O HMS Barham foi um couraçado operado pela Marinha Real Britânica e a quarta embarcação da Classe Queen Elizabeth, depois do , e , e seguido pelo . Sua construção começou em fevereiro de 1913 nos estaleiros da John Brown & Company em Clydebank, na Escócia, e foi lançado ao mar em dezembro do ano seguinte, sendo comissionado na frota britânica em meados de outubro de 1915. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 381 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de trinta mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 25 nós.
O Barham entrou em serviço no meio da Primeira Guerra Mundial e foi designado como parte da Grande Frota. Passou a maior parte do conflito realizando patrulhas e exercícios de rotina no Mar do Norte, só entrando em combate durante a Batalha da Jutlândia em meados de 1916. O couraçado depois serviu junto com as frotas do Atlântico, do Mediterrâneo e Doméstica pelo decorrer das décadas de 1920 e 1930, participando da supressão dos tumultos palestinos de 1929 e da revolta árabe de 1936–1939. O Barham passou por grandes renovações entre janeiro de 1931 e janeiro de 1934 que reformularam seu armamento antiaéreo, maquinários e equipamentos internos e blindagem de algumas áreas.
A Segunda Guerra Mundial começou em setembro de 1939 e o navio serviu no Mar Mediterrâneo junto com a Força M e depois com a Frota do Mediterrâneo. Ele participou da Batalha de Dacar em setembro de 1940, duelando com o couraçado francês Richelieu, e depois escoltou diversos comboios de suprimentos para Malta. Esteve presente na Batalha do Cabo Matapão em março de 1941, quando ajudou a afundar o cruzador pesado italiano . O Barham acabou torpedeado pelo submarino alemão U-331 em 25 de novembro perto do litoral egípcio, emborcando e explodindo antes de afundar por completo. Seu naufrágio foi mantido em segredo pelo Almirantado Britânico até o final de janeiro de 1942.
Características
thumb|esquerda|250px|Desenho da Classe Queen Elizabeth O Barham tinha 196,2 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 27,6 metros e um calado máximo de 10,1 metros. Tinha um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por 24 caldeiras Yarrow que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor Brown-Curtis, cada um girando duas hélices. Tinha uma potência indicada de 76,2 mil cavalos-vapor para uma velocidade média de 25 nós (46 quilômetros por hora), porém durante seus testes marítimos alcançou apenas 23,91 nós (44,28 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de cinco mil milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação em 1916 era de oficiais e marinheiros.
O armamento principal do Barham consistia em oito canhões Marco I calibre 42 de 381 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas na linha central, duas sobrepostas à vante da superestrutura e duas sobreposta à ré. O armamento secundário era formado por catorze canhões Marco XII calibre 45 de 152 milímetros, doze montados em casamatas nas laterais do navio à meia-nau e dois em montagens individuais no convés do castelo de proa à ré da segunda chaminé. O armamento antiaéreo era de dois canhões Marco I calibre 45 de 76 milímetros. Também foi equipado com quatro tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, dois em cada lateral. O cinturão principal de blindagem tinha 330 milímetros de espessura à meia-nau sobre as áreas vitais do navio. Os conveses blindados tinham espessuras que iam de 25 a 76 milímetros. As torres de artilharia tinham uma proteção de 279 a 330 milímetros, ficando em cima de barbetas de 178 a 254 milímetros. A torre de comando tinha laterais de 339 milímetros.
Modificações Uma camada adicional de 25 milímetros de aço de alta resistência foi adicionada no convés principal sobre os depósitos de munição depois da Batalha da Jutlândia. O navio foi equipado em 1918 com plataformas de hidroaviões no topo da segunda e terceira torres de artilharia, das quais aeronaves de reconhecimento poderiam ser lançadas. Essas plataformas foram removidas durante a reforma do início da década de 1930 e substituídas por uma catapulta dobrável no topo da terceira torre de artilharia, também recebendo um guindaste para recuperar os aviões do mar. Inicialmente operava um Fairey IIIF versão hidroavião até ser substituído por Fairey Swordfish em 1938.
Telêmetros de 9,1 metros substituíram os modelos menores da segunda e terceira torres de artilharia entre 1921 e 1922. As defesas antiaéreas foram aprimoradas quando os canhões de 76 milímetros foram substituídos por duas armas antiaéreas Marco V de 102 milímetros entre novembro de 1924 e janeiro de 1925, com mais dois canhões do mesmo tipo sendo adicionados entre outubro e novembro de 1925. Uma Posição de Controle de Ângulo Elevado temporária para controlar essas armas foi colocada acima da torre de controle de torpedos à ré. Essa posição foi substituída no início de 1928 por um telêmetro de torpedos quando uma posição permanente foi colocada no alto da gávea.
O Barham passou por uma grande reforma entre janeiro de 1931 e janeiro de 1934 ao custo de 424 mil libras esterlinas. Sua superestrutura de ré foi reconstruída e a torre de controle de torpedos e seu telêmetro foram removidos, assim como os conjuntos de tubos de torpedo de ré. A primeira chaminé foi fundida com a segunda com o objetivo de reduzir a interferência da fumaça na gávea. Um Sistema de Controle de Ângulo Elevado Marco I de controle de disparo foi colocado no topo da gávea e o mastro principal foi reconstruído como um mastro de tripé para aguentar o peso de um segundo Sistema de Controle de Ângulo Elevado. Duas montagens de oito canos de canhões antiaéreos Marco VIII "pom-pom" de 40 milímetros foram instaladas ao lado da chaminé e duas posições para seus diretórios de controle de disparo adicionadas em novas plataformas ao lado e abaixo da gávea. Além disso, duas montagens de metralhadoras antiaéreas Vickers de 12,7 milímetros foram colocadas nas laterais da torre de comando.
