Ellen Cicely Wilkinson (Manchester, 8 de outubro de 1891 – Londres, 6 de fevereiro de 1947) foi uma política britânica. Filiada ao Partido Trabalhista, serviu como Ministra da Educação de julho de 1945 até sua morte em 1947. No início de sua carreira como parlamentar (MP) da Câmara dos Comuns pelo distrito de Jarrow, tornou-se nacionalmente conhecida quando desempenhou um papel de destaque na Marcha de Jarrow de 1936 — realizada em favor do direito ao trabalho. Apesar de malsucedida na época, a marcha tornou-se simbólica na década de 1930 e ajudou a formar as posições relacionadas ao desemprego e à justiça social após a Segunda Guerra Mundial.
Wilkinson nasceu em uma pobre porém ambiciosa família, ingressando no movimento socialista ainda na juventude. Após se formar na Universidade de Manchester, trabalhou em uma organização sufragista e mais tarde como dirigente sindical. Inspirada pela Revolução Russa de 1917, juntou-se ao Partido Comunista Britânico e, enquanto procurava maneiras de alcançar o poder por meio do Partido Trabalhista, promoveu o socialismo revolucionário. Foi eleita para o parlamento pelo distrito de Middlesbrough East em 1924 e apoiou a Greve Geral de 1926. No governo trabalhista de 1929–1931, serviu como secretária parlamentar privada do ministro júnior da Saúde. Esteve associada com a jovem ativista Jennie Lee. Após sua derrota nas eleições de 1931 no distrito de Middlesbrough, tornou-se uma prolífica jornalista e escritora, antes de ser eleita parlamentar pelo distrito de Jarrow em 1935. Wilkinson atuou como uma forte defensora do governo republicano na Guerra Civil Espanhola e fez várias visitas aos campos de batalha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Wilkinson serviu na coalizão de guerra de Winston Churchill como ministra júnior, trabalhando principalmente no Ministério de Segurança Interna com Herbert Morrison. Apoiou as tentativas de Morrison de substituir Clement Attlee como líder do Partido Trabalhista, embora Attlee a tenha nomeado como Ministra da Educação quando formou o governo do pós-guerra. Naquela época, devido aos anos de trabalho excessivo, sua saúde estava frágil. Sua principal tarefa era implementar a Lei de Educação de 1944, com apoio da coalizão de guerra, ao invés de introduzir mais radicalmente as escolas abrangentes favorecidas por muitos no Partido Trabalhista. A maior parte de sua energia foi destinada a organizar o aumento da idade do abandono escolar de 14 para 15 anos. Em um inverno excepcionalmente frio em 1947, sucumbiu a uma doença brônquica e morreu após uma sobredose de medicamentos, a qual o inquérito do legista declarou que se tratou de um acidente.
Primeiros anos
Família esquerda|miniaturadaimagem|225x225px|O prédio na junção da Devonshire Street e Hyde Road, Ardwick, que abrigava a Ardwick Higher Elementary School em 1900
Ellen Wilkinson nasceu em 8 de outubro de 1891, na Rua Coral, número 41, no distrito de Chorlton-on-Medlock em Manchester. Seu pai chamava-se Richard Wilkinson, um trabalhador do ramo de algodão que se tornou agente de seguros, e sua mãe se chamava Ellen Wilkinson. Richard Wilkinson foi um pilar de sua igreja metodista wesleyana local e combinou um forte senso de justiça social com visões francas sobre autoajuda. Segundo Ellen, em vez de defender a solidariedade da classe trabalhadora, sua opinião era: "Eu me puxei para fora da sarjeta, por que eles não podem?". Totalmente autodidata, ele garantiu que seus filhos recebessem a melhor educação disponível, incentivou-os a ler amplamente e inculcou fortes princípios cristãos.
