thumb|Azeitonas, o fruto de uma oliveira. thumb|Oliveira (Olea europaea) com frutos verdes. thumb|Fruto de Oleaceae (género Chionanthus). thumb|Flor do género Jasminum thumb| Nyctanthes arbor-tristis (ilustração). thumb|Ramo com folhas e inflorescência do ligustro-comum (Ligustrum vulgare). Oleaceae é uma família de plantas com flor, da ordem Lamiales, que agrupa cerca de 620-700 espécies de arbustos, árvore e algumas lianas, com flores frequentemente numerosas e muito perfumadas,Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. . repartidas por 25-28 géneros, um dos quais recentemente extinto.Peter S. Green. 2004. "Oleaceae". pages 296-306. In: Klaus Kubitzki (editor) and Joachim W. Kadereit (volume editor). The Families and Genera of Vascular Plants volume VII. Springer-Verlag: Berlin; Heidelberg, Germany. A família tem uma distribuição subcosmopolita, que vai desde a região subártica até às partes mais meridionais da África, Austrália e América do Sul. A família inclui espécies bem conhecidas e de grande importância económica, como a oliveira, o freixo, o jasmim e várias plantas ornamentais populares, incluindo o ligustro, a forsythia, a chionanthus e o lilás.Anthony Huxley, Mark Griffiths, and Margot Levy (1992). The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. The Macmillan Press,Limited: London. The Stockton Press: New York. (set). Descrição A família Oleaceae, cujo nome deriva do latim "olea" ou "oliva" e do grego "elaia" = óleo, é uma família de angiospermas que agrupa espécies cujo hábito pode ser do tipo arbusto, árvore ou liana, sendo as oliveiras, o lilás e o jasmim os seus mais conhecidos representantes. A família Oleaceae é um grupo monofilético com base em análises filogenéticas e morfológicas.
A família Oleaceae é um clado divergente dentro da ordem Lamiales. A maioria das espécies da ordem Lamiales apresenta flores bilabiadas, nas quais o tubo da corola possui dois lobos que são formados pelas duas pétalas superiores e três inferiores, o que lhes cofere um carácter marcadamente zigomórfico. Também apresentam quatro estames, sendo dois longos e dois curtos. Porém, as Oleaceae possuem flores actinomórficas (com simetria radial), com quatro pétalas e estames reduzidos a apenas dois. As Oleaceae foram frequentemente incluídas numa ordem própria por serem muito diferentes das outras famílias de Lamiales, sendo essa ordem denominada Oleales.
A família Oleaceae pode ser dividida, do ponto de vista morfológico, em dois agrupamentos taxonómicos distintos: Jasminoideae e Oleoideae. Em Jasminoideae, há presença de óvulos eretos por lóculo e de quatro a doze pétalas, sendo, além disso, um grupo parafilético. Já em Oleoideae há dois óvulos pêndulos, quatro pétalas e presença de glicosídeos de flavonas, características essas que tornam o grupo monofilético. Nas recentes classificações de base filogenética, a divisão em subfamílias foi abandonada, optando-se antes pela divisão em tribos.
Morfologia Os membros da família Oleaceae caracterizam-se por serem plantas lenhosas, principalmente árvores e arbustos, e algumas lianas (trepadeiras lenhosas). Alguns dos arbustos são escandentes, subindo por entre outra vegetação. Estas espécies crescem de forma independente, eretas ou trepadeiras. No género Jasminum, os rebentos enrolam-se no sentido anti-horário. O crescimento secundário em espessura ocorre a partir de um anel de câmbio convencional. Existem tricomas complexos, geralmente escamiformes em forma de escudo (peltados); podem existir pelos glandulares (indumento). O ritidoma apresenta lenticelas. Os botões vegetativos apresentam escamas protetivas. São espécies geralmente ricas em glicosídeos fenólicos.
As folhas, divididas em pecíolo e limbo, são geralmente de filotaxia oposta, simples ou pinadas (no eixo da ráquis os folíolos são dispostos alternadamente) ou compostas trifoliadas (ternadas, pecíolo com três ou mais de três folíolos impares), com as margens das folhas serrilhadas, dentadas ou inteiras. A nervação é peninérvea (nervura primária única seguida de nervuras secundárias). Não apresentam estípulas.
