O USS Wichita foi um cruzador pesado operado pela Marinha dos Estados Unidos. Ele originalmente foi concebido como um membro da Classe New Orleans, porém seu projeto foi amplamente alterado antes do início da construção. Suas obras começaram em outubro de 1935 no Estaleiro Naval da Filadélfia e foi lançado ao mar em novembro de 1937, sendo comissionado na frota estadunidense em fevereiro de 1939. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 203 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de treze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 33 nós (61 quilômetros por hora).

O Wichita patrulhou o Oceano Atlântico antes dos Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, com ele sendo inicialmente designado para escoltar comboios para a União Soviética no início de 1942 e depois para apoiar a invasão Aliada do Norte da África no final do ano. O cruzador foi transferido para a Guerra do Pacífico no ano seguinte, onde permaneceu até o fim do conflito. O Wichita fez parte da escolta de uma força tarefa de porta-aviões, frequentemente proporcionando defesa antiaérea, também tendo participado da Batalha do Mar das Filipinas e da Batalha do Golfo de Leyte, ambas em 1944. Nesta última, o Wichita ajudou a afundar o porta-aviões japonês Chiyoda.

A embarcação esteve envolvida em várias ações da Batalha de Okinawa em 1945, proporcionando grande apoio de artilharia para as tropas estadunidenses em terra. O Japão se rendeu em agosto e o Wichita foi um dos primeiros navios de guerra que chegaram no Japão como parte da força de ocupação. Em seguida foi designado para transportar soldados estadunidenses de volta para casa, realizando duas viagens desse tipo até fevereiro de 1946. O cruzador foi colocado na reserva em julho e depois descomissionado em fevereiro de 1947. O Wichita permaneceu inativo na Frota de Reserva do Atlântico até o início de março de 1959, quando foi removido do registro naval e desmontado.

Desenvolvimento Curtis D. Wilbur, o Secretário da Marinha dos Estados Unidos, defendeu no início da década de 1930 um novo programa de construção para cruzadores rápidos e pesados. Ele conseguiu aprovar a Lei de Cruzadores de 1929, que autorizava várias novas embarcações. Cinco cruzadores pesados foram encomendados entre 1931 e 1934. O Wichita foi o último cruzador pesado permitido aos Estados Unidos pelos termos do Tratado Naval de Londres de 1930, que limitava o país a dezoito navios do tipo com um deslocamento padrão máximo de 10 160 toneladas. A embarcação originalmente seria construída como membro da Classe New Orleans, porém o projeto foi retrabalhado antes da construção começar. O Wichita acabou sendo inspirado nos cruzadores rápidos da Classe Brooklyn, mas muito modificado para que pudesse ter uma borda livre mais alta, melhor estabilidade e maior autonomia. A bateria secundária de oito canhões de 127 milímetros era idêntica aos cruzadores rápidos, mas arranjados de forma a terem melhores arcos de disparo. A bateria principal foi montada em novas torres de artilharia projetadas com o objetivo de retificar problemas descobertos em cruzadores anteriores.

Projeto Características thumb|220px|esquerda|Desenho do Wichita O Wichita tinha 182,9 metros de comprimento da linha de flutuação, 185,42 metros de comprimento de fora a fora, boca de 18,82 metros e calado de 7,24 metros. Seu deslocamento padrão era toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Sua tripulação consistia em 929 oficiais e marinheiros. Era equipado com quatro hidroaviões e duas catapultas na popa, mais um guindaste para manejar as aeronaves. O sistema de propulsão era composto por oito caldeiras Babcock & Wilcox de tubos d'água que impulsionavam quatro turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 102 mil cavalos-vapor (75 mil quilowatts), suficiente para uma velocidade máxima de 33 nós (61 quilômetros por hora). Transportava entre e toneladas de óleo combustível, o que proporcionava uma autonomia de dez mil milhas náuticas ( quilômetros) a quinze nós (28 quilômetros por hora).

