendo maior blindagem mas uma velocidade máxima um pouco mais baixa. Este foi aprovado no começo de 1932, com o Strasbourg sendo encomendado com um projeto de maior blindagem e peso mais elevado do que seu irmão .

O Strasbourg tinha 214,5 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 31,08 metros e um calado máximo de 8,7 metros. Tinha um deslocamento padrão de 28,1 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 36,1 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quatro conjuntos de turbinas a vapor Parsons alimentadas por seis caldeiras Indret a óleo combustível. Tinha uma potência indicada de 109 mil cavalos-vapor (80,2 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 29,5 nós (54,6 quilômetros por hora), com sua autonomia sendo de milhas náuticas ( quilômetros) a 15 nós (28 quilômetros por hora). A embarcação era equipada com dois hidroaviões para reconhecimento aéreo, uma catapulta de lançamento na popa e um guindaste para içá-los do mar. Sua tripulação ficava entre e oficiais e marinheiros.

A bateria principal tinha oito canhões Modelo 1931 calibre 50 de 330 milímetros em duas torres de artilharia quádruplas, ambas à vante da superestrutra com a segunda sobreposta à primeira. O armamento secundário tinha dezesseis canhões de duplo propósito Modelo 1932 calibre 45 de 130 milímetros em três torres de artilharia quádruplas e duas duplas, essas instaladas na popa e estas à meia-nau. A bateria antiaérea tinha oito canhões Modelo 1925 calibre 50 de 37 milímetros em quatro montagens duplas e 36 metralhadoras de 13,2 milímetros em montagens quádruplas. O cinturão principal tinha 283 milímetros de espessura à meia-nau, já o convés blindado tinha entre 115 e 125 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 360 milímetros, laterais de 250 milímetros e tetos de 150 milímetros. A torre de comando tinha laterais de 270 milímetros.

História Tempos de paz thumb|250px|O lançamento do Strassbourg em 12 de dezembro de 1936 O Strasbourg foi encomendado em 16 de julho de 1934 em resposta aos couraçados italianos da Classe Littorio. Seu batimento de quilha ocorreu em 24 de novembro de 1934 na rampa de lançamento Nº 1 no Ateliers et Chantiers de la Loire em Saint-Nazaire. Foi lançado ao mar em 12 de dezembro de 1936, sendo então atracado no cais de equipagem, onde seu armamento, sistema de propulsão e outros equipamentos foram instalados. O navio deixou Saint-Nazaire em 15 de junho de 1938 e seguiu para Brest, no caminho realizando breves testes de velocidade. Chegou no dia seguinte e partiu novamente em 21 de junho para iniciar seus testes de aceitação oficiais. Modificações foram feitas entre 22 e 30 de junho, seguidas por mais testes marítimos que prosseguiram até agosto. Testes de artilharia ocorreram nos dias 24 e 25 próximos de Ouessant, com o couraçado sendo formalmente comissionado em 15 de setembro. Foi para uma doca seca no mesmo dia para que seu sistema de propulsão fosse inspecionado depois dos testes. O Strasbourg voltou para o mar em 15 de dezembro para treinamentos e mais testes de artilharia. A situação internacional na Europa estava nessa época ficando cada vez pior à medida que a Alemanha começou a fazer exigências cada vez mais hostis sobre seus vizinhos.

O navio foi considerado apto para o serviço em 24 de abril de 1939, juntando-se à Frota do Atlântico junto com o Dunkerque; os dois foram designados como a 1ª Divisão de Batalha. Receberam listras em suas chaminés para identificação, uma para o Dunkerque como o líder de divisão e duas para o Strasbourg. Os couraçados partiram em 1º de maio para um cruzeiro até Lisboa, em Portugal, chegando dois dias depois para celebrações do aniversário da descoberta do Brasil. Deixaram Portugal em 4 de maio e retornaram para Brest três dias depois. Encontraram-se no local com uma esquadra britânica em visita à França. Os couraçados franceses fizeram uma surtida em 23 de maio com a 4ª Divisão de Cruzadores e três divisões de contratorpedeiros para manobras próximas do litoral do Reino Unido. Os dois então visitaram portos britânicos, Liverpool de 25 a 30 de maio, Oban de 31 de maio a 4 de junho, Staffa em 4 de junho, Loch Ewe de 5 a 7 de junho, Scapa Flow em 8 de junho e Rosyth de 9 a 14 de junho, em seguida parando em Le Havre na França entre 16 e 20 de junho. Retornaram a Brest no dia seguinte. A esquadra fez mais treinamentos próxima da Bretanha no decorrer de julho e início de agosto.

