A Pastoral da Juventude (PJ), é um organismo de ação social católica da América Latina.
No Brasil a PJ constitui-se por jovens brasileiros e estrangeiros ligados à Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e aos movimentos sociais.
Ação
A Pastoral da Juventude está em ação em diversos países (países hispânicos: Pastoral Juvenil Católica, em outros países também Youth Ministry, Young Groups ou Youth leaders). A atividade é coordenada por coordenadores e assessores leigos(as) e religiosos(as) que se despontam como militantes e por organizações como Pastoral da Juventude Paroquial.
A Pastoral da Juventude Estudantil está em comunhão em nível nacional no Brasil com as outras organizações juvenis na CNBB e também compõe a Pastoral Juvenil Latinoamericana, dentro do Departamento Família, Vida e Juventude, órgão do CELAM. Nos demais países que compõe o CELAM existem interesses de difundir a proposta da PJE como foi percebido a curiosidade dos congressistas do III Congresso Latino Americano de Jovens (III CLAJ), ocorrido em Los Teques, na Venezuela, durante o mês de setembro de 2010. Afirma-se que a PJE é herdeira da JEC (Juventude Estudantil Católica), organização esta proveniente da Ação Católica Especializada(ACE). A JEC protagonizou assembleias, encontros, congressos, por todo o Brasil que serviu de sustentação para a juventude estudantil católica brasileira e suas ações embasadas na metodologia VER-JULGAR-AGIR com os valores evangélicos e exemplos da pessoa de Jesus Cristo. Estas atividades realizaram-se durante os anos de sua fundação em meados dos anos 50 do século XX até quase os anos 70 do mesmo século. Há relatórios de atividades da Juventude Estudantil Católica no Brasil em meados de 1935 a partir de participantes num grupo feminino. Muitas ações políticas da JEC foram emparceiradas com a UBES, inclusive com composição de jovens estudantes católicos da JEC nas diretorias da UBES da época. A JEC ainda é articulada até hoje em países que compõe o CELAM. A PJE permeia apoiando atividades com jovens estudantes de diversas congregações religiosas que possuem colégios e ou instituições educacionais e algum trabalho pastoral com os estudantes. Desta maneira esses jovens estudantes das congregações podem, em contrapartida, fortalecer a estrutura e a participação da Pastoral da Juventude Estudantil no Brasil e pelos estados.
No Brasil No Brasil a PJE é protagonizada por jovens estudantes brasileiros e acompanhada por educadores adultos assessores, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e possui pensamentos e atividades baseada na Educação Libertadora tendo como predileção a juventude estudantil empobrecida e apoia a Teologia da Libertação para permear seus pensamentos e atos, estando em comunhão com toda a Igreja Católica.
História Surgimento Após os anos da ditadura militar no Brasil, meados das décadas de 60 a 80 do século XX, também conhecido como anos de chumbo, pois foi uma época em que lideranças estudantis foram perseguidas, torturadas e desaparecidas, surge o movimento popular pela redemocratização em todo o Brasil. Embalado por esta nova perspectiva, um grupo de estudantes e educadores, inclusive ex militantes da JEC no Brasil, organizaram um encontro a nível nacional entre os dias 8 e 11 de julho de 1982, em um colégio na cidade de Goiânia, capital do estado de Goiás, na região Centro-Oeste. A este convite estiveram presentes 14 pessoas, provenientes das cidades de Campinas (interior do estado de São Paulo), Belém (capital do estado do Pará) e de Goiás.
Neste encontro os participantes saíram com a ideia de um coletivo batizado como Pastoral Secundarista, a partir das reflexões, ilustrações das diversas experiências presentes, a organização estudantil secundarista (estudantes que estudam no 2º grau ou colegial — antigo ensino médio), além do legado e história da JEC e assim traçou-se linhas de ações comuns para formação.
Em 1983, com a mesma sede em Goiânia, o coletivo das pessoas iniciaram as reflexões sobre espiritualidade, pedagogia e identidade da Pastoral Secundarista. Reafirmou-se a metodologia VER-JULGAR-AGIR. Deliberou-se a figura da secretaria nacional tendo como protagonista desta instância nacional uma pessoa jovem estudante para ser instrumento de articulação e referência para formação de novos grupos de base de jovens estudantes.
Chegando em 1984, entre os dias 9 e 11 de julho, ocorre o terceiro encontro nacional com participantes oriundos das seguintes unidades federativas: Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Amazonas, Piauí, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Neste evento, com reflexões trazidas de assessorias a respeito da Pastoral Orgânica presentes, foi deliberado que a Pastoral Secundarista passa-se a chamar de Pastoral da Juventude Estudantil integrando um conjunto com as demais pastorais juvenis: A Pastoral da Juventude (PJ), a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e a mais nova Pastoral da Juventude Rural, (PJR).
Temos registros da fundação da PJE no estado de São Paulo em meados de fevereiro de 1982 com relatos de grupos de base de jovens estudantes na região da Lapa (Zona Oeste da cidade de São Paulo), São Miguel Paulista (Zona Leste da cidade de São Paulo e no ABC Paulista).
Até o final da década de 1980: ênfase na militância
Respectivamente nos anos de 1973 e de 1976, a CNBB promoveu os 1º e 2º Encontros Nacionais de Pastoral da Juventude. Participaram dessas reuniões lideranças de movimentos de encontros de jovens como: "Treinamento de Liderança Cristã", "Encontros de Juventude", "Encontro de Jovens com Cristo", "Escola de Líderes Cristãos", "Emaús", "Cenáculo", "Schalon", "Escalada", "Amigos de Cristo", "Onda", "Virgília", "Nazaré" e "Catecumenato", que eram movimentos que possuíam cunho espiritualista, focados na resolução dos problemas psico-afetivos dos jovens, desconectados da busca por uma solução dos problemas sociais. Esses encontros tiveram como resultados apenas troca de experiências.