O cinturão de blindagem tinha 162 milímetros de espessura à meia-nau, sendo feiro de blindagem Classe A. A espessura reduzia-se para 101 milímetros nas extremidades. Atrás do cinturão havia uma camada de aço de tratamento especial com dezesseis milímetros de espessura. O aço Classe A era significativamente mais eficaz que o Classe B usado em cruzadores anteriores; canhões de 203 milímetros precisavam estar a menos de 9,1 quilômetros de distância para poderem perfuram o cinturão, diferentemente dos quinze quilômetros da blindagem anterior. O Wichita tinha um convés com 57 milímetros de espessura, que era imune a projéteis de 203 milímetros a menos de 20,1 quilômetros de distância. A torre de comando tinha laterais de 152 milímetros e teto de 57 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes de 203 milímetros, laterais de 95 milímetros, traseiras de 38 milímetros e tetos de setenta milímetros. As torres ficavam em cima de barbetas blindadas protegidas por placas de 177 milímetros de espessura.

Armamentos A bateria principal do Wichita consistia em nove canhões Marco 12 calibre 55 de 203 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. As armas disparavam projéteis de 152 quilogramas a uma velocidade de saída de 760 metros por segundo. Sua elevação máxima era de 41 graus, o que proporcionava um alcance de 27,4 quilômetros. A cadência de tiro era de aproximadamente um disparo a cada quinze segundos. As torres permitiam que cada armas elevasse e disparasse individualmente. A bateria secundária consistia em oito canhões de duplo-propósito Marco 12 calibre 38 de 127 milímetros, quatro em montagens individuais fechadas Marco 30 e quatro em montagens abertas. Estas armas disparavam projéteis de 25 quilogramas a uma velocidade de saída de 790 metros por segundo e com uma cadência de tiro de vinte disparos por minuto. Contra alvos aéreos, em elevação máxima de 85 graus, o teto máximo de disparo era de 11,3 quilômetros de altura. Contra alvos de superfícies os canhões podiam disparar a um alcance máximo de 16,6 quilômetros a uma elevação de 45 graus. O Wichita foi o primeiro cruzador dos Estados Unidos equipado com o canhão calibre 38 de 127 milímetros.

A embarcação foi equipada várias armas menores para defesa antiaérea no decorrer de sua carreira até agosto de 1945. Dezesseis canhões Bofors de 40 milímetros foram instalados em quatro montagens quádruplas, mais oito canhões em quatro montagens duplas. Também tinha dezoito canhões Oerlikon de 20 milímetros em montagens únicas. As armas de 40 milímetros tinham um teto de disparo de 6,9 quilômetros a uma elevação de noventa graus e uma cadência de tiro máxima de 160 disparos por minuto. As armas de 20 milímetros tinham uma cadência de tiro de 465 a 480 disparos por minuto, com seu teto máximo sendo de três quilômetros. O navio também foi equipado com uma variedade de sistemas de controle de disparo, incluindo um equipamento de controle Marco 34 e radares de controle de disparo Marco 13 e Marco 28.

História Tempos de paz thumb|170px|O lançamento do Wichita em 16 de novembro de 1937 O batimento de quilha do Wichita ocorreu em 28 de outubro de 1935 no Estaleiro Naval da Filadélfia, na Pensilvânia. Foi lançado ao mar em 16 de novembro de 1937, quando foi batizado por Margaret Weigester, filha de William Augustus Ayres, o presidente da Comissão Federal de Comércio. Descobriu-se em fevereiro de 1938, quando o navio foi finalizado, que ele estava quase acima do limite de 10,1 mil toneladas; consequentemente, foi completado com apenas dois de seus oito canhões de 127 milímetros para que pudesse ficar abaixo das restrições do Tratado Naval de Londres. Foi constatado depois que as armas restantes foram instaladas que o cruzador era muito pesado acima da linha d'água, assim 203,6 toneladas de gusa foram adicionadas ao fundo da embarcação com o objetivo de equilibrá-lo. O Wichita foi comissionado na Marinha dos Estados Unidos em 16 de fevereiro de 1939 com o número de registro CA-45. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão Thaddeus A. Thomson.