Os tetos das torres de artilharia foram reforçados com 127 milímetros e a blindagem adicional colocada após a Batalha da Jutlândia foi substituída por 102 milímetros de aço não cimentado Krupp, com o Barham se tornando o primeiro couraçado a receber esse tipo de proteção. Além disso, os dois canhões de ré de 152 milímetros foram removidos e suas casamatas fechadas por uma antepara de 38 milímetros. A proteção subaquática foi melhorada ela adição de protuberâncias antitorpedo. Estas foram projetadas para reduzir o efeito de detonações de torpedos e melhorar a estabilidade da embarcação, porém ao custo do aumento da boca em 4,3 metros para 31,7 metros, também diminuindo o calado para 9,9 metros. Isto aumentou sua altura metacêntrica para 2,1 metros em carga plena, enquanto o deslocamento carregado cresceu para toneladas. O navio realizou testes marítimos em 20 de novembro de 1933 e sua velocidade máxima caiu para 22,5 nós (41,7 quilômetros por hora) a partir de cavalos-vapor ( quilowatts).
Alterações posteriores incluíram a substituição das armas antiaéreas em montagens individuais por montagens duplas do novo canhão Marco XVI de 102 milímetros, remoção dos tubos de torpedo de vante e telêmetro de ângulo elevado entre março e maio de 1938. A torre de controle de torpedos de ré foi substituída na mesma reforma por uma posição antiaérea. Um lançador de projéteis fixos de vinte canos foi instalado no teto da segunda torre de artilharia durante reparos realizados entre dezembro de 1939 e março de 1940, enquanto os dois Sistemas de Controle de Ângulo Elevado Marco I foram substituídos por modelos Marco III. A montagem de projéteis fixos foi substituída no ano seguinte por duas montagens quádruplas de metralhadoras Vickers, enquanto duas montagens de armas "pom-pom" foram coladas ao lado da torre de comando.
Carreira A Barham foi encomendado sob o Programa Naval de 1912 e seu contrato de construção foi firmado com a John Brown & Company. Foi nomeado em homenagem ao almirante lorde Charles Middleton, 1º Barão Barham. Seu batimento de quilha ocorreu em 24 de fevereiro de 1913 e foi lançado ao mar em 31 de dezembro de 1914. O custo total de construção foi de libras. Foi finalizado para testes marítimos em 19 de agosto de 1915 e eles ocorreram até o final de setembro. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão Arthur Craig Waller. O contra-almirante Hugh Evan-Thomas, o comandante da 5ª Esquadra de Batalha, fez do Barham sua capitânia em 1º de outubro.
Primeira Guerra Mundial Ações iniciais O Barham se juntou aos navios da Grande Frota no dia seguinte na base de Scapa Flow e participou de uma operação de treinamento de frota ao oeste das Ilhas Órcades entre 2 e 5 de novembro. Foi acidentalmente abalroado por seu irmão em 3 de dezembro durante outro exercício de treinamento. O navio inicialmente passou por reparos temporários em Scapa Flow e então foi para Cromarty Firth, onde passou por reparos permanentes em uma doca flutuante até o dia 23.
O Grande Frota zarpou para o Mar do Norte em 26 de fevereiro de 1916. O almirante sir John Jellicoe, o comandante da Grande Frota, tinha a intenção de usar os navios ligeiros da Força de Harwich para fazer uma varredura da Angra da Heligolândia, mas o clima ruim impediu operações no sul do Mar do Norte. Consequentemente, os navios ficaram confiados ao norte. Outra varredura começou em 6 de março, mas foi abandonada no dia seguinte porque o clima ficou muito ruim para os contratorpedeiros. A frota deixou Scapa Flow na noite de 25 de março para dar suporte aos cruzadores de batalha e outras forças que estavam atacando a base alemã de zepelins em Tondern. A Grande Frota aproximou-se da área no dia seguinte, mas nesta altura alemães e britânicos já tinham recuado e assim os navios voltaram para casa. A Grande Frota fez uma demonstração próxima do Recife de Horns em 21 de abril com o objetivo de distrair os alemães enquanto a Marinha Imperial Russa criava campos minados no Mar Báltico. As embarcações voltaram para Scapa Flow três dias depois e reabasteceram, em seguida foram para o sul em resposta a relatos de que os alemães iriam atacar Lowestoft. A 5ª Esquadra de Batalha procedeu para reforçar os cruzadores de batalha, mas chegaram depois dos alemães terem recuado. A frota fez outra demonstração no Recife de Horns entre 2 e 4 de maio. A 5ª Esquadra de Batalha foi colocada sob o comando de Beatty enquanto a 3ª Esquadra de Cruzadores de Batalha foi destacada para treinamentos de artilharia em Rosyth no dia seguinte.
Batalha da Jutlândia
thumb|270px|Movimentos britânicos (azul) e alemães (vermelho) na Batalha da Jutlândia