Em 1978, a CNBB promoveu o 3º Encontro Nacional de Pastoral da Juventude, que teve uma diferença qualitativa em relação aos anteriores, pois definiu as quatro princípios do que seria a Pastoral da Juventude no Brasil (PJB): Caráter orgânico; Realidade dos jovens como ponto de partida; Formação a partir de pequenos grupos de base e voltada para atingir a grande massa da juventude; e Adoção do método ver, julgar e agir.
Em 1983, quando existiam cerca de 50 000 grupos que reuniam ao todo cerca de 1 000 000 de jovens em todo o Brasil, a CNBB promoveu o 4º Encontro Nacional de Pastoral da Juventude, com a participação de representantes de todas as regiões do Brasil, no qual ocorreu a consolidação nacional da PJB. Esse encontro definiu três grupos de prioridades para o desenvolvimento da PJB: Especialização por classes sociais; Formação integral e metodologia; Articulação, organização e coordenação.
A partir desse momento, a PJB passou a contar com uma Coordenação Nacional, que contava com 5 representantes regionais, um representante da Juventude Operária Católica (JOC) e um representante da Pastoral Universitária. Além disso, a PJB passou a ser dirigida por jovens em todos os níveis: nacional, regional e diocesano, o que deu à PJB uma organicidade e uma relativa autonomia. Outras deliberações foram a de que os jovens de classe média deveriam também apoiar as causas dos mais pobres, organização por meios específicos, processo pedagógico de amadurecimento da consciência de classe e uma prática consequente.
Alguns estudiosos apontam elementos de continuidade entre a Ação Católica da década de 1960 e a PJ da década de 1980, tais como: Adoção do método ver, julgar e agir; Prática a partir da realidade; Formação na ação; Luta pela transformação das estruturas; Modelo de revisão de vida e de prática; Proposta de uma fé vivida no engajamento social; Pedagogia que visa despertar o espírito crítico; Opção por pequenos grupos; Espiritualidade encarnada; Protagonismo juvenil.
A década de 1980 foi o período de ressurgimento dos movimentos sociais, a Igreja Católica, participou desse processo por meio de seus segmentos orientados pela Teologia da Libertação como as Comunidades Eclesiais de Base (CEB's), as Pastorais Sociais e a Pastoral da Juventude.
Quanto à diferenciação entre a PJ "geral" e as PJ's "específicas" (Pastoral da Juventude do Meio Popular — PJMP, Pastoral da Juventude Estudantil — PJE, Pastoral da Juventude Rural — PJR e Pastoral Universitária — PU), cabe dizer que a PJ "genérica" tinha como meta preparar os jovens para atuação nas PJ's especializadas onde seria mais viável uma ação transformadora da realidade.Esse modelo foi alterado na 11ª Assembleia, quando a antiga PJ "genérica" passou a ser uma "pastoral específica do meio eclesial" e a iniciação passou a ocorrer também na PJR, na PJMP e na PJE.
Em 1984, ocorreu o 5º Encontro Nacional da PJB, que adotou as seguintes diretrizes: organização por classes sociais; formação específica para os iniciantes; incentivo ao engajamento nos meios específicos (bairro, escola e trabalho) e nos organismos intermediários (partidos e movimentos sociais); formação de assessores; promoção de encontros de massa como festivais de música.
Nesse encontro, deliberou-se que a formação teria como objetivo principal: "levar os jovens a serem sujeitos de sua própria história", razão pela qual deveria ser adotada uma pedagogia e uma espiritualidade libertadora e militante, que incluísse a valorização: dos aspectos humanos, das culturas afro-brasileiras e latino-americana, além de uma análise da realidade do ponto de vista das classes populares. A questão da militância foi definida como uma ação eficaz para a transformação da história que se concretiza no interior da própria Igreja Católica e na sociedade para construir uma sociedade justa e fraterna.
Em 1985, ocorreu o 6º Encontro Nacional da PJB, que teve como tema o processo de formação na PJB, no qual se buscava um esquema que levasse o jovem de um nível de iniciante para um nível de militância que levasse a um comprometimento com as lutas sociais.
A partir de 1987, os Encontros passaram ter caráter deliberativo, e, portanto, foram denominados como "Assembleia". Naquele ano foi realizada a 7ª Assembleia Nacional da PJB, que teve como tema central o processo de iniciação dos jovens na PJB e que lançou os seguintes desafios: Ter um projeto de sociedade e um método de formação; Desenvolver um trabalho de pastoral urbana; Tornar a PJB mais conhecida em todo o Brasil; e Incentivar as mulheres a participar nas instâncias de coordenação e assessoria. A partir dessa Assembleia ocorreu uma mudança na Coordenação Geral da PJB, que passou a contar com um representante de cada regional da CNBB.
Em 1989, ocorreu a 8ª Assembleia Nacional da PJB, na qual foi debatida a questão do jovem trabalhador e destacado que esse segmento da juventude seria prioritário na ação pastoral, razão pela qual seria necessário conhecer melhor sua realidade. A PJB deveria ajudar esse jovem a ter consciência de classe e participar dos organismos intermediários e das manifestações populares. Desse modo buscava-se assumir a causa dos jovens empobrecidos, ainda que grande parte dos participantes da PJ fosse oriunda da classe média, portanto, a PJ levava os jovens de classe média a assumir os pontos de vista dentro da Igreja Católica que defendiam as classes populares. Outro aspecto foi que percebeu-se que a tentativa de organização por classes sociais não prosperou e passou a prevalecer a organização segundo o meio social (escola, bairro, zona rural ou comunidade eclesial).