O cruzador seguiu para Houston, no Texas, logo depois de seu comissionamento. Chegou em 20 de abril e participou da dedicatória e serviço memorial do Monumento de San Jacinto. Deixou Houston em 1º de maio para seu cruzeiro de testes, durante o qual visitou as Ilhas Virgens, Cuba e as Bahamas, retornando então para a Filadélfia a fim de passar por reparos pós-testes. O Wichita foi designado para a Divisão de Cruzadores 7 na Esquadra do Atlântico em 25 de setembro, apenas algumas semanas depois do início da Segunda Guerra Mundial, ficando baseado em Hampton Roads. Realizou sua primeira patrulha de neutralidade entre 4 e 9 de outubro. Foi para uma doca seca no Estaleiro Naval de Norfolk, na Virgínia, assim que retornou para manutenção, com os trabalhos durando até 1º de dezembro. Três dias seguiu para a Baía de Guantánamo, em Cuba, chegou no dia 8. Thomson assumiu no local o comando da recém-formada Patrulha Caribenha, que incluía o Wichita, o cruzador pesado , os contratorpedeiros USS Borie, USS Broome, USS Lawrence, USS King e USS Truxtun, mais os Esquadrões de Patrulha 33 e 51. Os navios realizaram uma série de exercícios de treinamento no Mar do Caribe pelos três meses seguintes. O Wichita voltou para Norfolk no final de fevereiro de 1940, participando de mais treinamentos até maio.

thumb|240px|esquerda|O Wichita em 1º de maio de 1940 O Wichita e o cruzador pesado realizaram uma viagem pela América do Sul, com o Wichita sendo a capitânia do contra-almirante Andrew C. Pickens, o comandante da Divisão de Cruzadores 7. As paradas incluíram Rio de Janeiro e Santos no Brasil, Buenos Aires na Argentina e Montevidéu no Uruguai. O cruzeiro terminou no final de setembro e os dois chegaram de volta em Norfolk no dia 24. Pelos três meses seguintes o Wichita serviu de navio-escola para aspirantes da reserva e realizou exercícios de artilharia. O navio deixou Hampton Roads em 7 de janeiro de 1941 e navegou para a Baía de Guantánamo, chegando quatro dias depois. Participou de manobras no Mar do Caribe até março e então de exercícios de desembarques anfíbios em Porto Rico. Retornou para os Estados Unidos e entrou no Estaleiro Naval de Nova Iorque em 23 de março. O Wichita voltou para o mar em 6 de abril, seguindo para as Bermudas, onde chegou dois dias depois. Juntou-se ao porta-aviões e ao cruzador pesado para uma patrulha no Oceano Atlântico, durante o qual navegaram até oitocentas milhas náuticas (1,5 mil quilômetros) da Irlanda.

O cruzador voltou para o Estaleiro Naval de Nova Iorque em 17 de maio e entrou em uma doca seca em 21 de junho. A manutenção terminou em 2 de julho e o Wichita foi enviado para Newport, em Rhode Island. Partiu em 27 de julho para a Islândia como parte da Força Tarefa 16 sob a Operação Índigo II, a Ocupação Aliada da Islândia. Chegou em Reykjavík em 6 de agosto junto com o porta-aviões e o couraçado . Um contingente de tropas do Exército dos Estados Unidos foi desembarcado junto com caças para proporcionar suporte aéreo. O cruzador voltou para casa em 20 de agosto, mas retornou para a Islândia em setembro, aportando em Reykjavík no dia 28. A Marinha dos Estados Unidos tinha ordenado dois dias antes que seus navios no Atlântico protegessem qualquer embarcação mercante dentro das águas defensivas do país. As ordens autorizavam patrulhas, escoltas e ataques a quaisquer forças alemãs ou italianas encontradas. O Wichita foi designado para o Grupo de Tarefas 7.5, que ficou fazendo patrulha ao redor da Islândia até o final do ano. O Japão atacou Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro, fazendo os Estados Unidos entrarem na guerra.

Segunda Guerra Mundial Atlântico thumb|240px|O Wichita durante uma tempestade no Atlântico em janeiro de 1942