Apesar da família ser caracterizada por folhas opostas, embora raramente, ocorrem disposições alternadas ou verticiladas, com algumas espécies de Jasminum apresentando uma configuração espiralada.Peter S. Green and Diana Miller. 2009. The Genus Jasminum in Cultivation. Royal Botanic Gardens, Kew. . As folhas são bifaciais, apresentando diferenciação dorsiventral. Os estômatos, geralmente anomocíticos, encontram-se principalmente na parte inferior da folha. São observadas domácias em certos táxons. As folhas podem ser caducas ou perenes, com espécies perenes predominando em regiões temperadas e tropicais quentes, e espécies caducifólias predominando em regiões mais frias.
As flores ocorrem em inflorescências terminais ou axilares, com estruturas muito diferentes (cimosas, paniculadas, racemosas, umbeliformes ou em cachos), mas pode estar reduzidas a uma flor solitária, em posição terminal ou axilar. As plantas são na maioria das vezes hermafroditas, mas às vezes poligamo-monoicas.
thumb|350px|centro|Diagrama floral de A: Syringa vulgaris, B/C: Jasminum humile sin.: Jasminum pubigerum, D: Jasminum odoratissimum.
As flores são geralmente hermafroditas, raramente unissexuais (apenas com o androceu ou o gineceu presente na flor), podendo ser monoicas, dioicas ou subdioicas, dependendo da espécie. Apresentam simetria radial (actinomórficas) e são frequentemente perfumadas. Geralmente tem quatro sépalas e pétalas conatas (quando as partes de um mesmo verticilo, pétalas ou sépalas, estão fundidas), também são imbricadas com a porção central dos lobos encontrando-se. O cálice e a corola, quando presentes, são gamosépalos e gamopétalos, respetivamente, com os seus lóbulos connatos, pelo menos na base.
As flores, frequentemente perfumadas, são geralmente radialmente simétricas, na maioria das vezes com quatro pétalas e, na maioria das vezes, com invólucro floral duplo (ocasionalmente, todas as pétalas têm a mesma forma). As quatro (raramente nenhuma ou até 16) sépalas ocorrem em pares ou são todas tubulares ou, raramente, quase livres. As quatro, raramente nenhuma (em Nestegis, Forestiera e Fraxinus, géneros que são polinizadas pelo vento) ou até 16 pétalas são geralmente fundidas. Apenas o verticilo interno de estames está presente: raramente são quatro, geralmente apenas dois estames férteis. Estes estamos são livres entre si ou podem estar fundidos com os pétalas. Por vezes, nenhum filamento é visível, as anteras são então sésseis. As anteras, dorsifixas ou basifixas, abrem-se por uma fenda longitudinal e não possuem apêndices.
O androceu tem dois estames, inseridos no tubo da corola e alternando com os lóbulos desta, com filetes fundidos com a corola (adnatos), grãos de pólen tricolpados (três poros que ocorrem no pólen de dicotiledóneas). O gineceu consiste num pistilo composto com dois carpelos conatos com dois estigmas bilobados ou capitados. O ovário é súpero com dois lóculos, com dois óvulos (às vezes 4, raramente muitos) por lóculo, com tegumento e megasporângio de parede fina. A placentação é axial.
Apresentam geralmente disco nectarífero, que quando presente circunda a base do ovário, com glândulas produtoras de néctar que usualmente se localizam próximo à base do androceu ou gineceu.
Os frutos podem ser do tipo cápsula loculicidas, sâmara (frequentemente aladas), baga ou drupa. Endosperma presente ou ausente. Na reprodução corre tanto polinização cruzada como a autopolinização, dependendo da sexualidade da flor (bissexuada ou unissexuada). Os frutos contêm apenas uma a quatro sementes. Se as sementes possuírem endosperma, então são oleosas. O embrião, reto e sem clorofila, possui duas folhas germinativas (cotilédones) e uma radícula voltada para cima ou para baixo.