Aos seis anos, Ellen começou a frequentar o que descreveu como "uma escola primária imunda com cinco classes em uma sala". Uma série de doenças infantis a manteve em casa por dois anos, mas aproveitou o tempo para aprender a ler. Em seu retorno à escola, fez um rápido progresso e, aos 11 anos, ganhou uma bolsa de estudos para a Ardwick Higher Elementary School. Franca e frequentemente rebelde, depois de dois anos se transferiu para a Stretford Road Secondary School for Girls, uma experiência que mais tarde lembrou como "horrível e ingovernável". Ela compensou as deficiências da escola lendo, com o incentivo de seu pai, as obras de Haeckel, Thomas Huxley e Darwin.
O magistério era uma das poucas carreiras então abertas para meninas educadas da classe trabalhadora e, em 1906, Ellen ganhou uma bolsa de 25 libras que lhe permitiu começar seu treinamento. Durante metade da semana, frequentou o Manchester Day Training College e, durante a outra metade, lecionou na Oswald Road Elementary School. Sua abordagem de sala de aula — ela procurou despertar o interesse de seus alunos, em vez de impor a aprendizagem por memorização — levou a conflitos frequentes com seus superiores, e a convenceu de que seu futuro não residia no ensino. Na faculdade, onde foi incentivada a ler mais amplamente e a se envolver com as questões da época, descobriu o socialismo por meio das obras de Robert Blatchford. A essa altura, estava impaciente com a religião — o socialismo forneceu um substituto oportuno e atraente.
Aos 16 anos, juntou-se à filial do Partido Trabalhista Independente (ILP, na sigla em inglês) em Longsight, e em uma de suas primeiras reuniões encontrou Katherine Bruce Glasier, cuja cruzada pelo socialismo a impactou profundamente. Trinta anos depois, Wilkinson disse a seu colega George Middleton, a respeito de Glasier: "me trouxe para o movimento socialista... Sempre me sinto humilde ao pensar em sua coragem indomável". Depois de conhecer a sufragista Hannah Mitchell, assumiu a causa do sufrágio feminino, a principal questão dos direitos das mulheres da época. Embora inicialmente envolvida em tarefas cotidianas, como distribuição de folhetos e colocação de cartazes, deixou uma impressão considerável em Mitchell, que mais tarde se lembrou dela como "brilhante e talentosa".
Universidade miniaturadaimagem|Whitworth Hall, edifício Oxford Road da Universidade de Manchester
Determinada a iniciar uma carreira fora do ensino, em 1910, concorreu e ganhou a bolsa de estudos Jones Open History, que lhe deu uma vaga na Universidade de Manchester. Lá, encontrou muitas oportunidades para estender suas atividades políticas. Ingressou no ramo universitário da Sociedade Fabiana e acabou tornando-se sua secretária adjunta. Ellen continuou seu trabalho sufragista juntando-se à Manchester Society for Women's Suffrage, onde impressionou Margaret Ashton, a primeira mulher a integrar o Conselho Municipal de Manchester, por seus esforços nos distritos eleitorais de North Manchester e Gorton. Por meio dessas e de outras atividades de campanha, pôde conhecer muitos dos líderes contemporâneos da esquerda radical — a veterana ativista Charlotte Despard, o líder do ILP William Crawford Anderson, além de Beatrice e Sidney Webb, entre outros. Também foi influenciada por Walton Newbold, um estudante mais velho e que mais tarde se tornou o primeiro parlamentar comunista do Reino Unido. Os dois ficaram noivos por um breve período e, embora logo tenham rompido, eles permaneceram associados políticos por muitos anos.
Em seu último ano na universidade, foi cooptada para o comitê executivo da University Socialist Federation (USF), uma organização interinstitucional formada para reunir estudantes com mentalidade socialista de todo o país. Isso trouxe novos contatos, que normalmente se encontravam nas escolas de verão da Sociedade Fabiana para ouvir palestras de líderes do ILP, como Ramsay MacDonald e Arthur Henderson, e ativistas sindicais, como Ben Tillett e Margaret Bondfield. Em meio a essas distrações, continuou a estudar muito e ganhou vários prêmios. No verão de 1913, fez as provas finais e recebeu seu diploma de bacharelado — não as honras de primeira classe que seus professores haviam previsto, mas uma Segunda Superior. A respeito, racionalizou da seguinte forma: "Eu sacrifiquei deliberadamente minha Primeira ... para dedicar meu tempo livre a uma greve em Manchester".