Segunda Guerra Mundial Primeiras ações thumb|230px|esquerda|O Strasbourg atracado As tensões com a Alemanha aumentaram em agosto, desta vez acerca de reivindicações territoriais sobre a Polônia, com franceses e britânicos discutindo coordenação em caso de guerra; eles concordaram que os franceses seriam responsáveis por dar cobertura para navios mercantes do sul do Canal da Mancha até o Golfo da Guiné na África. A Força de Ataque foi criada centrada no Strasbourg e Dunkerque com o objetivo de proteger rotas comerciais de corsários alemães. Este grupo ficou sob o comando do vice-almirante de esquadra Marcel-Bruno Gensoul e também tinha três cruzadores rápidos e oito contratorpedeiros, ficando baseada em Brest. Observadores britânicos informaram que os cruzadores pesados da Classe Deutschland tinham ido para o Atlântico no final de agosto e que o contato com as embarcações tinha sido perdido. A Força de Ataque fez uma surtida para fazer guarda contra qualquer possível ataque dos navios alemães em 2 de setembro, um dia depois da Alemanha invadir a Polônia mas antes de França e Reino Unido terem declarado guerra. Gensoul, ao ser informado que os alemães tinham sido avistados no Mar do Norte, ordenou que sua esquadra voltasse para o porto depois de se encontrar com o transatlântico francês SS Flandre nos Açores. Eles escoltaram o navio e chegaram em Brest no dia 6.

Franceses e britânicos formaram grupos de caça para rastrear os corsários alemães. A Força de Ataque foi dividida, com o Strasbourg e Dunkerque operando individualmente como Força X e Força L, respectivamente. O Strasbourg e dois cruzadores pesados juntaram-se ao porta-aviões britânico em Dacar na África Ocidental Francesa, enquanto o Dunkerque, o porta-aviões e três cruzadores ficaram em Brest. O Strasbourg deixou Brest em 7 de outubro com o contratorpedeiro e uma divisão de barcos torpedeiros, encontrando-se com o Hermes mais tarde no mesmo dia próximo de Camaret-sur-Mer. Navegaram para o sul e se encontraram com os cruzadores pesados próximo de Casablanca, chegando em Dacar no dia 14. Eles realizaram uma patrulha pela região central do Atlântico entre 23 e 29 de outubro, durante a qual capturaram no dia 25 o navio mercante alemão Santa Fe. Outra patrulha ocorreu de 7 a 13 de novembro ao oeste de Cabo Verde, encontrando quatro alemães a bordo de um navio de passageiros belga e os aprisionando. Outros navios chegaram em Dacar em 21 de novembro para substituírem o Strasbourg, que partiu no mesmo dia com barcos torpedeiros e o cruzador pesado . Originalmente receberam ordem de voltarem para Brest, mas havia temores que aeronaves alemãs tinham jogado minas na entrada do porto, assim foram desviados para a Baía de Quiberon até que uma varredura no dia 29 revelou que não haviam minas.

A Itália estava no início de 1940 com uma postura cada vez mais hostil, assim em resposta a Força de Ataque foi enviada em 2 de abril para Mers-el-Kébir, na Argélia. Os dois couraçados mais dois cruzadores e cinco contratorpedeiros chegaram três dias depois. Entretanto, a esquadra recebeu ordens para voltar a Brest alguns dias depois em resposta à invasão alemã da Noruega em 9 de abril. A Força de Ataque deixou Mers-el-Kébir no mesmo dia e chegou em Brest no dia 12; a intenção era para que desse cobertura aos comboios reforçando as tropas Aliadas lutando na Noruega. Todavia, a ameaça italiana crescente continuou a pesar para o comando francês, que rescindiu as ordens dos navios e comandou em 24 de abril que todos voltassem para Mers-el-Kébir. O Strasbourg e o resto do grupo partiram no mesmo dia e chegaram no dia 27. Realizaram treinamentos no Mediterrâneo Ocidental em 9 e 10 de maio, mas pouco fizeram no decorrer do mês seguinte. A Itália declarou guerra contra a França e Reino Unido em 10 de junho.

O Strasbourg e o Dunkerque fizeram uma surtida dois dias depois para interceptar navios alemães e italianos relatados incorretamente na área. Os franceses tinham uma inteligência errônea que indicava que os alemães tentariam forçar um grupo de couraçados pelo Estreito de Gibraltar a fim de reforçar a frota italiana. Aeronaves de reconhecimento relataram uma frota inimiga navegando do Mediterrâneo em direção de Gibraltar. Os franceses presumiram que era a frota italiana navegando para se encontrar com os alemães, assim aumentaram sua velocidade para interceptá-los, porém descobriram que as aeronaves tinham na verdade avistado a própria frota francesa. Os navios então retornaram para Mers-el-Kébir. A França se rendeu para a Alemanha em 22 de junho depois de ser derrotada na Batalha da França; foi proposto durante as negociações de paz que vários navios franceses fossem desmilitarizados em Toulon, mas sob os termos do Armistício o Strasbourg e o Dunkerque deveriam permanecer em Mers-el-Kébir.

Mers-el-Kébir

thumb|240px|O Strasbourg se soltando de suas amarras e tentando fugir sob fogo de navios britânicos em 3 de julho de 1940 durante o Ataque a Mers-el-Kébir