O número cromossómico básico é x = 10, 11, 13, 14, 23 ou 24.
A característica óbvia que distingue a família Oleaceae e a sua família irmã, as Carlemanniaceae, de todas as outras, é o facto de, embora as flores sejam actinomórficas, o número de estames ser reduzido a dois.
Fitoquímica Os tecidos dos membros da família Oleaceae são geralmente ricos em alcalóides. Em quatro géneros foram detetados verbascosídeos. Podem estar presentes saponinas e flavonóis (quercetina e/ou kaempferol). Está quase sempre presente ácido ursólico.
Usos Muitos membros da família são economicamente significantes. A oliveira (Olea europaea) é economicamente muito importante pelo seu fruto e pelo azeite extraído dele, sendo uma das principais culturas da região europeia e norte-africana do Mediterrâneo.
Os freixos (Fraxinus) são valorizados pela sua madeira resistente e como árvores de somra e para paisagismo. As forsythias, lilases, jasmins, ligustros, e outras espécies de flores abundantes e fragrantes, são valorizadas como plantas ornamentais em jardins e em paisagismo. Pelo menos duas espécies de jasmim são a fonte de um óleo essencial e as suas flores são frequentemente adicionadas ao chá.
Espécies dos géneros Fraxinus e Forsythia também são usados como plantas medicinais. Sistemática e filogenia
Taxonomia e diversidade
A família Oleaceae foi descrita em 1809 por Johann Centurius von Hoffmannsegg e Johann Heinrich Friedrich Link na sua obra intitulada Flore portugaise ou description de toutes les ..., vol. 1, p. 62. O género tipo é Olea , as oliveiras. São sinónimos taxonómicos para Oleaceae nom. cons os seguintes: Bolivariaceae , Forestieraceae , Fraxinaceae , Jasminaceae , Lilacaceae nom. illeg., Nyctanthaceae e Syringaceae
As classificações recentes já não reconhecem subfamílias, mas a família está dividida em cinco tribos. A singularidade de cada tribo foi fortemente comprovada em estudos de filogenética molecular, mas as relações entre as tribos só foram esclarecidas em 2014. A árvore filogenética para Oleaceae é um grau 5 que pode ser representado como {Myxopyreae [Forsythieae (Fontanesieae <Jasmineae + Oleeae>)]}.
Os principais centros de diversidade da família Oleaceae estão no Sudeste Asiático e na Austrália.Armen L. Takhtajan (Takhtadzhian). Flowering Plants second edition (2009). Springer Science+Business Media. (print) (eBook). Thá também um número significativo de espécies na África, na China,Mei-chen Chang, Lien-ching Chiu, Zhi Wei, and Peter S. Green. 1996. "Oleaceae" pages 272-319. In: Wu Zhengyi, Peter H. Raven, and Hong Deyuan (editors). 1994 onward. Flora of China vol. 15: Myrsinaceae – Loganiaceae. Science Press: Beijing, China; and Missouri Botanical Garden Press: St. Louis, MO, USA. (vol. 15) (set). e na América do Norte.
Nos trópicos, a família está representada numa grande variedade de habitats, desde florestas secas de baixa altitude até às florestas de montanha e às florestas de nuvens. Na família Oleaceae, a dispersão de sementes é quase inteiramente feita pelo vento ou pos animais. No caso de os frutos serem bagas, a espécie é dispersa principalmente por aves. Os frutos dispersos pelo vento são sâmaras.
Algumas das obras mais antigas reconhecem até 29 géneros na família Oleaceae.Flora ornamental española, VI (Araliaceae – Boraginaceae) , 2010. Hoje, a maioria dos autores reconhece pelo menos 25, mas esse número irá mudar, pois recentemente comprovou-se que alguns desses géneros são polifiléticos.
As estimativas do número de espécies na família Oleaceae variam entre 600 e 900. A maior parte da discrepância no número de espécies deve-se ao género Jasminum, que conta com apenas 200 espécies, mas para o qual até 450 espécies foram consideradas validamente descritas.David J. Mabberley. 2008. Mabberley's Plant-Book third edition (2008). Cambridge University Press: UK. .