Carreira
Início da carreira
Organizadora sindical Ao deixar a universidade em junho de 1913, Wilkinson tornou-se uma trabalhadora assalariada da União Nacional das Sociedades de Sufrágio Feminino (NUWSS). Ajudou a organizar a Peregrinação do Sufrágio de julho de 1913, quando mais de 50 mil mulheres marcharam de todo o país para um comício em Hyde Park, Londres. Começou a desenvolver uma compreensão mais completa dos mecanismos da política e das campanhas, e se tornou uma oradora talentosa, capaz de ter um bom desempenho mesmo nas reuniões públicas mais hostis.
Quando a Primeira Guerra Mundial começou em agosto de 1914, assim como muitos no movimento trabalhista, condenou-a como um exercício imperialista que resultaria na morte de milhões de trabalhadores. No entanto, assumiu o papel de secretária honorária da filial de Manchester do Women's Emergency Corps (WEC), um órgão que encontrou trabalho de guerra adequado para mulheres voluntárias. Com o advento da guerra, o NUWSS ficou dividido entre facções pró-guerra e pró-paz. Eles finalmente se separaram, os pacificadores (incluindo o ramo de Wilkinson em Manchester) acabaram se alinhando com a Liga Internacional das Mulheres pela Paz e Liberdade (WIL), e incluíram Agnes Harben. Com pouca atividade de sufrágio para organizar, procurou outro emprego e, em julho de 1915, foi nomeada organizadora nacional da União Amalgamada de Trabalhadores Cooperativos (AUCE), com responsabilidade particular pelo recrutamento de mulheres para o sindicato.
Neste cargo, lutou pela igualdade salarial para os que têm o mesmo trabalho e pelos direitos dos trabalhadores não qualificados e com salários mais baixos, quando esses interesses conflitavam com os dos sindicatos de artesãos com salários mais altos. Organizou uma série de ações para atingir esses objetivos com notáveis sucessos em Carlisle, Coatbridge, Glasgow e Grangemouth. No entanto, teve menos sucesso em gerenciar uma longa disputa na gráfica Longsight em Manchester, no verão de 1918, onde os oponentes descreveram sua tática como "guerra de guerrilha irracional". Como resultado de suas ações, perdeu brevemente seu emprego no sindicato, sendo rapidamente reintegrada após protestos de membros e depois de se desculpar por seu papel na greve. A partir de 1918, serviu como nomeada de seu sindicato em várias Juntas Comerciais — órgãos consultivos nacionais que tentavam estabelecer taxas de salário mínimo para trabalhadores de baixa remuneração. Em 1921, a AUCE se fundiu com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Armazéns e Trabalhadores em Geral para formar o Sindicato Nacional dos Trabalhadores Distribuidores e Aliados (NUDAW).
O trabalho de Wilkinson para o sindicato trouxe novas alianças e novas amizades úteis — incluindo uma com John Jagger, o futuro presidente do sindicato. Ela permaneceu uma integrante ativa da Sociedade Fabiana, e depois que o Departamento de Pesquisa se tornou o Departamento de Pesquisa do Trabalho, em 1917, atuou no comitê executivo do novo órgão. Por meio dessas conexões, tornou-se membro da National Guilds League (NGL), uma organização que promoveu a democracia industrial, o controle pelos trabalhadores e as associações de produtores em um sistema nacional de guildas. Manteve sua ligação com o WIL, cuja conferência de 1919 adotou uma postura não pacifista que justificava a luta armada como um meio de derrotar o capitalismo. Depois de visitar a Irlanda para o WIL em 1920, tornou-se uma crítica aberta das ações do governo britânico naquele país, em particular o uso do "Black and Tans" como força paramilitar. Apresentou provas sobre a conduta das forças britânicas na Irlanda no Comitê de Investigação do Congresso em Washington em dezembro daquele ano. Ela pediu uma trégua imediata e a libertação dos prisioneiros republicanos.
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